Capítulo 54 ao 55







Capítulo 54 – Camuflagem



OUÇA A MÚSICA ABAIXO,ENQUANTO LÊ:



O silêncio no porão se manteve por um longo tempo. Todos pareciam tentar absorver o que havia acabado de ser revelado. Até mesmo Steven e o meu pai, que sempre souberam de tudo, estavam visivelmente tensos. Eu olhava para o e pro Mark e não conseguia aceitar que duas pessoas tão diferentes poderiam ter o mesmo sangue. Eu não conseguia acreditar que o Mark tinha um vínculo familiar com a minha querida tia Janice. Eu estava completamente em choque, mas os dois interessados não. Eles pareciam repudiar a ideia só com os olhares que lançavam um para o outro. Olhares que, apesar de relutarem a mesma verdade, reagiam de forma diferente. Naquele momento, a notícia de que tinha um irmão significava para o uma mentira suja de seu pai, enquanto que para Mark, significava uma resposta de tudo o que ele sempre quis saber.

- Que brincadeira é essa? – Mark deixou de olhar para olhar para o homem jogado no chão, que tinha acabado de dizer todas aquelas palavras que não faziam sentido algum.
- Essa é a verdade que você tanto queria descobrir. – Steven disse antes de cuspir um pouco de sangue e passar uma das mãos pela sua boca. A resposta do pai fez olhá-lo.
- Não. – negou com a cabeça, sem saber como se expressar. – Isso não é verdade. – Não seria fácil para o aceitar. – Diz que você está mentindo. – Ele pediu andando em direção ao pai.
- Filho... – Steven balançou a cabeça negativamente como se não soubesse como se explicar.
- Diz que você está mentindo, pai! – voltou a pedir, enquanto todos em sua volta apenas observavam a cena em silêncio. – DROGA! DIZ QUE VOCÊ ESTÁ MENTINDO! – Ele gritou, quando viu que o seu pai não se pronunciaria. Em meio aos gritos de , Mark olhou para o meu pai, que era uma das pessoas de mais confiança dali e o único que poderia confirmar aquele absurdo.
- Ela sempre foi apaixonada por ele. – A voz do meu pai se sobressaiu em meio ao clima tenso, enquanto ele olhava pro Mark. Ele sentiu a obrigação de dar explicações. – Steven cresceu comigo e ela sempre estava correndo e brincando no meio de nós. – Meu pai mostrou-se um pouco mais emotivo ao falar sobre a irmã. – Quando ele descobriu sobre a minha traição, ele quis me punir. Ele quis se vingar. – Ele percebeu que também tinha a atenção do . – Eu era um irmão protetor e ele sabia exatamente como me atingir. A Janice não sabia de nada. Ela era completamente inocente na época e foi enganada por ele. – Meu pai disse e viu negar com a cabeça e olhar para o pai com desaprovação. Meus olhos acumulavam lágrimas, que souberam reconhecer o sofrimento da minha tia. – Ele acabou engravidando ela. Ela tinha apenas... 17 anos. – Meu pai completou. Steven viu a indignação nos olhos de ambos os filhos.
- Porque eu nunca soube disso? – perguntou ao pai, que simplesmente não tinha coragem e nem cara de pau para responder. Olhei para o Mark por poucos segundos e ele parecia estar em outro lugar. Os olhos fundos e distantes, que tinha poucos vestígios de lágrimas. Eu não fazia a menor ideia de como ele estava se sentindo.
- Quando eu fiquei sabendo de tudo, eu perdi a minha cabeça e fui tirar satisfações com ele. Eu estava cego de ódio. Eu disse coisas horríveis e prometi vingança. – Meu pai achou que ainda tinha explicações para dar.
- É por isso que o Steven acha que você tentou matá-lo. – Eu deduzi em voz alta. Steven me olhou e meu pai confirmou com a cabeça.
- Ele acha que aquele acidente foi a minha tentativa de cumprir a minha promessa de vingança, mas não foi. – Meu pai disse olhando para o , que afirmou com a cabeça como se tivesse entendido tudo dessa vez. – No dia daquele acidente, eu só soube quem estava no outro carro depois. Foi mesmo um acidente. – Ele completou. deixou de olhar para o meu pai e encarou Steven com os olhos cheios de lágrimas, mas também cheio de ódio.
- Mais uma mentira. – suspirou, tentando se acalmar. – Você apontou o dedo para todos nessa sala e o único que estava me fazendo de idiota todo esse tempo era você! – Steven não tinha explicações para dar, porque tudo aquilo simplesmente não tinha explicação.

A decepção no olhar de um dos filhos fez com que ele procurasse ao menos algo bom no olhar do outro. Mark ainda apontava a arma para o , quando sentiu o olhar do pai sobre ele. Acabou olhando para Steven com uma frieza que ele não sabe de onde veio. Ele engoliu o nó na garganta e respirou fundo antes de abaixar a arma, travá-la e colocá-la novamente entre a calça e a parte detrás de sua cintura. Steven esperava ouvir palavras de ódio e até mesmo algumas verdades, mas ele não chegou nem perto. Para falar a verdade, a atitude de Mark o ofendeu de uma forma que nenhum insulto no mundo ofenderia. Mark veio até mim e se agachou em minha frente.

- Você está bem? – Mark me olhou com extrema preocupação, enquanto suas mãos começavam a soltar as cordas que amarravam os meus pés.
- Eu... – Eu estava muito nervosa e mal conseguia terminar a frase. Minhas mãos tremiam e os meus olhos revezavam entre o meu pai e o Mark.
- Eu vou tirar vocês daqui, está bem? – Mesmo depois de descobrir tudo aquilo sobre a sua vida, Mark ainda arrumou forças para me olhar com carinho e me passar segurança. Steven olhava a cena com desgosto e não conseguia enxergar nada além do ódio de seu pai e da confusão dentro de si.
- Nós precisamos tirar o meu pai daqui. – Esse foi o meu único pedido.
- Nós vamos fazer isso, certo? Você confia em mim? – Mark me perguntou, enquanto soltava as cordas que amarravam fortemente os meus pulsos. Eu o olhei e afirmei com a cabeça, enquanto agradecia mentalmente por ele estar ali.

Mark terminou de desamarrar a última corda que amarrava o meu pulso direito e depois que ele o fez, a minha primeira e única reação foi olhar para o meu pai. Eu levantei da cadeira tão rápido, que nem parecia que minhas pernas doíam por causa das cordas que antes a amarravam. Mark deu passagem para que eu passasse por ele e fosse direto a minha maior prioridade ali.

- Pai! – Eu gritei ao correr em direção ao meu pai. Mesmo com tantas revelações, meu pai era a minha maior preocupação. Ele tinha brigado com o Steven e, por isso, estava um pouco machucado.
- Eu estou bem. – Meu pai tentou me acalmar.
- Eu... preciso te tirar daqui. – Eu olhei para o corte em sua sobrancelha. – Vem. Levanta. – Eu tive um pouco de dificuldade ao ajudar o meu pai a se levantar.
- Eu te ajudo. – Mark não pensou duas vezes em ajudar. Agachou-se ao lado do meu pai, passou o braço dele em torno de seu pescoço e o levantou com cuidado. Eu segurei o meu pai do outro lado. Íamos soltá-lo, quando percebi que o meu pai deu uma leve cambaleada.
- Espera, pai. Nós vamos te segurar, está bem? – Eu o tranquilizei. Mark continuava segurando ele do outro lado e fomos caminhando juntos lentamente em direção a saída.

Steven não teve coragem de dizer absolutamente nada, o que foi ótimo pra ele porque eu realmente não sei o que eu faria se ouvisse novamente a voz dele. Eu nem ao menos me atrevi a olhar pra ele. Eu também não olhei pro , mas não foi por precaução, mas sim por decepção e raiva. Eu não sei qual dos dois sentimentos estão no comando do meu corpo, da minha mente e do meu coração agora, mas eu sabia que era algo muito forte e doloroso.

nos observou sair e não conseguiu dizer nada. Ele se sentia tão mal e tão arrependido com o que tinha feito nos últimos minutos, que tinha certeza que eu jamais conseguiria perdoá-lo. No momento, a tristeza de me ver ir embora sem nem sequer olhá-lo era maior do que a raiva que ele sentia de seu pai. já fez muitas besteiras e muitas coisas que me decepcionaram, mas ele sabia e sentia que essa foi a pior besteira de todas.

Mark estava completamente perdido. O seu corpo ainda correspondia aos seus comandos, mas a sua cabeça estava uma bagunça. Tudo o que ele mais precisava era ir embora daquele lugar e não pensar no ou no Steven. Ele precisava parar e pensar sem tê-los por perto. Me ajudar a tirar o meu pai dali foi a melhor maneira que encontrou de fugir dos seus problemas, que era de longe os piores problemas de qualquer outra pessoa que estava ali.

Seguimos aquele enorme corredor. Eu jamais conseguiria ajudar o meu pai a passar por aquela pequena abertura se o Mark não estivesse ali. Aos poucos, meu pai ia recuperando os seus sentidos e dava indícios de que conseguiria andar com as próprias pernas. Eu estava completamente focada no meu pai para não ter que pensar em tudo o que tinha acabado de acontecer, para não ter que pensar no ou no pai psicopata dele.

- Eu perdi ela. – suspirou em meio ao silêncio ensurdecedor do porão. Ele olhava para o chão, enquanto um filme passava por sua cabeça. Um filme com tudo o que vivemos juntos. Um filme que mostrava a ele o quão estúpido ele havia sido por pensar, por um segundo, que tudo aquilo não era real. – Acabou. – Ele completou, sentindo seus olhos lacrimejarem.
- Você pode não acreditar, mas foi melhor assim. – Steven tentou consolar o filho de alguma forma.
- É isso o que você queria, não é? – levantou o seu rosto e revelou os seus olhos pouco marejados, mas que transmitiam um ódio fora do comum. – Foi pra isso que você voltou? – Ele perguntou novamente e Steven não teve coragem de responder. – Era melhor que não tivesse voltado. – completou antes de afastar-se de seu pai e ir em direção a saída do porão.

Eu estava carregando o meu pai até o carro, mas quem parecia estar sendo carregada era eu. Eu sentia meus ombros pesarem, enquanto a minha cabeça e o meu coração tentavam bloquear qualquer sentimento e pensamento a respeito do que tinha acontecido naquele dia, que mais parecia um pesadelo. Quando nos aproximamos do carro do Mark, meu pai perguntou o que faríamos com o carro dele, que também estava ali. Mark não deixou que ele se preocupasse com isso e logo disse que depois eles pensariam naquilo. A porta do carro chegou a ser aberta e eu estava prestes a ajudar o Mark a colocar com cuidado o meu pai lá dentro, quando ouvi passos rápidos atrás de mim. Mesmo sem me virar, senti o meu coração gelar.

- ! – A voz atrás de mim pronunciou o meu nome como ninguém. Eu engoli seco e me convenci na mesma hora a não olhá-lo.

Mesmo impaciente e ansioso para conversar e esclarecer tudo, esperou até o momento em que coloquei o meu pai no banco de trás do carro. Mark estava tão nervoso, que entrou de uma vez no carro e sentou-se no banco do motorista, depois de se certificar que o meu pai já estava confortável no banco detrás. Eu tinha que dar a volta no carro para poder entrar pela porta do passageiro. Esse era o caminho que eu tinha que fazer para poder me ver livre do . Ainda de costas e me policiando para não dizer tudo o que estava entalado na minha garganta, eu não cheguei a dar mais de dois passos, quando senti a mão dele segurar um dos meus braços.

- Espera, por favor. – Quando senti o toque dele, eu paralisei e em menos de 10 segundos canalizei toda a minha raiva. Eu finalmente virei de frente pra ele e a minha primeira reação foi levar uma das minhas mãos até o seu rosto e estapeá-lo com força.



não esperava o tapa, pois mesmo com tantas brigas que tivemos, isso nunca tinha acontecido. O tapa foi a minha resposta involuntária e imediata diante de tudo o que ele tinha feito. Foi quase como um impulso, uma explosão que eu precisava ter. Ele virou o seu rosto e fechou os olhos por poucos segundos. Os olhos não foram fechados porque o tapa foi dolorido e sim, porque ele não queria aceitar o que aquele simples tapa significava. Eu poderia ter ido embora, mas eu fiquei parada bem ali na frente dele esperando ele voltar a me olhar. Aquele tapa não disse tudo o que eu queria.

- Essa garota que o seu pai acha que eu sou.... – Eu fiz uma breve pausa para poder complementar a frase. Ele levantou o seu rosto e revelou seus olhos sérios, mas também uma expressão extremamente triste. – Essa garota fria, calculista e egocêntrica que você acha que eu sou, vai ser exatamente quem eu vou me tornar se você chegar perto do meu pai de novo. – A frieza com que eu consegui dizer aquela frase parecia que me derrubaria a qualquer momento. O ódio estava exposto nos meus olhos e em todas as outras partes do meu corpo. – Você entendeu? – Eu perguntei e ele ficou me olhando com perplexidade, enquanto o seu coração terminava de se quebrar. O jeito que ele me olhava foi suficientemente para responder a minha pergunta, por isso, eu me virei e dei poucos passos em direção ao outro lado do carro. – Oh, e não se preocupe com o . – Eu fiz questão de voltar para dizer aquilo olhando em seus olhos. – Eu não vou contar pra ele o que aconteceu. – Eu dizia e ele não se manifestava de maneira alguma. achava que não tinha o direito de argumentar qualquer coisa. Ele sabia que era digno de todo o ódio que estava recebendo, mas isso não tornava as coisas mais fáceis pra ele. – Ele te mataria e, além disso, eu não quero que ele sofra uma decepção tão grande quanto a minha. – Eu completei, olhando em seus olhos.

Quando percebi que ele não teria coragem de dizer nada, me afastei e a cada passo que eu dava em direção ao outro lado do carro, eu implorava para que Deus me desse forças para não desabar no meio do caminho. Abri a porta e entrei no carro, batendo a porta em seguida. Já sentada no banco, eu fechei os meus olhos e tentei recuperar todas as minhas forças. Apesar de ter escutado toda a breve conversa, que nem chegou a ser uma discussão, Mark manteve-se em silêncio. Ele não quis opinar ou saber se estava tudo bem. Mark sabia que eu precisava ficar em silêncio para tentar me recuperar. Mesmo querendo se pronunciar, meu pai também ficou em silêncio.

Ainda parado no mesmo lugar de antes, observava o carro se afastar com o olhar perdido. Era como se alguém estivesse levando embora um pedaço dele. Um pedaço da sua felicidade que parecia cada vez mais distante. Enquanto o coração dava a ele todas as esperanças, a razão anulava todas elas. A ficha ainda não tinha caído totalmente, ele ainda estava tentando administrar aquele turbilhão de sentimentos ruins.

No caminho até o hospital, Mark continuava pensando sobre tudo aquilo que tinha descoberto. Nada fazia sentido pra ele. Como a Janice poderia ser a sua mãe? Porque ela nunca contou nada a ele? E porque o seu tinha que ser logo o pai do ? Que tipo de piada de mau gosto é essa? Mark sempre quis saber quem eram os seus pais e sempre teve dezenas de perguntas para serem respondidas, mas agora ele nem sabia se queria saber todas as respostas. Ele não sabia se queria correr pra longe de todas aquelas verdades que estragaram a sua chance de encontrar os melhores pais do mundo. O silêncio dele demonstrava o seu constante esforço para aceitar tudo aquilo.

- , não precisa me levar para o hospital. Eu estou bem. – Meu pai quebrou o silêncio dentro do carro e acabou tirando eu e o Mark de um transe constante.
- É claro que precisa, pai. Você pode ter quebrado alguma coisa e eu quero que você faça alguns exames pra ter certeza. – Eu respondi, virando o meu corpo para trás.
- Eu preciso avisar a sua mãe e... o . Eles devem estar preocupados. – Meu pai moveu as mãos, procurando o celular em seu bolso.
- Eu ligo assim que chegarmos no hospital, está bem? Não se preocupa. – Eu não queria que ele se preocupasse com ninguém além dele naquele momento.

Não demoramos para chegar no hospital. É claro que fiz questão de levá-lo até o hospital em que eu trabalhava, pois já sabia que lá eu teria algumas regalias e vantagens que em outros hospitais eu não teria. Mark estacionou o carro em uma das vagas de emergência e juntos nós ajudamos o meu pai a sair do carro. Ele não estava com tanta dificuldade para andar como antes, mas o meu cuidado excessivo não largaria do pé dele tão cedo. Talvez seja porque eu estive tão perto de perdê-lo.

- Teve uma... briga e eu receio que ele tenha quebrado alguma coisa. – Eu obviamente não podia dar tantos detalhes para o médico, que era um dos médicos que eu mais tinha contato no hospital.
- Está bem. Vou pedir uma bateria de exames para ver o que pode ter acontecido. – O médico fez algumas anotações em sua prancheta. Meu pai estava deitado em uma maca bem ao seu lado.
- Isso é mesmo necessário? – Meu pai me olhou, fazendo careta.
- Sim, pai. – Eu sorri de canto, achando graça de sua teimosia. – Vai ficar tudo bem. – Eu o tranquilizei.
- Ei, pegue isso. Avise o seu irmão e a sua mãe e, por favor, diga que eu estou ótimo. – Meu pai entregou o celular em minhas mãos e fez questão de enfatizar a palavra ‘ótimo’.
- Eu vou dizer. – O meu fraco sorriso aumentou. – Eu vejo você daqui a pouco, está bem? – Eu disse, quando vi que um dos enfermeiros começava a levar a sua maca para a área de exames. Meu pai afirmou com a cabeça, mas ainda parecia contrariado por ter que fazer aquilo. – Ele é tão teimoso. – Eu neguei com a cabeça, enquanto observava ele se afastar.
- Agora eu sei quem você puxou. – Mark comentou, fazendo com que surgisse um fraco sorriso no canto do meu rosto. Eu olhei pra ele e o vi se esforçar para dar um fraco sorriso apenas para tentar amenizar o clima de tristeza que havia nos acompanhado durante todo o nosso caminho até o hospital. A minha resposta foi apenas um riso fraco, que também serviu como agradecimento por ele estar tentando me distrair de todas as coisas ruins que, em algum momento, eu vou ter que enfrentar.
- Eu... – Eu abaixei a minha cabeça e olhei para o celular em minhas mãos. – Eu tenho que ligar para a minha família. – Eu completei.
- O que você vai dizer a eles? – Mark perguntou, querendo saber se eu contaria toda a verdade.
- Eu vou dizer que... fui sequestrada por um homem qualquer e que... o meu pai foi me resgatar, brigou com o cara e conseguiu me tirar de lá. – Eu ergui os ombros. Não tinha como dizer nada diferente disso.
- É, eu acho que é melhor. – Mark concordou com a cabeça.
- Eu já volto. – Eu levantei o celular e o apontei em direção ao fim do corredor.

Na minha casa, todos estavam reunidos e encaravam o celular, implorando para que ele tocasse. Todos estavam muito nervosos e desesperador por notícias. tinha feito um chá para tentar ajudar a minha mãe e os amigos a se acalmarem, mas parecia não ter ajudado muito. olhava no relógio de 5 em 5 minutos e ficava contando as horas desde que meu pai tinha dado a última notícia. Era um pouco mais de 8 horas da noite, quando o esperado telefonema veio.

- É o meu pai! – saltou do sofá e agarrou o telefone. – PAI? – Ele atendeu desesperadamente o telefone.
- , sou eu. – Eu cheguei a sorrir só ao imaginar o seu alívio ao ouvir a minha voz.
- !? – arregalou os olhos e sorriu sem nem notar. – Graças a Deus você está bem! – Eu o ouvi suspirar. Todos a sua volta sorriram com ele ao ouvirem a sua frase. – Meu Deus! Eu nem acredito. – Meu irmão não conseguia parar de sorrir. – Você está bem? Onde você está? Eles machucaram você? – Ele começou a fazer muitas perguntas de uma só vez.
- Ei, calma. – Eu percebi que ele mal conseguia conter a sua empolgação. – Está tudo bem. Eu estou bem. – Eu tentei acalmá-lo.
- E o pai? Ele está com você? – só precisava dessa resposta para ficar tranquilo.
- Eu trouxe ele para o hospital. Ele teve uma briga com... o cara que me sequestrou e ele só está fazendo alguns exames para se certificar de que está tudo bem. – Eu expliquei antes que ele pensasse o pior.
- Você disse que o pai brigou com alguém? Não acredito que perdi isso! – disse, me arrancando um sorriso.
- Vou me gabar a vida toda por isso. – Eu brinquei com ele e pude imaginar o sorriso em seu rosto.
- Me deixe falar com ela! – Minha mãe aproximou-se, estendendo a mão.
- Espera. – olhou feio para a mãe. – O estava lá? – Ele perguntou, me deixando completamente sem reação.
- O que? – Como é que ele sabia? Eu tive um desespero momentâneo.
- Eu liguei pra ele e contei o que estava acontecendo. Ele disse que te ajudaria. Ele prometeu que te tiraria de lá em segurança. – explicou e isso não fez com que eu me sentisse melhor. Eu fechei os olhos por alguns segundos, tentando processar a nova informação. – ? – Meu irmão estranhou o meu silêncio.
- Sim, ele estava lá. – Eu menti e cumpri exatamente o que eu tinha dito ao . – Ele... me ajudou. – Eu completei, negando com a cabeça.
- Que bom. – sorriu e imediatamente ficou extremamente agradecido pelo amigo. – Eu vou ficar devendo essa pra ele. – Ele completou.
- É, você vai. – Eu abri os olhos e encarei o chão.
- , me deixe falar logo com ela! – Eu ouvia a voz da minha mãe do outro lado da linha.
- Fala com a mãe, antes que eu apanhe aqui. – olhou feio pra mãe, antes de passar o telefone para ela.
- Alô? Querida? – Minha mãe disse toda ansiosa para ouvir a minha voz.
- Oi, mãe. – Ouvir a voz da minha mãe foi a melhor coisa do mundo. Mesmo sem dizer nada de importante, foi o maior consolo que eu poderia receber.
- Que bom que você está bem, meu amor. Eu fiquei tão preocupada e rezei tanto. – Minha mãe começou a chorar em meio a fracos sorrisos.
- Está tudo bem agora, mãe. Vai ficar tudo bem! – Eu só conseguia pensar no quanto eu queria poder deitar no colo dela e chorar até o dia seguinte.
- Machucaram você? Ele... te machucou? – Minha mãe demonstrou saber de quem se tratava.
- Não. Eu estou no hospital, mas é por causa do meu pai. Ele se machucou um pouquinho, mas não foi nada muito grave. Ele está fazendo alguns exames agora. – Eu expliquei antes que ela entrasse em desespero.
- Que bom que o seu pai chegou a tempo. Eu fiquei tão aflita e pensei em tanta besteira. – Minha mãe não parava de chorar e se a conheço bem, não pararia tão cedo.
- Ele foi realmente um herói, mãe. – Eu queria que ela soubesse. – Ele é o melhor pai que você poderia ter me dado. Ele foi a melhor escolha da sua vida, mãe. – Eu sabia que ela entenderia a minha referência.
- Eu sei. – Minha mãe sorriu ao me ouvir falar do assunto de uma forma tão leve e carinhosa. – Eu e o seu irmão vamos arrumar as nossas coisas e vamos encontrar vocês no hospital. – Ela avisou.
- Não, mãe! – Eu a repreendi imediatamente. – É melhor não. – Eu disse em um tom mais calmo. – As coisas estão um pouco confusas aqui e ainda temos que esclarecer algumas coisas. Eu não quero que o saiba. Você sabe como ele é. – Eu comecei a explicar. – Ele é impulsivo e ... protetor. Eu sei como ele vai reagir e não acho que esse seja o momento certo, sabe? – Eu não queria que o meu irmão descobrisse tudo sobre o e sobre as revelações que envolviam a nossa família. Se eu pudesse escolher, eu preferia não ter descoberto nada daquilo. Eu queria preservá-lo.
- Eu entendo. Você tem razão. – Minha mãe concordou discretamente. Certamente, estava por perto.
- Está tudo bem aqui. Meu pai está bem e eu não vou tirar os olhos dele. Vou fazê-lo passar a noite aqui no hospital e amanhã pela manhã ele já deve sair daqui. Nós vamos conversar e ele vai resolver o que fazer. – Eu afirmei.
- Está bem. Só vai ser um pouco difícil segurar o seu irmão. – Minha mãe virou-se e olhou para o filho, que contava as novidades para os amigos. – Ele está maluco pra te ver e todos os seus amigos aqui também. – Ela disse um pouco mais alto e todos olharam pra ela.
- Eles estão ai? – Eu sorri só por mencioná-los.
- Estão. – Minha mãe disse antes de colocar o celular no viva voz. – Você está no viva voz! – Ela avisou.
- Não acredito que vocês estão se reunindo sem mim. Na minha própria casa? – Eu brinquei e ouvi todos rirem.
- Estamos aqui por você! – Ouvi a gritar.
- Estávamos aqui morrendo de preocupação. – também gritou.
- Awn! – Eu fiquei comovida com a empolgação deles ao falarem comigo.
- Se você fizer isso comigo de novo, eu juro que você vai ter que encontrar um novo melhor amigo, entendeu? – ameaçou aos risos.
- Não se preocupe, . Eu me candidato a vaga. – disse apenas para irritar o amigo e imediatamente recebeu um olhar ameaçador.
- Não se intromete, ! – fez cara feia.
- Eu vou pensar no assunto, . – Eu disse, segurando o riso.
- Vai pensar, o caralho! – se descontrolou por dois segundos e todos olharam pra ele com os olhos esbugalhados, pois a minha mãe estava bem ao seu lado. – Quer dizer... – Ele ficou imediatamente sem graça.
- Inacreditável! – rolou os olhos, enquanto ria. Eu também ria do outro lado do telefone.
- O que? – pressionou para que ele continuasse a se justificar.
- Você não tinha nem que estar aqui, . Não me irrita. – sabia que o estava fazendo toda aquela cena apenas para sacaneá-lo.
- Eu estou feliz por você está bem, ! – também quis se manifestar.
- Eu estou feliz por poder ouvir vocês e saber que estão todos juntos. – Eu tentei conter as poucas lágrimas que se acumularam em meus olhos.
- Nós estamos com saudades! – voltou a falar.
- Vocês precisam vir me visitar! Vamos marcar logo essa reunião! – Eu os convoquei.
- Eu vou pra Nova York ainda hoje. – avisou.
- Não! Não vem não. – Eu o repreendi.
- Não? Porque não? – questionou.
- Você sabe como a mãe é. Se ela ver o pai no hospital, ela vai começar a chorar e a pensar no pior. – Eu tentei encontrar uma desculpa convincente.
- É, ela vai. – rolou os olhos depois de olhar pra mãe.
- Então, é melhor vocês ficarem ai. – Eu fiquei feliz por ter encontrado um bom argumento.
- Ela fica e eu vou! – tentou arrumar um jeito.
- E você vai deixá-la ai sozinha? – Eu debati e ele suspirou.
- Eu sei, mas... eu quero te ver! Eu não vou sossegar, enquanto não ver com os meus próprios olhos que você está bem. – falou mais sério.
- , eu estou bem. Eu juro que estou! – Eu me esforcei para convencê-lo. – Eu sei que você está preocupado e eu aprecio e agradeço muito isso. Aliás, agradeço a todos vocês que estão ai. – Eu só conseguia pensar no quanto eu queria vê-los naquele momento. – Mas eu estou bem! Eu estou aqui no hospital e vou passar a noite aqui. Amanhã cedo eu vou levar o meu pai pra casa e ele decide se o melhor é vocês virem pra cá. – Eu achei melhor resolver aqueles problemas no dia seguinte.
- Nós vamos ficar aqui, então. – Minha mãe falou por ela e pelo , que apenas mostrou-se contrariado.
- É o melhor. Meu pai precisa descansar, eu preciso descansar e vocês também. – Eu fiquei aliviada por ter conseguido adiar aquele problema.
- Então, vamos deixar vocês descansarem. – Minha mãe achou melhor desligar a ligação antes que o mudasse de ideia.
- Nos falamos amanhã de manhã, ok? – Eu comecei a me despedir.
- Está bem. – parecia emburrado.
- Não fique bravo comigo, ok? Eu amo você, irmão. – Eu sorri fraco e tinha certeza que tinha conseguido arrancar um sorriso dele também.
- Eu também amo você! Se você precisar de alguma coisa, você pode me ligar. Eu estou aqui! – colocou-se a disposição.
- Eu sei que está! – Eu disse, agradecida por ter um irmão tão incrível. – Boa noite, mãe. Boa noite para os meus amigos, que mesmo morrendo de saudades de mim, não aparecem para me visitar! – Eu ironizei.
- Nós vamos te visitar em breve! – gritou e todos gritaram com ela.
- Eu amo vocês. – Eu disse e recebi todo o amor de volta. – Beijos e obrigada! – Eu me despedi de vez e desliguei o telefonema.

Eram momentos como aqueles que me faziam repensar a minha ida pra Nova York. Será mesmo que eu fiz a coisa certa? Será que se eu não tivesse vindo pra Nova York isso teria acontecido? Bem, eu sinceramente não sei. A única coisa da qual eu sabia era da proporção da minha decepção com a forma com que o lidou com tudo. Sem mencionar, é claro, o meu choque diante da atitude dele de apontar uma arma para o meu pai. Era última coisa que eu esperava dele! Depois de tudo o que vivemos, eu não merecia ter que passar por isso.

Ainda parada no final do corredor, encarei o visor do celular do meu pai, que tinha uma foto dele e da minha mãe como plano de fundo. A foto era linda, mas acabou me deixando um pouco mais triste do que eu já estava. Tudo o que o meu pai fez pra ficar com a minha mãe, o nunca faria. Ele não foi nem capaz de enfrentar o seu pai. Ele não acreditou em mim e isso doía muito. Nunca seríamos nós dois no visor de um celular.

O celular que não me deu boas notícias do futuro foi guardado no bolso da minha calça. Respirei fundo para tentar engolir aquele nó na minha garganta e me virei. De longe, eu vi o Mark na outra ponta do corredor. Ele estava encostado na parede, seus braços estavam cruzados e os olhos encaravam o piso do hospital. Mark estava tão distraído, que nem viu quando eu me aproximei. Ele só se deu conta quando eu parei em sua frente. Ele ficou todo sem jeito por eu tê-lo pego tão distraído.

- Hey. – Mark sorriu, sem jeito. – Falou com eles? – Ele perguntou ao descruzar os braços.
- Falei. Estão todos mais calmos agora. – Eu disse apenas para ter uma desculpa para continuar olhando em seu rosto.
- Que bom. – Mark voltou a sorrir fraco.
- Graças a você. – Eu também encostei um dos lados do meu corpo na parede e me mantive de frente pra ele. Ele apenas negou com a cabeça como se dissesse ‘Está tudo bem! Não precisa me agradecer.’. – Como você soube do que tinha acontecido comigo? – Eu perguntei apenas por curiosidade. Sua única reação foi arquear ambas as sobrancelhas e depois, negar com a cabeça. – O que foi? – Eu não entendi qual era o problema.
- O foi até a minha casa para te procurar. – Mark respondeu depois de voltar a abaixar a cabeça. – Eu soube através dele. – Ele completou, levantando o seu rosto. Minha reação foi bem sutil, mas foi difícil não demonstrá-la.
- E... como foi que você me encontrou? Como soube onde eu estava? – Eu engatei outra pergunta para ignorar a resposta da anterior.
- Você vai rir! – Mark rolou os olhos e um sorrateiro sorriso surgiu no canto do seu rosto.
- Então, a sua resposta é tudo o que eu mais preciso nesse momento. – Eu tentei incentivá-lo a falar. Além disso, não seria ruim rir um pouco em meio a todos esses problemas.
- Bem, eu... – Mark hesitou por um segundo e riu sutilmente de si mesmo, o que me fez ficar ainda mais curiosa. Meus olhos acompanhavam intensamente os seus olhos e os lábios. – Eu liguei pra companhia de celular e disse que... a minha filha tinha fugido de casa e que precisava que eles rastreassem o celular dela. Eu... passei o número do seu celular e depois de muito drama eles me passaram o endereço. – Ele explicou visivelmente sem graça. Ele estava certo! A minha primeira reação foi rir.
- Você está brincando! – Eu duvidei, enquanto ainda ria.
- Viu? Eu disse que você ia rir. – Mark sorriu sem nem perceber ao me ver rir. Em segundos, ele teve certeza que o som da minha risada e o meu sorriso era um ótimo remédio para tudo o que ele estava sentindo e para tudo o que ele estava vivendo.
- Isso é incrível! Eu nem sabia que dava pra fazer isso. – Eu levei uma das minhas mãos até o seu ombro e o movi levemente.
- A operadora pode rastrear qualquer celular, basta você ter um bom motivo para convencê-los a fazer isso. – O sorriso de Mark aumentou um pouco quando eu o toquei. – Eu tinha que te encontrar e... eu não tinha outra saída. – Ele ergueu os ombros.
- Que bom que você fez isso. – Eu diminui a minha risada para um sorriso. – Que bom que você foi atrás de mim. – Eu o olhei com mais carinho.
- Está tudo bem. – Mark negou com a cabeça, pois não precisava de qualquer agradecimento.
- Não, eu estou falando sério. Eu... – Eu hesitei falar do que tinha acontecido. – Eu não sei o que aconteceria se você não tivesse aparecido. – Eu não queria mencionar o , mas nem foi preciso.
- Não precisa pensar nisso agora, está bem? – Mark olhou em meus olhos. – Tudo o que importa é que você e o seu pai estão bem. – Ele completou.
- Isso não é tudo o que importa. – Eu disse e ele deixou de me olhar. – E você? Como você está? – Eu perguntei, esperando que ele me olhasse e assim foi feito. O sorriso no canto do rosto tentou me enganar, mas os olhos entregaram ele.
- Eu estou bem. – Mark afirmou com a cabeça. – Obrigado por se importar. – Ele deixou novamente de me olhar, pois tinha medo que seus olhos revelassem mais do que já haviam revelado.
- Mark... – Eu tinha toda a certeza do mundo que ele estava mentindo.
- Para de se preocupar comigo. – Mark me interrompeu ao voltar a me olhar. – Isso é sobre você. Você é tudo o que importa agora. – Ele não queria falar sobre ele e continuaria fugindo do assunto o quanto pudesse. Eu tinha que respeitar a vontade dele de não falar sobre o assunto, mas eu também queria ajudá-lo. – Você parece cansada. – Mark colocou as mãos nos bolsos da sua calça jeans e meus olhos acompanharam a sua ação, que eu já vi o repetir dezenas de vezes. Isso parece tão estranho agora. – O que foi? – Ele notou a minha estranha reação.
- Nada. – Eu neguei com a cabeça em meio a um fraco sorriso. – Eu acho... que eu preciso de um banho e talvez... dormir até semana que vem. – Eu rolei os olhos.
- Eu acho que você pode ir pra casa tomar um banho. – Mark disse, olhando para trás e confirmando que o meu pai ainda não tinha saído da sala de exames. Ele iria para o quarto depois.
- Não, eu não quero deixá-lo sozinho, sabe? – Depois do que aconteceu, acho que vou ficar um pouco paranoica em relação ao meu pai.
- Então, vamos fazer assim: você vai até a sua casa pra tomar um banho e eu fico aqui de olho nele. – Mark arrumou uma solução.
- Eu não vou te fazer ficar aqui. – Eu recusei na mesma hora. Não parecia justo.
- Eu vou ficar aqui de qualquer jeito... com você! – Mark ergueu os ombros. – A não ser que você queira que eu... – Ele ia completar, mas eu não deixei.
- Não. – Eu fui enfática. – Eu quero que você fique onde você quiser ficar e se for aqui comigo... eu vou ficar feliz e bem mais... – Eu engoli seco. – Tranquila. – Eu completei em meio a um sorriso desastroso.
- Eu estou onde eu quero estar. Não se preocupe. – Mark negou com a cabeça, quando percebeu que eu estava sem jeito.
- Certeza? – Eu fiz careta e ele riu sem emitir som.
- Certeza! – Mark afirmou. – Você pode ir pra sua casa e eu vou ficar aqui te esperando. Prometo que o seu pai estará seguro aqui comigo. – Ele me passou a tranquilidade de sempre.
- Está bem. – Eu acabei cedendo. Eu realmente precisava trocar de roupa e tirar aquela coisa ruim que parecia estar impregnada no meu corpo. – Eu vou chamar um táxi. – Eu me lembrei que estava sem carro.
- Não, pode ir com o meu carro. – Mark colocou a mão em seu bolso e de lá tirou a chave do carro. – Pega. – Ele estendeu a chave e eu hesitei um pouco antes de pegar.
- Obrigada. – Eu peguei a chave do carro e o olhei, agradecida.
- Tudo bem. – Mark sorriu fraco.
- Eu prometo que não demoro. – Eu comecei a dar alguns passos para trás.
- Leve o tempo que precisar. – Mark disse, observando eu me afastar. Ele sentou-se em uma das cadeiras da sala de espera antes de que eu chegasse na porta.

No momento em que eu me afastei do Mark, meus ombros começaram a pesar. Não tinha mais ninguém para distrair e afastar a minha dor. Sem ele por perto, eu comecei a pensar involuntariamente no que tinha acontecido e no que tudo aquilo significava. Entrei no carro e encarei o volante, enquanto cogitava a possibilidade de voltar para dentro do hospital. Eu ficava repetindo para mim mesma que tudo ficaria bem, mas eu simplesmente não acreditava naquilo. Mesmo assim, eu enfrentei todos os meus sentimentos e dei a partida no carro.

Depois daquele tapa que definitivamente não doeu mais do que as duras palavras que ele me ouviu dizer a ele, a dor e a culpa se misturaram e ele já nem sabia mais separá-las. Parecia que o nosso fim era mais do que óbvio, mas ele não queria aceitar. Ele não queria aceitar que tinha feito todas aquelas coisas comigo. Ele não queria aceitar que desacreditou de algo que, até então, era a base de toda a felicidade que ele tem tido na sua vida ultimamente.

Parado na porta de sua casa, Steven observava o filho olhando desoladamente para a rua. Ele mal se movia ou dizia qualquer coisa. Ele só ficava lá parado, enquanto tentava administrar tudo o que ele estava sentindo. Steven sabia exatamente o que o filho estava sentindo. A dor que o estava sentindo era tudo o que Steven queria evitar. Sentindo-se na obrigação de consolá-lo, Steven se aproximou-se do filho.

- Eu sinto muito, . – Steven ia tocar no filho, mas achou melhor não. A voz do pai só serviu para deixar ainda pior. Antes, ele estava lidando só com a dor, mas agora ele também estava lidando com a raiva.
- Sente mesmo? – demorou algum tempo para retomar o controle emocional.
- O que? É claro! Você acha que estou feliz em ver você assim por causa daquela... – Steven evitou o insulto, depois do jeito que o filho o olhou.
- Não. – encarou o pai com cara de poucos amigos. – Não ouse falar dela. – Ele estava visivelmente se segurando para não surtar.
- Eu só estou falando isso porque sei como você se sente. – Steven tentou consertar.
- Sabe? Como? – arqueou uma das sobrancelhas. – Oh, é mesmo! Eu esqueci que você já se apaixonou. – Ele forçou um riso. – Você não sabe de nada. – negou com a cabeça. – Você não sabe como eu me sinto, porque o que você passou é completamente diferente do que eu estava vivendo até hoje pela manhã. – Ele falava do assunto com mais frieza por causa do pai. – Não tem história nenhuma se repetindo aqui, porque isso me faria ser como você e eu não sou. Eu nunca vou ser como você! Eu nunca vou me tornar essa pessoa que você se tornou, você quer saber por quê? – perguntou retoricamente. – Porque quando eu cometo um erro, eu sou homem o suficiente para assumir o meu erro. Eu não preciso procurar culpados ou ir atrás de vingança. – Ele não se importou em ser rude com o pai. – Exatamente como agora. Eu sei o que eu fiz e eu sei que foi errado. Eu poderia facilmente culpar você, porque eu sei que você planejou tudo isso. Eu sei que você me manipulou para que eu acreditasse no que você queria, mas... – negou com a cabeça. – Isso não mudaria nada. Isso não apagaria a besteira que eu fiz em acreditar em você. – Ele completou.
- Eu ainda sou o seu pai e você ainda me deve respeito, rapaz. – Steven também foi um pouco mais duro.
- Pai? Respeito? Eu não sei qual dessas duas palavras soa mais irônica saindo da sua boca. – não intimidou-se nem um pouco.
- Você... – Steven chegou a segurar um dos braços do filho, mas se soltou em meio a um empurrão.
- Você arruinou a minha vida! – disparou em direção ao pai. – Você acabou com a minha infância. Você arruinou a imagem bonita que um dia eu tive de você. Você me tirou a coisa que mais me fez feliz até hoje. – Ele não conseguiu esconder o quanto a última frase o afetou. – Que tal rever os seus conceitos de pai? – disse antes de começar a se afastar do pai, enquanto ia em direção ao seu carro.

entrou no carro e não demorou nada para dar a partida e arrancar com o carro. A pressão em sua cabeça e em seu peito começou a fazê-lo entrar em desespero. Ele dirigia, enquanto chorava sem fazer muito alarde. O choro que ele estava segurando até agora veio a tona de uma só vez. chorava com toda a razão do mundo. Motivos não lhe faltavam: seu pai não era quem ele pensava e quem ele queria que fosse, ele havia cometido um erro terrível com a garota que ele amava e estava prestes a perdê-la e ainda tinha um novo irmão que, aliás, era o cara que ele mais odiava no mundo.

estava sim perdido e não conseguia parar de chorar, mas ele sabia exatamente onde estava indo. Mesmo sabendo que eu não estava em casa, ele estava indo até lá e me esperaria o quanto precisasse. precisava conversar comigo naquele dia e precisava dizer o quanto se sentia mal pelo que tinha feito. Ele precisar se desculpar e, quem sabe, conseguir o meu perdão. não conseguiria dormir sem antes esclarecer tudo e me dizer tudo o que eu precisava ouvir. Ele estacionou o carro do outro lado da calçada e atravessou a rua. Big Rob não estava lá. Ele não costumava trabalhar de sábado. aproximou-se da minha casa e sentou-se nos degraus da varanda. não sairia dali enquanto não conversasse comigo.

Eu estava dirigindo, mas a minha cabeça estava um tanto quanto longe. Eu não conseguia aceitar tudo o que tinha acontecido. Eu não conseguia aceitar tudo o que ele tinha feito. desconfiou do meu amor e de quem eu sou. Como ele pode cogitar uma insanidade dessa? O amor que eu sentia por ele era uma parte de mim. O amor que eu sentia por ele era quem eu era. Eu o amei com todo o meu coração e dei tudo o que eu podia a ele. Como isso poderia ser uma mentira? Era como se ele não me conhecesse! Isso só fazia de tudo ainda pior. Eu dediquei parte da minha vida a uma pessoa que nem ao menos sabia quem eu era.

A raiva que eu estava sentindo pelo simplesmente desapareceu. Logo a raiva, que era a melhor camuflagem para a minha própria dor e tristeza. Eu deveria sentir raiva por ele não ter acreditado em mim. Eu deveria sentir raiva porque ele quase matou o meu pai. Eu sei que eu deveria, mas é difícil sentir raiva depois de tudo o que passamos juntos. É muito difícil sentir raiva, quando eu penso em todos os sonhos que tínhamos e que agora não vamos mais realizar juntos. É difícil sentir raiva de algo que sempre me fez tão bem.

Quando cheguei na minha casa, eu ainda parecia estar em outro lugar. Eu estava tão distraída, que nem sequer prestei a atenção no carro conhecido que estava estacionado do outro lado da rua. Eu estacionei o carro em frente a minha casa e fiquei algum tempo dentro do carro. Pensando bem, não sei se estou pronta para entrar de novo naquela casa que me trazia tantas recordações, que antes só me faziam sorrir e, hoje, certamente vão me fazer sofrer. Mesmo tendo bons motivos, eu não podia me dar ao luxo de não voltar mais para a minha própria casa. Por isso, eu apenas fechei os olhos por poucos segundos, respirei fundo e consegui coragem para sair do carro. Bati a porta e dei poucos passos até o corredor que me levaria até a porta da minha casa. Dei vários passos de cabeça baixa e só parei de andar quando levantei a minha cabeça e o vi sentado nos degraus da minha varanda. estava me olhando desde o momento em que eu cheguei e os nossos olhares se cruzaram. Eu paralisei na mesma hora. Eu não esperava vê-lo ali. Na verdade, eu não esperava vê-lo nunca mais. Eu contava com isso para me manter forte e para não sofrer ainda mais. Nós ainda trocávamos olhares e mesmo de longe, eu ainda conseguia ver os seus olhos brilharem por causa de todas as lágrimas que estavam presas lá. Mesmo depois de tudo, eu não sei como eu ainda consigo sentir essa dor dentro de mim quando eu o vejo chorando. Eu deveria estar com raiva! Eu deveria estar feliz por estar vendo ele chorando e sofrendo um pouco do que ele tinha me feito sofrer naquele dia, mas eu não estava. Os meus próprios sentimentos estavam me sufocando e tinha uma sensação tão ruim dentro de mim, que parecia que iria me consumir. A minha vontade era voltar correndo para aquele carro e dirigir para longe, mas uma parte de mim queria que eu enfrentasse aquilo de uma vez, já que uma hora ou outra eu teria que fazer isso. Enquanto eu não me decidia, nós continuávamos nos olhando. Ir embora significaria fraqueza e eu não posso demonstrar isso depois do que aconteceu. Não dá pra ser fraca agora. Por isso, respirei fundo e comecei a dar alguns passos em direção a porta. Deixei de olhá-lo para conseguir continuar andando. Quando me viu andando em sua direção, ele se levantou e ficou esperando que eu chegasse até ele. Continuei andando e quando me aproximei dele, eu o olhei.

- Vai embora, . – Eu disse ao passar do lado dele e finalmente chegar na varanda. Eu estava em frente a porta agora e ele estava atrás de mim.
- Espera. – pediu com a voz trêmula. Ele me olhava de costas e viu quando eu hesitei em abrir a porta. – Eu sei que você não quer conversar comigo. Eu sei que você também não quer mais me ver. – Eu abaixei a minha cabeça, pois a voz de choro dele me fez ficar pior do que eu já estava. – Eu entendo você e, honestamente, eu acho que você tem toda a razão, mas... – negou com a cabeça, enquanto esperava que eu virasse para olhá-lo. – Eu preciso falar e... você precisa ouvir. Você sabe que se eu não fizer isso, eu... eu vou enlouquecer. – Ele tentou engolir o choro. O nó na minha garganta dificultava a minha respiração. Eu fechei os meus olhos, enquanto eu pensava no que fazer. Nenhuma das minhas opções me deixaria feliz, mas eu também não sabia qual delas me faria sofrer mais.
- Certo. – Eu afirmei ao abrir os olhos e erguer a minha cabeça. Eu respirei fundo antes de me virar para olhá-lo. – Eu vou te ouvir. – Eu prometi a mim mesma que não choraria.
- Eu... – Quando eu o olhei, ficou ainda mais nervoso. – Eu nem sei como começar a te explicar. – Ele ergueu os ombros. Os olhos dele estavam vermelhos e um pouco inchados, mas ele não chorava.
- Você não precisa explicar. Eu estava lá. – Eu cruzei os meus braços, tentando agir friamente.
- Eu queria te dizer tanta coisa, mas... – subiu os degraus e colocou-se em minha frente. – Olhando pra você agora, eu estou me sentindo a pior pessoa do mundo. – Ele distribuiu olhares pelo meu rosto. Ele abaixou a cabeça por alguns segundos e logo depois a levantou. – Eu quero que saiba que eu sinto muito. – ficou me olhando, enquanto esperava a minha resposta.
- Pelo que exatamente? Por ter acreditado que eu seria capaz de fazer tudo aquilo contra você ou por quase ter matado o meu pai? – Eu continuava com os braços cruzados.
- Eu sei que eu deveria ter acreditado em você. Eu sei também que nada no mundo pode justificar o que eu fiz, mas... – abaixou a cabeça e encarou as mãos por poucos segundos.
- Mas o que? – Eu ainda esperava uma explicação.
- Eu amo você! Eu... amo tanto você que... – falou com mais ênfase, mas hesitou continuar. – Eu não posso pensar em nada pior do que perder você. Mesmo com todas as nossas brigas e todas as dificuldades, eu sempre soube que acabaríamos nos acertando, porque você era parte de todos os meus sonhos e eu não conseguia me imaginar vivendo a minha vida sem você. Eu sabia que ficaríamos juntos pra sempre porque o amor que sentíamos um pelo outro era a coisa mais surreal e indescritível do mundo e era também a minha segurança. A minha segurança de que, independentemente do que acontecesse, voltaríamos a ficar juntos. – Ele fez uma breve pausa. – E... de repente, o homem que sempre foi o meu herói e que sempre foi a minha referência de amor, confiança e proteção estava me dizendo que você nunca me amou. Aquilo me assustou pra caramba porque era diferente de tudo o que nós já enfrentamos. O nosso amor, que antes era a minha segurança, se transformou na causa de tudo. Eu não soube como.... – apenas negou com a cabeça, pois achou que eu já tivesse entendido o que ele queria dizer.
- Você está errado! – Eu fui contra, enquanto sentia poucas lágrimas se acumularem em meus olhos. – O nosso amor... – Eu fiz uma pausa para corrigí-lo – O meu amor ainda está lá. Ele ainda poderia ser a sua segurança. Ele deveria ser o motivo para que você não acreditasse nos absurdos que o seu pai disse. – Eu o olhei com desaprovação.
- Eu sei, mas... tudo o que ele disse tinha muita coerência. – ergueu os ombros.
- Coerência? Como pode dizer isso? – Eu fiquei um pouco indignada na hora.
- Qual é, ! Olhe pra nós! Olhe pra tudo o que vivemos! Olhe pra nossa história! Vai me dizer que tudo isso não é loucura? – também ficou um pouco alterado, mas não no sentido ruim. Ele só ficou agitado, pois queria me fazer entender. – O acidente, as suas perdas de memória, essa história do meu pai ter sido apaixonado pela sua mãe e todas as outras coisas pelas quais nenhum outro casal costuma passar. O que nós temos é tão raro que se contássemos a nossa história pra qualquer pessoa, ninguém acreditaria que o que vivemos foi realmente real e verdadeiro. – Ele completou.
- Mas você não era qualquer pessoa, ! Você viveu tudo comigo. Você sabia quais sentimentos estavam envolvidos, porque você sentiu também! – Eu retruquei na mesma hora. – O seu pai te contou aquela história, mas foi você quem a viveu! Fomos nós! – Eu não estava sendo grossa também, eu só queria fazê-lo entender. – No dia daquele acidente, você estava naquele carro comigo! Você estava lá quando o Peter disse todas aquelas coisas horríveis sobre mim naquele baile idiota da escola! Você também fez aquele trabalho de sociologia! Você ouviu todas as músicas horríveis que eu já cantei pra você! Você me ajudou a compor aquela música pro musical da escola. – Eu comecei a citar alguns fatos que o fariam entender. – Você estava lá quando eu quase desisti de vir pra Nova York pra viver o meu sonho. Eu estava disposta a fazer isso por você, mas você não deixou. – Eu parei de relembrar aquelas coisas, quando a minha vontade de chorar triplicou. – Você não podia ter acreditado no seu pai depois de tudo o que passamos. – Eu disse com a voz embargada.
- Eu sei disso. Eu sei... Se você soubesse o quanto eu sinto muito. – O meu choro reprimido também o afetou completamente. Ele abaixou a cabeça para não ter que continuar a ver meus olhos cheios de lágrimas.
- Quer saber? Nada disso tem a ver com amor. Amor... nunca foi um problema pra nós. – Eu consegui coragem para dizer, depois que engoli o meu choro. – Confiança. – Eu disse e na mesma hora ele levantou a cabeça para me olhar. – Tudo sempre foi sobre confiança pra nós. Esse sempre foi o nosso problema. Eu sinceramente achei que já tivéssemos passado dessa fase, mas não. Nunca vamos passar. – Era impossível explicar o quanto me doía dizer aquilo. – Você nunca realmente acreditou em mim e você nunca vai acreditar. – Eu disse e ele afirmou com a cabeça como se concordasse comigo. – Se você confiasse em mim nada disso teria acontecido. – Eu estava olhando em seus olhos. – Todas as vezes que eu paro pra pensar nisso, eu sempre chego a conclusão que isso também é culpa minha. – Eu ia dizendo, mas ele me interrompeu.
- Não. – foi contra na mesma hora.
- Mesmo com tudo o que passamos, eu não fui capaz de te passar confiança e eu sinto muito por isso. – Eu reconheci a minha culpa também.
- Não. Você não fez nada de errado. – tentou aproximar-se por força do hábito, mas eu me afastei. – Você foi perfeita! Você sempre foi perfeita pra mim e sempre vai ser. – Ele completou. – Eu queria que você me visse exatamente do jeito que eu estou te vendo agora. Eu queria ser o cara perfeito pra você, mas eu sei que não posso pedir isso depois do que eu fiz. – Apesar do choro, ele sorria pra mim.
- Posso te perguntar uma coisa? – Eu tinha que perguntar. Ele não respondeu, apenas ficou me olhando, enquanto esperava a pergunta. – Se o Mark não tivesse chegado, você atiraria? – A pergunta parecia boba, mas era extremamente importante pra mim.
- Eu... – ergueu os ombros, enquanto negava com a cabeça. A sua atitude soou mais como um ‘não sei’. Não era o que eu queria ouvir. Eu afirmei com a cabeça com se dissesse ‘Ok, eu entendi.’. – Meu pai estava gritando para que eu atirasse e todas aquelas revelações que, até então, me pareciam verdadeiras me fizeram ficar completamente fora de mim. – Ele tentou justificar o que não tinha justificativa.
- Todas as vezes que eu olho pra você, aquela cena vem na minha cabeça e eu... – O choro me interrompeu. – Eu não consigo acreditar que realmente fosse você lá. Eu não queria que fosse você. – As lágrimas começaram a escorrer pelo canto dos meus olhos e eu comecei a secá-las.
- , por favor... – Foi visível o seu desespero diante do meu choro e desabafo. Suas mãos tocaram os meus ombros. – Eu sei que é difícil, mas tenta ver o meu lado da história. Tenta ver que isso não é sobre você ou sobre como nós nos sentimos. Isso tem a ver com a forma que aquele acidente afeta a minha vida. Isso tem a ver com a forma que a perda do meu pai afetou a minha infância e a minha mãe. – Eu ouvi com atenção o que ele disse e eu sinceramente queria que aquelas palavras tirassem de mim toda a tristeza e dor que eu sentia.
- Exatamente! Você sabe como é! – Eu já não me importava em estar chorando. – Você sabe exatamente como é perder um pai. Você sabe como é difícil conviver todos os dias com essa dor. Como pode ter sequer pensado em me fazer passar por isso? Como pode ter quase matado o meu pai na minha frente? Você faz alguma ideia de como isso afetaria a minha vida? Você faz ideia do quanto eu me sentiria culpada? – O meu choro triplicou e o dele também. Na hora, ele deixou de tocar os meus ombros e se afastou. Virou-se de costas pra mim porque não queria que eu visse o quanto ele estava chorando.
- Eu não queria que você passasse por isso. Eu sinto muito por ter feito você se sentir assim. – Mesmo estando de costas, sua voz embargada era evidente. – Mesmo se você me perdoasse, eu jamais vou me perdoar por isso. – completou.
- Foi por isso que você veio até aqui? É disso que você precisa? O meu perdão? – Eu disse depois de respirar fundo e tentar secar todas as lágrimas espalhadas pelo meu rosto. Ele mal se moveu. – Eu te perdoou, . – Eu disse e esperei a sua manifestação. Depois de algum tempo, ele voltou a virar-se de frente pra mim.
- O que? – não acreditou no que ouviu.
- Eu sei o quanto você precisa disso e também não quero que você fique carregando essa culpa pro resto da sua vida. Eu perdoou você. – Eu repeti o que já tinha dito. Ele ficou em silêncio por algum tempo, enquanto me analisava.
- Eu achei que ouvir isso de você faria com que eu me sentisse melhor e que tiraria esse peso enorme de dentro do meu peito, mas nada mudou. – passou as mãos pelos seus olhos e enxugou as lágrimas em seu rosto. – Eu ganhei o seu perdão, mas eu perdi você, certo? – Ele tinha certeza da resposta, mas precisava me ouvir dizer. levantou a sua cabeça e revelou um olhar triste, que me destruiu.
- Eu não posso ficar com você, . – Eu neguei com a cabeça com os meus olhos ainda cheios de lágrimas. Eu não queria voltar a chorar, mas era inevitável. – Eu realmente te perdoou e prometo não guardar qualquer tipo de rancor, mas eu também não posso ignorar tudo o que aconteceu. – Eu expliquei.
- Você está com raiva de mim. – deduziu como se já soubesse qual era o problema.
- Eu não estou com raiva de você. Não é como das outras vezes. Não é mais uma das nossas brigas idiotas. – Eu neguei imediatamente. – Eu não estou com raiva e acho que pela primeira vez na vida eu posso dizer que não te odeio. – Eu disse e vi um fraco sorriso surgir no canto do rosto dele. Os olhos tristes e cheios de lágrimas continuavam me encarando. – Eu estou decepcionada. Eu estou... machucada, sabe? Eu acho que.... – Eu não conseguia terminar as minhas frases porque o meu choro estava preso na garganta. – Isso tudo é muito recente e eu realmente preciso de um tempo pra esquecer tudo o que aconteceu. – Eu fui sincera. – É isso o que eu mais quero, sabia? Eu quero esquecer. – Eu coloquei uma mecha atrás da orelha. – Esse seria um ótimo momento para uma nova perda de memória, não acha? Assim, eu não me lembraria de nada e não me sentiria tão mal por ter que te dizer essas coisas e por ver tudo o que tivemos tanto trabalho em construir acabar desse jeito. – Antes mesmo que eu me policiasse para não chorar, as lágrimas já escorriam pelos meus olhos. – Droga, eu não consigo parar de chorar. – Eu disse um pouco irritada, já secando novamente o meu rosto com as minhas mãos.
- As coisas não precisam acabar assim. – pensou ter encontrado uma brecha para me convencer. – Eu não quero que acabe. Eu ainda não estou pronto pra que isso acabe. – Ele pediu com tristeza.
- Eu não vou mentir pra você. Isso também é muito difícil pra mim, porque eu amo você, . Eu não queria te amar, porque isso tornaria tudo tão mais fácil e tão menos doloroso pra mim, mas... eu amo. – Eu desabafei.
- Eu acredito em você! Eu acredito no seu amor, mas... – me encarou sem vergonha de suas lágrimas. – Se ele for tão grande quanto o meu, você não vai conseguir ficar longe de mim. Você vai ter que ficar comigo. – Ele levou uma das suas mãos pra perto da minha e a segurou.
- Eu sei o quanto isso o que eu sinto é forte e eu sei que vai doer, mas eu estou disposta a tentar. – Eu abaixei os olhos por um momento e encarei as nossas mãos. – Eu vou esquecer você, . Não importa quanto tempo leve. – Eu completei e a sua primeira reação foi de negação. Ele balançou a cabeça negativamente e abaixou a cabeça.
- Não. – Os olhos cheios de lágrimas olharam as nossas mãos coladas.
- Isso nunca vai dar certo, . No fundo, você sabe. – Eu levei a minha outra mão até a sua cabeça e acariciei o seu cabelo. – Essa é a única parte da história que o seu pai acertou. Nós não devemos ficar juntos. – Eu ainda acariciava a sua cabeça, quando ele levantou o seu rosto para me olhar. – É melhor desse jeito. – Eu completei, olhando em seus olhos cheios de lágrimas. Fui tirando lentamente a minha mão de seu rosto e depois me desvencilhei de sua outra mão. – Eu não vou conseguir seguir em frente com você por perto, então eu imploro pra que você se afaste. – Eu pedi, dando alguns passos para trás.
- Não me peça isso. – pediu com os olhos ainda tristes.
- Se você realmente me ama como você diz, faça isso. É o que eu quero. É o que eu preciso. – O desespero dentro do meu peito não cabia em mim. – Eu preciso entrar. – Eu estava prestes a desabar, por isso, eu tinha que sair dali. Sem coragem para olhar para trás, eu entrei na minha casa e fechei a porta logo atrás de mim.

Não demorou absolutamente nada para que o meu choro angustiante e desesperador tomasse conta de mim. Eu sentia que choraria o resto da minha vida. Nunca foi tão dolorido quanto agora. Levei uma das mãos até a minha boca, sem acreditar no que tinha acontecido. Sem acreditar que tinha finalmente acabado. Não, eu não estava arrependida. Eu sabia que aquela era a decisão certa a ser tomada, mas nem sempre a decisão certa é a que menos dói. Apoiei as minhas costas na porta e aos poucos fui deslizando por ela até chegar ao chão. Juntei os meus joelhos com as minhas duas mãos e apoiei a minha cabeça neles, enquanto desabafava todo o meu choro e tentava aliviar um pouco da minha dor.



ainda encarava o outro lado da porta em silêncio. O coração dele ainda parecia se recuperar do golpe. Ele ainda esperava que eu abrisse aquela porta dizendo que tinha mudado de ideia. ficou parado lá por alguns minutos. Ele sabia que se desse um passo sequer, acabaria desabando. A minha decisão não o surpreendeu nem um pouco, mas ele ainda tinha esperanças que o amor que eu sentia por ele me fizesse passar por cima de tudo. A forma com que eu lidei com tudo também fez com que as coisas ficassem piores pra ele. Seria muito melhor se eu estivesse com raiva e tivesse expulsado ele da minha casa aos berros, mas a decepção nos meus olhos e calma e serenidade para lidar com tudo só tornou tudo mais difícil pra ele.

As últimas semanas que vivemos passavam como um filme em nossas cabeças. Até o dia anterior, eu estava certa de que ficaríamos juntos por muito tempo, pois já havíamos passado em um pouco mais de ano por todos os problemas que os casais costumam passar dentro de 15 anos de convivência. Nós já havíamos superado muita coisa e eu não conseguia pensar em mais nada que poderia nos derrubar. Foi ai que o pai dele voltou e as coisas começaram a mudar. foi ficando cada vez mais instável e quando eu finalmente achei que as coisas tinham voltado a se estabilizar, veio o dia de hoje que destruiu as nossas esperanças de ficarmos juntos, mas não destruiu o amor que eu sentia por ele. É claro que eu estou muito decepcionada e que jamais vou conseguir esquecer aquela cena em que ele apontava a arma para o meu pai. Eu jamais vou esquecer o desespero que eu senti. Eu ainda o amava, mas isso não era e nem poderia ser algum tipo de camuflagem para o que aconteceu. Não é porque eu o amo que eu devo relevar tudo o que ele faz.

Pior do que sofrer com as revelações e com o que tinha acontecido era sofrer por querer tanto que não fosse ele segurando aquela arma. Parecia que o amor e a decepção que eu sentia por ele ficavam entrando em conflito a todo o momento dentro do meu peito, esperando encontrar um vencedor. Não tinha vencedor. Ninguém venceu naquele dia horrível, nem mesmo o Steven.

Mark continuava sentado em uma das cadeiras na sala de espera. Apesar de não estar sozinho na sala, ele se sentia completamente sozinho. Seus pensamentos eram os únicos a fazerem companhia a ele. Mark ainda não conseguia assimilar tudo o que tinha descoberto. Ele sempre quis saber toda a verdade sobre a sua vida e agora que ele sabe ele não consegue aceitar. Ele não quer aceitar que sua verdadeira mãe está morta. Ele não quer acreditar que o seu pai é um psicopata vingativo. Ele não quer aceitar que tem um irmão.

- Licença. – Uma das enfermeiras abordou Mark.
- Oi. – Mark a olhou ainda meio perdido.
- Você é o rapaz que está com a , certo? – Ela fez careta, pois não tinha certeza.
- Sim, sou eu. É sobre o pai dela? Ele está bem? – Mark ficou preocupado, achando que tinha acontecido alguma coisa.
- Não. Eu só vim avisar a que o pai dela já está no quarto. Onde ela está? – A enfermeira olhou em volta.
- Ela... – Mark passou uma das mãos pela cabeça. – Ela foi até a casa dela para trocar de roupa. – Ele respondeu.
- Bem... – A enfermeira apontou com a cabeça em direção a um dos quartos. O quarto ficava bem próximo da sala de espera, aliás, dava até para vê-lo dali. – Você quer vê-lo? – Ela perguntou.
- Eu... – Mark ainda não sabia se estava pronto para ter uma conversa com o meu pai.
- Ele está sozinho. – A enfermeira completou.
- Então, eu posso ficar com ele até a... voltar. – Mark sabia que não podia fazer diferente.
- Ótimo. Ele está neste quarto. – A enfermeira apontou com um dos dedos antes de se afastar.

Mark estava com receio de entrar no quarto. É claro que algum dia ele teria aquela conversa com o meu pai, mas ele não achou que aconteceria tão cedo. Meu pai sabia os detalhes da história que ele sempre quis tanto saber. Muitas coisas continuavam sendo um ponto de interrogação pra ele, mas Mark não tinha certeza se queria saber de tudo. A dor da dúvida era bem menor do que a dor da verdade.

Bem, ele não tinha muitas opções agora. Mark teria que entrar no quarto. Quem sabe conseguiria escapar da conversa? Ele foi se aproximando lentamente do quarto e o coração dele parecia que ia sair pela boca. Empurrou a porta que estava encostada e adentrou no quarto com cuidado. Estava com esperanças de que meu pai estivesse dormindo. Ao abrir a porta por completo, Mark olhou imediatamente para a cama e, infelizmente (ou não), o meu pai estava bem acordado.

- Eu achei que fosse a . – Meu pai sorriu ao vê-lo. – Entre. – Ele pediu ao ver que Mark estava receoso.
- Ela... foi tomar um banho em casa e já volta. – Mark adentrou o quarto, como o meu pai havia pedido. Encostou novamente a porta. – O senhor está bem? – Ele perguntou aproximando-se da cama.
- Estou! Na verdade, eu nem sei o que estou fazendo aqui. – Meu pai ergueu os ombros. – A exagera às vezes. – Ele fez careta.
- É, ela não vai te deixar sair daqui hoje. – Mark sorriu e abaixou a cabeça.
- Disso eu não tenho dúvidas. – Meu pai também riu, enquanto negava com a cabeça. – Ela se preocupa demais e está sempre cuidando de todo mundo. – Ele completou.
- Ela está fazendo a coisa certa. Família é algo muito precioso pra se perder. Ela deve mesmo cuidar e proteger a todos o quanto ela puder. – Mark demonstrou uma mudança de comportamento ao falar de família. – Na verdade, eu admiro muito isso nela. – Ele completou e tentou sorrir para disfarçar.
- Você também é assim, não é? Você apareceu lá hoje e salvou o dia. – Meu pai olhou para Mark com admiração. – Você é muito bom nisso! Eu acho que ainda não te agradeci. – Ele continuava olhando para o Mark.
- Não precisa me agradecer. É o meu trabalho, certo? Eu jamais deixaria que alguém atirasse em você ou em qualquer outra pessoa. – Mark estava um pouco sem jeito.
- Não quero te agradecer por ter salvado a minha vida. Quero te agradecer por ter evitado que a sofresse com a perda de mais uma pessoa. – Meu pai disse e Mark o olhou diferente.
- Eu jamais deixaria que ela passasse por isso. – Mark sabia mais do que ninguém como era perder alguém que era essencial na vida de uma pessoa. A frase de Mark fez meu pai ficar em silêncio para pensar por alguns segundos. Ele sabia que devia explicações ao garoto, mas não sabia como fazer isso.
- Eu sei que você tem perguntas, Mark. Eu estou aqui para respondê-las. – Meu pai achou que aquela era a melhor maneira de começar o assunto.
- Eu não vou te incomodar com isso agora. – Mark negou com a cabeça. Ele também não sabia se estava pronto para ouvir todas aquelas respostas que ele tanto esperou ouvir.
- Eu já disse que estou bem. Além disso, já está mais do que na hora de você saber sobre tudo. Você tem o direito de saber. – Meu pai insistiu em contar toda a verdade.
- Eu tenho? – Mark perguntou. – Quase 22 anos se passaram e só agora eu tenho o direito de saber? Por quê? Porque agora? – Ele não quis ser grosso, mas acabou sendo inevitável.
- A Janice sempre teve medo da sua reação. Ele sempre teve medo que você a rejeitasse depois que você descobrisse tudo. – Meu pai falou com carinho da irmã.
- A rejeitasse por quê? Por ter fingido ser a minha vizinha por mais de 20 anos? Por ter me entregado pra adoção? – Mesmo usando palavras duras, Mark não conseguia expressar ódio através delas. Ele só parecia profundamente decepcionado.
- Ela era muito jovem. – Meu pai negou com a cabeça, sem olhá-lo. – Ela não sabia o que fazer. Ela só queria te proteger. – Ele completou.
- Me proteger? Me proteger de quem? Do pai do ? – Mark arqueou uma das sobrancelhas.
- Do seu pai, Mark. – Meu pai o corrigiu. – Eu sei que ele não é a figura de pai com a qual você sempre sonhou, mas ele é o seu pai. – Quanto mais cedo Mark aceitasse aquela realidade, mais fácil seria.
- Se ela tinha tanto medo dele, porque foi se envolver com ele? Porque ter um filho com um homem tão desprezível? – Mark continuava fazendo perguntas.
- Ele nem sempre foi assim. – Meu pai começou a explicar. – Eu e ele fomos criados juntos. Ele era o meu melhor amigo. E então, nós... crescemos. Quando ele se apaixonou, as coisas mudaram. Depois que fomos para a guerra, eu acabei levando um tiro e voltei pra casa. Acabei me envolvendo sem querer com a garota pela qual ele era apaixonado e que, hoje, é a minha esposa e mãe dos meus filhos. Ele não aceitou. Ele nunca aceitou. – Ele se sentia um pouco culpado também, mas depois de tanto tempo acabou sendo mais fácil lidar com aquilo. – Janice era apaixonada por ele desde muito nova e ele acabou encontrando no amor inocente dela uma forma de se vingar de mim. Alguns meses depois, ela descobriu que estava grávida. – Meu pai fez um breve resumo da história, pois Mark só tinha escutado uma parte dela.
- Ela não queria o bebê, certo? Por isso, o colocou para adoção. – Mark deduziu uma das partes da história que mais lhe doía.
- Não. – Meu pai negou logo em seguida. – Ela queria o bebê. Ela sempre quis você, Mark. Ela sempre quis ser parte da sua vida. – Ele queria que Mark soubesse.
- Ela fez parte da minha vida, mas não da maneira que deveria. – Mark sempre teve uma relação muito boa com a Janice, mas nunca chegou a ser uma relação de mãe e filho.
- Eu sei. – Meu pai afirmou com a cabeça. – Assim que ela descobriu sobre a gravidez, ela também descobriu as verdadeiras intenções do Steven. Todo o amor que ela sentia por ele foi transformado em ódio e medo. Ela sentia ódio porque Steven não seria nem de longe um bom exemplo de pai e de pessoa pra você. Ela não queria que você convivesse com ele. – Meu pai fez uma breve pausa. – Ela também sentia medo de você ser alvo de qualquer tipo de vingança do Steven. Minha família sempre foi o meu ponto fraco e, por isso, ela sempre foi o caminho mais fácil para me atingir. Steven sabia disso. Todos sabiam disso. – Ele completou.
- Foi por isso que ela mudou-se para Nova York. – Mark sorriu fraco e poucas lágrimas surgiram em seus olhos.
- Ela foi muito corajosa, sabia? – Meu pai também queria que Mark sentisse orgulho de sua mãe. – Ela deixou tudo pra trás e veio sozinha pra Nova York. Ela se virou muito bem sozinha e tudo o que ela conquistou foi fruto do seu esforço e dedicação. – Ele completou e viu Mark sorrir.
- E o Steven? Ele nunca veio atrás dela? Ele nunca.... – Na verdade, Mark queria saber se algum dia o seu pai havia tido interesse nele.
- Eu sinto muito em dizer isso, mas.... – Meu pai negou com a cabeça.
- Tudo bem. – Mark esforçou-se para fingir que aquela notícia não o abalou completamente. – Isso não me surpreende nem um pouco. – Ele completou.
- Já a sua mãe fez de tudo pra ficar perto de você. Eu me lembro do dia em que ela me contou que tinha encontrado um jeito de manter você seguro. Ela sofreu muito e chorou por meses. Ela me disse que tinha encontrado uma pessoa boa que cuidaria e que criaria muito bem você. Ela me disse que essa pessoa não tinha muitos recursos e, por isso, a ajuda financeira também fazia parte do acordo. Na época, a Janice não tinha muitos recursos financeiros. Foi nessa época que ela decidiu abrir a sua própria empresa. – Ele explicou. – Ela trabalhou muito duro durante muito tempo para poder manter você e a sua mãe. – Meu pai finalizou.
- O dinheiro... – Mark deduziu que o dinheiro misterioso que recebia todo o mês vinha de sua mãe.
- Ela sempre batalhou muito para que nunca te faltasse nada e para que você sempre tivesse o melhor. – Meu pai disse.
- Eu não preciso mais disso. Eu posso me virar sozinho agora. Eu sempre fiz isso muito bem. – Mark engoliu o choro.
- Você nunca esteve sozinho, Mark. – Meu pai o corrigiu. – Esse foi o segundo motivo para que a sua mãe o mantivesse tão perto dela. Ela não queria que você ficasse sozinho. – Ele explicou.
- E qual foi o primeiro motivo? – Mark estava visivelmente abalado.
- Ela não conseguia ficar longe de você. – Meu pai disse com poucas lágrimas nos olhos. Mark o olhou com os olhos marejados, sorriu e logo em seguida abaixou a cabeça. Ele não queria que meu pai percebesse as lágrimas em seus olhos, mas foi inevitável.

Era extremamente difícil para o Mark saber de todos os momentos difíceis que sua mãe teve que passar. Muitos desses momentos difíceis foram necessários para protegê-lo. Janice passou muita coisa por causa de Steven e o que o Mark mais queria naquele momento era ter estado lá para protegê-la. Ele não queria que ela tivesse passado por nada daquilo. O sofrimento de sua mãe era sim algo muito difícil de lidar, mas nada era mais difícil do que lidar com a sua morte. É impossível mensurar o quanto Mark desejava vê-la outra vez, o quanto ele desejava olhá-la e ver nela a imagem de mãe que ele sempre quis ter, o quanto ele desejava receber o seu primeiro abraço de mãe. Mark jamais a veria de novo e jamais poderia agradecê-la por tudo o que ela fez por ele. Ele jamais poderia dizer que não a odiava por tudo o que ela fez e que tinha muito orgulho da forma com que ela enfrentou tudo sozinha. Ele jamais receberia os carinhos, as broncas e os conselhos de mãe com os quais ele sonhou. Mark sofreu a maior perda de sua vida e não sabia. Ele foi até o funeral da mãe sem saber que estava perdendo alguém muito mais importante do que uma simples vizinha.

demorou algum tempo para conseguir forças para sair da varanda da minha casa e caminhar lentamente até o seu carro. Ele parecia não se conformar com o que tinha acabado de acontecer. estava completamente em choque e sem qualquer reação. Parecia até que tudo aquilo não estava acontecendo com ele. Por poucos minutos, ele não sentiu nada além de um enorme vazio. Não tinha dor, desespero ou tristeza. Só um vazio inexplicável, que parecia dar a ele uma breve trégua para o que sentiria logo mais.

A dor foi realmente muito bondosa com o . Ela poderia ter tomado conta dele de uma só vez, mas ela resolveu chegar de mansinho. Quando ela chegou em seu auge, já estava dentro de seu carro e ainda parado em frente a minha casa. Seus olhos tristes encararam o volante e depois encararam a casa, onde ele havia morado na última semana. As lágrimas escorreram lentamente pelos cantos de seus olhos. não se preocupou em secá-las, pois sabia que eram necessárias. Era a única maneira que a dor e a tristeza tinham de extravasar.

Eu não era a única responsável pelas lágrimas de . Steven também tinha uma enorme culpa no sofrimento do filho. É claro que é difícil para o perder a garota que ele ama, mas acredite: ver a pessoa que o seu pai havia se tornado era muito pior. Era como se sua vida, que há um dia estava perfeita tivesse se transformado em um terrível pesadelo. Não era nada fácil lidar com a minha decepção, nem com a sua culpa com o que havia feito e muito menos com a nova personalidade de seu pai. Também havia o fato de que o Mark era o seu irmão, mas esse assunto ele preferiu deixar para depois. Ele não conseguiria lidar com tudo isso de uma só vez.

Por mim, eu ficaria ali chorando, sentada rente a porta durante toda a noite. O meu emocional inocente tinha esperanças que as lágrimas me fariam sentir qualquer tipo de alívio. Eu queria chorar a noite toda, pois eu queria que a dor parasse. As lágrimas tinham que tirar parte da minha dor ou eu não sei por quanto tempo eu vou conseguir conviver com esse sentimento tão devastador dentro de mim. Pensar no meu pai naquele hospital me deu uma força inexplicável para me levantar. Eu tinha dito ao Mark que eu voltaria logo, portanto, eu tinha que voltar logo! Me levantei do chão, enquanto secava as lágrimas em meu rosto. Enquanto tentava não pensar em nada, subi a escada as pressas. Passei pelo meu quarto apenas para pegar uma roupa para vestir. Entrei no banheiro e fui logo tirando aquela roupa suja. A blusa estava um pouco manchada de sangue, que escorreu do meu nariz depois de um dos tapas de Steven. Entrei no chuveiro esperando que a água levasse com ela todas as coisas ruins que eu estava sentindo.

A água do chuveiro estava quente, mas ela ainda não era capaz de fazer milagres. Fiquei algum tempo com a minha cabeça embaixo da água e imaginei que não teria problema se as minhas lágrimas se misturassem com a água que saia do chuveiro. Fechei os meus olhos e levei as mãos até o meu rosto. Todas as partes do meu corpo me pediam para ceder, mas eu estava disposta a lutar contra tudo para conseguir passar por aquilo. Voltei a tomar o controle da situação e terminei rapidamente o meu banho. Depois de me enxugar, vesti a roupa que havia escolhido: legging preta, moletom e tênis. Relaxada demais? Minha vida acabou de virar de cabeça para baixo! Eu não quero saber se estou bem arrumada ou bonita. Eu quero apenas vestir algo confortável, voltar para aquele hospital e ver o meu pai. Parei em frente ao espelho ainda embaçado e passei uma das mãos nele. Os meus olhos estavam um pouco inchados e vermelhos, mas não tinha nenhum vestígio de lágrimas.

- Chega de chorar. – Eu disse em voz alta. Eu tenho tantos problemas pra resolver agora. Eu não posso perder o meu tempo sofrendo por causa do . Eu sei que eu amo ele. Eu não estou tentando fingir o contrário, mas eu acho que não vale a pena. Eu tenho muitas coisas para me preocupar agora.

É claro que as peças de roupa que o vivia esquecendo no banheiro me trouxeram um nó na garganta, mas eu fui capaz de pegá-las e juntá-las com o resto da roupa que estava em sua mala. Sim, a mala dele ainda estava na minha casa. Eu preciso dar um jeito de devolvê-la para ele, mas eu não posso e nem pretendo fazer isso hoje. Desci as escadas e encarei o meu celular que eu havia deixado sobre a mesa. Ele estava um pouco sujo e uma pequena parte da tela havia trincado na hora que Steven o jogou no chão. Eu sei que vou ter que trocá-lo, mas de novo: isso é assunto para depois. Peguei a minha carteira e a chave do carro de Mark. Sai da casa e tranquei a porta. Entrei tão rápido no carro, que não percebi que o carro do ainda estava parado do outro lado da rua.

chegou a se esconder um pouco ao me ver sair da casa. Ele me observou atentamente com os olhos tristes. Quando eu entrei no carro, ele continuou olhando. Ele me esperaria ir embora. Eu dei a partida no carro e o tirei da garagem. Minha cabeça estava tão distante, que continuei sem notar o carro de ali. Ele acompanhou o carro até perdê-lo de vista. Voltou a sentar-se corretamente no carro e olhou mais uma vez para a casa. lembrava-se de viver tanta coisa incrível naquela casa e agora ele não conseguia aceitar que havia jogado tudo no lixo. não tinha outra opção a não ser aceitar. Ele tinha que aceitar que havia acabado definitivamente.

Ficou ali alguns minutos antes de conseguir forças para dar a partida no carro e sair da frente da minha casa. não sabia pra onde ir ou pra quem pedir ajuda. Seus amigos poderiam dar uma força, mas seria trabalhoso demais ter que explicar tudo pra eles, por isso, resolveu dirigir sem rumo. Ele precisava pensar e sofrer tudo o que precisava sofrer. Os olhos estavam fixos nas ruas da cidade e a cabeça continuava repassando a imagem do momento em que eu implorava para que ele acreditasse em mim. negava com a cabeça e se perguntava como pode não acreditar em mim. As mãos apertavam o volante devido ao ódio que ele estava dele mesmo e os olhos deixavam escapar lágrimas solitárias pelos cantos.

Eu continuei dirigindo até o hospital e seguiu o caminho oposto. Eu sabia para onde estava indo e ele só soube quando finalmente chegou lá. Involuntariamente, acabando indo ao parque privado que havíamos visitado há alguns dias. Já que estava ali, ele resolveu estacionar o carro e descer. Diferentemente da outra vez, percorreu toda a calçada ao lado das grades do parque sozinho. A cabeça estava constantemente baixa e as mãos inquietas, hora estavam nos bolsos da calça, hora estavam soltas. Chegou ao portão e o balançou na esperança de que estivesse aberto. É claro que não estava. Olhou pelas frestas da grade e sentiu uma enorme necessidade de entrar lá. Porque não, certo? olhou em volta e a rua estava completamente deserta. Passavam alguns carros de tempos em tempos, mas nada que o preocupasse. Não pensou duas vezes em subir no portão e pular para dentro do parque. Observou o parque por algum tempo e depois começou a percorrer lentamente aquele corredor enorme, que percorremos juntos da outra vez.

caminhou um bom tempo, mas resolveu parar no meio do caminho. Ainda de longe, observou a estátua no meio do parque e sorriu ao se lembrar dos nossos comentários maldosos sobre ela. Aproveitou que estava próximo de um banco e se sentou. Apoiou os cotovelos nas pernas e os olhos encaravam as mãos, que brincavam com um pequeno pedaço de grama. Apesar de estar completamente entretido com o pedaço de grama em suas mãos, o pensamento estava longe. Os olhos foram se enchendo aos poucos de lágrimas, enquanto algumas memórias passavam em sua mente. também lembrava da sua infância e das brincadeiras bobas que tinha com o seu pai. Um sorriso surgiu em seu rosto quando ele se lembrou da sua reação ao ver, pela primeira vez, seu pai fazer um gol no campo de futebol perto da casa em que moravam. se lembrava do quanto se esforçava para ser exatamente como o pai. Hoje, ele nem reconhece aquele homem que o chama de filho.

Estacionei o carro no estacionamento do hospital e andei rapidamente para dentro. Eu estava ansiosa para saber notícias do meu pai. Fui direto para a sala de espera para encontrar o Mark, mas fiquei preocupada ao não encontrá-lo. Será que tinha acontecido alguma coisa? Bem, fui até a recepcionista para perguntar por ele. Como já conhecia bem a recepcionista, ela sabia sobre o caso do meu pai e soube me indicar logo de cara o quarto em que ele estava. Um pouco mais aliviada, me dirigi até o quarto e parei na porta quando percebi que ele e o Mark conversavam.

- Eu estou falando a verdade! Você não acredita? – Meu pai dizia entre risos. – Ela sempre fazia as coisas erradas e eu era quem levava toda a culpa. – Ele parecia estar falando da minha tia.
- Eu jamais imaginaria isso. – Mark sorriu. Ele estava ouvindo o meu pai contar algumas histórias da infância de sua mãe. Ele nunca achou que adoraria tanto saber tudo aquilo.
- Ela sempre foi muito mais esperta do que eu. Teve uma vez que ela queria ir a um show do cantor favorito dela e... – Meu pai começou a dizer, mas parou quando me viu parada na porta. Eu estava ali parada há algum tempo ouvindo eles rirem e conversarem. – ! Eu nem tinha te visto. – Ele sorriu e o Mark virou-se para me olhar. – Entre! – Ele fez sinal com a cabeça.
- Eu não queria atrapalhar vocês. – Eu sorri, sem jeito. Entrei no quarto e fui até eles.
- Não, tudo bem. – Mark negou com a cabeça.
- Aqui está. – Eu estendi a chave de seu carro. – Muito obrigada. – Eu agradeci.
- Imagina. – Mark pegou a chave e a guardou.
- E você, pai? Tudo bem? – Eu perguntei, atenciosa.
- Eu estou melhor do que antes. A enfermeira me disse que está tudo bem. Eu só tive que fazer um pequeno curativo aqui no braço, mas não foi nada demais. – Meu pai explicou.
- Pai, não importa o que você diga. Você não vai sair daqui hoje. – Eu arqueei uma das sobrancelhas em meio a um sorriso.
- Foi exatamente o que o Mark disse. Não é, Mark? – Meu pai riu, olhando pro Mark. – Mark? – Meu pai o chamou novamente, quando percebeu que ele não havia escutado. Mark estava com a cabeça bem longe e ele parecia um pouco estranho.
- Mark? – Eu toquei em um de seus ombros e ele me olhou como se tivesse acordado de um transe.
- Sim, eu não... – Mark olhou rapidamente para o meu pai e depois voltou a me olhar.
- Você está bem? – Eu perguntei com preocupação.
- Sim, estou. – Mark forçou um sorriso e afirmou com a cabeça. – Eu... vou deixar vocês conversarem. – Ele disse antes de se virar e sair repentinamente do quarto.
- Mas o que.... – Eu não entendi o que tinha acontecido. – Aconteceu alguma coisa? – Eu ergui os ombros. Será que eu tinha dito alguma coisa?
- Bem, ele ganhou e perdeu uma mãe no mesmo dia. – Meu pai disse com seu tom de lamentação.
- Ele... – Eu abaixei a cabeça, depois de balançá-la negativamente. – Ele não merecia isso. – Eu completei. – Você se importa em ficar um pouco sozinho? – Eu perguntei, enquanto fazia careta.
- É claro que não. – Meu pai sorriu visivelmente orgulhoso com a minha atitude.
- Eu volto daqui a pouco. – Eu me aproximei e depositei um beijo em seu rosto.
- Eu prometo que não vou fugir daqui. – Meu pai brincou, me arrancando uma risada.
- Eu sei disso! – Eu disse, enquanto me afastava da cama. – Vê se descansa. – Eu pedi antes de abandonar o quarto.

Procurei pelo Mark do lado de fora do quarto, olhei no corredor e cheguei a dar uma olhada na sala de espera também e nada! Pra onde ele tinha ido? Se eu já estava preocupada antes, agora eu estava ainda mais. Sem saber mais onde procurar, perguntei para a recepcionista se ela tinha visto pra onde tinha ido o rapaz que estava me acompanhando e ela soube me dizer que ele tinha ido em direção a saída. Depois de agradecer pela informação, eu fui direto em direção a porta de saída. Eu tinha quase certeza de que o Mark já tinha ido embora, mas, mesmo assim, eu resolvi procurá-lo. Olhei em volta e me lembrei de checar se o carro dele ainda estava no lugar em que eu havia estacionado. O carro ainda estava lá e Mark estava bem próximo a ele. Eu não pensei duas vezes em ir até lá.

- Mark. – Eu o chamei, enquanto o olhava de costas. Na mesma hora percebi o seu movimento com uma das mãos. Ele a levou até o rosto provavelmente para secar os olhos.

Mark realmente não estava bem. Toda aquela conversa que ele teve com o meu pai foi um pouco demais para assimilar de uma só vez. É claro que ele precisava saber. Algum dia ele teria que saber de tudo e a reação seria a mesma. Mark jamais ficaria bem ao falar da sua mãe. Não era fácil lidar com tudo aquilo e eu sei que ele levaria algum tempo para conseguir começar a levar tudo isso numa boa. Agora, com relação ao seu pai a sua opinião era outra. Eu diria que a opinião era oposta. Mark não conseguia ver nenhum outro culpado além de Steven. Ele não era apenas responsável pelo que aconteceu comigo, mas principalmente por todo o sofrimento que a Janice teve passar durante grande parte da sua vida. Steven tirou de Mark a oportunidade de ter a sua verdadeira mãe por perto. Além disso, Steven jamais procurou saber de Mark durante todos esses anos. Mark tinha todos os motivos do mundo para estar sentindo raiva do pai, porém a tristeza que ele sentia por causa da Janice ainda era maior e soberana.

- Desculpa ter saído daquele jeito, eu... – Mark virou-se pra mim e tentou agir naturalmente. Os olhos estavam um pouco vermelhos e os cílios estavam molhados.
- Não fala que você está bem. – Eu me adiantei e ele me olhou, surpreso. – Eu sei que você não está. – Eu completei.
- Não, eu estou bem sim. Eu só estou tendo um pouco de dificuldade de assimilar tudo isso. É muita coisa, entende? – Mark tentou se justificar.
- Você vai se sentir melhor se eu disser que eu também não estou bem? – Eu sorri de canto e ele me olhou, me analisando por algum tempo.
- Como eu posso me sentir melhor? – Mark negou com a cabeça, desaprovando o que eu havia dito.
- Eu sei que você está tentando demonstrar que está tudo bem para não me preocupar, mas eu posso ser honesta? Você é péssimo nisso. – Eu disse e vi um fraco sorriso surgir no rosto dele.
- É, eu sei que sou. – Mark desviou o olhar por poucos segundos.
- Eu nem sei se posso te julgar tanto assim. Eu já fui muito melhor nisso. – Eu fui sincera. – Mas, quer saber um segredo? É mais difícil fingir que está bem para outra pessoa que está fingindo também. Eu não sei ao certo o porquê, mas eu acho que é porque as duas pessoas se tornam semelhantes, sabe? São como regras para fingir estar bem. Elas acabam tendo o mesmo olhar distante, as mesmas desculpas pra sair e chorar e o mesmo sorriso forçado. – Eu expliquei.
- E você usou uma desculpa pra vir até aqui também? – Mark perguntou antes de abaixar a cabeça.
- Não. Eu não vim aqui pra chorar. Eu vim até aqui por você. – Eu disse e ele levantou o rosto pra me olhar. Os olhos estavam cheios de lágrimas. – Aliás, nova regra, ok? Nós cuidamos uns dos outros. – Ele abriu um lindo sorriso em meio as lágrimas presas em seus olhos.
- Certo. – Mark ainda sorria.
- Escuta, eu sei que você está passando por uma fase difícil. Eu não posso nem imaginar o quanto tudo isso deve estar doendo ou como está a sua cabeça, mas eu quero ajudar. Eu vim até aqui pra ajudar. Então, se houver alguma coisa que eu possa fazer basta me dizer. – Eu me coloquei a disposição. – Você quer subir na cobertura do maior prédio da cidade e gritar até cansar? Você quer ir até o mercado e comprar alguns sacos de arroz pra você dar uns socos até não sentir mais as mãos? Você quer comprar algumas dúzias de ovos pra jogarmos na casa do Steven? Nós podemos fazer qualquer coisa que você quiser. – Eu disse e vi novamente um fraco sorriso surgir no canto de seu rosto.
- Quer mesmo saber o que eu quero? – Mark acabou cedendo a minha insistência.
- Eu quero! – Eu afirmei na mesma hora.
- Eu só quero... um abraço. – Se ele não tivesse tantas lágrimas em seus olhos e realmente não estivesse precisando tanto daquilo, eu aposto que ele estaria completamente sem jeito agora.
- Você está brincando! Tudo isso? – Eu abri os braços fingindo estar indignada. Ele sorriu e negou com a cabeça. Eu não tive dúvidas em dar a ele o que ele tanto precisava. Como ele era um pouco mais alto, eu tive que ficar um pouco na ponta dos pés, enquanto passava meus braços em volta de seu pescoço e o puxava para mais perto. Mark passou os seus braços em torno da minha cintura e me apertou bem forte.

Mark nunca teve muitas pessoas em sua vida com as quais poderia se abrir e desabafar. Foram raras as vezes que ele tinha alguém que lhe abraçasse e passasse a ele a sensação que daria tudo certo, quando as chances disso acontecer eram pequenas. Ele encontrou em mim essa pessoa, mas as vezes ele se controlava para se fazer de forte. Dessa vez, a situação é completamente diferente de tudo o que ele já viveu e ele não sabia se conseguiria passar por tudo aquilo sozinho. Então, o fato de eu estar ali por ele era muito importante. O meu abraço o acalmou um pouco e pareceu ter colocado os sentimentos e a cabeça no lugar. Durante o nosso abraço, ele fechou os olhos e disse pra si mesmo que não estava sozinho e que conseguiria passar por aquilo. A calma que meu abraço deu a ele o ajudou a pensar em tudo e a controlar as suas emoções.



- Eu estou aqui por você. – Eu levei uma das minhas mãos até a sua nuca e acariciei parte de seu cabelo. O jeito forte com que ele me abraçava me passava a certeza de que eu estava ajudando ele e isso me deixou um pouco mais feliz.
- Eu agradeço por isso. – Mark terminou o abraço inesperadamente. – Isso significa muito pra mim. – Ele estava sério, mas esforçou-se pra sorrir. – Eu... – Ele hesitou e eu soube que havia algum problema. – Eu preciso resolver uma coisa. Você se importa em ficar sozinha aqui? – Mark parecia decidido.
- Não. É claro que não, mas... – Eu tentei adivinhar através de seu olhar. – Aonde você vai a essa hora? – Eu estranhei.
- Vou fazer uma coisa que eu sempre quis fazer. Uma coisa que está entalada na minha garganta há tempos. – Mark não deu mais detalhes.
- Você precisa que eu vá com você? Eu posso... – Eu apontei em direção a entrada do hospital, mas ele me interrompeu.
- Não. Está tudo bem, ok? – Mark tentou não me preocupar. – Eu falo com você depois. – Ele aproximou-se e depositou um beijo no meu rosto. Ele saiu andando e eu não fazia a menor ideia do que estava acontecendo. Cruzei os meus braços e o observei entrar no carro e depois dar a partida. Eu não sei o que ele vai fazer, mas eu espero que ele fique bem.

Apesar de estar extremamente triste por causa da perda de sua mãe, Mark era consolado pelo fato de ao menos ter tido uma mãe adotiva. Ele sempre soube que a mulher que o criava era sua mãe adotiva. Isso nunca foi um segredo, mas mesmo assim ele tinha uma figura de mãe em casa. Ele tinha alguém para lhe dar broncas, para forçá-lo a fazer os deveres de casa e alguém que cuidava dele quando ele estava doente. Porém, Mark jamais teve uma figura de pai. Ele nunca teve alguém para ensiná-lo a jogar futebol, para ensiná-lo a brigar de frente com os garotos da escola que adoravam implicar com ele. Mark sempre teve um ressentimento fora do normal com o seu pai. Ele sempre imaginou o dia que poderia enfrentá-lo e dizer tudo o que foi capaz de fazer e aprender sem ele. Mark nunca aceitou o fato de ter um pai que jamais o procurou, por isso, ele decidiu que chegou a hora de resolver esse problema que tanto o machucou durante todos esses anos. Mark estava indo até a casa de Steven e diria tudo o que sempre quis dizer.

Ao chegar na casa de Steven, estacionou o carro em frente a casa que estava com as luzes acesas. Desceu do carro com toda a coragem e toda a raiva do mundo. Ele precisava colocar tudo aquilo pra fora. Ele precisava dizer todas as verdades que Steven merecia ouvir. Bateu forte na porta e não demorou muito para tocar duas ou três vezes seguidas a campainha. Se Steven demorasse mais um pouco, ele seria capaz de derrubar aquela porta.

- Eu sei que você esta ai, Steven! – Mark gritou contra a porta, que foi aberta quase que na mesma hora. Steven não queria alertar os vizinhos. – Tentando se esconder? Você é mesmo muito bom nisso, não é? – Ele disparou. – Eu vou entrar. Nós vamos conversar. – Mark passou por ele sem nem ao menos ser convidado.
- Eu sabia que você acabaria vindo atrás de mim. – Steven disse depois de fechar a porta e ir atrás do Mark, que preferiu ficar ali na sala mesmo.
- Não se anime, Steven. Eu não vim aqui pra chorar no seu ombro e dizer o quanto você fez falta durante todos esses anos.- Mark não abaixava a guarda um só minuto. – Até porque você não fez falta alguma. – Ele completou.
- Você tem todo o direito de estar bravo e decepcionado. – Steven tentava acalmar os ânimos.
- Sinceramente? Eu ainda estou decidindo se você vale ao menos o meu ódio. – Mark disse friamente.
- Você pode me odiar se você quiser, mas isso não muda o fato de que eu sou o seu pai. – Steven tentava sensibilizar o filho de qualquer forma.
- Meu Deus... – Mark negou com a cabeça, incrédulo. – Você não sente vergonha em dizer isso em voz alta? Você não sente vergonha de si mesmo em olhar nos meus olhos e dizer que é o meu pai? – Havia um sorriso sarcástico no canto de seu rosto.
- Bem, parece que já fizeram a sua cabeça contra mim, certo? – Steven negou com a cabeça.
- Fizeram a minha cabeça contra você? Quantos anos acha que eu tenho? 6? – Mark manteve o sorriso no canto do rosto e os olhos seguiam fixos em Steven. – Eu não preciso de ninguém pra me dizer a pessoa desprezível que você é. – O sorriso sarcástico desapareceu.
- Como você pode pensar isso sobre mim sem me conhecer? O que você sabe sobre mim? – Steven sorriu para não demonstrar o quão nervoso estava com a situação.
- O que eu sei sobre você? Bem, por onde eu começo? – Mark cerrou os olhos. – Eu sei que você usou a minha mãe como parte da sua porcaria de vingança e que foi responsável pelo sofrimento que ela foi obrigada a passar durante toda a vida dela! – Ele falou, segurando-se para não surtar.
- Eu sei que você sente muito pelo que aconteceu com a sua mãe e para ser honesto, eu também sinto. Eu não queria que nada disso tivesse acontecido. – Steven tentou mostrar o seu outro lado para o filho. – Eu era muito jovem e acabei cometendo... – Ele percebeu a besteira que estava prestes a dizer.
- Um erro! Não era isso que você ia dizer? – Mark não deixou passar. – Vamos! Pode dizer, pai. – Ele ironizou a última palavra. Ele não deixou transparecer, mas aquilo realmente o destruiu.
- Você não foi um erro. Você só não estava nos planos. – Steven tentou consertar. – Na época que eu descobri que a sua mãe estava grávida, eu tinha tanta coisa em mente. Eu... – Ele já não sabia como se explicar.
- Chega dessa baboseira! Chega desse teatro! – Mark o interrompeu. Ele não queria mais ouvir as explicações do pai, que o machucava cada vez mais. – Quem é que você está querendo enganar? Você nunca se importou! – Ele aumentou o tom da voz. A frieza, que antes dava a ele vantagem, já o havia abandonado.
- Isso não é verdade. – Steven negou com a cabeça.
- Não é verdade!? – Mark aumentou ainda mais o tom de voz. Ver o seu pai negando tudo o que era tão óbvio estava irritando ele.

ficou algum tempo no parque e depois de muito pensar, decidiu ir embora. Ele estava tão cansado de pensar e o seu corpo também estava exausto. Ele já tinha decidido que iria dormir em um hotel, já que não pretendia dormir na casa do pai, porém, lembrou que a sua mala estava na minha casa e ele não quis me incomodar mais naquele dia. Com isso, decidiu ir até a casa do pai para pegar algumas peças de roupas, que havia deixado lá durante a semana. Era o bastante até que ele decidisse voltar na minha casa para buscar suas coisas.

estava um pouco mais conformado com tudo. Talvez conformado não fosse a palavra ideal para descrevê-lo, mas ele havia se acalmado um pouco mais e já tinha parado de chorar descontroladamente, porém, isso não significava que não houvesse mais dor ou tristeza. Dirigiu até a casa do pai e ao estacionar o carro, notou o carro de Mark estacionado logo a frente. O carro do irmão quase o fez desistir de ir até lá, mas ele precisava mesmo das roupas. Desceu do carro sem coragem nenhuma de ir até lá e enquanto aproximava-se da porta, ele ouvia algumas vozes alteradas. As vozes o deixaram em estado de alerta. Ele parou em frente a porta e passou a ouvir a conversa entre o pai e o irmão mais velho.

- 21 anos! 21 anos e essa é a segunda vez que eu te vejo. – Mark disse com os olhos cheios de ódio. – Foram 21 aniversários e você não apareceu em nenhum. Você nem se deu ao trabalho de enviar um maldito cartão. – Ele começou a cuspir as palavras.
- Eu... – Steven não sabia como responder. Simplesmente não existia uma resposta para aquilo.
- Me deixe adivinhar! – Mark o interrompeu novamente. – Você estava ocupado demais com o seu filho de verdade e a sua vingança estúpida, certo? – Ele ironizou.
- Vingança estúpida... – Steven disse em meio a um suspiro. – Você já parou pra pensar que se eu tivesse resolvido não me vingar, você não estaria aqui agora? Sua mãe jamais teria engravidado de você. – Steven abriu os braços e chegou a sorrir. Não levou dois segundo pro Mark partir pra cima do pai, agarrar a gola de sua camiseta e colocá-lo contra a parede.
- DESGRAÇADO! – Mark esbravejou ao pressioná-lo contra a parede. – ACHA ISSO ENGRAÇADO? – Ele perguntou furiosamente.

ainda ouvia a conversa atentamente, quando ouviu o barulho de algumas coisas caindo no chão. O insulto de Mark deixou bem claro que tratava-se de uma briga e o seu instinto falou mais alto do que tudo. adentrou a casa as pressas e viu Mark pressionando o pai contra a parede. Correu até eles e tentou reverter a situação.

- PAREM COM ISSO! – achou que o grito bastaria. – HEY! – Ele interveio sem tanta força, mas ainda não foi o bastante.
- QUEM VOCÊ PENSA QUE É? – Mark gritou contra Steven, que também o enfrentava.
- EU MANDEI PARAR! – segurou o braço de Mark e o arrastou para trás. – VOCÊS PARECEM DOIS MOLEQUES DE RUA! – Ele completou, olhando feio para o pai.
- QUEM EU PENSO QUE SOU? – Steven gritou em direção ao Mark, furioso. – EU SOU O SEU PAI, GAROTO! GOSTE VOCÊ OU NÃO, EU SOU O SEU PAI! – Ele completou.
- VOCÊ NÃO É O MEU PAI! – Mark disparou contra o pai e ainda o segurava. – EU NÃO PRECISO DE VOCÊ NA MINHA VIDA. EU NUNCA PRECISEI! – Ele completou.
- JÁ CHEGA! – tentou intervir mais uma vez. A discussão não acabaria tão cedo.
- É nisso que você quer acreditar? É isso o que você diz pra si mesmo pra me odiar ainda mais? – Steven abaixou o tom da voz para tentar terminar a discussão.
- Eu sempre me virei muito bem sozinho, Steven. – Mark o encarou com um olhar de desprezo. – Eu cresci sem qualquer referência paterna e olha pra mim agora. – Ele abriu os braços. – Eu me saí muito bem, você não acha? – Mark perguntou retoricamente. – Eu fui sozinho ao meu primeiro jogo de futebol e, apesar de ser uma droga jogando, eu aprendi sozinho! – Ele fez uma breve pausa. – Na escola, os valentões e os caras mais velhos costumavam implicar comigo. Adivinha só, Steven? Eu aprendi a brigar sozinho e olha que sou muito bom nisso. Pergunte ao seu adorável filho. – Mark apontou a cabeça em direção ao , que pela primeira vez na vida não ousou respondê-lo. – Eu aprendi a me barbear sozinho! Eu aprendi a dirigir sozinho! Eu aprendi a namorar sozinho! Droga, eu até mesmo aprendi a atirar sozinho e graças a isso, eu tenho um emprego incrível! – Ele forçou um sorriso com os olhos levemente marejados. – Viu só, Steven? Você não fez a menor falta. – Mark completou. Ele se sentia muito melhor por ter colocado tudo aquilo pra fora.
- Já acabou? – Steven tentou esconder o quão abalado estava, mas é claro que ele não conseguiu esconder isso de , que o conhecia muito bem.
- Na verdade, eu não acabei! – Mark empurrou , que ainda o segurava e deu poucos passos em direção a Steven. – Eu vou ter uma vida maravilhosa, Steven! – Ele novamente forçou um sorriso. – Eu vou ter uma carreira profissional incrível, vou me casar com uma garota maravilhosa, vou ter filhos e vou ser um bom pai pra eles. Eu também não vou precisar de você pra isso, porque você não teria absolutamente nada pra me ensinar! – Mark terminou a frase um pouco exaltado.
- Eu queria que você soubesse o quão errado você está! Você engoliria tudo o que você está me dizendo! – Steven debateu visivelmente abalado. Não era nada fácil ouvir aquilo do seu filho.
- Nada no mundo vai me fazer mudar de ideia! – Mark engoliu o choro para falar com mais raiva. – Você entendeu, Steven? Eu nunca vou mudar de ideia! – Quando Mark tentou se aproximar de Steven, voltou a segurá-lo.
- CHEGA! – puxou o irmão para trás com força. – VAMOS LÁ PARA FORA! – Ele começou a guiar Mark até o lado de fora da casa.
- ME SOLTA! – Mark empurrou o irmão assim que chegou do lado de fora da casa.
- Você precisa se acalmar, está bem? Se você for embora desse jeito vai acabar se matando! – abaixou o tom da voz, mas continuava impaciente com as grosserias do irmão.
- Oh, o que é isso? Não me diga que você vai querer bancar o irmão protetor agora? – Mark continuava fora de controle e pronunciou a frase com um certo sarcasmo. – Me poupe, ok? Nos poupe! - Ele disse com deboche.
- Vai se ferrar, ok? – odiou a forma com que Mark falou. – Se você quer pegar o seu carro e sair por ai em uma missão kamikaze, vai em frente! Foda-se! – Ele esbravejou e virou de costas, pretendendo deixar o irmão ali sozinho.
- Você não entende. É só um filhinho de papai estúpido. – Mark pensou alto, enquanto observava se afastar.
- O que foi que você disse? – tinha escutado muito bem, mas queria escutá-lo dizer novamente.
- É isso mesmo que você ouviu! É tão fácil pra você ficar ai julgando as minhas atitudes, não é? Você não passou por nada disso. Você não entende! – Mark ainda usava o seu tom de sarcasmo, mas ele estava mais sério dessa vez.
- E você acha que tudo isso está sendo difícil só pra você? Você acha que é só você que está sofrendo com toda essa loucura? Que merda de egoísta você é? – esbravejou.
- Egoísta? – Mark ironizou.- Você tem e sempre teve uma mãe pra cuidar de você, não é? Você também teve um pai que, mesmo na sua memória, era o seu exemplo e o seu herói, certo? Eu nunca tive nada disso! Eu sempre fui sozinho e sempre cuidei de mim mesmo, porque se eu não fizesse isso, ninguém mais faria! – Ele disse, fazendo com que a fúria de fosse deixada de lado. – O que você chama de egoísmo, eu chamo de autodefesa. Autodefesa sim! Sabe por quê? Porque se eu não pensar em mim, quem vai? – Mark encarou e se controlava para não deixar nenhuma lágrima transparecer. – Me diga, ! Quem? – Ele conseguiu dizer com frieza.
- Então, você acha que o fato de eu ter uma mãe e um pai não me dá o direito de sofrer? – sorriu com sarcasmo. – Quer dizer que eu não posso sofrer porque a minha mãe perdeu parte da vida dela chorando por um homem que fingiu que morreu? Eu sou obrigado a fingir que está tudo bem, quando eu vejo o meu herói se transformando na merda de um vilão? Eu tenho mesmo que continuar sorrindo, quando eu acabei de perder a garota que eu amo? – Ele perguntou com impaciência. – Eu sinto muito em te informar, mas nós estamos no mesmo barco. A única diferença entre nós dois é a pena que você sente de si mesmo. – falou na cara do irmão.
- Como você poderia sentir pena de si mesmo? Você não foi a vítima de nada, mas foi um dos vilões do dia. – Mark respondeu na mesma hora as duras palavras do irmão. o olhou e forçou um sorriso, que no fundo só demonstrava o quão ele estava puto da vida.
- Se você estivesse me dizendo isso em qualquer outro dia, eu já teria quebrado todos os seus dentes. – respirou fundo, tentando manter a calma. – Hoje não. Hoje, você é o menor dos meus problemas. – Ele olhou Mark pela última vez e se afastou, indo em direção a porta da casa de Steven. Mark observou ele se afastar em silêncio. Depois de vê-lo entrar na casa, Mark foi até o seu carro e tentou se acalmar.

Mark ainda encarava o volante do carro, enquanto repassava novamente toda a conversa tida com o seu pai. Ao lembrar-se das palavras ditas por Steven, ele tentava manter a calma, mas não conseguiu por muito tempo. Ele deu dois socos seguidos no volante e a sua respiração ficou mais intensa. Parecia que ele queria gritar até que toda aquela coisa ruim saísse de dentro dele. Os olhos dele foram se enchendo de lágrimas repentinamente e ele nem ao menos conseguiu impedir que elas escorressem pelo seu rosto. Mark ligou o carro e deu a partida, enquanto passava uma das mãos pelo rosto para esconder todas aquelas lágrimas, que demonstravam a ele tanta fraqueza.

Em contrapartida, estava extremamente frio e não demonstrava sinais de choro. Ele adentrou a casa de Steven e passou direto por ele, indo até o quarto onde tinha deixado suas peças de roupas. pegou suas roupas e juntou todas elas em uma só sacola. Steven acompanhava em silêncio a atitude do filho.

- O que você está fazendo, ? – Steven finalmente perguntou.
- Estou juntando as minhas coisas. Eu vou dormir em algum hotel. – respondeu sem nem olhá-lo.
- Hotel? Não. Fique aqui. – Steven deu a opção ao filho, que parecia lhe empolgar muito.
- Você está brincando, não é? – disse em tom de ironia.
- Essa casa também é sua. Você não precisa ficar em um hotel. – Steven falou um pouco mais chateado.
- Essa não é a minha casa e eu também não quero ficar aqui. – terminou de juntar suas coisas e saiu do quarto, passando por seu pai e indo direto para a sala.
- E porque não? – Steven foi atrás de de novo. Ele estava prestes a sair pela porta de entrada da casa, mas parou ao ouvir a pergunta de seu pai. – Você pode ficar aqui e nós... – Ele começou a propor.
- O que? Nós o que? – disse ao virar-se em direção a ele. – Vamos fazer um programa de pai e filho? – Ele deduziu com um riso sarcástico no rosto. Steven não respondeu, mas o olhou com tristeza. – Não vai rolar, ok? Você perdeu todo o respeito que eu tinha por você. Eu olho pra você e nem consigo me lembrar mais do homem que cantava Beatles pra mim. Eu olho pra você e só vejo um homem que tinha tudo, mas que perdeu tudo por nada. – Ele fez uma breve pausa. – E sabe o que é pior? Falando assim, eu não sei se estou falando de você ou de mim. – negou com a cabeça.
- Você não perdeu tudo. Você ainda tem a mim. – Steven tentou dar um jeito na situação.
- Eu perdi o meu pai há mais de 7 anos. Você e ele não são a mesma pessoa pra mim. Eu nunca conheci você e eu nem pretendo. – continuou com a sua frieza inabalável.
- Tudo o que eu fiz foi por você e pelo seu irmão. Eu não queria que vocês continuassem se odiando. Eu queria que vocês ficassem juntos como sempre deveria ter sido. – Steven explicou.
- Você tinha um milhão de maneiras de conseguir isso e você escolheu a pior delas. Agora, quem vai ficar sozinho é você! Você vai ficar sem mim e também vai ficar sem o Mark. – falou, olhando nos olhos do pai. – Talvez esse deva ser o seu castigo por tudo o que você causou em nossas vidas. – Ele completou, enquanto dava alguns passos para trás em direção a porta da casa. – Boa noite, Steven. – saiu mesmo percebendo o quanto as suas palavras tinham afetado o seu pai.

abandonou a casa do pai sem qualquer tipo de remorso pelo que havia dito, mas ele ainda não estava feliz. Mesmo dizendo tudo aquilo para o pai, ele ainda sentia culpa e todos os sentimentos que vinham atrelados a ela. seguiu para o hotel em silêncio, enquanto continuava se culpando e xingando a si mesmo pelo que tinha feito naquele dia. De uma hora pra outra, a cabeça dele virou do avesso e ele ainda não conseguia conciliar tudo de uma só vez.

O hotel era o mesmo da nossa primeira vez, mas o quarto era outro. O quarto em que ficou assim que chegou em Nova York até estava disponível, mas achou melhor não se torturar. Mesmo estando em outro quarto, as memórias ainda enchiam a sua cabeça e elas só serviam para deixá-lo ainda pior.

Ao chegar no quarto, tomou um rápido banho e além da cueca, vestiu o único shorts que ele tinha com ele. Ele estava decidido a dormir, já que esse era o único jeito de ele não pensar em nada do que havia acontecido. Ainda não era tão tarde e não estava nem perto do horário que ele costumava dormir, mas não havia nada no mundo que ele queria mais do que dormir. Deitou na cama e ficou algum tempo em silêncio, quando o celular acabou tocando. pensou duas vezes antes de curvar-se para pegar o celular. O nome de estava no visor e ele congelou por algum tempo. O celular continuou tocando insistentemente e ele se perguntava se deveria ou não atender. imaginava que lhe diria palavras horríveis e ele não sabia se estava pronto para ouvi-las. Quando o celular tocou pela terceira vez, resolveu atender a ligação, pois chegou a conclusão de que merecia ouvir tudo o que provavelmente lhe diria.

- Alô? – atendeu com receio.
- Finalmente! – respondeu na mesma hora.
- Desculpe, cara. Eu... – ia se justificar, mas o meu irmão o interrompeu.
- Tudo bem, cara. Não tem problema. – foi gentil e logo estranhou. – Eu só liguei essa hora porque eu precisava mesmo falar com você. – Ele completou.
- Falar... sobre o que? – perguntou, nervoso.
- Sobre a . – não parecia irritado e isso estava assustando o .
- Ela está bem, não é? – estremeceu ao ouvir o meu nome.
- Sim, ela está bem. – sorriu ao dizer aquilo. – É por isso que estou te ligando. Eu quero te agradecer por isso. – Ele parecia sem jeito. O silêncio se estabeleceu por algum tempo, pois não sabia o que dizer. O que estava dizendo?
- , eu não fiz nada. Eu... – não sabia nem o que dizer direito. Ele estava muito confuso.
- A me contou tudo, . – se adiantou para que parasse de continuar negando. Ao ouvir as palavras de , lembrou-se na mesma hora que eu havia dito que não contaria nada do que tinha acontecido para o meu irmão. Ao concluir aquilo, o coração dele parou.
- O que... ela te disse? – queria saber exatamente o que sabia que tinha acontecido.
- Ela me disse que você a encontrou e a ajudou. – explicou. – Eu... nem sei como te agradecer, cara. – Ele também estava sem palavras. – Eu acho que nunca vou conseguir te agradecer o bastante. – estava muito sem graça por estar demonstrando aquele lado vulnerável para o amigo. estava completamente em choque com o que eu havia feito. Ele não acreditava que depois de tudo, eu ainda fui capaz de mentir para o meu irmão para não colocá-lo em problemas e até mesmo para não destruir a amizade deles. – ? Você está ai? – Ele estranhou o silêncio do amigo.
- É, eu... – estava completamente desnorteado. – Eu estou aqui. – Ele respondeu.
- Eu acho que você deve estar ocupado ai e eu não quero te atrapalhar. – se recompôs. – Eu só quero que você saiba que eu sei o que você fez por ela e que eu jamais vou poder te agradecer o bastante por isso. Eu jamais vou esquecer o que você fez, amigo. – Ele completou.
- Está tudo bem, cara. Não foi nada. – estava totalmente desconfortável com a situação. estava agradecendo ele por fazer uma coisa que ele não fez. Na verdade, ele fez o contrário.
- Eu ainda estou esperando as entradas vip’s para o jogo do Yankees, ok? – disse em meio uma risada.
- Eu não esqueci, ok? Logo vamos marcar esse jogo. – respondeu o amigo sem dar tanta atenção.
- Assim espero! – confiava muito no amigo em todos os sentidos. Ele não tinha motivos para duvidar dele.
- Vejo você em breve. – disse antes de finalizar a ligação. Os olhos ainda estavam fixos em qualquer lugar do quarto. Ele sentou-se na cama, sem saber o que fazer ou como reagir. Ele não conseguia aceitar que eu tinha feito aquilo por ele ou que tinha pensado nele mesmo depois de tudo o que tinha acontecido. Logo agora que ele achava que não poderia ficar pior e que não poderia se sentir mais estúpido. Porém, havia sim uma coisa boa nisso tudo. O que eu tinha feito pelo deu a ele a esperança de que eu ainda sentisse alguma coisa boa por ele. Ele ainda tinha esperança de que havia jeito para nós dois.



TROQUE A MÚSICA:



Mark já estava em sua casa e depois de um banho, também tentava dormir. No hospital, meu pai também já havia dormido. Eu estava confortavelmente deitada em uma das poltronas que tinha em seu quarto, mas eu ainda não conseguia dormir. Mark, e eu estávamos em lugares diferentes, mas tínhamos o mesmo problema: nós não conseguíamos para de pensar em todos os problemas que surgiram inesperadamente em nossas vidas. Nós não conseguíamos parar de pensar que tudo seria diferente a partir de agora.

A dor nas costas me acordou naquele domingo de manhã. Apesar de confortável, a poltrona em que eu dormi ainda era uma poltrona, né? A primeira coisa que eu fiz foi me certificar que o meu pai estava bem. Ele ainda dormia calmamente. Me levantei e fui até o banheiro do hospital para jogar uma água no rosto para me livrar daquela cara de sono. No caminho de volta para o quarto, encontrei o médico que havia atendido o meu pai na noite passada. Fui boba a ponto de perguntar a ele se ele achava que o meu pai já poderia ir casa. Ele me respondeu com um sorriso de deboche e a resposta mais óbvia de todas: ‘É claro que pode! Ele está liberado desde ontem a noite. Ele só sofreu algumas poucas fraturas.’. Agradeci e sai com a vergonha embaixo dos braços. Hora de tirar o meu pai dali.

- Hey, pai! Acorde. – Eu o acordei calmamente, mas ele acabou levando um susto de qualquer jeito. – Calma. Sou eu. – Eu tentei acalmá-lo, enquanto segurava o riso.
- Você me assustou! – Meu pai me olhou, sério.
- Desculpe. – Eu forcei um sorriso. – Eu vim acordá-lo para nós irmos embora. – Eu expliquei.
- Ir embora? Tem certeza que vou sobreviver? – Meu pai brincou com a minha extrema preocupação.
- Muito engraçado, pai. – Eu neguei com a cabeça, enquanto o via sorrir. – Vamos. Eu pego as suas coisas. – Eu peguei os documentos e a sua carteira e seguimos juntos em direção a porta.

Antes de sairmos do hospital, meu pai passou no banheiro, enquanto eu fui agradecer os colegas de trabalho que o socorreram rapidamente na noite passada. Tivemos que pegar um táxi para ir para a minha casa, já que o carro do meu pai tinha ficado perto da casa do Steven. Chegamos em casa e o primeiro lugar pra onde olhei foi para a casa do Mark. O carro estava lá, ou seja, ele estava em casa. Eu paguei o táxi e assim que Big Rob nos viu, veio correndo.

- O senhor está bem? – Ele viu os curativos expostos do meu pai.
- Eu estou bem. – Meu pai sorriu, tentando acalmá-lo.
- Desculpe se eu não estava aqui na hora em que... – Big Rob começou a falar desesperadamente.
- Está tudo bem, Big Rob! Nada disso foi culpa sua. – Meu pai o tranquilizou.
- Não se preocupe. – Eu toquei no braço do Big Rob e sorri pra ele. Steven teria me induzido a ir na casa dele de qualquer jeito. A presença do Big Rob não teria feito a menor diferença.
- Estou feliz que vocês estejam bem. – Era raro ver um sorriso no rosto do Big Rob, mas eu juro que ele sorriu por alguns longos segundos.
- Valeu. – Eu pisquei um dos olhos pra ele e voltei a andar em direção a porta da minha casa ao lado do meu pai.
- Você está com a chave? – Meu pai perguntou, quando chegamos na porta.
- Eu acabei deixando aberta. – Eu fiz careta ao olhá-lo. Eu estava tão desesperada quando eu sai, que esqueci de trancá-la. – Entra. – Eu abri a porta para o meu pai.
- Até esse sofá é melhor que aquela cama de hospital. – Meu pai disse, depois de se sentar no sofá da sala.
- Minhas costas estão destruídas. – Eu disse ao me sentar ao lado dele.
- Eu sei que você está cansada, mas você sabe que vamos ter que falar sobre isso, certo? – Meu pai me olhou com um olhar de lamentação.
- Falar sobre o que? – Eu realmente não sabia sobre o que ele estava falando.
- , você sabe que não pode mais ficar sozinha nessa cidade. – Meu pai não queria ter que me dizer aquilo.
- É mesmo? Isso quer dizer o que? Vocês vão vir morar comigo aqui? – Eu brinquei com total ironia.
- Você sabe o que eu quero dizer. – Meu pai arqueou uma das sobrancelhas.
- Eu não vou fazer isso. – Eu já fui logo colocando as verdades na mesa.
- Olha, eu sei que esse é o seu sonho. Eu entendo isso, mas... – Ele negou com a cabeça.
- Mas é muito perigoso. – Eu arqueei ambas as sobrancelhas, deduzindo o que ele diria. – Você não vai acreditar em mim, mas... Eu não estou com medo. Não mais. – Eu o olhei, séria.
- Não está com medo? – Meu pai me olhou com cara feia.
- Medo de quem? Daquele lunático do Steven? Do idiota do ? – Eu ironizei.
- O Steven é muito mais perigoso do que você pensa. – Meu pai começou a tentar me convencer.
- Pai, eu jamais desistiria do meu sonho por causa dele. Jamais! – Eu afirmei.
- A sua coragem me deixa muito orgulhoso, mas... – Ele hesitou. – Como eu vou viver lá, sabendo que você está aqui sozinha? Ainda mais com esse maluco solto por ai. – Ele perguntou.
- Exatamente como nesses últimos meses. – Eu ergui os ombros, demonstrando diferença. – Pai, nada mudou pra mim. Quer dizer, mudou, mas... – Eu queria passar segurança ao meu pai.
- Você está falando do filho do Steven. – Meu pai viu a minha mudança de comportamento ao dizer a última frase.
- De qual deles você está falando, pai? Aparentemente, ele tem dois filhos agora. – Eu perguntei com um sorriso sarcástico.
- Você sabe de qual deles eu estou falando. – Meu pai cerrou os olhos pra mim.
- Sim! Eu estou falando sobre o . Depois de ontem, tudo mudou. – Eu tentei demonstrar que não me importava. – Isso não é uma coisa ruim, sabia? Eu acho que precisava desse... tapa na cara pra seguir ir frente e deixar tudo isso pra lá. – Eu sorri para convencer o meu pai e a mim mesma.
- Sabe.... – Meu pai demorou algum tempo para continuar. – Quando o seu irmão apareceu com o lá em casa pela primeira vez, nós sabíamos exatamente quem ele era. Eu e a sua mãe sabíamos que ele era filho do Steven. A sua mãe queria afastá-los imediatamente. Ela cogitou que mudássemos vocês de escola e até mesmo que fossemos para outra cidade. Eu pedi a ela um tempo para que conhecêssemos melhor o garoto. – Ele começou a contar. – Aos poucos, fomos descobrindo que ele era um bom garoto e que não tinha nada a ver com o Steven. Uma vez, ele até brigou com um valentão da escola pra proteger o seu irmão. – Meu pai sorriu ao se lembrar. – e ele eram inseparáveis. Eu olhava pra eles e lembrava de mim e do Steven. – Ele ainda sorria.
- Porque está me contando isso? – Eu não sabia onde ele estava querendo chegar.
- Ele não é como o Steven, . Acredite, se eu tivesse 1% de dúvida em relação a isso eu jamais teria deixado ele se aproximar de vocês. Eu jamais teria concordado com o namoro de vocês. – Meu pai ficou mais sério.
- Não. Você não está fazendo isso. – Eu revirei os olhos.
- O que? – Meu pai não entendeu a minha reação.
- Você está defendendo o ! Sério, pai? – Eu olhei pra ele, incrédula.
- Eu não estou defendendo niguém! Eu só estou tentando dizer que, talvez, você deva dar a ele a oportunidade de se explicar. – Meu pai tinha um sorriso malandro no canto do rosto.
- Eu sei exatamente o que você está tentando fazer. Eu também sei exatamente o que eu vi ontem e eu não vou mudar de opinião. – Eu fui objetiva, pois estava mais do que certa do que eu queria.
- Eu só não quero que vocês fiquem assumindo uma briga que não é de vocês. Pra mim, a minha briga já acabou faz tempo. Eu não quero que você pense que se brigar com ele, estará se vingando por mim, de alguma forma. – Meu pai voltou a ficar sério.
- Tudo o que eu estou fazendo não é só por você, pai. É por mim. Não se preocupe. – Eu neguei com a cabeça. – Foi exatamente por isso que eu não disse e nem vou dizer nada ao sobre o que aconteceu. É um problema só meu e do . Eu não quero que o perca o melhor amigo. – Eu expliquei.
- Eu sei exatamente como é isso. – Meu pai sorriu fraco.
- A amizade deles veio antes de qualquer coisa que eu e o tivemos. Não é justo misturar as coisas. – Eu completei.
- Você está certa. – Meu pai me olhou, orgulhoso. – Então, se você não tem mais o , quer dizer que você vai ficar realmente sozinha nessa cidade. Você quer mesmo isso? – Ele perguntou.
- Eu não vou ficar sozinha. Eu tenho a Meg e... o Mark. – Eu fiz careta ao mencionar o nome dele.
- Porque você fez essa cara? – Meu pai me olhou, desconfiado.
- Pai... – Eu abaixei a cabeça, pois estava completamente envergonhada. – Eu sei que você já deve imaginar isso, mas... – Eu respirei fundo. – Eu e o Mark já... – Eu nem consegui completar. – Eu não sabia que ele era filho da tia Janice. – Eu completei.
- É, eu já imaginava isso. – Meu pai achou graça do quão constrangida eu estava.
- E? – Eu estava prevendo um sermão.
- E... por mim, tudo bem. Quer dizer, ele não é o seu primo de sangue, você sabe. Você não pode nem dizer que ele é seu primo de consideração, porque você conhece ele há algum tempo e o considerava tudo, menos como seu primo. Então... – Meu pai ergueu os ombros.
- Pai, você está bem? – Eu estranhei o seu discurso, pois eu não esperava ouvi-lo.
- É claro que estou, menina. – Meu pai gargalhou. – A Janice falou tantas vezes esse discurso pra mim, que eu acho que acabei mentalizando e decorando. – Ele ainda ria.
- Tia Janice? – Eu fiquei em choque. – Está querendo dizer que a tia Janice torcia pra que eu e o Mark... – Eu não conseguia acreditar.
- Foi um dos motivos para ela convidar você para ficar aqui na casa dela, enquanto ela viajava a trabalho. Ela queria que você o conhecesse. – Meu pai explicou com a maior naturidade do mundo.
- Meu Deus... – Eu não estava conseguindo processar tudo aquilo.
- Eu me lembro do dia em que ela me contou histericamente da primeira vez que você e o Mark se encontraram. Eu quase dormi no telefone. – Meu pai fez careta.
- Eu estou em choque! Você está brincando, não é, pai? – Eu nem sabia como reagir.
- O que você acha? Parece até que não conhecia a sua tia. – Meu pai voltou a rir da minha cara.
- Mas eu me lembro que ela gostava do também. Ela apoiava totalmente o meu lance com ele. – Eu me recordei das vezes que conversei com ela sobre o .
- Ela queria a sua felicidade, . Ela sabia que você estava feliz com ele e, por isso, te apoiou. É claro que ela preferia o Mark, mas... você conhecia ela. Sempre passou a mão na sua cabeça e na do seu irmão também. Não há nada que vocês fizessem que ela não apoiava. – Meu pai disse, enquanto fazia careta.
- Ela era incrível. – Um sorriso surgiu no canto do meu rosto, enquanto eu me lembrava dela. – É por ela também que eu quero ficar aqui, entende? Ela conseguiu essa bolsa de estudos com a qual eu sempre sonhei. Ela deixou essa casa pra mim também. Ela pensou em tudo para fazer dar certo. Eu não vou desistir. – Eu estava mais do que decidida.
- Eu acho que não vou te convencer do contrário, certo? – Meu pai fez cara feia.
- Não. – Eu forcei um sorriso e neguei com a cabeça.
- Certo, mas você sabe que vai ser difícil explicar isso pra sua mãe e pro seu irmão. Principalmente pro seu irmão. Eles estão achando que você vai voltar comigo. – Meu pai não sabia o que fazer.
- O não sabe nada sobre o Steven, certo? Ele só sabe que eu fui sequestrada e que o ajudou você a me tirar de lá. – Eu tentei bolar uma boa explicação.
- Ajudou? – Meu pai ironizou.
- Eu disse pra ele que sim. – Eu rolei os olhos. – Então, é só dizer pra ele que... o cara foi preso. Diz que o cara foi preso e que, por isso, eu não quis desistir da faculdade. – Eu achei que o plano era convincente.
- Ele vai demorar algum tempo para aceitar isso, mas eu acho que vai dar certo. E pra sua mãe, o que eu digo? – Ele perguntou.
- Diz a verdade! Ela vai demorar algum tempo para me entender, mas eu sei que ela vai. Qualquer coisa, peça para ela me ligar que eu converso com ela. – Eu tinha certeza que ela acabaria me entendendo.
- Você está mesmo decidida, não é? – Meu pai afirmou ao perceber as minhas habilidades de inventar desculpas e explicações.
- Sim, estou. – Eu afirmei.
- Está bem, então eu acho melhor eu voltar logo pra casa. – Meu pai disse, levantando-se do sofá.
- Mas já? – Eu estranhei.
- Eu tenho que ir antes que a sua mãe e o seu irmão resolvam aparecer aqui. – Meu pai arqueou ambas as sobrancelhas.
- Você está certo. Aposto que o tem milhões de perguntas pra fazer e eu ainda não sei se consigo respondê-las. Não sem dizer toda a verdade. – Eu também me levantei. – Pra falar a verdade, eu quero ficar algum tempo sem falar ou pensar nisso. – Eu neguei com a cabeça.
- Eu entendo. – Meu pai demonstrou compreensão. – Só tem um problema. – Ele fez careta. – O meu carro ficou lá perto da casa do Steven. – Ele completou.
- Bem, eu vou lá buscar. – Eu já fui logo propondo.
- Sozinha? Nem pensar! Aliás, eu não quero que você chegue perto daquela casa nunca mais. Vou até avisar o Big Rob para ficar ainda mais de olho em você. – Meu pai me olhou feio.
- Ok! Certo, então vamos juntos. Chamamos um táxi e ele nos leva até lá. Pegamos o carro e você me deixa aqui antes de ir embora. – Eu melhorei a proposta.
- Melhorou. – Meu pai concordou.
- Ok! Eu vou ligar pra pedir o táxi. – Eu fui em direção ao telefone.

Tudo saiu exatamente como o planejado! O táxi no deixou no local em que meu pai havia deixado o seu carro e assim que recuperamos o carro, nós voltamos para a minha casa. Foi impossível contar o número de recomendações de segurança que o meu pai me deu. Ele demorou algum tempo para ir embora e disse que voltaria a me visitar em breve. Ele também se despediu de mim mais de duas vezes. Sinceramente? Eu não estava com medo. Eu estava machucada, o que não era bom também.

Então, eu estou sozinha novamente. O que eu devo fazer primeiro: chorar ou sentir pena de mim mesma? Bem, são duas ótimas alternativas para alguém que perdeu o garoto que amava e quase perdeu o seu pai também. Mas qual a melhor alternativa para alguém que acaba de descobrir que a mãe que ele sonhava em encontrar está, na verdade, morta e que tem um irmão que, por acaso, é o cara que ele mais odeia no mundo? Eu não acho que exista alguma alternativa boa para isso, mas eu posso tentar encontrar alguma, certo? Eu posso tentar fazer alguma coisa pelo Mark.

Era final de tarde, quando eu decidi ir até a casa do Mark para saber como ele estava. Antes disso, eu cheguei a tentar dormir, mas tem tanta coisa passando pela minha cabeça, que eu não consegui. Eu tentei comer também, mas eu estava sem a menor fome. Cheguei na porta da casa do Mark e bati duas vezes na porta. Ainda sem resposta, bati na porta pela terceira vez e a porta foi aberta abruptamente, revelando um Mark completamente diferente. Eu confesso que demorei alguns segundos para acreditar que era realmente ele vestindo aquela calça de moletom e aquela camiseta que, com certeza, era parte do seu pijama. Os olhos estavam vermelhos e um pouco caídos, o cabelo estava completamente bagunçado e o sorriso... bem, não era um sorriso.

- Hey... – Eu disse, tentando disfarçar.
- Finalmente alguém pra beber comigo! – Mark abriu os braços e um fraco sorriso. Ele voltou para dentro da casa e eu fui atrás dele, fechando a porta.
- Você está... – Eu o acompanhei até a sala, que estava completamente bagunçada. Era quase impossível ver o chão. – Bêbado? – Eu perguntei, vendo a garrafa de vodca quase vazia sobre a mesa.
- Você acha que eu não tenho motivos para estar assim? – Mark me olhou, sentando-se no sofá e pegando a garrafa de vodca.
- Ahnn... não! – Eu fiz careta ao ver aquela cena.
- Isso é ótimo, sabia? Ajuda você a esquecer o quão patética está a droga da sua vida. – Ele rolou os olhos.
- É, mas isso também não muda nada, sabia? Depois da ressaca, os problemas ainda vão estar lá. Acredite, eu já tentei! Mais de uma vez. – Eu me sentei ao lado dele.
- Eu sei disso, mas... eu precisava disso, sabe? Se você visse como eu estava antes, me acharia incrível agora! – Mark estava prestes a colocar a garrafa de vodca em sua boca, quando eu o impedi.
- Eu duvido! – Eu peguei a garrafa e a coloquei bem longe dele.
- O que? – Ele me olhou, emburrado.
- Você pode parecer melhor agora e um pouco mais feliz também, mas eu sei que não é verdadeiro. Então, eu acho que ainda prefiro o Mark sóbrio. – Eu disse e ele ficou me olhando por algum tempo.
- Você está aqui tentando me consolar, mas está dizendo que prefere me ver na pior? Eu estou... um pouco confuso agora. – Mark realmente parecia confuso e a sua cara me fez rir.
- Você não está confuso. Você está bêbado! – Eu sorri ao negar com a cabeça. – Já chega disso, ok? Eu vou te ajudar. – Eu me levantei do sofá e fui até ele. Segurei a sua mão e o puxei com toda a minha força. Ele me ajudou em meio a risos.
- Espera! Pra onde você está me levando? – Mark me deixou arrastá-lo. Ele estava um pouco mole e meio tonto, por isso não foi tão difícil puxá-lo e levá-lo até o banheiro. – O que estamos fazendo aqui? – Ele perguntou, quando percebeu que estávamos no banheiro. Eu me afastei dele rapidamente para ligar o chuveiro, me certificando de que a água estava realmente fria.
- Vamos ver se conseguimos reverter a sua ressaca, certo? – Eu disse, sem esperar que ele entendesse. Levei minhas mãos até o final da sua camiseta e a tirei sem qualquer hesitação.
- Wow, wow, espera! O que está acontecendo aqui? – Mark abriu os braços e me olhou com seu jeito malandro.
- Não se empolga, ok? Eu estou te ajudando pra variar. – Eu disse em meio a um sorriso sem jeito. – Vamos! – Eu segurei novamente a sua mão e o puxei até o chuveiro. Quando ele pensou em hesitar, eu o empurrei pra debaixo do chuveiro.
- PUTA MERDA! ESTÁ MUITO GELADO! – Mark gritou, me olhando feio.
- Desculpe, mas é o único jeito! – Eu fiz careta e pareceu não fazer a menor diferença pra ele.
- Ainda bem que você não tirou as minhas calças. – Mark disse, olhando para baixo. A sua voz de frustração fez com que eu não conseguisse segurar a risada.
- Isso é engraçado pra você? Eu pareço um palhaço pra você? – Mark voltou a me olhar feio.
- Bem, o seu nariz está vermelho, assim como as suas bochechas e... a sua boca está começando a ficar roxa. Então sim, você daria um bom palhaço. – Eu continuei a sacaneá-lo e ele foi ficando cada vez mais irritado.
- Quer saber de uma coisa? – Ele cerrou os olhos na minha direção.
- O que? – Eu cruzei os braços e olhei atentamente pra ele.
- Nós temos muito mais em comum do que eu imaginava. – Mark já não parecia tão bravo.
- É mesmo? E do que exatamente você está falando? – Eu fiquei curiosa.
- Estou falando da nossa habilidade em sermos ótimos palhaços. – Mark arqueou uma das sobrancelhas e eu demorei só 5 segundos para entender o que aquilo realmente significava.
- NÃO! – Antes de eu sair correndo do banheiro, Mark segurou a minha mão. – NÃO! NÃO! NÃO TEM GRAÇA! – Quanto mais eu tentava puxá-lo para o meu lado, mais ele me puxava para o dele.
- Qual é! Você não estava rindo? – Ele ironizou e eu o olhei com cara feia.
- Mark, me solta agora! – Eu comecei a falar mais sério, pois tinha esperanças de que ele ficasse intimidado. – MARK, PARA! – Ele continuou me puxando em direção ao chuveiro. – Eu estou falando sério! Se você não me soltar... – Antes mesmo de terminar a minha ameaça, eu fui colocada embaixo daquele chuveiro extremamente gelado. – OHHHH MEU DEUS! – Eu gritei desesperadamente.
- Está fria, não é? – Mark perguntou com aquele sorriso idiota no rosto.
- EU-VOU-MATAR-VOCÊ! – Eu disse pausadamente.
- Primeiro, vem aqui. – Mark segurou a minha mão e me puxou para mais perto. – Deixa eu ver esse seu nariz de palhaço. – Ele sorriu, olhando para o meu nariz.
- Sem graça! – Eu rolei os olhos.
- A boca roxa e as bochechas... rosadas. – Mark comentou, olhando atentamente para o meu rosto. Depois de analisar o meu rosto, a aproximação se tornou extremamente estranha e constrangedora.
- Se eu pegar um resfriado, adivinha quem é que vai ter que cuidar de mim? – Eu cerrei os olhos, tentando acabar com aquele clima.
- Considerando que você é a única pessoa que realmente se importa comigo e que está aqui cuidando de mim mesmo com a sua vida estando de cabeça pra baixo, eu acho que posso fazer esse sacrifício. – Mark olhou em meus olhos, ficando um pouco mais sério.
- Combinado. – Eu estendi a mão em sua direção e ele a olhou por algum tempo.
- Combinado. – Mark apertou a minha mão em meio a um sorriso bobo.
- Certo, então vamos sair daqui antes de morrermos congelados. – Eu soltei a sua mão e me afastei para desligar o chuveiro. – Aqui, coloca isso em volta das costas. – Eu entreguei em sua mão uma das toalhas que estavam penduradas no banheiro.
- Pode usar essa. – Mark pegou uma outra toalha e levou até mim.
- Obrigada. – Eu peguei a toalha e a coloquei em minhas costas, pois eu estava morrendo de frio.
A água tinha feito Mark despertar um pouco, mas ele ainda estava um pouco alterado. Devido ao banho forçado de água gelada, eu deveria ir embora e deixá-lo superar toda aquela bebedeira sozinho, mas eu sei que ele fez aquilo justamente porque estava bêbado. Não dava para culpá-lo, não é? Por isso, eu decidi ficar até ter certeza de que ele estava bem.

Mark me esperou no banheiro, enquanto eu avisei que iria até o seu quarto buscar uma roupa para ele vestir. Ele provavelmente dormiria após aquele banho, então a roupa deveria ser simples. Fui até o quarto dele e era impossível conter os meus olhos curiosos, procurando qualquer coisa que eu já não soubesse dele. Eu não entrava no quarto dele com tanta frequência. A cama estava arrumada e não tinha sapatos jogados pelo chão. Isso realmente não é muito comum para um homem. Ainda mais se formos considerar que ele é irmão do Sr. Desorganização. Fui até o guarda-roupa, enquanto me punia por ficar comparando os irmãos. Qual o meu problema?

- Onde você esconde as suas cuecas, Mark? - Eu perguntei em voz alta, olhando gaveta por gaveta do seu guarda-roupa. - Aqui. - Eu encontrei as cuecas na última gaveta. Me agachei para poder pegar uma cueca com mais facilidade. Foi nesse momento que eu vi aquela intrigante caixinha. Que homem esconde uma caixinha (que possivelmente era de joias) na sua gaveta de cuecas? Ok, eu tenho que assumir que os meus dedos estão coçando. Certo! O meu corpo inteiro estava coçando, na verdade. Fazia tempo que eu não tinha tanta necessidade em fazer uma coisa, quanto eu estava com a necessidade de abrir essa estranha caixinha, que me chamava tanta atenção. Entregando de vez a minha identidade de curiosa, olhei para trás para ter certeza que estava sozinha e acabei abrindo a tal caixinha. Adivinha só? Sim! Mais uma ótima maneira de foder com a minha vida.

- Não pode ser… - Eu suspirei, me levantando com a caixinha nas mãos. Meus olhos encaravam aquelas duas alianças de prata, que brilhavam tanto que me faziam ter certeza de que eu ficaria cega a qualquer momento. Tirei uma das alianças da caixinha e me senti a pior pessoa do mundo quando eu vi o meu nome ao lado do nome do Mark. - Que droga. - Eu suspirei, sem acreditar. Isso quer dizer que algum dia ele pensou em me pedir em namoro. Ótimo! O que eu faço da minha vida agora? Eu me sinto péssima.
- ! Eu ainda estou aqui! Lembra? - Mark gritou do banheiro, me fazendo entrar em desespero. Coloquei a aliança de qualquer jeito dentro da caixinha e a devolvi na gaveta, pegando a cueca rapidamente e fechando a gaveta. Peguei qualquer calça que não fosse jeans e uma camiseta de manga comprida. Eu ainda estava um pouco chocada, quando voltei para o banheiro.
- Desculpa! Eu… não estava achando. - Eu menti na maior cara de pau. - Eu espero ali fora. - Eu sai do banheiro antes que ele começasse a se trocar na minha frente.

Do lado de fora do banheiro, eu me perguntava porque eu fui abrir aquela caixinha. Eu estaria muito melhor agora se não tivesse sido tão curiosa! Eu queria me socar por ter arrumado mais um problema pra minha cabeça. Era tão bom viver sabendo que o Mark estava bem e que não sentia mais nada (no sentido amoroso) por mim. Essa porcaria de aliança estragou tudo! Droga! Agora também tem essa história de que ele é filho da tia Janice e mesmo não o considerando meu primo, eu não sei como ele está vendo toda essa situação.

- Mark? - Eu bati na porta, interrompendo o meu momento de tortura. Mark já estava ali dentro há algum tempo, porque ele estava demorando tanto? - Mark? - Eu abri a porta dessa vez e o encontrei sentado na privada. - Ah, não! Mark! - Sim, ele estava dormindo sentado. Ao ouvir a minha voz, ele acordou repentinamente.
- O que!? - Mark arregalou os olhos.
- Vamos! Eu te ajudo. - Eu segurei a sua mão e o puxei. Ele ficou de pé e passou um dos braços em volta do meu pescoço.
- Eu estou muito… - Mark disse lentamente.
- É, eu sei. - Eu quase me desequilibrei no meio do caminho. - Meu Deus, eu nunca achei que teria que te carregar nos ombros. - Eu brinquei, enquanto entrávamos em seu quarto.
- Eu sinto muito informar, mas você vai ter que me colocar pra dormir também. - Mark abriu um sorriso enorme, mas os seus olhos estavam quase se fechando.
- Pacote completo, certo? - Eu rolei os olhos em meio a risos. O coloquei com cuidado na cama, achando que ele viraria para o lado e dormiria. Bem, não foi isso que ele fez. Eu ainda estava de pé ao lado da cama, quando ele segurou a minha mão e começou a me puxar em direção a cama. Os olhos já estavam quase fechados, mas ele se esforçava muito para me olhar. Eu consegui enrolá-lo por algum tempo, mas ele continuava insistindo e me puxando. Eu acabei cedendo e me sentei ao lado dele na cama. Apoiei as minhas costas na cabeceira e estiquei apenas uma das pernas sobre o colchão. A outra perna eu deixei para fora da cama mesmo, talvez para me sentir um pouco menos atrevida. A primeira atitude de Mark foi aconchegar a sua cabeça em meu colo e puxar uma das minhas mãos até a sua boca e depositar um beijo carinhoso. O seu gesto de carinho me comoveu de um jeito inexplicável e eu só conseguia pensar que ele não merecia passar por nada daquilo.
- Você vai ficar bem. - Eu afirmei, enquanto o admirava. Os olhos dele estavam fechados e ele parecia gostar do carinho que eu fazia em sua cabeça.
- Não, eu não vou. - Mark afirmou, negando com a cabeça.
- Eu estou bem aqui, ok? - Eu queria confortá-lo de qualquer maneira. - Eu vou dar um jeito nisso.- Eu faria de tudo para ajudá-lo a ficar melhor.
- Você vai trazer a minha mãe de volta? - Os olhos dele repentinamente se abriram.
- Não. - Um fraco sorriso surgiu no canto do meu rosto. - Eu vou trazer o sorriso de volta pro seu rosto. - Eu olhei os seus lábios sem qualquer malícia e ele ficou algum tempo me olhando. Enquanto ele me olhava, ele pensava o quanto amava a forma com que eu cuidava dele e o quanto era impossível conviver comigo sem não se apaixonar mais a cada dia.
- Vem aqui. - Mark levantou uma das mãos e a levou até a minha cabeça, trazendo-a para mais perto da sua. Ele depositou um beijo no meu rosto e acariciou rapidamente a minha cabeça. - Obrigado por cuidar de mim. - Ele agradeceu quando eu voltei a afastar o meu rosto do dele.
- Você já cuidou de mim tantas vezes, que acho que ainda vou continuar te devendo. - Eu acabei sorrindo, sem jeito. - Mas se você ficar de porre de novo, eu te mato. - Eu tentei dizer mais séria. Ele fechou os olhos e sorriu sem nem perceber.
- Eu entendi. - Mark afirmou com a cabeça, virando-se de lado e entregando-se de vez ao sono.

Eu fiquei ali por um bom tempo. Eu queria ter certeza de que o Mark tinha dormido. Depois de aproximadamente 20 minutos, eu me levantei com todo o cuidado e coloquei um travesseiro embaixo da cabeça dele. Eu estava feliz por vê-lo dormir, pois eu sabia que, por um momento, ele não estava sofrendo. Apaguei a luz do quarto e fechei a porta do quarto. Abandonei a casa dele feliz pelo que tinha feito. Atravessei o jardim e cheguei até a porta da minha casa. Acenei para o Big Rob para que ele visse que eu já estava em casa. Adentrei a minha casa e fiquei um tempo parada próxima a porta. Eu nunca quis tanto ver a tia Janice descendo aquela escada com aquele sorriso estonteante no rosto. Eu queria abracá-la e dizer a ela que me orgulho de tudo o que ela fez e que o filho dela é a melhor pessoa do mundo.

Demorei para superar mais uma vez toda aquela situação e quando eu resolvi subir para tomar banho e comer alguma coisa, a campainha tocou. Encarei pra porta e tentei adivinhar quem estava atrás dela. Steven, e até mesmo o Mark, que poderia ter acordado logo que eu sai. Bem, não deveria ser ninguém suspeito, pois do jeito que o Big Rob estava depois que soube do sequestro, eu duvido que ele deixaria qualquer desconhecido chegar até a porta da minha casa sem antes lhe dar uma tremenda surra. Mesmo sem qualquer vontade, fui até a porta e a abri. É claro que era a Meg!

- Oi, Me… - Eu nem consegui terminar a frase, quando ela me abraçou tão forte, que eu achei que fosse desmontar. - Oi, Meg. - Eu recebi o seu abraço em meio a um sorriso.
- Você… - Meg me olhou dos pés a cabeça. - Está bem? - Os olhos dela estavam esbugalhados.
- Hey, calma! - Eu tentei tranquilizá-la. - Eu estou bem. Viu? - Eu abri os braços.
- Mas que confusão foi essa? - Pronto! Chegou a hora em que eu tinha que começar a mentir.

Eu tive que explicar toda a história pra ela. A história, é claro, que eu havia criado. A mesma que eu tinha contado para o e para os meus amigos. A história que não envolvia o Mark, tia Janice e Steven. A minha história era tão convincente, que tinha horas que até eu acreditava nela. Aliás, eu adoraria que aquela fosse a verdadeira história. Como eu queria!

- Ok, mas o cara foi preso, certo? - Meg perguntou, aflita.
- Sim. Logo depois que o meu pai e o chegaram, a polícia chegou. - Eu forcei um sorriso.
- Então, o é mesmo o seu herói, certo? Com capa, máscara e roupa colada e tudo? - Meg rolou os olhos, mas não foi capaz de evitar o sorriso desajeitado.
- , o herói. Dá pra acreditar? - Eu arqueei as sobrancelhas e ainda mantinha aquele sorriso idiota no rosto.
- Acho que vou ter que parar de implicar com ele agora. - Meg fez careta.
- Quer saber? Você devia continuar! Ele está acostumado com a sua implicância e eu acho que ele até gosta, sabia? - Eu disse e só faltou o veneno escorrer no canto da minha boca. - Então, continue não dando moleza pra ele, ok? Implique o quanto você quiser. - Eu pisquei um dos olhos pra ela. Me desculpe, mas eu realmente precisava fazer isso.

Depois de repetir toda a história umas 13 vezes e responder a algumas perguntas, Meg resolveu ligar para o . Ela queria dizer a ele que realmente estava tudo bem. Eu acabei falando com o , que acabou passando o telefone para a e que foi passando o telefone para todos os outros amigos que estavam ali. Aparentemente, eles estavam todos juntos. Aparentemente, eu repeti a história do sequestro mais 72 vezes. Não me entenda mal, ok? Eu sei que todos estavam muito preocupados comigo e queriam saber se eu estava realmente bem. Isso é extremamente adorável e eu os amo ainda mais por isso. O problema é que era uma droga ficar revivendo e falando sobre aquela droga de história toda hora. Tudo o que eu mais queria era esquecer tudo aquilo e eu passei quase o dia todo falando sobre aquilo.

Além de tudo, tive que aturar os comentários admiráveis sobre o , que para eles tinha salvado o dia. Eu tinha que ouvir tudo aquilo e pior: concordar com aquilo. Eu duvido que o já tenha sido tão admirado em sua vida, quanto ele está sendo agora. E olha que estou incluindo a época em que ele era o capitão do time de futebol da escola! Era horrível ter que ouvir todos falando tão bem dele, enquanto eu decidia se deveria odiá-lo ou apenas conviver com aquela decepção enorme dentro de mim.

Falei com todos os meus amigos e tranquilizei a todos ao convencê-los de que eu realmente estava bem. Para variar, novas promessas de que eles viriam me visitar foram feitas. Eu já nem sei se acreditava mais. Em todo caso, eu fiquei feliz em falar com cada um deles e perceber que, apesar da distância, eles ainda se importavam muito comigo.

Meg ficou comigo o máximo que pode. Ela ficou a noite toda me mimando e eu até comecei a achar engraçado. Antes de ir embora, ela me disse que passaria na casa do Mark para falar com ele e eu já fui logo arrumando uma desculpa para que ela não fosse. Ela não podia vê-lo daquele jeito. Eu disse a ela que ele tinha vindo me visitar e que saiu da minha casa dizendo que estava muito cansado e que iria dormir. Consegui fazer Meg desistir de ir até lá, mas ele não poderia evitá-la por muito tempo.

Depois que Meg foi embora, acabei ficando sozinha novamente. Subi para tomar um banho e depois comi um pequeno pacote de macarrão instantâneo que eu encontrei no armário. Não era tão tarde quando eu fui para a cama. Eu não estava com tanto sono, mas eu me obriguei a dormir, pois eu teria que ir para a faculdade no dia seguinte. Nada melhor do que voltar para a velha e boa rotina, certo?

passou resto da noite na cama do hotel. Ele não tinha ânimo para absolutamente nada. Ele levantou apenas para ir ao banheiro e comer. Ninguém poderia puni-lo mais do que ele mesmo. Ninguém entenderia o quanto ele se arrependia por cada atitude e por cada palavra. Para ajudar, ele teria uma reunião na manhã seguinte com o pessoal do Yankees. Ele nem sabia se tinha cabeça para pensar em negócios, mas ele não tinha opção, já que estava na cidade exatamente para isso.

O dia também não foi fácil para o meu pai, que teve que conversar muito com o até conseguir convencê-lo de que eu estava segura e que, por isso, não voltaria para Atlantic City. Minha mãe foi um pouco mais compreensiva, mas isso não evitou que ela me ligasse 5 vezes durante o dia seguinte. Eu não a culpo por estar tão preocupada. O que aconteceu foi realmente sério e Steven ainda estava na cidade. Para ser honesta, Steven não me assustava mais. Isso estava me ajudando muito a passar por isso com frieza e serenidade.

Entre uma ligação e outra da minha mãe, eu fui cumprindo com todas as minhas obrigações durante o dia. também trabalhou durante toda a manhã daquela segunda-feira. O presidente do Yankees chegou até a perguntar o porquê dele estar tão abatido e apenas mentiu dizendo que tinha dormido muito pouco na noite passada. Mark não fez nada no período da manhã além de tentar melhorar da sua ressaca. Ele estava péssimo e não conseguiu levantar da cama, mas deu uma rápida saída durante a tarde. Ele também tinha as suas obrigações.

Eu cheguei em casa depois do trabalho e subi para o segundo andar para tomar um banho rápido e vestir uma roupa mais quente. A noite estava bem fria, mas eu sairia de casa de qualquer jeito. Eu precisava saber se o Mark estava bem. Coloquei um cachecol em volta do pescoço e uma touca na cabeça para proteger as minhas orelhas de todo aquele frio. Tranquei a casa e fiz questão de avisar o Big Rob que eu só ia até a casa do Mark.

Depois de ontem, eu realmente não sabia o que esperar. Eu tinha até medo de pensar como eu encontraria o Mark naquele dia. Me aproximei da porta e bati algumas vezes nela. Já que não tive resposta, arrisquei tentar abrir a porta e agradeci mentalmente por ela estar aberta. Adentrei com cuidado e fechei a porta. A casa estava extremamente silenciosa e escura. A única luz vinha do quarto do Mark. Fui até o quarto em silêncio e não o encontrei. Porém, a janela aberta me deu uma ótima dica. Me aproximei da janela e com todo o esforço e todo o meu medo de altura, eu fui para o lado de fora e olhei atentamente para o telhado. Mark estava lá. Eu já fui logo subindo no telhado e ele nem me olhou, apesar de ter notado a minha presença. Eu me deitei ao lado dele sem dizer uma só palavra e passei a encarar o céu assim como ele. Apesar do frio, o céu estava aberto e tinha centenas de estrelas.

- Você me encontrou. - Mark continuava sem me olhar.
- Você não deveria ter me mostrado esse lugar. - Eu disse e ele deixou um sorriso escapar. - Eu estava preocupada e resolvi vir ver como você está. - Eu disse e virei o meu rosto para olhá-lo.
- Bem, eu posso garantir que estou sóbrio. - Mark respondeu e logo depois me olhou apenas para ver o sorriso que ele sabia que tinha trazido ao meu rosto.
- Isso é ótimo. - Eu tentei esconder o sorriso.
- E você? - Mark quis saber, pois ele também estava preocupado comigo.
- Eu também estou sóbria. - Eu respondi em um tom sério e ele voltou a me olhar de um jeito engraçado. - Eu estou bem. - Eu respondi a pergunta direito dessa vez.
- Eu nem consigo olhar pra você depois do vexame de ontem. - Mark negou com a cabeça e voltou a encarar as estrelas.
- Sério mesmo que você está falando isso pra mim? Logo pra mim que sou a rainha da vergonha, quando o assunto é porre? - Eu tentei fazê-lo se sentir melhor. - Desculpe te informar, mas você vai ter que fazer bem melhor do que aquilo para me superar e para me impressionar. - Eu neguei com a cabeça. Ele achou graça do fato de eu estar tentando fazê-lo se sentir melhor.
- Você tem toda a razão! É impossível competir com você. - Mark concordou comigo, me fazendo rir e olhá-lo com indignação.
- Não abusa, ok? - Eu dei um leve empurrão em seu ombro.
- Porque? O que você vai fazer? Vamos ter a nossa primeira briga de família? - Mark ironizou a estranha relação que, de repente, fomos obrigados a assumir.
- Isso é muito estranho. - Eu neguei com a cabeça, sem conseguir aceitar aquela história.
- Nem me fale. - Mark suspirou longamente.
- Nós não sabíamos de tudo isso, quando nós… - Eu achei que não precisava terminar.
- É… - Mark concordou, mas parecia não ter tanta certeza. - Eu só fico pensando no que a Janice, quer dizer… a minha mãe acharia disso. - Ele ainda não estava acostumado a falar da tia Janice como sua mãe.
- Sobre isso… - Eu sorri e neguei com a cabeça. - Você não vai acreditar no que o meu pai me contou hoje. - Eu disse e ele me olhou com curiosidade.
- O que? - Mark esperou a minha continuação.
- Eu e o meu pai estávamos falando sobre isso. - Eu fiquei um pouco sem jeito em contar.
- Sobre isso o que? - Mark continuava me olhando, sério.
- Sobre nós dois e o que… aconteceu entre nós. - Eu mordi o meu lábio inferior para tentar disfarçar aquele sorriso estúpido no meu rosto.
- Seu pai sabe sobre nós? - Ele arqueou as sobrancelhas.
- Calma! Ele não ficou bravo. - Eu achei graça do desespero repentino em seu rosto. - Ele disse que não vê problema, pois não somos primos de sangue e não podemos nem dizer que somos primos de consideração, porque não somos. - Eu comecei a explicar.
- Eu não tinha pensado nisso dessa forma. - Mark ficou pensativo por poucos segundos. - Ele até que tem razão. - Ele completou.
- Ele tem muita razão, mas… não é isso o que eu ia te dizer. - Eu não queria falar sobre aquilo naquele momento.
- Então, me fala. - Mark me deu total atenção e isso só serviu para me deixar ainda mais sem graça. Enquanto ele me olhava, um sorriso surgiu no canto do meu rosto. - O que foi? - Ele olhou para o meu sorriso, sem entender.
- É que… - Eu hesitei por mais algum tempo. - Meu pai me contou que a minha tia torcia para que nós ficássemos certo. - Eu fiquei esperando a reação dele.
- O que? Ela queria que nós… - Ele resolveu não terminar a frase quando eu afirmei com a cabeça. - Não! - Havia um sorriso de surpresa em seu rosto.
- Eu também achei loucura. - Eu fiz careta.
- Eu… - Mark não tinha palavras.
- Se lembra do dia que nós conhecemos? Ela ia viajar a trabalho e me pediu que viesse cuidar da casa durante o final de semana. - Eu continuei a contar.
- Eu lembro muito bem. - Mark afirmou com a cabeça.
- Meu pai me contou que ela armou tudo aquilo para que nós nos conhecêssemos. - Eu voltei a fazer careta e ele começou a rir.
- Você está brincando! - Mark afirmou, incrédulo.
- Eu sei que é loucura, mas o meu pai jamais mentiria sobre isso. - Eu sabia exatamente o que ele estava sentindo.
- Quer dizer que ela armou tudo, pois queria que nós ficássemos juntos. - Mesmo se repetisse mil vezes, ele continuaria desacreditando.
- Difícil de acreditar, não é? - Eu achei engraçado a perplexidade dele.
- Certo, mas como ela sabia se ia dar certo? Eu poderia não ter gostado de você. - Mark estava em êxtase.
- Eu acho que ela sabia que você não resistiria aos meus encantos. - Eu brinquei, mas tentei me manter séria.
- Era exatamente isso o que eu estava pensando. - Mark também tentou se manter sério, mas acabou deixando um sorriso escapar.
- Não, sério! Eu acho que… foi só um palpite, sabe? Nós eramos muito próximas e gostávamos muito uma da outra. Ela sabia absolutamente tudo sobre a minha vida amorosa. Na época, eu namorava um babaca. Eu acho que, talvez, ela estava tentando me apresentar a um cara legal. - Eu deduzi.
- Você namorando um babaca? Isso é realmente surpreendente. - Mark brincou e eu cerrei os olhos em sua direção, enquanto ria.
- Eu não namorava o na época. - Eu expliquei.
- Então, tinha outro babaca? Wow! - Mark arqueou a sobrancelha e eu abri a minha boca para demonstrar a minha indignação.
- Quer parar? - Eu neguei com a cabeça, enquanto tentava não rir.
- Ok! Eu vou parar! Eu só preciso fazer uma pergunta. - Mark ficou mais sério.
- Qual pergunta? - Eu o olhei com desconfiança.
- Você sempre teve esse gosto péssimo pra homens ou… - Mark voltou a sorrir e eu voltei a cerrar os olhos.
- Você sabe que está incluso nessa lista, certo? - Eu arqueei uma das sobrancelhas.
- Na verdade, eu não posso ser incluído porque nós nunca chegamos a namorar. - Mark argumentou.
- É, mas você quase… - Eu comecei a falar, mas me lembrei que não podia. Eu não podia falar pra ele que eu vi as alianças na gaveta dele.
- Eu o que? - Mark ficou curioso.
- Esquece. - Eu tentei esconder o meu sorriso de garota travessa e voltei a olhar para o céu.
- Como assim ‘esquece’? - Mark continuou me olhando.
- Não é nada. - Eu não conseguia olhar pra ele sem confessar tudo.
- . - Mark queria que eu olhasse pra ele. - Olha pra mim. - Ele pediu e eu nem me movi.
- Não. - Eu voltei a morder o meu lábio inferior para esconder o meu sorriso.
- . - Mark me chamou novamente. Eu fechei os meus olhos e me xinguei mentalmente por ter falado aquela besteira. - Hey! - Ele se sentou e inclinou o seu corpo para olhar em meu rosto. Eu abri os olhos e acabei olhando pra ele. - Qual o problema? - Mark perguntou, sério.
- Ok! Eu tenho uma coisa pra te contar. - Eu fiz careta. Ele me analisou por algum tempo.
- O que foi que você fez? - Mark me olhou, desconfiado.
- Primeiramente, eu queria pedir desculpa. - Eu forcei um sorriso e ele negou com a cabeça.
- Você está me assustando. Me fala logo. - Ele não sabia o que pensar.
- Ontem, eu fui no seu quarto pra buscar uma roupa pra você vestir depois do banho. - Eu comecei a explicar e ele escutava atentamente, enquanto tentava adivinhar qual era o problema.
- Eu me lembro disso. - Mark afirmou com a cabeça.
- Eu… - Eu fiz careta e hesitei em continuar. - Eu abri a sua gaveta e acabei vendo a sua caixinha. - Eu esperei para ver a reação dele.
- Agora, eu entendi – Mark sorriu mais aliviado.
- Desculpa! Eu me sinto muito mal por isso. - Eu me sentei ao lado dele para poder conversar melhor com ele.
- Você abriu? - Mark perguntou.
- Abri. - Eu voltei a forçar o sorriso mais falso de todos. - Me desculpa. - Ele deixou de me olhar. - Eu me sinto muito idiota agora. - Eu estava tentando me redimir. - Eu sabia que eu não devia abrir, mas eu… - Eu nem sabia explicar o quão idiota eu tinha sido.
- Uma hora você ia ficar sabendo. - Mark ergueu os ombros. Mesmo ouvindo ele dizer aquilo, o fato de ele não me olhar mais me incomodava.
- Você está bravo comigo, não é? - Eu toquei uma de suas mãos para tentar chamar sua atenção. Ele voltou a me olhar, depois de olhar nossas mãos juntas.
- Eu não estou bravo. - Mark afirmou e até sorriu para ser mais convincente.
- Você está me olhando diferente. - Eu argumentei.
- Não, não estou. É só que… - Mark hesitou falar e abaixou novamente para olhar as nossas mãos. - É que agora vou ter que te contar uma coisa também. - Ele voltou a me olhar.
- Se você disser que você conhece outra e que a aliança era pra ela, eu juro que me jogo daqui. - Eu disse e ele riu na mesma hora.
- Na verdade, esse é o nome da minha ex. - Mark tentou ficar sério e eu logo soube que ele estava brincando.
- Nem brinca com uma coisa dessa. - Eu neguei com a cabeça e ele voltou a rir.
- Eu só estou brincando. - Mark tentou ficar mais sério.
- Então, não deve ser tão ruim assim. - Eu esperei que ele contasse.
- Nem é muito importante. Eu só quero contar para ser sincero com você. - Ele estava um pouco sem graça.
- Certo. - Eu continuava esperando.
- Se lembra daquele dia que nós terminamos o que tínhamos? O dia que eu descobri que o estava aqui em Nova York? - Mark perguntou e eu afirmei com a cabeça. - Eu ia te dar a aliança naquele dia. Eu fui até a sua casa pra te pedir em namoro. - Ele não demonstrava estar triste, mas se sentia idiota por estar falando aquilo em voz alta.
- Nossa. - Eu fiz careta na mesma hora.
- É, eu sei. - Mark riu, balançando negativamente a cabeça. - Eu não acredito que te contei isso. - Ele levou uma de suas mãos até o seu rosto.
- Isso é horrível. O que eu fiz com você foi horrível. - Agora eu estava me odiando ainda mais.
- Não! Você não fez nada. - Mark não queria que eu me culpasse. - Fui eu que desisti e acabei abrindo o caminho pro . - Ele tentou diminuir a situação.
- Quer saber? Você tem toda a razão. A culpa foi toda sua. - Eu disse em tom de brincadeira. - Eu fiquei muito mal com aquilo, sabia? - Eu cerrei os olhos na direção dele.
- Então, éramos dois. - Ele ergueu os ombros.
- Já parou pra pensar no que teria acontecido se você não tivesse acabado com tudo? - Eu já não estava falando com tom de brincadeira, mas eu também não estava fazendo drama.
- Bem, a nossa situação seria mil vezes pior do que agora. Descobrir que você namora a sua prima não deve ser a melhor sensação de todas. - Mark negou com a cabeça ao sorrir.
- Esse negócio de primo é um porre, sabia? - Eu disse um pouco indignada. - Nós passamos por muitas coisas juntos e agora essa história de ‘primos’ aparece e nós temos que esquecer tudo e fingir que nunca aconteceu. - Eu esbravejei. Não, eu não estava brava com ele e sim com toda a situação. Foi mais como um desabafo.
- Eu concordo plenamente. - Mark me olhou, sério.
- Então, vamos fazer uma coisa. - Com cuidado, eu virei o meu corpo de frente para o dele. - A partir desse momento, nós não temos nenhum tipo de parentesco. Você é só o filho adorável da minha tia. - Eu decretei e estendi a minha mão em sua direção. Ele encarou a minha mão por algum tempo antes de esbanjar um fraco sorriso e apertá-la.
- E você é só a ex-namorada do imbecil do meu irmão. - Mark riu ao ver a minha expressão de surpresa ao ouvi-lo mencionar o .
- Pegou pesado, hein. - Mark ainda balançava a minha mão pra cima e pra baixo, enquanto nos encarávamos com aquele sorriso malandro no rosto.
- Sem nenhum tipo de parentesco. - Mark se defendeu entre risos.
- Certo. - Eu fui obrigada a aceitar o modo dele de ver as coisas. Fiquei observando ele por algum tempo, enquanto ele continuava sorrindo daquele jeito bobo.
- O que foi? - O sorriso dele aumentou, quando ele me perguntou o porquê de eu olhar daquele jeito pra ele.
- Eu vou dizer uma coisa muito idiota agora e que só depois de saber de tudo isso passou a fazer sentido pra mim. - Eu ainda olhava o sorriso dele. Ele ainda segurava a minha mão, mas já não se tratava de um aperto de mãos.
- Dizer o que? - Mark quis saber.



- O seu sorriso sempre me trouxe um sentimento muito bom, sabe? Eu nunca consegui entender o porquê. Agora, eu sei. - Quando eu falei, o sorriso dele tornou-se um pouco mais tímido. - Você tem o sorriso dela, Mark. - Eu deixei de olhar para os seus lábios e passei a olhar para os seus olhos verdes. Ele sabia que eu estava falando da tia Janice.
- Eu queria tanto ter descoberto tudo isso antes. - Mark abaixou a cabeça por alguns segundos. - Eu queria poder ter olhado pra ela do jeito que eu a vejo agora e memorizar o jeito que ela sorria, o som da risada dela e a forma com que ela lidava com tudo. - Apesar de demonstrar estar triste, ele sorriu. - Eu sinto que não a conheço. Mesmo tendo morado anos ao lado da casa dela, eu sinto que não sei nada sobre ela. - Ele completou.

Lembrar da tia Janice nem sempre me deixava triste. Eu tinha muitas lembranças boas dela e sempre acabava rindo sozinha, quando me lembrava das brincadeiras que costumávamos fazer e das vezes que ela jogava toda a sua lábia pra cima do meu pai para livrar eu e o do castigo. Como eu queria que o Mark tivesse essas lembranças. Isso com certeza faria ele se sentir melhor. Isso faria ele se sentir mais próximo dela.

Depois que saiu da reunião, voltou imediatamente para o hotel. Ele só queria ficar lá deitado, tentando se conformar com tudo. Chegou a pensar no quanto seria ótimo voltar para Atlantic City, rever os amigos e tentar esquecer aquela história, mas o trabalho ainda o prendia em Nova York. Ele não tinha como fugir. também pensava em sair e beber todo o álcool que encontrasse pela frente, mas ele nem ao menos tinha empolgação pra isso. Nas últimas horas, tinha pensado muito na minha situação. O fato de conhecer muito bem o seu pai, o deixava mais apreensivo com o que poderia vir a acontecer. Ao mesmo tempo, ele tentava se convencer que seu pai jamais tentaria me fazer algum mal novamente.

Mark e eu terminamos a noite falando sobre a minha tia. Ele demonstrava muito interesse ao me ouvir falar sobre sua mãe. Parecia que ele tentava aprender um pouco mais sobre ela através das minhas palavras. Era comovente ver nos olhos dele a vontade que ele tinha em saber cada vez mais sobre ela. Era comovente ver nos olhos dele o quanto ele queria ter conhecido a sua mãe.

No final da noite, Mark me levou até a porta da minha casa. Ele disse que fazia questão e que jamais me deixaria sair na rua sozinha naquele horário. A preocupação dele fazia com que eu me sentisse bem e segura, mas também me fazia sentir medo do que eu poderia estar sentindo. Eu acabei de sair de um relacionamento (que na verdade não era exatamente um relacionamento), eu realmente não estou pronta para voltar a pensar nesse tipo de coisa. Ainda mais com um cara como o Mark, que parece ser a definição de tudo o que eu mais preciso na minha vida agora.

O dia seguinte foi um pouco mais conturbado do que o anterior. Os trabalhos na faculdade e o aumento de algumas das minhas funções no hospital me deixaram sem tempo para pensar em nada. Eu estive ocupada o dia todo e cheguei em casa louca para descansar. também trabalhou durante o dia. Acertou novos detalhes com os gerentes do Yankees e até fez uma reunião com o seu chefe pelo computador. Mark também teve os seus afazeres durante o dia e só chegou em casa no final da noite. Ele sempre me esperava chegar para ter certeza de que eu tinha chegado bem. Além disso, ele não dormia sem antes falar comigo. Apesar de estar cansada, o recebi na minha casa naquela terça-feira a noite. Nós comemos uma gororoba que nós fizemos e que provavelmente nunca mais voltaríamos a fazer.

Já era quarta-feira e mesmo estando exausta e já estar implorando pela chegada do final de semana, eu tive uma ótima ideia. Na verdade, era uma surpresa para o Mark. Eu pretendia fazer a surpresa no final de semana, mas eu estava tão ansiosa, que eu não conseguiria esperar até lá. Fui na faculdade pela manhã e trabalhei até o início da noite. No caminho para casa, mandei uma mensagem pro Mark pedindo para que ele fosse na minha casa dali duas horas. Ele insistiu em saber o que eu estava armando, mas eu consegui manter tudo em segredo.

estava um pouco mais preocupado do que o normal. Ele não tirava da cabeça que seu pai ainda poderia tentar fazer alguma coisa contra mim. A sua preocupação fez com que ele passasse a vigiar a casa de seu pai. Saiu diversas vezes do hotel naquele dia para ir até a casa de Steven e só saia de lá quando tinha certeza de que ele estava em casa. também já havia cogitado a possibilidade de me vigiar, mas ele sabia que eu não gostaria da ideia. Além disso, eu tinha pedido para que ele se afastasse e pela primeira vez, ele tentaria fazer isso por mim.

Mark estava tão curioso para saber o que eu estava armando, que não se atrasou um só segundo. Quando deu as duas horas, ele já estava na porta da minha casa. Com sorte, eu não me atrasei naquele dia. Quando a campainha tocou, eu já tinha me vestido ( VEJA AQUI ) e só passei mais um pouco de perfume. Desci a escada as pressas e já fui logo abrindo a porta. Incrível como a minha empolgação me fez esquecer todos os problemas pela primeira vez naquela semana. Eu estava até me sentindo leve.

- Oi. - Eu não abri a porta totalmente e coloquei só a minha cabeça para fora.
- Oi. - Mark sorriu ao me ver.
- Olha, não deu tempo de te avisar, mas vamos ter que cancelar. - Eu sabia o quanto ele estava curioso e disse aquilo só para irritá-lo.
- Você não é louca. - Mark arqueou uma das sobrancelhas, me olhando com desconfiança.
- Está bem. - Eu forcei um sorriso de propósito e abri totalmente a porta. - Pode entrar. - Eu dei passagem para ele. Mark olhou imediatamente para dentro da casa, procurando algo diferente.
- Eu devo ficar com medo? - Mark perguntou antes de entrar na casa. Eu estava achando muito engraçado toda aquela curiosidade dele.
- Você está com medo? - Eu fui logo atrás dele depois de fechar a porta.
- Não. - Mark parou no centro da sala e parecia decepcionado por não encontrar nada de diferente.
- Legal. - Eu cruzei os braços, olhando pra ele.
- E então? - Ele ergueu os ombros.
- Eu… - Eu nem sabia como começar a falar. - Eu sei que as coisas não estão sendo fáceis pra você. Eu tenho pensado muito no que eu poderia fazer para te ajudar. - O assunto não era tão agradável, por isso, ele ficou um pouco mais sério.
- Você já me ajuda muito. - Mark me interrompeu.
- Eu sei. Aliás, eu já sabia que você diria isso. - Eu acabei deixando um sorriso escapar. - Mas eu sei que é impossível ajudar nesse momento. Eu sei que por mais que eu queira ajudar e por mais que você queira receber a minha ajuda, não é assim que funciona. Eu sei disso. - Eu precisava dizer aquilo para chegar onde eu queria. - Mas mesmo não podendo ajudar, eu sei que posso fazer uma coisa por você. - Mark olhava em meus olhos e tentava adivinhar onde eu estava querendo chegar. - Você me disse que queria muito conhecê-la. Você disse que queria saber tudo sobre ela para poder se sentir mais próximo dela. - Eu continuei dizendo. Eu me referia a tia Janice, é claro.
- Sim. - Mark afirmou com a cabeça.
- Eu vou te ajudar a se sentir mais próximo dela. - Eu finalmente revelei a surpresa. - Você vai saber tudo sobre ela. - Eu completei.
- Você vai me contar tudo sobre ela? - Mostrou-se feliz com a ideia.
- Sim. Eu separei algumas coisas para te mostrar. - Eu apontei para o andar de cima da casa.
- Eu quero ver. - Mark sorriu pra mim. Ele estava encantado com o que eu estava fazendo por ele.
- Vem comigo. - Eu me virei de frente para a escada e comecei a subi-la. Mark veio atrás de mim. Eu fui direto para o quarto da tia Janice, que continuava intacto. - Esse é o quarto dela. Você já entrou aqui? - Eu disse, depois de adentrarmos no quarto.
- Não. - Mark olhava para cada detalhe do quarto. Sem que eu dissesse nada, ele se aproximou da penteadeira que havia no quarto. Era lá que estavam os perfumes e alguns acessórios da minha tia. - É o perfume dela? - Ele abriu o frasco e sentiu o cheiro.
- Era o perfume favorito dela. - Eu contei a ele.
- É muito bom. - Mark me olhou e sorriu. - Na verdade, era exatamente do jeito que eu imaginava. - Ele completou.
- Essas são as joias dela. - Eu disse, depois de abrir o porta-joias. - Eu nunca a vi sem joias. Ela era muito vaidosa. - Eu disse. - Nossa! Essa corrente… - Eu a tirei do porta-joias. - Ela não saia de casa sem essa corrente. - Eu mostrei pra ele.
- Eu nunca notei isso. - Mark pegou a corrente nas mãos.
- Eu estava com ela quando ela comprou esses brincos. Foi em uma joalheria que tinha no shopping aqui perto. Ela só comprava lá. - Eu lembrei.
- Você… não mexeu no quarto? Nunca quis se desfazer dessas coisas? - Mark perguntou ao deixar de olhar as joias.
- Não. Eu jamais teria coragem para fazer isso. - Eu olhei em volta. - Está exatamente do jeito que ela deixou. - Eu expliquei. Sem qualquer vergonha, ele foi até o guarda-roupa e abriu uma das portas. As roupas da tia Janice ainda estavam todas lá. Mark passou uma das mãos pelas blusas que estavam penduradas no cabide. Eu observei a cena de longe por algum tempo, mas depois resolvi me aproximar. - Essa blusa... - Eu tirei a peça de roupa do cabide. - Era a blusa favorita dela. Ela ganhou da minha avó. - Eu expliquei com um fraco sorriso no rosto.
- Você está sentindo esse cheiro também? - Mark perguntou com tristeza.
- É o cheiro dela. - Eu levei a blusa que estava na minha mão até o meu nariz para sentir o cheiro mais de perto.
- Isso é… - Mark estava sem palavras. Olhou novamente para as roupas dentro do guarda-roupa. - Eu estou arrepiado. Olha isso. - Ele levantou a manga de sua blusa e me mostrou o seu braço. Ele realmente estava arrepiado e um pouco emocionado também, mas ele tentou disfarçar com um sorriso.
- Você está sorrindo ao invés de chorar. A minha tia também fazia isso. - Eu disse, enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas. O jeito que ele falava sobre ela e o jeito que tudo aquilo o afetava acabava me afetando também. - Droga. Porque vocês conseguem e eu não? - Eu perguntei aos risos, enquanto passava as mãos pelos meus olhos para evitar que as lágrimas escorressem.
- Não seja boba. - Mark sorriu pra mim, tirou uma das minhas mãos do meu rosto e me puxou para um abraço. - Você pode chorar, se quiser. - Ele acariciou a minha cabeça, enquanto aconcheguei a minha cabeça em seu pescoço.
- Ela deve estar olhando pra nós agora e, com certeza, está rindo de mim. Ela sempre dizia que eu era muito chorona. - Eu disse em meio ao abraço.
- Mas eu não estou rindo de você. - Mark disse.
- Deixa eu ver. - Eu afastei um pouco os nossos corpos para poder olhar em seu rosto.
- Viu? Eu não estou rindo. - Mark esforçou-se para ficar sério, mas acabou deixando um sorriso escapar.
- Oh, meu Deus. Você está rindo sim. - Eu cerrei os olhos, enquanto olhava para os seus lábios.
- Não estou. - Mark disse antes de começar a rir de vez.
- Você não vale nada. - Eu o empurrei, me desvincilhando de seus braços.
- Ok, me desculpa. - Mark confessou. - Eu não estou rindo de você. Eu estou rindo porque você estava me olhando daquele jeito intimidador e me pressionando para não rir. - Ele se explicou.
- Eu estou aqui fazendo toda essa surpresa pra você e você fica ai rindo da minha cara. - Eu fiz um drama, mas é claro que era brincadeira.
- Não! Não! Me desculpa. - Mark voltou a me abraçar na mesma hora.
- Não vem com essa agora. - Eu tentei me desvincilhar de seus braços fortes novamente, mas ele não deixou dessa vez.
- Para com isso. - Mark me virou de frente pra ele. Na hora em que ele me virou, o meu rosto acabou se aproximando demais do dele. A situação causou um clima muito constrangedor entre nós. - Não fica brava comigo. - Ele pediu, mas ainda me olhava daquele jeito que me deixava meio desnorteada.
- Certo, mas mantenha esses olhos verdes longe de mim, ok? - Aproximei uma das minhas mão de seu rosto e a coloquei em frente de seus olhos. - Melhor. - Eu disse e vi o sorriso dele aumentar.
- Você é quem sabe. - Mark ergueu os ombros. Afastou suas mãos de mim e as colocou pra cima, demonstrando inocência.
- Bom garoto. - Eu abaixei a minha mão e olhei para ele meio sem graça. Eu agradeci mentalmente por ele ter se afastado. - Agora, vem comigo. Eu quero te mostrar uma outra coisa. - Eu mudei de vez de assunto. Fui saindo do quarto e ele me acompanhou. Fomos para o meu quarto dessa vez. - Eu separei algumas coisas. - Eu disse pegando uma caixa que estava no chão e colocando-a sobre a minha cama. Eu me sentei na cama e o Mark fez o mesmo. A caixa ficou entre nós.
- Não me diga que isso é um troféu de campeonato de líder de torcida. - Mark retirou o troféu de dentro da caixa, que era o que estava por cima de tudo.
- Acredite. - Eu confirmei a informação.
- Caramba! Por essa eu não esperava. - Mark deixou de olhar o troféu para me olhar.
- E isso não é a coisa mais surpreendente. - Eu arqueei uma das sobrancelhas ao olhar pra ele e logo depois peguei algo no fundo da caixa: um CD.
- Bon Jovi? - Mark não acreditou ao ver o CD na minha mão.
- Bon Jovi. - Eu afirmei com a cabeça.
- Você está brincando. - Mark pegou o CD das minhas mãos para ter certeza de que era verdadeiro. - Minha mãe era fã do Bon Jovi. - Ele estava chocado. - Eu tenho esse CD também. - Mark disse.
- Você também gosta? - Eu perguntei, surpresa.
- Eu não sou tão fã da banda, mas é o meu estilo favorito. - Mark explicou. - Depois eu te levo lá em casa para te mostrar os meus CD’s. - Ele adoraria me mostrar e me deixar saber mais dele. - Não acredito que ela era fã de Bon Jovi. - Mark suspirou.
- Ela foi em vários shows. - Eu dei mais informações para ajudá-lo a aceitar a novidade. - Meu pai me contou que uma vez ela fugiu de casa para ir em um show deles com a melhor amiga dela. Meus avós quase morreram de preocupação. Chamaram a polícia e tudo. - Eu contei aos risos.
- Não acredito. - Mark começou a rir junto comigo.
- Ela era um pouco rebelde. Meu pai ficava louco atrás dela. - Eu ainda ria. - Eu acho que é por isso que ela sempre ajudou eu e o com o meu pai. Ela já tinha manha, sabe? - Eu disse.
- Bem, acho que podemos dizer que não herdei a rebeldia dela. - Mark brincou. - Aparentemente, meu pai também é um pouco rebelde. Então, eu te pergunto: pra quem eu puxei? - Ele arqueou uma das sobrancelhas.
- É uma boa pergunta. - Eu fiquei um pouco pensativa.
- Será que eu sou adotado? - Mark brincou com a sua própria situação. Eu o olhei com deboche, neguei com a cabeça e acabei sorrindo.
- Você é inacreditável. - Eu disse, sem conseguir evitar a risada.
- Eu sei. - Mark negou com a cabeça. Era admirável o jeito dele de rir de tudo para não tornar tudo mais difícil para nós dois. Era ridículo pensar o quanto era fácil para ele me fazer rir.
- Tem essas fotos também. - Eu entreguei nas mãos dele as fotos que eu tinha tirado da caixa. - Eram as amigas dela da escola. Ela tinha 15 anos, eu acho. - Eu disse. - Uma vez ela até me disse o nome das amigas, mas eu não lembro agora. - Eu expliquei depois de muito pensar.
- Ela era muito bonita. - Mark comentou.
- Ela era, não é? - Eu concordei com ele. - Você pode ficar com uma foto se você quiser. - Eu dei a ideia.
- Eu quero sim. - Mark escolheu a foto mais bonita para levar, a foto em que a minha tia mais sorria.

Ficamos mais algum tempo vendo todas as coisas que estavam dentro daquela caixa. Ele mostrava-se surpreso a cada coisa que descobria sobre sua mãe. Apesar de ser uma situação um pouco trágica, Mark estava levando tudo numa boa. É claro que as vezes ele acaba ficando meio triste, mas nada que nos impedisse de continuar falando sobre a tia Janice. Tudo foi sobre a tia Janice naquela noite, até mesmo a comida. Sim, eu fiz questão de ir a um restaurante francês para comprar o prato favorito dela para nós jantarmos. Era um prato super chique e refinado, que eu nem ao menos conseguia pronunciar o nome.

- Ela realmente comia isso? - Mark pareceu não ter ido muito com a cara do prato.
- Ela amava isso! Sempre insistiu para que eu comesse, mas eu nunca tive coragem. - Eu fiz careta ao olhar para o prato.
- Não pode ser tão ruim, certo? - Mark tentou nos motivar.
- Você tem razão. - Eu tinha que deixar aquele preconceito de lado.

O prato favorito da tia Janice não tinha um visual muito atraente, mas eu juro que o sabor era incomparável. Eu e o Mark não esperávamos que aquilo fosse tão bom. Nós comemos tudo e arrisco dizer que se tivesse mais, comeríamos mais. Durante o jantar, ficamos trocando histórias sobre a tia Janice. É claro que eu tinha muito mais histórias para contar, mas as histórias do Mark também eram muito boas. Quando terminamos de jantar, tiramos a mesa juntos e até lavamos a louça.

- Vamos lá em casa. Eu vou te mostrar os CD’s que eu te disse. - Mark deu a ideia, depois que parecia não ter mais nada para fazer.
- Vamos. - Eu concordei. Fomos juntos até a porta e depois de trancá-la, eu acenei para o Big Rob para ele ver que eu estava indo até a casa do Mark.

Atravessamos o jardim e chegamos na casa do Mark. Depois de me convidar para entrar, nós fomos direto para o seu quarto. Ele começou a me mostrar seus diversos CD’s. A maioria deles era de bandas de Rock, que era o estilo musical favorito do Mark. Sim, isso ainda soa bem estranho para mim. É difícil olhar para o Mark e imaginá-lo em um show do AC/DC. Ele me mostrava os CD’s empolgadamente e eu dava a ele toda a minha atenção, mesmo sendo um pouco ignorante quando o assunto era Rock.

Naquela noite de quarta-feira, estava mais uma vez escondido próximo a casa de Steven. Ele estava tentando descobrir se seu pai ainda tinha alguma pretensão de vingança. Ele queria ter certeza de que eu estaria a salvo daqui pra frente. Coincidentemente (ou não) , Steven recebeu duas visitas inusitadas naquela noite. Dois homens realmente estranhos adentraram a casa de Steven, deixando completamente desconfiado. Mesmo sem saber o motivo da visita, ele sabia que havia algo muito errado. Foi nesse momento em que o seu medo de que algo pior acontecesse comigo falou mais alto do que o seu próprio orgulho. precisava evitar qualquer coisa que pudesse vir a me acontecer.

- Olha o CD do Bon Jovi. É igual ao dela. - Mark me mostrou o CD, que também estava na coleção da tia Janice.
- Você tem mesmo. - Eu peguei o CD nas mãos. - Eu acho que a favorita dela era ‘It’s My Life’. - Eu disse ao olhar a lista de músicas no lado detrás do CD.
- E qual é a sua favorita? - Mark me olhou.
- A minha? - Eu o olhei com careta. - Olha, não me entenda mal. Eu não tenho nada contra, mas é que eu não sou fã, sabe? - Eu me senti mal por estar falando aquilo para ele.
- Certo. - Mark afirmou com a cabeça. - Quer saber qual é a minha favorita? - Ele perguntou.
- Quero. - Eu demonstrei interesse.
- Espera um minuto. - Mark se afastou para pegar um CD. Depois de pegá-lo, o colocou para tocar em seu rádio. Eu observei ele o tempo todo. - Essa. - Ele disse antes de apertar o play e virar-se para me olhar.
- Eu conheço essa. - Eu sorri ao ouvir ‘Misunderstood’. Eu estava apoiada em uma pequena mesa que ele tinha em seu quarto.
- Todo mundo conhece. - Mark sorriu e parou na minha frente. Repentinamente, ele estendeu uma das mãos em minha direção. O meu sorriso aumentou ainda mais ao ver o seu gesto.
- Sério? - Eu sabia que ele não costumava dançar.
- É melhor aceitar antes que eu desista. - Mark me olhou com aquele sorriso malandro, que me fez rir.
- Está bem. - Eu levei a minha mão até a dele e ele me puxou. Depois de me trazer pra perto, ele levou a minha mão até o seu pescoço e eu fiz o mesmo com a minha outra mão. Ele passou os seus braços em volta da minha cintura.
- O que você pretende com isso? - Eu o olhei com desconfiança. A música tocava e nós dançávamos lentamente.
- Você não tinha uma música favorita. Estou te emprestando a minha. - Mark disse, me fazendo rir.
- Me emprestando a sua? - Eu repeti a frase, enquanto segurava a risada. - Eu não sei se consigo lidar com tanta responsabilidade. - Eu brinquei, olhando pra ele de perto.
- Eu sei que consegue. Eu confio em você. - Mark distribuiu olhares pelo meu rosto. Quando eu percebi, já havia me perdido em seus olhos verdes. Eu já os olhava intensamente por algum tempo. Aquilo me deixou muito sem graça e a única atitude que eu consegui tomar foi me aproximar um pouco mais e tirar o meu rosto da frente do dele. Apoiei o meu queixo em seu ombro e mantive meus braços em torno do seu pescoço. Um sorriso espontâneo surgiu no rosto dele, quando ele percebeu o quão sem graça eu fiquei. O cheiro do perfume dele ficou ainda mais intenso quando eu aproximei o meu rosto do seu pescoço e eu só conseguia me perguntar: ‘o que eu fiz para ser tão torturada desse jeito?’. Estava ficando cada vez mais difícil ficar perto dele. Eu não consigo ficar mais de um minuto olhando aqueles olhos verdes, que eram a coisa mais fascinante que eu já vi em toda a minha vida e também não conseguia sentir o perfume dele sem sentir o meu coração disparar. Eu só consegui voltar a respirar, quando a música acabou e nós, consequentemente, tivemos que nos afastar.
- Certo. Me pergunta de novo. - Eu continuei de frente para ele, mas já não estávamos tão próximos como antes.
- Perguntar o que? - Mark me olhou, sem entender.
- Qual a minha música favorita do Bon Jovi. - Havia um sorriso no canto do meu rosto. Ele também sorriu pra mim.
- Está bem. - Mark respirou fundo e coçou a garganta. - Qual é a sua música favorita? - Ele me olhou, segurando o riso.
- Com certeza é ‘It’s My Life’. - Eu disse e ele me olhou com cara feia. - Brincadeira. - Eu gargalhei. - A minha favorita definitivamente é ‘Misunderstood’e algo me diz que eu não vou mudar de ideia tão cedo. - Eu disse, sem jeito.
- Se algum dia você pensar em mudar de ideia, você pode me chamar e nós dançamos de novo. - Mark brincou, me fazendo rir.
- Eu vou me lembrar disso. - Eu afirmei com a cabeça.
- Fica com isso. - Mark estendeu o CD na minha direção.
- Não! Eu não posso. É o seu CD. - Eu recusei na mesma hora.
- Eu sei, mas eu quero que você fique com ele. - Mark insistiu.
- Mark… - Eu neguei com a cabeça.
- Como forma de agradecimento. - Mark argumentou.
- Agradecimento pelo que? - Na minha opinião, ele não tinha motivos para me agradecer.
- Por hoje. - Mark sorriu fraco. - Por ontem e também por amanhã. Por tudo. - Ele me olhava nos olhos e eu mal conseguia desviar o olhar. Era impossível.
- Você sabe que não precisa me agradecer. Ainda mais depois de tudo o que você fez por mim. - Eu o olhei carinhosamente. - Você pode até não acreditar, mas ajudar você está sendo o meu melhor remédio para tudo o que tem acontecido na minha vida. Ajudando você, eu estou me ajudando também. - Eu não queria falar tanto naquele assunto, mas eu precisava que ele soubesse daquilo.
- Você não faz a menor ideia do quanto tudo isso significou pra mim. - Ele estava falando sobre aquela noite.
- Eu faço sim. - Eu me adiantei. - Eu sei o quão valioso é a família. Eu também sei o quanto é importante quando alguém faz algo por ela. - Eu estava mencionando o fato dele ter salvo o meu pai. - Você salvou a minha família e agora, eu estou salvando a sua, ou… uma parte dela. - Eu fiz careta.
- A melhor parte dela, você quer dizer. - Mark riu de sua própria desgraça. - Olha, eu sinto que ainda preciso te agradecer por tudo isso. - Ele insistiu no assunto.
- Pode parar. - Eu balancei a cabeça negativamente.
- Me deixe te levar pra jantar. - Não foi uma pergunta, foi mais uma sugestão.
- Me levar pra jantar? - Eu cruzei os braços, fingindo pensar no assunto.
- É! É uma maneira bem sutil de agradecer o que você tem feito por mim. - Sim, aquilo era um convite. Porque estou tão nervosa com isso?
- Eu… - Eu não sabia ao certo o que dizer.
- Dá pra você ao menos fingir que está pensando sobre isso para que eu não pareça tão idiota? - Mark me interrompeu.
- Você não é idiota. - Eu o olhei com cara feia. - É que… - Eu hesitei continuar. Quer saber a verdade? Fazer isso me assusta muito. Todo mundo sabe que o nome mais conhecido desse jantar é ‘encontro’. Eu ainda não sei se quero ir além com isso. Não tem nada a ver com o Mark. Não tem a ver com gostar dele ou não. Tem a ver com o meu medo de viver tudo isso de novo.
- Vamos! Você não vai me dizer não, vai? - Mark fez cara de cachorro que caiu da mudança. Como eu poderia resistir?
- Quando? - É claro que eu acabei cedendo. Apesar desse meu medo estúpido, eu adorava estar com ele.
- Amanhã? - Mark me olhou com sua expressão de dúvida.
- Você vai achar que eu estou mentindo, mas amanhã não vai dar. Eu combinei com o meu chefe em ficar até mais tarde no hospital para pagar as horas que eu estou devendo. - Eu fiz careta só em pensar no quanto eu trabalharia no dia seguinte.
- E no feriado? - Mark perguntou.
- Feriado? - Eu pensei por algum tempo. Eu não me lembrava de feriado algum.
- Veterans’ Day. - Mark achou graça do quão perdida eu estava.
- É mesmo! - Eu fiquei surpresa. - Eu não me lembrava! - Minha cabeça estava tão cheia de problemas, que eu nem me lembrei do tal feriado.
- Isso quer dizer que o nosso jantar pode ser na sexta? - Mark sorriu pra mim.
- Sim! Pode ser. - Eu concordei na mesma hora.
- Certo, então está combinado! - Ele ficou todo feliz por eu ter aceitado o seu convite. Mark queria se convencer de que era apenas um jantar, mas ele sabia que acabaria significando muito mais do que isso para ele. Ele não conseguia evitar.
- Bem, eu acho que… - Eu peguei o meu celular para ver o horário. Eram quase 11 horas. - É melhor eu ir pra casa. Amanhã o dia vai ser longo. - Eu fiz careta. Eu não queria ter que acordar cedo no dia seguinte.
- Nem me fale. - Mark suspirou longamente.
- Então, boa noite. - Eu disse ao me aproximar para abraçá-lo. Ele me acolheu em seus braços com o seu jeito único, que me fazia pensar que meu corpo foi milimetricamente planejado para se encaixar perfeitamente nos braços dele. Ele me abraçou forte e enroscou os seus dedos em meu cabelo. Afastei o meu corpo do dele e o encarei. Levei uma das minhas mãos até um dos lados do seu rosto e me aproximei para dar um beijo do outro lado.
- Boa noite. - Mark também depositou um beijo em meu rosto, enquanto mantinha os dedos de uma de suas mãos entrelaçados em meu cabelo. Quando ele finalizou o beijo carinhoso, olhou em meus olhos de perto e depois olhou para os meus lábios quando eu sorri. - Eu te levo até a porta. - Ele ficou sem jeito com a situação e tratou de mudar de assunto.
- Certo. - Eu tive que segurar o riso no caminho até a porta. Era muito estranho o fato de que, mesmo com tudo isso que estava acontecendo em nossas vidas, nós ainda termos tempo e cabeça para ficar sustentando esses climas estranhos e aqueles sorrisos idiotas. Passamos pela sala de estar e chegamos na porta.
- Eu abro pra você. - Mark se adiantou. Tocou a maçaneta da porta e a girou segundos antes da campainha ser tocada. Quando ele abriu a porta, demos de cara com o . Isso não poderia acontecer no momento mais propício, não é?

Foi um dos momentos mais estranhos da minha vida. Nós 3 ficamos um bom tempo em silêncio, mas os nossos olhares diziam muito. A decepção no olhar de ao nos ver juntos foi extremamente visível. Ele olhou para o Mark e depois me olhou. Eu fiquei olhando pra ele, sem saber o que fazer. Eu estava completamente sem reação. Mark ficou irritado na mesma hora. Olhou duramente para o irmão como se perguntasse ‘O que você quer aqui?’.



- Oi. - esforçou-se para dizer aquilo da forma mais natural possível. Ele olhou para o Mark depois para demonstrar que o cumprimento também era pra ele.
- Oi… - Eu até tentei sorrir, mas foi um fracasso. Eu nem conseguia desfarçar. - Eu estou indo, Mark. - Eu virei de costas para o e olhei para o Mark com uma expressão nada boa.
- Eu te vejo sexta-feira às 8! - Mark até me daria outro beijo, mas não queria que parecesse provocação.
- Certo. - Eu consegui sorrir pro Mark. Eu sabia que aquilo não era culpa dele. - Boa noite. - Eu disse e já fui me afastando. Tive que passar pelo e também tive que olhá-lo por poucos segundos. Cruzei os meus braços e sai andando.

Cruzei o jardim e cheguei na porta da minha casa. Eu nem me lembrei de olhar ou dar qualquer sinal para o Big Rob. Eu estava um pouco nervosa. Entrei na minha casa e fechei a porta na mesma hora. Parecia até que eu estava me escondendo de alguém e, na verdade, eu estava. Eu estava me escondendo e fugindo do meu passado. Porque ele continua me perseguindo?

Mark só deu atenção para o irmão, quando me viu entrar em casa. também acompanhou o meu trajeto até a minha casa em silêncio. Havia milhões de coisas passando pela cabeça dele agora. já tinha certeza que eu e o Mark estávamos saindo e que logo estaríamos juntos. A primeira coisa que ele pensou? ‘Uau! Ela nem perdeu tempo.’.

- O que você está fazendo aqui? - Mark encarou o irmão com cara de poucos amigos.
- Eu quero falar com você. - tentou ignorar o que tinha acabado de ver.
- Nós não temos nada para conversar. - Mark falou friamente.
- Dá pra parar de bancar o rebelde? - fez careta, demonstrando impaciência. - Eu sou o Jonas rebelde, não você. - Ele passou pelo Mark e entrou na casa mesmo sem ser convidado.
- Dá pra falar de uma vez? Eu não tenho tempo pra perder. - Mark o olhou com indiferença.
- Você devia estar bem ocupado mesmo. - É claro que o faria algum comentário desse tipo.
- Vai falar ou não? - Mark arqueou uma das sobrancelhas.
- É sobre a . - odiava a ideia de ter que falar daquele assunto com o Mark, mas ele faria um esforço, pois era para o meu bem.
- Que surpresa! - Mark sorriu com deboche.
- Dá pra parar de agir como um babaca? O assunto é sério! - continuava demonstrando impaciência.
- O que tem a ? - Mark atendeu o pedido do irmão.
- Eu acho que… ela pode estar em perigo. - falou, sério.
- De que tipo de perigo estamos falando? Você ou o seu pai? - Mark ironizou e reagiu na mesma hora. Foi pra cima dele, segurou a sua camiseta e o colocou contra a parede.
- É melhor tomar cuidado com o que fala, idiota. - disse ao encará-lo e logo depois o soltou. Sua intenção foi apenas assustá-lo. - Eu estou falando sobre o meu pai. Aliás, nosso pai. - Ele respirou fundo e se recompôs.
- O que ele está planejando? - Mark interessou-se pelo assunto.
- Eu não sei o que ele está planejando. Eu só sei que ele recebeu visitas de alguns caras bem estranhos. Ele nunca recebe visitas de ninguém. Se ele recebeu, você pode ter certeza que não é coisa boa. - explicou a situação.
- Você viu alguns caras entrando na casa dele e já deduz que ele está planejando um novo ataque? Tudo isso é rancor ou… - Mark não levou muita fé nas informações do irmão.
- Eu conheço ele, ok? Ele é muito teimoso e costuma terminar tudo o que começa. - olhou Mark com irritação. - Se estou dizendo que ele vai vir atrás dela de novo, acredite! - Ele completou.
- Eu sei de todos os riscos que ela corre, está bem? Eu estou de olho nela. Nada vai acontecer. - Mark não demonstrou preocupação. Ele não queria que soubesse que a sua informação tinha sido útil. - Afinal de contas, eu sou o Jonas protetor, não você. - Ele ironizou a frase anterior de .
- Jonas, não é? Certo. - rolou os olhos ao sorrir com sarcasmo. Ele demoraria para aceitar que o Mark também era um Jonas.
- Era só isso? Então, acho que você já pode ir embora. - Mark apontou em direção a porta e forçou um sorriso para o irmão.
- Você nem ao menos vai me agradecer? - o olhou com o mesmo sorriso falso.
- Te agradecer? Pelo que? - Mark riu com deboche.
- Eu não sei. Talvez por fazer o seu trabalho! - esperou para ver a reação do irmão.
- Meu trabalho? - Mark ficou mais sério.
- Esse é o seu trabalho, não é? Cuidar dela? - percebeu que o assunto o incomodou.
- Não sei porque ainda perco meu tempo com você. - Mark rolou os olhos e se afastou, indo em direção a porta. - Vai embora. - Ele abriu a porta.
- Só um conselho: se você quer mesmo ser o Jonas protetor, seja protetor. Mantenha os olhos no papai do mal e não só na garota. Costuma funcionar. - disse antes de passar pela porta e sair casa.
- Babaca. - Mark esbravejou, observando o irmão se afastar e entrar em seu carro.

As palavras de ficaram o resto da noite na cabeça de Mark. Mesmo ele não tendo demonstrado, as informações que ele deu o preocupou. É claro que ele contava com a possibilidade de um novo ataque do Steven, mas probabilidade disso acontecer aumentou muito depois do que o lhe contou. A imagem da porta da casa do Mark também estava impregnada na cabeça do . Ele não imaginava que ver aquilo o deixaria tão incomodado. Ele sempre teve ciúmes do Mark, mas agora era diferente. Mark era o seu irmão e pela primeira vez as chances dele comigo eram muito maiores do que as de . Isso provavelmente não o deixaria dormir.

A minha falta de sono também tinha motivo. Eu estava me sentindo a pessoa mais imoral do mundo. Me ver entre os dois irmãos naquele dia foi a situação mais patética de toda a minha vida. Eu sei que não estava fazendo nada de errado, pois eu e o não temos mais nada. O problema é que está tudo muito recente. Eu sei que não deveria me importar com a opinião de sobre tudo isso, mas eu queria saber o que ele estava pensando sobre aquilo. Do jeito que ele é, já deve estar achando que eu e o Mark estamos de casamento marcado! Eu não quero que o pense que estou fazendo isso para puni-lo. Eu também não quero que o Mark pense que eu estou usando ele para superar o . Nenhuma das opções era certa. Minhas intenções não são essas, mas em relação aos meus sentimentos eu já não posso dizer nada com certeza.

O trabalho intenso no dia seguinte não me deixou pensar em nada disso. Mark também teve um dia difícil, pois as novas informações recebidas obrigaram ele a tomar algumas precauções. Já o , não trabalhou naquela véspera de feriado e isso deu a ele mais tempo para ficar pensando em besteiras relacionadas a mim e o Mark. Até mesmo as melhores hipóteses que passavam por sua cabeça deixavam ele inquieto. Se fosse há alguns dias, ele já teria tomado uma atitude, mas depois do meu pedido para que ele se afastasse, ele tentou ser um pouco mais tolerante. Ele se esforçou muito para relevar tudo aquilo. Ele se esforçou para passar por cima daquele ciúme absurdo. Ele se esforçou para deixar isso pra lá. Na verdade, todo o seu esforço durou aproximadamente até as 8 horas da noite daquela quinta-feira. Depois de passar o dia pensando em tudo aquilo, teve uma ideia que acabaria matando dois coelhos com uma cajadada só. Ele voltaria na casa do Mark naquela noite para resolver o problema.

- Você de novo? - Mark suspirou e fez careta ao ver o irmão de novo na porta de sua casa.
- Eu sei exatamente quem você é! - já foi logo falando, antes que o Mark batesse a porta na sua cara.
- Eu sou o Mark, prazer! - Mark ironizou.
- Não banque o bobo. Você sabe exatamente do que eu estou falando! - não sairia dali enquanto não tirasse a verdade dele.
- E do que você está falando? - Mark continuou fazendo-se de bobo.
- Estou falando dessa sua obsessão em proteger a e dessas habilidades que um idiota como você jamais teria. - disse com um sorriso vitorioso. Ele estava feliz por ter juntado todas as peças.
- Habilidades? - Mark arqueou uma das sobrancelhas.
- Quando a ficou presa naquele prédio, você vasculhou aquele lugar como um cachorro farejador. Seu estranho interesse em protegê-la e saber de tudo sobre a pessoa que estava ameaçando ela. O jeito que você segurou aquela arma. - foi juntando os fatos, que foram deixando o irmão um pouco assustado. - Você é mesmo o herói, certo? - Ele negou com a cabeça, mas manteve o sorriso no rosto.
- Sim, eu sou. Está vendo a minha capa? - Mark estava tentando usar o seu deboche para desconstruir os argumentos de .
- É o seu trabalho, certo? Protegê-la. - já não tinha mais dúvidas.
- Você realmente está levando essa história de herói a sério, não é? - Mark forçou um riso.
- Eu ouvi muito bem o que você disse pro meu pai naquele dia. Você disse que aprendeu a atirar sozinho e que, por isso, tinha um emprego incrível. - finalmente usou o melhor argumento do dia. O argumento do qual Mark não tinha como escapar. - E então, pra quem você trabalha? - Ele percebeu que a sua última frase tinha realmente preocupado o Mark. - Guarda de trânsito? FBI? Narcóticos? CIA? SWAT? Vamos, me conte! - Ele encarou o irmão, sério.
- De onde você tirou isso? - Mark negaria o quanto pudesse.
- Diga de uma vez! - se irritou e chegou a alterar o tom de sua voz.
- Eu não tenho nada pra dizer! - Mark respondeu da mesma forma.
- Quer saber de uma coisa? Independentemente do seu departamento, ela vai ficar furiosa com você! Você sabia, né? - já foi logo dando a sua boa notícia para o irmão. Ele estava falando sobre mim.
- Não se intromete. Isso não é problema seu, entendeu? - Mark ficou mais sério e aproximou-se de . - Fica fora disso. - Ele deu a ordem para o irmão. A sua reação foi muito mais do que uma confissão.
- Sabe mesmo qual é o meu problema? - sorriu, vitorioso. - Esse hotel de merda que eu estou tendo que dormir. - O jeito dele de falar até mudou. Aparentemente, o seu plano estava entrando em ação.
- Certo. - Mark não sabia porque seu irmão estava lhe contando aquilo. - Você está esperando o que para voltar para Atlantic City? - Ele arrumou uma rápida solução.
- Voltar pra Atlantic City? - riu com deboche ao ouvir a solução dada por Mark. - Mas eu acabei de encontrar um ótimo lugar pra ficar. - Ele arqueou uma das sobrancelhas e a cara de malandro era inegável.
- E onde seria? - Mark cruzou os braços, esperando ouvir o pior.
- A sua casa, é claro! Ela é bem grande, certo? Ouvi dizer que a vizinhança é muito boa. - tentou olhar para dentro da casa, já que eles ainda estavam conversando na porta. Mark começou a rir na mesma hora.
- E o que te faz pensar que eu vou deixar você ficar na minha casa? - Mark ainda ria um pouco.
- Porque você não tenta adivinhar? - não se abalou com os risos do irmão.
- Está mesmo tentando me chantagear? - Mark perguntou com deboche.
- Não é chantagem. É só uma troca de favores! Eu guardo o seu segredo e você me convida para morar na sua casa temporariamente. - A ousadia e cinismo de começavam a tirar Mark do sério.
- Ok. Eu vou ser bem claro e objetivo aqui, certo? Você jamais vai morar comigo e eu também não vou ceder as suas chantagens. Se você quer contar pra ela, fique à vontade. Estou disposto da lidar com as consequências. - Mark foi curto e grosso. - Agora, vê se dá o fora da minha casa. - Ele disse antes de bater a porta na cara de .

A atitude de Mark deixou o furioso e também o surpreendeu. Ele não esperava que o Mark acabaria com o seu plano assim tão fácil. até poderia ir até a minha casa e me contar toda a verdade sobre ele, mas não era isso o que ele queria. Na verdade, o que o queria mesmo era ficar perto de mim. Ele queria ter certeza de que nada aconteceria comigo e também queria saber o que já estava acontecendo entre mim e o Mark. É claro que ele sabia que a presença dele na casa de Mark dificultaria muito um possível relacionamento que poderíamos vir a ter. Morar na casa do Mark seria uma droga pro , mas ele estava disposto a fazer esse sacrifício pela minha segurança e por tudo o que já passamos juntos.

O plano de foi um fracasso! Ele não conseguiu tapear o irmão e não conseguia pensar em outra maneira de fazer isso. Apesar de não ter cedido a chantagem, Mark estava muito preocupado com o que poderia fazer. Ele não sabia qual seria a minha reação ao descobrir que ele tinha me enganado por tanto tempo, mas ele tinha quase certeza de que ela não seria boa. Aquilo o deixou completamente agoniado durante toda a noite. Mark tentou pensar na melhor forma de se explicar pra mim, mas nada parecia bom o bastante. Ele não sabia se estava pronto para me perder logo agora em que precisava tanto de mim. Ele não sabia se estava pronto para se tornar mais um dos meus problemas.

O desastroso plano de também tirou o seu sono durante a noite. Ele não podia deixar que o encontro que eu e o Mark tínhamos no dia seguinte acontecesse. Ele precisava encontrar uma outra solução para o seu problema. Ele precisava impedir o que eu e o Mark tínhamos. Ele precisava lutar por mim mais uma vez. Sem saber de nada, eu dormi como uma pedra naquela noite. Eu estava extremamente cansada por causa do trabalho. Ao chegar em casa, tomei um banho e comi alguma coisa antes de ir para cama.

Entre um cochilo e outro, acabou tendo um sonho que lhe deu uma ideia maravilhosa. Logo pela manhã, deu alguns telefonemas e acertou os últimos detalhes do que seria a sua última cartada. Eu acordei bem tarde naquela sexta-feira e aproveitei a tarde livre para adiantar alguns trabalhos da faculdade. Mark não apareceu na minha casa durante o dia todo, o que me deixou intrigada. O único sinal de vida que ele deu foi uma mensagem de texto que ele mandou no final da tarde em que ele perguntava se o nosso jantar estava confirmado. Mark não sabia se o tinha me contado o seu segredo, por isso, ele não teve coragem de aparecer na minha casa. Ele ainda não tinha uma boa explicação para me dar. Quando eu respondi a sua mensagem confirmando o jantar, ele ficou muito aliviado, pois sabia que não tinha me contado nada. A minha mensagem tirou um peso enorme de suas costas.

Terminei os meus trabalhos da faculdade um pouco mais de 6:30 da tarde e já comecei a me preparar para o jantar (encontro cof, cof) daquela noite. Como a noite acabou esfriando, eu tive que trocar o meu vestido por uma calça, blusa de manga cumprida, um casaco bem quente por cima e botas de couro ( VEJA AQUI ). A roupa me pareceu meio simples, por isso resolvi caprichar mais na maquiagem. Não usei nada muito escuro e nem muito forte, mas depois de ver o resultado no espelho acabei ficando mais satisfeita. Não coloquei muitos acessórios, pois eu estava com tanta roupa que eles nem ao menos apareceriam. Resolvi usar apenas alguns anéis. A campainha tocou e eu ainda não estava pronta. Que surpresa!

Mark estava ansioso para aquela noite. Ele sempre ficava ansioso quando marcava alguma coisa comigo. Ele sempre ficava ansioso para me ver. A demora para que eu abrisse a porta fez com que ele deduzisse que eu estava atrasada. Mesmo não estando pronta, eu desci as escadas correndo para abrir a porta para ele.

- Hey! Desculpe. - Eu abri a porta com a respiração ofegante.
- Não tem problema. - Mark sorriu pra mim, enquanto entrava na casa.
- Acabei me atrasando um pouco por causa dos trabalhos. - Eu me justifiquei.
- Eu posso esperar. Você… já acabou? - Mark me olhou da cabeça aos pés. - Você já está linda assim. - Ele completou.
- Obrigada. - Eu senti as minhas bochechas corarem na mesma hora. Eu não pude deixar de analisá-lo também. Ele usava calça jeans preta, uma camiseta cinza, sapatos e um casaco preto, que era bem parecido com o meu. - Eu estou quase pronta. - Eu mordi o meu lábio inferior para tentar esconder o meu sorriso idiota.
- Sem problemas. - Mark não queria me apressar.
- Eu volto já. - Eu disse antes de subir a escada na mesma velocidade em que desci.

Ao chegar no quarto, dei uma última arrumada no meu cabelo e passei perfume. Chequei o espelho pela última vez antes de colocar meu celular e a minha carteira dentro de uma bolsa preta pequena. Apaguei a luz do quarto e desci a escada pela última vez. Enquanto eu descia, eu sentia o olhar do Mark sobre mim. Aquilo me fez sorrir feito boba sem nem sequer olhá-lo. Mark foi ao meu encontro no final da escada.

- Pronto. - Eu olhei pra ele com um sorriso nervoso. Ele estava tão bonito, que não percebi que fiquei olhando pra ele por algum tempo. Ele também ficou me olhando daquele seu jeito doce, que me causava arrepios.
- Nós podemos ir? - Mark apontou em direção a porta.
- Podemos. - Eu afirmei, enquanto já começávamos a andar em direção a porta. Toquei a maçaneta e ao abrir a porta, levei o meio susto de toda a minha vida. - SURPRESA! - Eu fiquei em choque ao ver todos os meus amigos e o meu irmão na porta da minha casa. Eles seguravam algumas sacolas, que provavelmente estavam cheias de roupas. Todos começaram a me abraçar e eu não conseguia expressar qualquer reação. - Meu Deus! O que vocês estão fazendo aqui? - Um sorriso enorme surgiu em meu rosto. Estavam todos ali. - Vocês não estavam de saída, estavam? - Ouvi a voz de perguntar. Eu nem ao menos tinha visto que ele também estava ali. A pergunta foi feita, enquanto ele olhava diretamente para o Mark. O sorriso de deboche entregou na mesma hora o seu plano de evitar o meu encontro com o Mark. Ao ouvir a voz dele, olhei na mesma hora para ele e o fuzilei discretamente com o olhar. Ele fez de propósito!





Capítulo 55 – Vizinhos sem benefícios



OUÇA A MÚSICA ABAIXO,ENQUANTO LÊ:



- Nós… - Eu não soube responder a pergunta de , que era tão irônica que eu podia socá-lo ali mesmo.
- Não. Nós não íamos. - Mark adiantou-se ao forçar um sorriso sarcástico para o irmão.

A minha felicidade em ver todos os meus amigos e o meu irmão foi maior do que a raiva instantânea que eu senti do . Vários abraços apertados e algumas confissões de saudade, mas nada se comparava ao abraço de . Não sei se é por que ele é o meu irmão, mas o jeito que ele me abraçou chegou a me comover. Dava pra sentir todo o amor e o seu alívio ao me ver, sabe? Foi mais forte do que eu imaginaria.

- É tão bom te ver. - olhou em meu rosto para se certificar de que eu estava realmente bem.
- Eu morri de saudade, sabia? - Eu olhei pra ele com os meus olhos, que tinha alguns vestígios de lágrimas. Ao abraçá-lo novamente, fui obrigada a manter o meu rosto na mesma direção do de . Os olhos e sorriso malandro terminaram de culpá-lo pelo que eu já sabia. Todos estavam nos olhando, portanto eu só pude matá-lo com os olhos. - Eu morri de saudade de todos vocês. - Eu disse ao terminar o abraço e olhar mais uma vez para os meus amigos, que ainda estavam parados na minha porta.
- Ela quis dizer que sentiu mais saudade de mim, entenderam? - ergueu os ombros, recebendo olhares furiosos de todos. - O que? Vocês sabem que é verdade. Aceitem. - Ele abriu os braços. Eu ri para o meu melhor amigo, enquanto negava com a cabeça.
- Vamos. Entrem. - Eu entrei novamente na casa e abri completamente a porta para que eles passassem. Todos foram entrando e e Mark ficaram por último. passou por mim com aquele sorriso idiota no rosto. Eu só não bati a porta na cara dele por que o Mark ainda estava do lado de fora. O último a entrar, Mark passou por mim com aquele olhar de ‘Que ótimo, né?’. Eu respondi o seu olhar com um careta e fechei a porta.
- Eu quero matar ele. - Eu sussurrei para o Mark, enquanto andávamos em direção ao sofá, que era onde todos estavam sentados.
- Entra na fila. - Mark respondeu no mesmo tom, me fazendo olhar pra ele e sorrir. Nós trocamos sorrisos antes de chegar no sofá.
- Então… - Eu olhei pra todos e antes de dizer qualquer outra coisa, os latidos de Buddy me interromperam. Eu fiquei até um pouco surpresa, pois o Buddy não costuma latir com tanta frequência. Eu só entendi o que estava acontecendo, quando o vi correndo para os braços de .
- Ei! É você! - se inclinou para olhá-lo e também acariciou os seus pelos.
- Awn, eu já estava com saudades. - também morreu de amores.
- Ele lembra de você. - Eu estava encantada com aquela cena.
- Eu sou inesquecível, né? - se gabou, enquanto o cachorro deitava-se em seus pés e dava sinais de que dormiria ali mesmo.
- Eu tinha me esquecido do quanto essa casa é gigante. - disse ao olhar em volta.
- Eu me lembro muito bem. - brincou com o fato de ter vindo me visitar há pouco tempo.
- Deve ser por que você foi o único a me visitar nesses 6 meses. - Eu olhei todos os outros com cara feia.
- Valeu mesmo, . - olhou o amigo com cara feia.
- Desculpa, pessoal. - ergueu os ombros aos risos, se gabando.
- Cala a boca, . - jogou uma almofada na direção do amigo.
- Pega, . Pega a chave do meu carro e pode ir embora. - estendeu a chave do carro.
- Bata na sua cara antes que eu bata, . - jogou outra almofada na direção de .
- Hey! Hey! Vocês estão muito agressivos. Menos, por favor. - tentou demonstrar autoridade.
- Está achando que é quem? - gargalhou.
- Assim não tem como te defender, . - também riu.
- Não olha pra mim. - Mark negou com a cabeça aos risos.
- Até você, Mark? Traidor. - tentou olhá-lo de forma ameaçadora, mas acabou rindo.
- Meu Deus! Como eu senti falta disso. - Meus olhos até brilharam ao ver aquela briga idiota, que eles sempre costumavam ter.
- É muito difícil aturar todos esses caras sem você. Não é, ? - olhou para a amiga.
- É impossível. - fez careta, recebendo olhares do meu irmão.
- Eu sei exatamente como é. - Eu olhei discretamente pro . - E então, quando decidiram vir pra cá? Eu não esperava vocês. - Eu fiquei curiosa.
- Bem, nós temos cogitado isso há alguns dias, mas não tínhamos certeza se todos estariam dispensados do trabalho. - começou a explicar.
- E então, o nos ligou e disse que você gostaria de surpresa. - sorriu daquele jeito malandro ao falar o nome do . Ele pensa que estamos juntos.
- Por que não falam logo que foi por causa do Yankees? - olhou com cara de tédio para os meninos.
- Não tem nada a ver. - negou com a cabeça.
- Yankees? - Eu arqueei uma das sobrancelhas.
- , dá pra manter a boca da sua namorada ocupada, por favor? - olhou com cara feia pra .
- Ela está certa. Por que não contam toda a história? - ficou do lado da amiga.
- Não tem nada de mais. Na verdade, é totalmente irrelevante. - negou com a cabeça.
- Esperem. Me deixem adivinhar: vocês vão assistir o Yankees na primeira fileira amanhã. - Mark já havia juntado as peças. Ele olhou discretamente pra o irmão. O silêncio se estabeleceu na sala, enquanto os meninos se olhavam.
- Ok. Tem mesmo um jogo amanhã. - forçou um sorriso.
- Vão me dizer que foi o que conseguiu os ingressos? - Eu fui irônica e cruzei os braços ao olhar pro .
- Isso é meio que… verdade também. - também forçou um sorriso.
- Que surpresa. - Eu neguei com a cabeça, enquanto continuava olhando pro . Ele tinha mesmo feito aquilo? sendo o .
- Mas nós só vamos ao jogo se você for, por que estamos morrendo de saudades de você e queremos passar o máximo de tempo do seu lado. - tentou arrumar a situação.
- O que? - sussurrou ao olhar para o amigo todo indignado.
- Fale por você. - também sussurrou.
- Vocês vieram pelo jogo! - Eu cerrei os meus olhos na direção deles.
- Eu disse! - fez cara feia.
- Não! Espera um pouco! - já ia argumentar.
- Nós estamos entusiasmados pelo jogo sim, mas você foi o principal motivo de nós estarmos aqui. Nós estamos tentando planejar isso há algum tempo e depois do que aconteceu na semana passada, nós sabíamos que precisávamos vir de qualquer jeito. - se justificou e parecia ser super sincero. Eu sabia quando ele estava mentindo.
- E ontem o nos ligou e disse que você estava mesmo precisando dessa surpresa e que ele tinha conseguido as entradas para o Yankees. Nós só juntamos o útil ao agradável, sabe? - completou.
-Viu? Não é tão ruim quanto você pensa. - abriu os braços, achando que aquilo tinha limpado a sua barra. Bem, não tinha. Eu queria mandá-lo ir a merda.
- Nós viemos por que estávamos com saudade e estávamos preocupados com você. - reafirmou e se levantou do sofá. Ele veio na minha direção. - Você sabe que eu não estou mentindo. - Ele me encarou com um sorriso.
- Eu acredito. - Eu disse e ele abriu o maior sorriso. Se aproximou e me abraçou rapidamente.
- Olha, eu vim mesmo por causa do jogo. - ergueu os ombros e eu soube na hora que ele estava me sacaneando. Peguei uma almofada e joguei na cara dele.
- Idiota. - Eu disse em meio a risos.
- Eu não preciso nem falar, não é? Você sabe que eu viria aqui hoje de qualquer jeito. - me olhou mais sério.
- Eu sei. - Eu conhecia muito bem o meu irmão e sabia o quanto ele se preocupava. Não que os outros não se preocupassem, mas a preocupação dele era maior que tudo. Nós somos irmãos, certo? Não tem como ser diferente.
- Nós não viemos pelo jogo. - reafirmou.
- O veio pra ver a namoradinha dele. Eu não ia falar nada, mas não consigo guardar segredos. - provocou o amigo e todos riram.
- Cala a boca. - riu, sem jeito. - E ela não é a minha namoradinha. - Ele rolou os olhos.
- Aliás, cadê ela? - perguntou.
- Você avisou ela que viria? - Eu perguntei ao .
- Avisei. - Ele afirmou.
- Então, ela deve estar chegando. - Eu deduzi, apontando a cabeça em direção a entrada da casa.
- Eu quero muito conhecê-la. - mostrou-se ansiosa.
- Vocês vão adorá-la. É um amor de pessoa. - foi completamente irônico e eu e o Mark olhamos pra ele na mesma hora.
- Ela fala a mesma coisa de você. - também ironizou aos risos.
- Ela é incrível. - Eu tentei desmerecer o comentário de . - Ela só não vai muito com a cara do . - Eu expliquei.
- Já gostei dela. - brincou e fez careta pra ele.
- Não vai com a cara, com o cabelo, com a cabeça, com os braços e nem com os pés. Eu não faço ideia do por que, já que o também é um amor de pessoa. - Mark forçou um sorriso para o irmão e todos riram.
- Olha, tem uma coisa muito estranha aqui. - disse e todos olharam pra ele. - Nós estamos há mais de 20 minutos aqui e o Mark e o ainda não brigaram. - Ele completou e os amigos riram. e Mark se olharam.
- Eu estou começando a ficar preocupado. - complementou.
- O que aconteceu com vocês? - quis saber.
- Nós não brigamos mais. - tentou demonstrar bom humor. - Nós viramos amigos, não é, Mark? - Ele olhou para o irmão por alguns segundos.
- Amigos? - desacreditou.
- Praticamente irmãos. - As palavras de fez com que nós três trocássemos olhares. Ele era mesmo muito engraçadinho!
- Sério? - até então estava duvidando, mas ao ver a expressão no rosto de Mark, ele soube que era verdade.
- É meio… que verdade. - Mark forçou um sorriso para ser mais convincente.
- Isso é bom, né? Eu acho… - estava um perplexo.
- Na verdade, é meio… assustador, mas eu estou me acostumando aos poucos. - Eu mantive o tom de brincadeira mesmo estando falando sério.
- Isso… quer dizer que vocês são um trio agora ou… - ficou um pouco confuso.
- NÃO! - Eu neguei no mesmo instante. Que absurdo é esse? - Na verdade, somos… 3. Você sabe, separadamente. - Era um pouco difícil explicar, pois todos ali achavam que eu e o estávamos juntos depois de toda a história do sequestro.
- Que bom. Eu já estava achando tudo muito estranho. - sorriu, aliviada.
- Espere, quer dizer que você e o não estão juntos? - voltou a ficar surpreso e olhou para o . Na mesma hora, vi dar uma leve cotovelada em sua costela.
- ! - o repreendeu.
- O que? Eu só… - ia se justificar, mas desistiu no meio do caminho.
- Não. Está tudo bem. - negou com a cabeça. - Bem, nós… - Ele ia dizer e então me olhou. Mesmo sem olhá-lo, eu pude sentir o seu olhar sobre mim.
- Nós não estamos juntos. - Eu já esclareci de uma vez sem qualquer drama.
- Então, você e o Mark… - fez careta, pois sabia que estava sendo indelicado.
- Também não. - Eu ri da careta de e me aproximei de Mark. - Nós somos só amigos mesmo. - Eu passei meu braço em volta do pescoço de Mark, que estava sentado em um dos braços do sofá. não disfarçou o olhar.
- Odiei isso. - rolou os olhos.
- Hey, cara. Eu não estou aqui pra competir com você. Ela é toda sua. - Mark levantou os braços, demonstrando inocência. Todos riram de sua atitude.
- Viu? Eu sempre achei o Mark um cara legal. - disse entre risos. - Sua vez, . - Ele brincou, esperando que o fosse dizer o mesmo.
- Não sou obrigado a nada. - ergueu os ombros, demonstrando indiferença.
- Ok, chega de falar de mim. - Eu tirei me afastei do Mark e me aproximei dos meus amigos. - Me contem as novidades. - Eu estava curiosa.
- Não tem muitas novidades. - tentou pensar em alguma coisa.
- Bem, nós temos um novo casal grude no grupo, mas eu acho que você já sabe. - rolou os olhos ao falar de e . Eu olhei para o casal e eles levantaram as mãos, que estavam entrelaçadas para que eu pudesse vê-las.
- Sim, eu soube! - Eu já estava morrendo de amores ao vê-los juntos.
- Ele está exagerando. - riu, sem jeito. se aproximou, começou a beijar o seu rosto seguidas vezes e passou seus braços em torno dela.
- Eu não faço ideia do que ele está falando. - brincou, enquanto ainda abraçava carinhosamente a namorada.
- Viu? É o dia inteiro assim. - fez careta.
- Não escutem ele. Ele só está com inveja por que não consegue ser como você, . - fez o comentário, que mais pareceu um desabafo.
- Vai, idiota! Podia ter ficado sem essa. - gargalhou junto com a maioria.
- Eu queria muito aplaudir a agora, mas as minhas mãos estão ocupadas. - comentou, sem mover seus braços, que estavam em volta da cintura de .
- Ela reclama, mas ela adora. - piscou um dos olhos. deixou um sorriso escapar.
- Ainda bem, por que esse ai não vai mudar nunca. Eu até já tentei dar algumas aulas, mas… - ergueu os ombros.
- Claro! Por que deu muito certo pra você, não é, Jonas? - devolveu na mesma moeda e ouviu todos vibrarem com o seu comentário. Eu não me ofendi. A minha única reação for erguer os ombros como se dissesse ‘Você mereceu!’.
- Você tirou da minha boca, . Obrigado! - Mark gargalhou junto com todos os outros. o olhou e fez careta como se estivesse imitando ele.
- Podia dormir sem essa, Jonas. - ainda ria.
- Você não pode falar nada, ! Você já esteve no mesmo barco que eu. A única diferença é que agora está saindo com a miss estupidez. - retrucou.
- Cade essa garota? Eu quero conhecê-la. - estava ansiosíssima.
- Ela não é nada disso. Vocês vão conhecê-la e vão ver que é só implicância dele. - Mark defendeu a melhor amiga.
- Obrigado, Mark. - sorriu pro Mark, depois de debochar da cara de . Naquele mesmo segundo, a campainha tocou.
- Falando nela. - Eu olhei imediatamente para a porta. - Esperem. Vou abrir a porta pra ela. - Eu me afastei deles e me aproximei da porta. Toquei a maçaneta e a girei. - Hey! - Eu sorri ao vê-la.
- Olha só você! Está toda feliz. Parece até que recebeu uma surpresa. - Meg disse e o meu sorriso aumentou.
- Você também sabia, não é? - Eu neguei com a cabeça antes de abraçá-la.
- Sabia. - Meg forçou um sorriso.
- Vem. Entra. Eles estão loucos para te conhecer. - Eu segurei a mão dela e a puxei para dentro. Ela parecia um pouco sem jeito. Soltei a mão dela e ela me acompanhou até a sala. - Pessoal… - Eu a levei para o centro da sala. Todos olhavam pra ela, curiosos. - Essa é a famosa Meg. - Eu a apresentei.
- Então, você é a Meg! - foi a primeira a se aproximar. foi logo atrás.
- Sim, sou eu. - Meg sorriu para a garota em sua frente.
- Nós ouvimos falar muito de você. - também parou em sua frente.
- Eu devo dizer: o me surpreendeu. - sussurrou próximo ao ouvido de .
- Eu sei! Ela é bem bonita. - sussurrou de volta.
- Beleza não é tudo, caras. - deu alguns tapinhas no ombro de .
- Eu também ouvi falar muito bem de vocês. - Meg sorriu ao olhar para todos. - Você deve ser a . - Ela disse sem ter certeza.
- Como você sabe? - ficou surpresa.
- A me falou que você era a pessoa mais simpática de todas e considerando que você foi a primeira a vir me abordar. - Meg explicou seus motivos.
- Awn. - achou uma graça. - Eu sou mesmo a . É um prazer te conhecer. - Ela se aproximou e beijou carinhosamente o rosto de Meg.
- E você só pode ser a ao julgar pelo salto alto. - Meg olhou para os pés de . - A sempre disse que você é a mais estilosa e que pode usar salto em qualquer lugar. - Ela completou.
- Ela disse mesmo isso? - perguntou e sorriu pra mim. - Ela não é a melhor cunhada do mundo? - Ela ainda me olhava. - É bom finalmente te conhecer, Meg. - completou antes de abraçá-la rapidamente.
- Ei, você eu conheço. - Meg aproximou-se do sofá, onde os garotos estavam sentados. era o primeiro da fila.
- Como você está? - perguntou com um enorme sorriso no rosto e a abraçou.
- Eu estou melhor agora. - Meg sussurrou em seu ouvido e sorriso dele triplicou.
- Eu senti a sua falta. Muito. - terminou o abraço para olhar no rosto dela.
- Eu também. - Meg aproximou-se e beijou carinhosamente o seu rosto. Eu tenho certeza que se não estivesse todos ali, eles já estavam se agarrando.
- Vá conhecer os caras. Depois nós conversamos. - forçou um sorriso.
- Certo. - Meg afastou se deu poucos passos para o lado. - Você… Deixe-me adivinhar. - Ela olhou curiosamente para o .
- Se você não me reconhecer, quer dizer que a não falou de mim o suficiente e isso quer dizer que eu vou brigar com ela mais tarde. - levantou-se do sofá e ficou de frente pra ela.
- Wow! Muita responsabilidade, não é? - Meg ainda tentava adivinhar. - Mas, eu já sei quem você é. Essa sua frase te entregou. - Ela tinha certeza. - O melhor amigo ciumento. - Meg disse aos risos.
- Ela acertou! Viu? - Eu joguei na cara de .
- Eu só não lembro o seu nome. - Meg fez careta.
- Como não lembra o meu nome? - cerrou os olhos na direção dela.
- Só estou brincando! - Meg riu. - Você é o . - Ela completou.
- Se safou dessa, hein, ? - sorriu pra mim.
- Eu sabia que ela ia acertar. - Eu neguei com a cabeça.
- Certo. E você? - Meg parou na frente de , que também se levantou.
- É o mais fácil! Eu sou o mais bonito. - disse e na mesma hora recebeu vaias dos amigos.
- Você só pode ser o irmão convencido. - Meg riu na mesma hora.
- Irmão convencido? - arqueou uma das sobrancelhas. - , que história é essa de você ficar me difamando para as suas amigas? - Ele me olhou feio.
- Você sabe que eu te amo. - Eu tentei fazer cara de meiga.
- Sei… - rolou os olhos. - Sou eu mesmo. Você pode me chamar de . - Ele estendeu uma das mãos.
- Prazer. - Meg apertou a mão do meu irmão. Ela deu mais alguns passos para o lado. O era o próximo. - Você. - Ela colocou uma das mãos na cintura ao olhar pro com um fraco sorriso e os olhos cerrados. - Qual o seu nome mesmo? Eu acho que a nunca falou de você. - Ela fingiu não conhecê-lo e todos acharam graça.
- Oi, Meg. - sorriu cinicamente, tentando manter a paciência. Ela passou pelo , que nem ao menos tinha se levantado para cumprimentá-la e foi até o Mark.
- Olha só, o sumido! - Meg sorriu para o melhor amigo e tentou fazer cara feia.
- Eu sei! Me desculpa. - Mark sorriu forçadamente. Ele se levantou e foi abraçá-la. - Você está bem? - Ele perguntou, enquanto a abraçava.
- Eu estou e você? - Meg perguntou e olhou em seu rosto.
- Também. - Mark, na verdade, queria contar tudo o que tem acontecido nos últimos dias para a melhor amiga, mas ele não podia. Era péssimo querer desabafar e não poder.
- Então, você é a única amiga da minha irmã na cidade? Você deve saber todas as besteiras que ela tem feito nesses últimos meses, não é? - Meu irmão sorriu com desconfiança ao olhar para Meg.
- E olha que não foram poucas. - Meg sorriu depois de fazer uma careta. A minha primeira e única reação foi pegar uma almofada e atacar na direção dela. Eu sabia que ela estava se referindo ao . Eu não tinha dito pra ela que ninguém podia saber sobre o que aconteceu comigo e com o nas últimas semanas.
- Ei! - Meg me olhou com cara feia.
- Não exagera, Meg!- Eu fingi que estava levando tudo aquilo na brincadeira, esperando que ela entendesse que eu estava mandando ela calar a boca.
- Ela com certeza sabe de alguma coisa. - riu da minha reação estranha.
- Me conta tudo, Meg! - ficou interessado.
- Eu só estava brincando. A tinha me dito que você perguntaria isso. - Meg mentiu para contornar a situação. Como não amá-la? - Ela foi uma santa nesses últimos meses. É claro que teve uma festa aqui e outra ali, mas nada que possa encrencá-la. - Ela completou.
- Viu só? - Eu respirei mais aliviada.
- Eu sou testemunha disso também. Eu estive em quase todas as festas com elas e posso garantir que a se comportou muito bem. Aliás, as duas. - Mark ajudou a Meg a arrumar aquela confusão.

Onde é que o estava com a cabeça? Era óbvio que a Meg e o Mark jamais me entregariam! Era inútil tentar descobrir esse tipo de coisa através deles. Mesmo desconfiado, confiava muito em mim e resolveu deixar o assunto pra lá. Quando vimos, estávamos conversando sobre outro assunto e começamos a pensar no que iriamos jantar. Para variar, pedimos algumas pizzas. Eles insistiram na pizza, pois disseram que a pizza de Nova York é diferente e mil vezes melhor do que qualquer pizza em Atlantic City. Apesar de estar enjoada de pizza, eu fui obrigada a ceder.

Nós jantamos e logo depois resolvemos pegar alguns cobertores e irmos para a sala para conversar. Sentamos em círculo sobre o tapete que era cercado pelos sofás da sala. Estávamos falando sobre diversos assuntos aleatórios e acabamos chegando no assunto que eu mais queria evitar, no assunto que mais trazia curiosidade a todos.

- Então, você está realmente bem depois de tudo o que aconteceu? - me olhou com preocupação.
- Sim, eu já estou bem. - Eu não quis entrar em detalhes.
- Como foi que conseguiram entrar nessa casa? Tem tantos alarmes e o segurança lá fora é assustador. - continuou o assunto, que eu sabia que não conseguiria fugir.
- Na verdade, eu não estava em casa. - Eu teria que improvisar alguns detalhes daquela falsa história. Todos me olhavam e me davam total atenção, mas o olhar de era diferente. Ele também estava desconfortável com o assunto. - Eu tinha saído. Eu tinha… ido até o mercado pra comprar alguma coisa pro jantar. Ele… - Eu pausei por alguns segundos. - O cara me abordou no meio do caminho. - Eu completei, sem conseguir olhar para o .
- Não tinha ninguém por perto? Ninguém pra te ajudar? - parecia aterrorizada com a história.
- Não. - Eu abaixei a cabeça e encarei as minhas mãos antes de responder.



- Não tinha ninguém para me ajudar. - Eu voltei a levantar a cabeça e acabei cometendo a besteira de olhar pro , que parecia lamentar.
- Toda a vez que eu penso nisso, eu fico maluco. - esbravejou.
- Não precisa ficar assim. Já passou! - Eu olhei pra ele com um fraco sorriso e neguei com a cabeça.
- Então, o cara te pegou e então? - perguntou.
- Nós temos mesmo que ficar relembrando tudo isso? Ela já passou por muita coisa. - tentou evitar mais sofrimento.
- Não. Está tudo bem. - Eu achei melhor responder todas as perguntas de uma vez para não ter que respondê-las mais tarde. Nos olhamos por poucos segundos antes de eu voltar a falar. - Ele me colocou em um carro e me levou pra uma casa. - Eu continuei mentindo.
- E é nessa hora que o aparece com a sua capa e o seu cabelo de super-herói. - deduziu entre risos. Todos acharam um pouco de graça e, por isso, eu fui obrigada a esboçar um fraco sorriso. Antes de responder qualquer coisa, eu olhei pro Mark, que me incentivou a continuar com aquilo ao afirmar com a cabeça.
- Sim. - Eu deixei de olhar para eles e abaixei novamente a minha cabeça para recuperar o fôlego e a coragem.
- Finalmente prestou pra alguma coisa, Jonas. - Meg disse e todos riram.
- Na verdade, não foi nada demais. - estava muito sem graça e a sua chateação era visível. Ele mal teve vontade de responder a Meg. - Quando o me ligou, eu só sabia que eu tinha que fazer alguma coisa por ela. - Ele completou com um fraco sorriso. Ele não conseguia me olhar.
- Então, você só apareceu lá? - queria mais detalhes. Todos queriam saber como é que o tinha se tornado o herói do ano.
- Não. Eu… - hesitou por alguns segundos. - Eu estava em uma reunião quando você me ligou e todos que estavam lá ficaram sabendo o que tinha acontecido. O presidente do Yankees tem bastante influência na cidade e tinha um amigo que trabalhava na polícia. - Enquanto prosseguia com a mentira, eu olhava pro Mark e cheguei a negar sutilmente com a cabeça. - Eu tentei procurá-la pela cidade e depois de algum tempo o policial me ligou e me disse onde ela estava e que estavam a caminho. - Ele completou.
- Mandou bem, ! - disse, admirado.
- Ele é o meu herói. - forçou um abraço no amigo, que fez com que todos rissem. Toda aquela cena, todos aqueles elogios direcionados a pessoa errada estavam me deixando irritada e angustiada.
- Eu vou pegar alguma coisa pra beber na cozinha. - Eu me levantei da cadeira, pois eu precisava sair dali. percebeu e me acompanhou com os olhos.
- Eu te ajudo. - Mark também percebeu e resolveu ir atrás de mim. Quando eu cheguei na cozinha, eu parei em frente a pia e a encarei por algum tempo, enquanto tentava respirar fundo e me acalmar.
- Ei. - Mark se aproximou e tocou o meu ombro.
- Eu sinto muito por hoje. - Eu falei em um tom mais baixo, pois não queria que ninguém na sala me escutasse. - Eu sinto muito por eles. - Eu neguei com a cabeça, me sentindo muito mal com o que estava acontecendo.
- Parece que todos querem que vocês voltem a ficar juntos. - Mark sorriu, sem saber muito bem como lidar com aquilo.
- Eu sei, mas… - Eu hesitei continuar. - Eles não sabem de nada. Eu não posso culpá-los por isso. - Eu ergui os ombros.
- Eu sei. Eles acham que o foi o herói de toda a história e, por isso, acham que vocês devem ficar juntos. Eu entendo isso. - Mark era a pessoa mais compreensível de todas.
- Deve ser péssimo ouvir todos vangloriarem alguém por ter feito uma coisa que, na verdade, foi você quem fez. - Eu neguei com a cabeça. - Eu queria muito que eles soubessem o que você fez por mim. Eu queria que eles te dessem todos os créditos que você merece. - Eu olhei em seus olhos.
- Olha, por mim está tudo bem. De verdade. - Mark me encarou com compreensão, mas mesmo assim eu não conseguia engolir aquilo. Abaixei minha cabeça, demonstrando que ainda não aceitava aquilo. - Hey. - Ele chamou a minha atenção e levou uma das suas mãos até o meu queixo e levantou o meu rosto. - Está tudo bem. - Mark reafirmou.
- Apesar do que eles pensam e do que eles acham que sabem, eu sei tudo o que você fez por mim e pelo meu pai. - Eu o olhei com carinho. - Eu sei exatamente quem foi que me salvou naquele dia. Eu sei exatamente quem evitou a maior tragédia da minha vida. Eu não vou esquecer jamais. - Eu queria que ele soubesse.
- A única coisa que importa é que ficou tudo bem. - Mark ainda me olhava de bem perto e a sua mão ainda tocava o meu rosto e seus dedos estavam enroscados em alguns fios do meu cabelo.
- Olha, eu estou feliz por todos eles estarem aqui. Eu estou mesmo, mas eu sei que a intenção do não foi a melhor. - Eu neguei com a cabeça. - Enfim, eu só queria dizer que, independente de qualquer coisa, eu queria que tivéssemos saído hoje. - Eu disse.
- É, eu também. - Mark pareceu um pouco triste.
- Vocês estão precisando de ajuda? - apareceu repentinamente na cozinha e nós nos afastamos imediatamente. É claro que ela percebeu, mas disfarçou.
- Na verdade, sim. - Eu fui até a geladeira e peguei algumas garrafas de cerveja e outras de refrigerante. - Você pode levar isso, Mark? Eu e a levamos os copos. - Eu olhei pra ele, sem jeito.
- É claro. - Mark sorriu discretamente, antes de começar a pegar as garrafas que eu estava entregando pra ele.
- Eu acho que só essas já são suficientes. Qualquer coisa, pegamos mais depois. - Eu disse e ele saiu carregando 6 garrafas. Com isso, e eu ficamos sozinhas na cozinha. Eu sabia que ela falaria alguma coisa, mas não sabia se seria agora ou depois. - Os copos… - Eu sorri pra ela, antes de ir até o armário onde os copos ficavam.
- . - me chamou e só pelo tom da voz, eu sabia o que ouviria.
- São quantas pessoas mesmo? - Eu até tentei me fazer de boba.
- Dá pra você falar comigo por um segundo? - me olhou, séria.
- É claro. - Eu sorri e fingi que não sabia sobre o que ela queria falar.
- Quando eu cheguei, você e o Mark… - deixou um sorriso escapar.
- O que? - Eu continuei me fazendo de boba.
- Vocês estão juntos? - cruzou os braços e sorriu com seu jeito desconfiado.
- Não! - Eu respondi como se aquilo fosse o maior absurdo de todos.
- Vocês estão juntos! - Dessa vez, ela estava afirmando.
- É claro que não. Nós só ficamos muito amigos. - Eu me expliquei.
- Mais alguém sabe? - me conhecia muito bem.
- Sabe do que? Está maluca? - Eu olhei pra ela em meio a risos.
- O com certeza sabe! - afirmou.
- Por que está dizendo isso? - Eu arqueei uma das sobrancelhas, enquanto a olhava.
- Você e o Mark estavam demorando aqui na cozinha e ele me pediu pra vir aqui pra ver se você precisava de alguma ajuda. - disse e logo depois riu sem emitir qualquer som.
- Ele fez mesmo isso? - Eu rolei os olhos, enquanto negava com a cabeça. - É a cara dele. - Eu ainda não consegui acreditar.
- Vamos! Me conta tudo. - se aproximou para que pudéssemos falar mais baixo para que ninguém nos ouvisse.
- Não há nada para contar. Sério mesmo! - Eu afirmei mais séria. - Eu sou amiga dos dois. É só isso. - Eu reafirmei. Como eu queria poder contar toda a verdade pra ela.
- Certo, eu acredito. - afirmou com a cabeça. - Só me responde uma coisa. - Ela pediu e me viu afirmar com a cabeça. - Tem alguma chance de alguma acontecer entre você e um deles? Me fala a verdade. - pediu.
- Sinceramente? - Eu seria honesta. - O meu momento com o já acabou. Nós já passamos por muita coisa e acho que já vivemos tudo o que tínhamos que viver. - Eu tentei concluir essa frase sem usar as palavras ‘idiota’, ‘pai’ e ‘decepção’.
- E o Mark? - perguntou.
- Bem, o Mark… - Eu ergui os ombros, pois não sabia o que dizer. - Ele é bom demais pra mim. Eu não consigo nem cogitar a possibilidade de decepcioná-lo. - Eu completei.
- Eu nunca achei que diria isso, mas a sua vida amorosa está bem ais complicada que a minha. - fez careta e eu acabei rindo.
- Você não faz ideia. - Eu comentei em meio a risos. - Certo. Vamos levar os copos e esquecer desse assunto, ok? - Eu não queria que ela comentasse com ninguém.
- Combinado. - entendeu o que eu queria dizer.

Ficamos mais algum tempo conversando. O grupo sempre era dividido em dois assuntos. Os garotos costumavam falar de coisas, que as garotas não entendiam ou simplesmente não se interessavam. O mesmo acontecia com a conversa das garotas, que os garotos costumavam ignorar. Ficamos ali na sala até umas 2 horas da madrugada, e então decidimos ir dormir.

- Então, vamos dormir no mesmo quarto que dormimos da outra vez? - perguntou, enquanto subíamos a escada.
- Eu não sei. Eu acho que… sim. - Eu ainda não tinha parado pra pensar nisso. - Vamos ver. - Chegamos no corredor e fomos até o quarto em que uma parte dos garotos tinha dormido da outra vez.
- Tem 4 quartos, não é? - me olhou com o seu sorriso malandro.
- 4, incluindo o meu. O da tia Janice não conta, pois está fechado. - Eu cruzei os braços, arqueando uma das sobrancelhas. Eu sabia exatamente o que ele estava pensando.
- São… 3 casais, não é? - aumentou o seu sorriso.
- Eu sei o que você está querendo, . - Eu neguei com a cabeça. - Por mim, tudo bem. - Eu ergui os ombros. Eram todos maiores de idade e responsáveis. Eu não tenho a obrigação de ficar bancando a adulta chata, não é? - O que está rolando? - chegou.
- Onde vamos dormir? - também perguntou. , , Mark, e Meg também estavam com ela. A maioria estava com as suas mochilas nas mãos.
- Você eu não sei, mas eu e a vamos dormir aqui. - disse todo animado, segurando a mão da e puxando ela para o seu lado. Eles pararam na porta do quarto.
- Jura? - riu, surpresa.
- Eu sou a melhor, não é? - Eu sorri pra ela, erguendo os ombros.
- Você sempre foi. - se aproximou e beijou exageradamente o meu rosto.
- É hoje que o vai deixar de ser virgem. - olhou para o amigo. - Nosso garoto está crescendo. - Ele tentou fazer um carinho no rosto de , mas ele evitou o carinho com um tapa.
- Sai daqui. - fez cara feia.
- Awn, que fofo. - fez cara de meigo ao olhar para .
- Vocês são uns babacas. - rolou os olhos.
- Temos que tirar uma foto desse momento. - já ia tirando o celular do bolso.
- Já chega! - esbravejou.
- ‘Temos que tirar foto desse momento.’ - repetiu a frase de em tom de deboche.
- Deixem ele em paz. - Eu fui tentar defender o meu melhor amigo.
- A primeira vez de um homem deve ser celebrada. Você não entende. - não quis ser grosso.
- Eu acho que de todos aqui, você é a pessoa que menos tem moral pra falar desse assunto. Então, acho melhor deixar isso pra lá, certo? - Eu o respondi na mesma hora e todos ficaram em silêncio. Sim, eu estava jogando a Amber na cara dele. Demorou um pouco até que todos começassem a rir.
- E é com esse tapa na cara maravilhoso da minha melhor amiga que eu vou me retirar para os meus aposentos. - aproximou-se de mim novamente e depositou um beijo mais carinhoso no meu rosto. - Você é foda. - Ele sussurrou no meu ouvido. Mesmo sem olhá-lo, eu sentia os olhos de me fuzilarem.
- Boa noite. Tem alguns lençóis no guarda-roupa. Podem usar. - Eu respondi junto com um sorriso.
- Ok. Boa noite, pessoal. - beijou cada um dos amigos. - Dorme bem depois dessa tá, Jonas? - Ela segurou o riso ao beijá-lo. Ele fez careta. - Amo você. - sussurrou ao me abraçar. Ela se afastou com o antes que eu respondesse.
- Sem fazer muito barulho, hein! - gritou ao vê-los entrando no quarto ao lado. apenas colocou a mão para trás e mostrou o dedo do meio para o amigo. Todos voltaram a rir.
- Então… - coçou a cabeça, sem graça. Meg também estava sem jeito.
- Você também quer um quarto, espertinho. - cerrou os olhos e sorriu ao olhar pro .
- Eu não disse nada. - não queria se comprometer.
- Meg, você já sabe que pode dormir aqui se quiser, não é? - Eu deixei que ela decidisse.
- Eu não trouxe nada pra dormir. - Meg ergueu os ombros, lamentando-se.
- Eu te empresto um pijama. - Eu resolvi o problema. - Já fizemos isso antes, lembra? - Eu completei.
- Bem… - Meg continuava sem graça.
- Olha a carinha do , Meg. Como você consegue resistir a uma coisa dessas? - brincou.
- Eu não sei. - Meg demonstrava indecisão.
- Para de ficar se fazendo de difícil, garota. Todo mundo sabe que você está louca pra ficar aqui. - já foi logo sendo impaciente com a Meg para variar. Me estava pronta para respondê-lo, mas foi mais rápido.
- Ela vai ficar! - respondeu por ela, fazendo com que Meg o olhasse. - Por favor? - Ele pediu.
- Está bem. Eu fico. Eu só vou avisar os meus pais que eu vou dormir aqui. - Meg acabou cedendo.
- Vocês podem dormir naquele quarto ali. Está vazio. - Eu apontei para uma das portas.
- Certo. - Meg e afirmaram com a cabeça.
- Pode ir até o meu quarto e pegar um dos meus pijamas, Meg. Você sabe onde eles ficam, certo? - Eu perguntei e ela afirmou com a cabeça.
- Obrigada, . - Meg se aproximou e me abraçou. estava radiante, pois a distância impedia que ele e Meg ficassem tanto tempo juntos.
- Boa noite. - beijou carinhosamente o meu rosto e despediu-se dos garotos.
- E você, Jonas? - perguntou, sério.
- Bem, eu posso dormir em um hotel que tem aqui perto. Eu… - ia dizendo, mas o interrompeu.
- Até parece! Essa casa é gigante e você quer dormir em um hotel? Nem pensar. - Eu sabia que o meu irmão diria isso. Eu o conheço.
- Bem… - ergueu os ombros. Malandro! Era exatamente isso o que ele queria.
- Você fica e pronto. A arruma um lugar pra você dormir. - me olhou, sério. era o melhor amigo dele e, para ele, era o cara que tinha me salvado. Ele jamais o deixaria ir dormir em um hotel.
- Eu… - Eu não sabia nem o que dizer. Mark me olhava e entendia completamente o que eu estava passando naquele momento.
- Considerando que todos os quartos estão ocupados, eu acho que o único quarto que tem um lugar pra mim é o da sua irmã. - Frase típica do , certo? Tão previsível!
- , querido, é mais fácil você dormir entre eu e a do que no quarto da minha irmã. - foi extremamente sarcástico. A frase dele fez surgir um sorriso no canto do meu rosto. Toma essa, Jonas! - Mas o sofá é uma ótima opção. - Ele completou com um sorriso. - Para ser sincero, deve ser o lugar mais confortável da casa. - achou ter resolvido o problema.
- Pode ser, ? - me olhou, esperando a minha resposta. O que eu deveria dizer? Que eu quero o mais longe possível de mim?
- Não. - Mark entrou na conversa para me salvar. - Ele… - Ele olhou pro e demorou um pouco para ter coragem de completar a frase. - Ele vai dormir na minha casa. - Mark tentou sorrir.
- Na sua casa? - não acreditou no que estava escutando. - Vocês, por acaso, combinaram de fazer uma guerra de travesseiro? - Ele riu, achando que era brincadeira. Ninguém mais riu. - Meu Deus, você está falando sério. - Ele parecia surpreso.
- Nós… já tínhamos conversado sobre isso. Não se lembra, ? - Mark sorria, mas seu olhar faziam ameaças ao irmão.
- Sim, eu me lembro. - achou graça do desespero do irmão em mantê-lo longe de mim.
- Fica bem aqui do lado. - Mark olhou para o meu irmão.
- Bem, se vocês já combinaram. - ergueu os ombros.
- Então, está decidido. - Eu estava mais aliviada. Sorri discretamente para o Mark como forma de agradecimento.
- Ok, então. Eu vou esperar você lá embaixo. - Mark fingiu ser simpático com o irmão. - Boa noite. - Ele despediu-se.
- Eu já desço pra falar com você, ok? - Eu disse para o Mark antes que ele descesse. Ele apenas concordou e foi em direção ao final do corredor. - Eu vou… só pegar os lençóis pra vocês. - Eu entrei no quarto onde e dormiriam. Eles continuavam na porta do quarto e conversavam com o , que era o único que tinha visão para dentro do quarto. e estavam de costas. Me aproximei do guarda-roupa e o abri. A primeira coisa que eu vi foi uma camiseta de , que ele tinha esquecido ali. Era a camiseta do uniforme do time da escola, que ele costumava usar com frequência. Eu até tinha esquecido que esse era o quarto que ele costumava dormir quando ‘morou’ na minha casa. Eu entrei em desespero na mesma hora. E se o visse? O que eu faço?
- Você precisa de ajuda, ? - chegou atrás de mim e eu fechei as portas do guarda-roupa na mesma hora.
- Não! - Eu forcei o meu melhor sorriso. Essa camiseta tinha mesmo que estar no quarto que o meu irmão ia dormir? Se ele visse, me faria milhões de perguntas que eu não saberia como responder.
- Eu só… não sei se os lençóis estão aqui. - Eu comecei a gaguejar. e ainda conversavam na porta do quarto.
- Vamos ver. - disse o óbvio e esperou que eu saísse da frente das portas do guarda-roupa.
- Certo. - Eu sorri, sem jeito. Virei de frente pro guarda-roupa e o abri, sem saber o que fazer. - Bem, deixe me ver. - Na hora que terminei de abrir as portas, comecei a mexer nos lençóis e consegui enfiar a camiseta do no final da pilha de lençóis. - Aqui. - Eu retirei alguns lençóis do guarda-roupa e voltei a fechá-lo.
- Obrigada. - sorriu. Parecia que ela não tinha percebido nada.
- Imagina. - Eu me aproximei e a abracei forte. - Boa noite, . - Eu disse antes de me afastar. - . - Eu me aproximei da porta e ele parou a conversa e me olhou. Aliás, os dois me olharam. - Eu já separei os lençóis. - Eu disse e ele afirmou com a cabeça. - Ok, obrigado. - Ele esticou os braços e me puxou para mais perto, me abraçando em seguida. - Estou feliz em te ver. - disse e meio ao abraço.
- Eu também estou feliz que você esteja aqui. - Sua frase conseguiu me arrancar um sincero sorriso no meio de toda aquela confusão em que eu me encontrava. - Amo você. - Eu disse antes de terminar o abraço.
- Eu amo você também. - segurou o meu rosto e beijou carinhosamente a minha testa. - Boa noite. - Ele voltou a sorrir pra mim.
- Boa noite. - Eu estava morrendo de saudade daquele seu olhar carinhoso e ao mesmo tempo tão protetor. Nem olhei para a cara do e já fui direto em direção a escada, pois sabia que ele ficaria mais algum tempo conversando com o meu irmão. Ao chegar no andar debaixo da casa, encontrei o Mark encostado na parede próxima a porta. Ele estava me esperando como eu havia pedido. Ao me ver, ele desencostou da parede e deu dois passos pra frente. Antes de dizer qualquer coisa, nossos olhares pareciam ter uma intensa conversa.
- Hey. - Mark estava sério.
- Qual o problema desse idiota? - Eu disse em um tom baixo.
- Eu não sei o que ele está querendo. - Mark ergueu os ombros.
- Ele fica bancando o herói e agora fica agindo como se nada tivesse acontecido! - Eu estava furiosa.
- Eu sei… - Mark concordou, incrédulo.
- E agora, você vai ter que aturá-lo na sua casa. - Eu neguei com a cabeça.
- Está tudo bem. É só por uma noite. - Mark não queria que eu me preocupasse com isso.
- Desculpa por tudo isso. Eu sei que fez isso por mim e… - Eu ia dizendo, mas ele me interrompeu.
- Não se desculpe por ele. Não precisa fazer isso. - Mark pediu. - Além disso, ele é da família agora, certo? Eu é que sou obrigado a lidar com ele agora, não você. - Ele fez careta, me arrancando um sorriso.
- O que eu faria sem você? - Eu sorri fraco e o olhei. Mark também passou a me olhar e ficamos ali trocando olhares por algum tempo.

Mark me olhava e só conseguia pensar no quanto estava apaixonado por mim e no quanto queria me tirar do meio de toda essa confusão de família em que eu acabei me metendo. O jeito que eu olhava em seus olhos e o meu sorriso sem jeito fazia com que ele tivesse certeza do que sentia e do que precisava fazer. Apesar de tudo, os problemas haviam nos aproximados de uma maneira tão inocente e única, que era impossível evitar que todos aqueles sentimentos, que ele tentou afastar por tanto tempo, viessem a tona.

- O que foi? - Eu perguntei ao rir sem emitir qualquer som. Ele sorriu, negou com a cabeça e abaixou a cabeça. - Me fala. - Eu pedi ao me aproximar e levantar o seu rosto. Ele ainda ficou me olhando por algum tempo antes de dizer qualquer coisa.
- Olha, eu sei que tem muita coisa acontecendo na sua vida agora e eu também sei que provavelmente não aconteceria nada naquele encontro que tínhamos hoje. - Mark começou a dizer e, apesar de não estar entendendo, eu dava a ele toda a minha atenção. - Eu juro que eu não pretendia fazer isso hoje. Eu não quero ser precipitado, nem nada, mas… - Nós ainda estávamos próximos e eu começava a deduzir o que é que ele estava querendo dizer. - Eu preciso muito fazer isso agora. - Assim que completou a frase e antes de qualquer manifestação minha, suas mãos foram até o meu rosto e os seus lábios vieram de encontro ao meu. Eu confesso que fiquei alguns segundos em choque, eu mal conseguia me mover.

A princípio, eu não correspondi o beijo, que estava mais para um longo selinho. Quando eu me dei conta do que estava acontecendo, correspondi ao forçar um pouco mais os meus lábios contra os dele. Mark finalizou o ‘beijo’, mas não se afastou muito. Abrimos os olhos na mesma hora e nos olhamos de bem perto. Eu não conseguia dizer nada. - Boa noite. - Mark ainda mantinha as mãos enroscadas em meu cabelo e antes de se afastar, acariciou o meu rosto. Eu estava completamente surpresa e simplesmente não conseguia deixar de olhar aqueles belos olhos verdes. Quando ele saiu da minha frente e saiu pela porta, parecia que eu tinha acordado de um transe. Fiquei mais algum tempo olhando para a porta, quando ouvi passos na escada. Eu sabia que tinha que me recompor. Me virei para ver quem era e adivinha? Sim, o . São muitos Jonas e não está dando pra acompanhar. Vamos devagar!

- Onde ele está? - olhou em volta, estranhando não ver o irmão por ali. - Ele… - Eu ainda estava um pouco atordoada sim. - Ele foi pra casa, eu acho. - Eu completei, tentando me recompor, pois sabia que o me conhecia bem e, por isso, acabaria descobrindo o que tinha acontecido.
- Sei. - me olhou com desconfiança como se estivesse estranhando o meu comportamento. - Ok. - Ele achou que não tinha mais nada pra dizer e foi vindo na minha direção, na verdade, na direção da porta. Ele passou por mim e eu soube que não poderia deixar aquela oportunidade passar.
- Espere. - Eu pedi antes de conseguir coragem para me virar de frente pra ele. Quando eu virei, ele me olhava, esperando para saber o que eu queria. não tinha muito expectativa sobre aquilo. - O que você está fazendo, ? - Eu perguntei ao erguer os ombros.
- O que… - fingiu que não tinha entendido sobre o que se tratava.
- Tudo isso. - Eu abri os braços. - Essa surpresa e… toda essa pose de herói. - Eu não sabia onde ele estava querendo chegar. - O que você está fazendo? - Eu voltei a perguntar.
- Você está falando sobre eu trazer todos os seus amigos pra cá no momento em que você mais precisava? - foi irônico, mas não com a arrogância de sempre.
- Nós dois sabemos que você não fez isso por mim. - Eu já fui logo acabando com a graça dele.
- É mesmo? E você pode me dizer por quem eu fiz isso? - cruzou os braços, fingindo estar curioso.
- Pela pessoa que você mais ama no mundo: você! - Eu não me intimidei com toda a sua marra.
- Eu? - sorriu em tom de deboche.
- Você sabia que eu e o Mark íamos sair, não sabia? Você sabia que se todos os meus amigos aparacessem aqui, você nos impediria de sair. - Eu disse com certeza e ele voltou a ficar mais sério.
- E por que eu faria isso, ? Eu não tenho motivos pra fazer isso. Ou… tenho? - O tom dele parecia me acusar de alguma coisa.
- Bem, considerando que não temos nenhum tipo de relacionamento e que eu não te devo satisfação nenhuma da minha vida, não! Você não tem motivo algum pra fazer isso. - Eu deixei claro que não deixaria ele me acusar de um crime que eu não tinha cometido.
- Aí está! O ódio que você disse que não estava sentindo de mim. - negou com a cabeça.
- O que você esperava? Você faz tudo errado! - Eu estava com vontade de gritar aquelas palavras, mas eu não podia, já que todos estavam no andar de cima. - Você não podia simplesmente se afastar como eu pedi? Você tinha mesmo que aparecer pra fazer alguma estupidez e me fazer te odiar de novo? - Eu já não estava tão paciente quanto antes.
- Droga, ! Você ainda não entendeu? Eu gosto de você! Merda, eu amo você! Eu não me importo mais se você acredita nisso ou não. Eu não me afastei de você por que eu não quis, foi por que eu não consegui. - parecia muito irritado. - Você pode me culpar por tudo, mas você não pode me culpar por isso. - Ele completou.
- Não vem com essa pra cima de mim, ok? - Eu rolei os olhos. - Eu sei que você fez isso pra me afastar do Mark. Eu sei que você é orgulhoso demais pra aceitar que você perdeu uma guerra que jamais existiu. - Eu continuei sendo dura.
- Eu perdi? - arqueou ambas as sobrancelhas. - E isso quer dizer o que? Que o Mark ganhou? Isso quer dizer que você está saindo com o meu irmão agora? - Ele queria demonstrar raiva, mas ele não conseguia.
- Isso não tem nada a ver com o Mark! É você! É sempre você! Você não acreditou em mim! Você é inseguro! Você quase foi o responsável pela maior perda da minha vida. Você, ! - Eu estava aproveitando para desabafar.
- Minha culpa. Meus erros. Meu pai. Meu irmão. - pareceu lamentar ao mencionar Mark. - Você quer me tirar da sua vida, mas, de alguma forma, você sempre continua me mantendo nela. - Ele ficou sério.
- Não. Você não pode estar falando sério. - Eu o olhei, incrédula. - Então, você está dizendo que eu me aproximei do Mark por causa de você. - Eu não conseguia acreditar em tamanho absurdo.
- Eu estou dizendo que você está tentando me punir por tudo o que eu fiz. - Quando eu ouvi ele dizer aquilo, a minha vontade foi de dar um outro tapa em seu rosto.
- Quer saber? Chega. Chega disso. Depois de tudo, eu não tenho que ficar ouvindo esse tipo de coisa de você, ok? - Eu estava decidida a acabar com a conversa antes que a coisa piorasse. Eu cheguei a virar de costas pra ele e a dar poucos passos na direção da escada.
- Eu achei que você ao menos teria a coragem de olhar nos meus olhos e dizer a verdade, mas eu parece que eu me enganei. - falou, enquanto eu me afastava. Ele me viu parar, quando terminou a sua frase. Quando eu o ouvi falando sobre a minha coragem, eu senti o meu sangue subir subitamente. Se fosse em qualquer outra situação, eu já ia sair gritando várias verdades na cara dele até colocá-lo no chão. Eu não podia, então eu simplesmente fechei os meus olhos ao respirar fundo. Eu apenas voltei a me virar na direção dele e não me aproximei para evitar os bons tapas que eu queria tanto dar nele.
- Não há verdade alguma para ser dita! Não há nada que eu queria te dizer. - Eu tentei parecer calma, mas me conhecia bem demais para não reconhecer toda aquela raiva nos meus olhos.
- Eu vi o jeito que ele te olhou hoje. Eu vi o jeito que você o olhou. - deu alguns passos na minha direção e parou bem na minha frente. Os olhos dele continuavam me julgando. - Eu te conheço a minha vida toda. Acha mesmo que eu não sei quando você está a fim de um cara? Eu vi isso acontecer diversas vezes e a última delas foi comigo. Parece que a fila andou, não é mesmo? - Ele completou mostrando-se indignado. Parecia até que eu tinha cometido um crime.
- A fila andou? Se você me conhece tão bem, você deveria saber que eu odeio ser tratada como essas garotas que você costuma conhecer por ai. - Eu estava furiosa e o meu receio em me aproximar dele já não existia mais. Eu me aproximei ainda mais e o encarei com cara de poucos amigos. A ponta dos nossos narizes quase se tocaram. - Eu não sei se você percebeu, mas eu não sou como uma das suas ex-namoradas. - Eu disse ao fuzilá-lo com os olhos.
- Você está certa. - forçou um sorriso ao olhar discretamente para os meus lábios. - Nenhuma delas teria a coragem de sair com o meu irmão. - Na hora em que ele disse aquilo, eu levei a minhas mãos até o seu peito e o empurrei com toda a minha força que, para ele, não era quase nada. Ele quase nem saiu do lugar.
- Vai se ferrar! - Eu esbravejei e na mesma hora ele segurou o meu braço com uma das mãos e voltou a me puxar pra perto. Ele me encarou por algum tempo, enquanto eu tentava me soltar. - Me solta. - Eu tentava me desvincilhar de sua mão.
- A verdade dói, não é, ? - não tirava os olhos de mim.
- Deixe-me adivinhar: doeu mais em você do que em mim. - Eu disse em tom de deboche e ele me olhou com desaprovação.
- Olha, nós já jogamos muito baixo um com o outro durante todos esses anos, mas dessa vez eu tenho que reconhecer que você se superou. - fingiu estar impressionado, enquanto encarava o meu rosto.
- Você está brincando, não é? - Eu neguei com a cabeça, indignada. - Depois de tudo o que você fez, você tem coragem de me chamar de baixa por algo que eu nem sequer fiz? - Aquilo era revoltante pra mim.
- Não fez? - arqueou uma das sobrancelhas e deixou um sorriso escapar. - Então, você e ele ainda não… - Foi impossível não notar a felicidade dele ao dizer aquilo.
- Pode ir tirando esse sorriso do seu rosto, . - Eu ironizei, sem ter coragem para olhar para os lábios dele. - Isso não dá qualquer tipo de vantagem pra você. - Eu completei.
- Eu não preciso de vantagem e você sabe disso. - Tinha horas que eu não sabia se estava falando com o ou com o ego do . Isso era insuportável.
- Com vantagem ou desvantagem, não importa. Nós já conversamos sobre isso e eu não vou voltar atrás. - Eu mantive a minha palavra sem pensar duas vezes.
- Quando nós conversamos, você me disse que ainda me amava. Isso é mais do que um bom motivo para não desistir. - A marra dele já não era tanta e ele parecia falar sério.
- Eu também disse que estava decepcionada e que era pra você se afastar, lembra? - O tom da conversa me fez tentar me desvincilhar novamente da mão dele, que ainda segurava o meu braço. - Aliás, eu vou pedir mais uma vez: afaste-se de mim. Não piore o que já está ruim. - Eu pedi de forma mais calma, pois queria que ele percebesse que eu não estava falando só da boca pra fora. Ele ficou me olhando por algum tempo como se estivesse pensando sobre o que eu tinha acabado de dizer. - Dá pra você me soltar, agora? - Eu falei mais séria, puxando novamente o meu braço.
- Eu posso fazer só mais uma pergunta? - pediu e eu rolei os olhos antes de afirmar com a cabeça. - A sua insistência para que eu me afaste é por que você não quer que eu atrapalhe o seu lance com o Mark ou por que tem medo de ficar perto de mim e não resistir? - Ele deixou um sorriso malandro escapar ao final da sua frase. Eu realmente achava que ele faria uma pergunta séria. Na mesma hora, eu o empurrei novamente com toda a minha força e toda a minha raiva e acabei conseguindo me desvincilhar de sua mão.
- Eu tinha até me esquecido do quão babaca você é! - Eu cuspi as palavras em sua direção e ele continuava rindo da minha cara.
- Se você tem tanta certeza do que você quer, não tem por que temer! - ergueu os ombros, parecendo completamente tranquilo com relação ao que eu realmente queria.
- Eu juro que eu tentei entender como é que um cara como o Mark pode ser irmão de um idiota como você, mas eu definitivamente não consigo. - Eu diria qualquer coisa para ofendê-lo naquele momento. Eu estava maluca de raiva.
- Ele pode até ser um Jonas também e ele pode ser bom pra você, mas ele jamais será eu. - Ele falou mais sério.
- Eu sei disso e se você quer mesmo saber, essa é uma das melhores características dele. - Eu disse em meio a um sorriso vitorioso.
- É isso mesmo que você pensa quando olha pra ele? Você pensa que ele não sou eu? - riu sem emitir som. - Bem, deve ser uma droga pra você olhar para um cara e pensar que eu sou uma das suas referências para o seu homem ideal, certo? - Ele negou com a cabeça, me deixando ainda mais puta da vida.
- Sério? É isso mesmo o que você quer? Fazer com que eu te odeie? - A minha pergunta parecia mais como um aviso.
- O que você vai fazer a respeito? Cantar uma música pra mim? - forçou um sorriso cínico, enquanto me olhava.
- E você? Vai fazer sexo com a primeira vadia que encontrar na rua? - Eu tinha que mencionar o acontecimento com a Amber, desculpa!
- Talvez, eu faça!Você sabe, eu estou solteiro no momento. - ergueu os ombros, achando que aquilo me afetaria de alguma forma.
- É mesmo? Bem, então você deveria ir naquele puteiro que tem há algumas quadras daqui. Ouvi dizer que as garotas de lá preferem os caras que são mais rápidos pra dar tempo de atender todos os clientes. Elas vão gostar de você. - Eu só queria responder as provocações dele a altura, sabe? Eu precisava daquilo. Era mais forte que eu e também… era bem divertido.
- Espera um pouco ai! - Eu acertei em cheio o ego enorme dele. Eu acho que nada nunca me fez tão feliz na vida. - O que é que você está dizendo? - Ele cerrou os olhos em minha direção.
- Eu disse isso mesmo em voz alta? Ops. - Eu fiz careta, tentando segurar a vontade louca que eu estava de rir.
- Eu não me lembro de ouvir você reclamar nas 15 vezes que nós fizemos sexo! - terminou a frase sussurrando, mas deu ênfase no número.
- 15 vezes? Qual é! Se juntarmos todas não dá nem 5 vezes. - Eu fiz careta.
- Para com isso agora! - voltou a cerrar os olhos em minha direção. - Sério? - Ele abriu os braços. Agora sim ele estava ofendido. - Quando foi que os seus argumentos ficaram tão patéticos? Você era muito melhor nisso, sabia? - Ele estava preparando o troco. - Talvez, se eu te der um papel e uma caneta você consiga fazer melhor. - debochou da carta de término que eu enviei há alguns meses.
- Quer fazer isso mesmo? Quer mesmo começar com essa guerra? - Eu cerrei os olhos em sua direção, tentando ameaçá-lo de qualquer forma.
- E quando foi que você me viu fugir de uma briga? - aproximou-se, colocando o seu rosto bem em frente ao meu. Ele estava tentando me intimidar.
- Vamos ver quem se machuca primeiro: eu ou você. - Eu disse no mesmo tom que ele e mantive a distância entre nós.
- Sabe qual é a melhor parte disso? - perguntou, enquanto eu continuava encarando ele de perto. O meu silêncio permitiu que ele continuasse a frase. - Da última vez eu só precisei fazer sexo pra conseguir isso. - Ele riu debochadamente ao referir-se a sua primeira vez com a Amber, que realmente me devastou na época. Toda a minha pose de malvada foi trocada pelo meu olhar de desaprovação. - Oh, me desculpe. Machuquei você? - colocou uma das mãos no coração, fingindo estar sensibilizado.
- Já acabou? - Eu cruzei os braços, sem paciência para mais um segundo daquilo. - Ótimo! Então, você pode pegar o seu ego e dar o fora da minha casa. - Eu comecei a frase com um falso sorriso e terminei séria.
- Ok. - achou graça do quanto eu fiquei irritada com o que ele havia dito e, para ele, era um ótimo sinal. - Não vai chorar agora, vai? - Ele olhou nos meus olhos, fingindo ter visto alguma lágrima lá.
- Vai embora! - Eu fiquei ainda mais brava e impaciente.
- Eu vou pegar mais leve, ok? Não vai ter a menor graça se eu ganhar tão rápido. - não cansava de me irritar, por isso, eu tive que expulsá-lo da casa.
- VAI... - Eu fui até ele e comecei a empurrá-lo em direção a porta. Abri a porta e o coloquei para o lado de fora. Antes que ele dissesse qualquer coisa, bati a porta na cara dele. Ao me virar de costas para a porta, fiz careta e gesticulei com as mãos.



Apesar da briga que tivemos e das inúmeras brigas que ainda teríamos, estava feliz com a nossa situação. Além de adorar me irritar, ele poderia ficar perto de mim. Melhor do que nada? Na verdade, é melhor do que muita coisa. me conhece muito bem e sabe exatamente onde todas essas brigas acabaram nos levando. Ele estava mais confortável do que nunca com o que ele faria.

ainda ria do que tinha acabado de acontecer, enquanto andava em direção ao seu carro. Ele pegou a sua pequena mala e foi para a casa do irmão, que ficava logo ao lado. Ele foi até a porta e tocou a campainha duas vezes seguidas. Aguardou mais algum tempo antes de tocá-la pela terceira vez. Foi quando a porta foi aberta por Mark, que demonstrou total desânimo ao vê-lo.

- O que está fazendo aqui? - Mark arqueou uma das sobrancelhas.
- Como assim? Eu vou dormir aqui, lembra? - rolou os olhos.
- Vai? - Mark tentou resistir.
- Você mesmo me convidou. Qual o seu problema? - fez careta e já foi logo entrando na casa.
- Eu achei que você não ia ter coragem de aparecer. - Mark suspirou ao fechar a porta.
- Agora você sabe que nunca pode duvidar da minha coragem. - disse antes de se jogar no sofá.
- O que você está fazendo, hein? Trazer os amigos dela pra cá e… todo aquele teatro. - Mark fez careta.
- Estraguei a sua noite, não é? Eu nunca vou me perdoar por isso. - fingiu um drama e viu o irmão rolar os olhos.
- Babaca. - Mark resmungou.
- Idiota. - devolveu sem pensar duas vezes.
- Então, qual é o seu plano? Bancar o bonzinho e ficar com a garota? - Mark mostrou-se interessado.
- Olha, no momento o meu único plano é dormir. - obviamente fugiu da pergunta. - Cade a minha cama? - Ele olhou atentamente para o Mark.
- Você já está nela. - Mark sorriu ao responder.
- O que? - olhou para o sofá em que estava sentado. - Você está brincando, não é? - Ele fez careta.
- Eu até poderia te emprestar a minha cama, mas… eu não quero. Então… - Mark foi extremamente cínico, o que deixou meio irritado.
- Que amor. - ironizou, levantando do sofá. - Ok, então você pode pegar alguns lençóis, travesseiro e, talvez, um cobertor? - Ele forçou um sorriso.
- Claro! Quer que eu escove os seus dentes depois? - Mark ironizou, fazendo olhá-lo com cara de tédio. - Você não é um hóspede desejado, então… por que não se vira? - Ele sorriu. - Segue pelo corredor e entre na terceira porta a direita. Você vai encontrar tudo lá, eu… acho. - Ele piscou um dos olhos.
- Sabe, você é tão estúpido e idiota, que acho que vou te chamar de Markey a partir de agora. - disse e forçou um sorriso antes de se afastar para buscar as coisas para dormir. Ele fazia referência a palavra ‘Donkey’, que tem como uma de suas traduções um insulto.
- Me chamar de que? - Mark achou que tinha entendido mal. já estava tão longe e, por isso, não respondeu. - Folgado. - Ele rolou os olhos. Mark ficou na sala, esperando o irmão voltar e estranhou quando ele demorou mais do que deveria. Foi atrás dele silenciosamente para descobrir o que ele estava fazendo. Chegou no quarto em que havia indicado para ele e não o encontrou. - É claro que ele não está aqui. - Mark sussurrou, saindo do cômodo em que estava e indo direto para o seu quarto. Ele tinha certeza que o estava lá. Ele estava certo. - Hey! - Mark chamou a atenção do irmão, que estava de costas e observava silenciosamente o quarto. - O que está fazendo aqui? - Ele perguntou.
- Eu precisava tirar uma dúvida. Isso estava me matando. - virou-se para o irmão.
- Dúvida? Que dúvida? - Mark perguntou inocentemente.
- Eu imaginei que seu quarto fosse rosa e cheio de ursos de pelúcias. - falou sério, se segurando para não rir.
- Dá o fora. - Mark o olhou com cara de poucos amigos. - Agora! - Ele completou.
- Todos esses livros… - olhou para uma das prateleiras. - Eu achei que pra ser do FBI você tinha só que, você sabe… saber atirar. - Ele ergueu os ombros.
- É claro! - Mark ironizou. - E o que me diferenciaria de idiotas como você, que sai por ai apontando a arma para os outros, achando que sabe atirar? - Ele cruzou os braços.
- Do que você está falando? É muito fácil diferenciar você de mim. Eu sou o charmoso, você é só… você. - respondeu como se fosse óbvio.
- Ok. Dá o fora. - Mark perdeu a paciência.
- Espera, eu só quero ver os seus… - foi se aproximando de uma estante, onde ficava os CD’s do Mark.
- AGORA. - Mark gritou furioso em sua direção. O grito fez o parar de andar na mesma hora.
- Quer saber? Agora sim eu vi o agente do FBI em você. Muito bom, cara. - forçou um sorriso, mas Mark continuou com a mesma cara.
- Se você não sair agora do meu quarto, eu juro que eu vou… - Mark começou a ameaçar, mas o irmão não deixou que ele terminasse.
- Ei! Ok! Ok! Eu estou saindo, James Bond. - ergueu as mãos como se estivesse se rendendo.

saiu do quarto do irmão sem dizer mais nenhuma outra palavra. Passou pelo quarto onde o Mark tinha tido que tinha os lençóis e as outras roupas de cama, pegou as coisas e levou todas para a sala. Arrumou o sofá antes de ir ao banheiro para escovar os dentes e trocar de roupa. Ao voltar, apagou as luzes e deitou-se. O sofá não era o melhor de todos, mas servia. O amor também tem a ver com sacrifícios, certo? Se era isso o que ele tinha que fazer para ficar perto de mim, então que se dane o sofá!

Mark acordou naquela manhã sem muito ânimo para sair da cama e dar de cara com o na sala de sua casa, mas ele precisava levantar para se arrumar, pois já tinha combinado de ir até a minha casa. Era um pouco mais que 11 horas da manhã, quando ele foi ao banheiro para fazer a sua higiene matinal. Mark precisava trocar de roupa, mas preferiu comer alguma coisa antes. Passou pelo corredor e chegou na sala de estar com cara de poucos amigos. Ele nem sequer olhou para o sofá, mas percebeu a movimentação de ao ouvi-lo passar por ali. sentou-se na mesma hora para olhá-lo, ele estava acordado há algum tempo.

- Bom dia, Shrek. - fez careta ao ver a expressão séria no rosto do irmão. Mark o ignorou completamente. Foi até a cozinha e pegou a primeira fruta que encontrou pela frente. Depois de lavá-la, saiu da cozinha e foi em direção a sala. Parou próximo ao sofá e olhou para o irmão, que também olhava pra ele. - O seu mal humor matinal? Você definitivamente herdou isso dos Jonas. - Ele forçou um sorriso.
- O meu mal humor não tem a ver com o meu sangue. Tem a ver com um idiota dormindo no meu sofá. - Mark devolveu o mesmo sorriso.
- Imagina o seu mal humor se tivesse que dormir nessa porcaria de sofá? - reclamou.
- Está reclamando do meu sofá? - Mark perguntou, incrédulo.
- Você prefere que eu faça uma reclamação por escrito? - perguntou, irritando ainda mais o irmão. - Aqui tem um papel e uma caneta. - Ele esticou-se para pegar os objetos sobre uma pequena mesa que ficava ao lado do sofá. - ‘Querido irmão Markey...’ - começou a escrever no papel, enquanto falava em voz alta.
- Para de palhaçada. - Mark tirou bruscamente o papel das mãos de , que riu de sua reação.
- Relaxa, Markey. Eu só estou tirando com a sua cara. - disse ainda em meio a risos.
- Se não parar com esse negócio de ‘Markey’, você vai pro jogo do Yankees com os dois olhos roxos. - Mark ameaçou, mas não intimidou nem um pouco o irmão.
- Desculpe, Markey. - sorriu e voltou a se deitar no sofá. Mark apenas observou a cena e respirou fundo. Saiu da sala de estar antes que cometesse uma loucura e voltou para o seu quarto, enquanto acabava de comer a sua fruta. Mark começou a se arrumar em seu quarto, enquanto o fazia o mesmo na sala de estar da casa.

Todos já haviam acordado na minha casa. As meninas enrolavam na cama, enquanto os garotos assistiam juntos ao canal de esportes na sala. Eles queriam saber de tudo sobre o jogo do Yankees daquele dia. Era um dia importante pra eles. A campainha tocou e eles começaram a discutir sobre quem deveria abrir a porta, pois ninguém queria se afastar da TV. Inacreditável o nível do vício desses caras.

- Ah, é só o e o Mark. - mal os olhou e já voltou para a frente da TV.
- Valeu! - ironizou o descaso do amigo.
- E então, ele vai jogar? - perguntou sobre o melhor jogador do Yankees.
- Acabaram de anunciar! - comemorou o anúncio na TV.
- Mentira! - interessou-se pelo assunto. Ele abriu um enorme sorriso e fez até uma comemoração com as mãos.
- Você me deve 10 dólares, . - se gabou.
- Ele estava machucado, não estava? - Mark perguntou, surpreso.
- Exatamente! Foi um milagre! - explicou o motivo de sua aposta com o .
- Esse jogo vai ser sensacional! - vibrou e os amigos o acompanharam.
- Ei, as garotas saíram? - Mark perguntou na primeira oportunidade que teve.
- Não. Ainda estão dormindo. - explicou.
- Eu… posso subir? - A pergunta foi mais direcionada ao , que poderia não gostar da ideia.
- Depende. Você pretende tirar a virgindade da minha irmã? - perguntou, sério. Todos olharam pra ele, enquanto o Mark não sabia o que fazer. - Eu só estou brincando! - Ele gargalhou. - Pode subir. - Meu irmão completou, trazendo um sorriso de alívio para o rosto de Mark.
- Eu sabia! - Mark gargalhou. - Eu vou subir… - Ele apontou para a escada. Chegou a virar de costas, mas meu irmão voltou a chamar a sua atenção.
- Hey! - gritou e Mark virou-se para olhá-lo. - Não tente nada. Eu estou de olho em você! - Ele falou sério.
- Eu entendi. - Mark riu novamente, achando que era outra brincadeira.
- Não, eu estou falando sério agora. - continuou sério.
- Oh… - Mark tirou o sorriso do rosto na mesma hora. - É claro. - Ele afirmou com a cabeça e voltou a ir em direção a escada.
- Está brincando, não é? - riu da atitude de . - É mais fácil a tirar a virgindade dele do que ao contrário. - Ele riu, mas os garotos não o acompanharam.
- O que você está insinuando? Como você sabe? - o encarou com os olhos cerrados.
- Foi… só uma piada. - Por alguns segundos, achou que iria morrer.
- Viu só a cara dele? - começou a rir e e fizeram o mesmo.
- Achei que ele fosse chorar. - ainda ria.
- Ele jamais tentaria nada com a minha irmã. Você tem noção do perigo, não é, ? - sorriu amigavelmente para , que apenas tentou dar o seu melhor sorriso.
- Totalmente. - engoliu seco. rapidamente notou a situação e esforçou-se para ajudar o amigo.
- Olha, vai começar outro noticiário de esportes. - mudou de assunto, pegou o controle e aumentou o volume.

Eu ainda estava em minha cama repensando em todos os motivos que eu tinha para sair da cama, quando alguém bateu na porta. Eu gritei que podiam entrar e logo quem me aparece? Minha salvação! Um sorriso espontâneo tomou conta do meu rosto antes que eu dissesse qualquer coisa. O sorriso dele foi mais discreto, enquanto ele caminhava em direção a minha cama. Mark se sentou na beirada da minha cama e eu me sentei para poder falar direito com ele.

- Ei, olha esse sorriso. - Mark olhou para os meus lábios. - Bom dia pra você. - Ele se aproximou e beijou carinhosamente uma das minhas bochechas.
- Bom dia. - Eu disse visivelmente boba com o gesto dele.
- Eu nunca conheci ninguém que fica tão linda quando acorda quanto você. - Mark me olhou com carinho.
- Jura? - Eu fiquei visivelmente sem jeito. - Mesmo com esse cabelo bagunçado e com essa cara de inchada? - Eu apontei uma das mãos para o meu rosto.
- Especialmente por isso. - Mark levou uma das mãos até o meu rosto e apertou a ponta do meu nariz, me fazendo rir.



- Eu estou completamente envergonhada agora e, por isso, vou mudar rapidamente de assunto, ok? - Eu levei as mãos até a minha bochecha para que ele não visse que elas estavam rosadas.
- Ok. - Mark disse em meio a risos.
- E então, como foi essa noite? - Eu me referia ao fato de ter dormido na casa dele.
- Ele dormiu no meu sofá e nós brigamos 90% do tempo. Os outros 10% foi o tempo que eu dormi. Foi maravilhoso. - Mark fez careta.
- Oh… - Eu levei minhas mãos até o meu rosto, enquanto negava com a cabeça. - Eu sinto muito por isso. É tudo culpa minha. Eu… - Eu me sentia culpada, pois eu sabia que o Mark tinha oferecido a sua casa para o irmão para me poupar.
- Você não tem nada do que se desculpar. Eu já disse. - Mark retirou as minhas mãos do meu rosto e as abaixou, enquanto as segurava. - Meu irmão. Minha obrigação. Lembra? - Ele rolou os olhos ao usar a palavra ‘irmão’.
- As vezes é difícil de acreditar. - Eu fiz careta.
- Nem me fale. - Mark concordou com um certo humor. - E como foi a sua noite? Conseguiu um quarto para cada casal? - Ele fez uma cara engraçada ao mencionar os casais.
- Demorei um pouco pra conseguir dormir, pois estava tentando adivinhar de qual dos casais vinham os ruídos. - Eu contei e ele começou a rir. - Estou falando sério! Eu quase sai do quarto para tirar de vez aquela dúvida da minha cabeça. - Eu continuei contando e ele ainda ria.
- Eu aposto a minha vida que os ruídos vinham do quarto do seu irmão. - Mark disse.
- Eu também acho, mas eu prefiro pensar que foi um dos outros casais para preservar a minha saúde mental, sabe? - Eu fiz careta e ele riu.
- Eu entendo. - Mark afirmou com a cabeça.
- Tirando tudo isso, foi tudo bem. - Eu disse ao sorrir fraco.
- E por que parece que há algo por trás desse ‘tudo bem’? - Mark me olhou com desconfiança.
- Não é nada demais. É que… essa coisa de ficar mentindo e escondendo as coisas dos meus amigos é horrível. - Eu deixei de olhá-lo para encarar as nossas mãos, que continuavam coladas.
- Você não está fazendo isso por mal. Você só esta querendo preservar eles e o seu irmão. Isso não é errado. - Mark segurou as minhas mãos com mais força, me fazendo olhar pra ele.
- Eu sei, mas eu me sinto péssima da mesma forma. Eu me sinto horrível. - Eu neguei com a cabeça. - Eu tento me colocar no lugar deles e tento imaginar qual seria a minha reação se descobrisse que estava sendo enganada, se descobrisse que estão mentindo ou escondendo alguma coisa de mim e isso me assusta muito, por que eu sinceramente não sei se conseguiria aceitar isso num boa, sabe? - As minhas palavras de desabafo serviam certinho para Mark, que também escondia um grande segredo de mim. - Esse é o tipo de coisa que eu abomino, sabe? E agora eu estou fazendo isso com eles… - Eu não sabia o que fazer.
- Olha, você é uma amiga incrível e uma irmã maravilhosa. Nada no mundo pode mudar isso. Nem mesmo isso. - Mark queria muito fazer com que eu me sentisse melhor. Ele se sentia muito mal por me ver daquele jeito. - Você está fazendo isso por eles. É admirável ver o quanto você está passando por tudo isso sozinha apenas para preservá-los. É admirável o quão corajosa e forte você está sendo por passar por tudo isso sem o apoio de todos eles. - Ele levou uma das mãos até o meu rosto e afastou uma mecha de cabelo. - Eles não sabem o que você está fazendo por todos eles, mas eu sei e posso te garantir que você é a melhor pessoa desse mundo. - Mark completou com um fraco sorriso. Suas palavras levaram algumas poucas lágrimas até os meus olhos.
- Obrigada por dizer isso. - Um sorriso surgiu no canto do meu rosto. Ele era a melhor pessoa em todo o mundo. As palavras dele trouxeram um certo alívio para o meu coração e eu o abracei sem pensar duas vezes. Os braços dele me acolheram e me apertaram forte. Eu me senti protegida e por alguns segundos, eu me senti digna de todas as palavras que ele tinha me dito e de todo aquele carinho que ele conseguia demonstrar com um simples abraço. O abraço só serviu para deixá-lo ainda pior por estar mentindo pra mim sobre o seu verdadeiro trabalho. O abraço só serviu para triplicar o seu medo de perder aquilo que nós tínhamos quando eu descobrisse toda a verdade, que ele escondeu todo esse tempo. - Você faz com que eu me sinta tão bem, sabia? - Eu terminei o abraço para poder olhar em seus olhos. - Eu olho nos seus olhos e tenho toda a certeza do mundo de que eu posso confiar em você. - Eu voltei a levar minhas mãos ao encontro das dele.
- É claro que você pode. - Mark afirmou, acariciando as minhas mãos.
- Ei! - entrou repentinamente no quarto e nós afastamos nossas mãos. - Desculpa atrapalhar. - Ele riu quando viu que nos afastamos rapidamente.
- Oi, lindo. - Eu não conseguia conter a minha felicidade ao ver que o meu melhor amigo estava finalmente tão perto de mim. O meu cumprimento carinhoso demonstrou a ele que eu não tinha ficado brava com a interrupção e, com isso, ele se aproximou.
- Oi, linda! - beijou o meu rosto e eu passei o meu braço em volta dele e fiquei agarrada a ele por algum tempo. - Você está bem? - Ele ainda estava em cima de mim, quando percebeu que tinha alguma coisa errada comigo.
- Tudo bem! - Eu afirmei na mesma hora com empolgação para tentar enganá-lo. - Animado para o jogo de hoje? - Eu mudei de assunto.
- Muito! - afirmou com um enorme sorriso. - Aliás, você devia se arrumar para podermos resolver com o pessoal o que vamos comer. Seja o que for, tem que ser logo para não nos atrasarmos para o jogo. - Ele lembrou do recado que tinha vindo trazer.
- Ok. Eu só vou me arrumar e já desço. - Eu jamais estragaria o jogo deles.
- Certo. - fez careta e antes de se afastar, beijou novamente o meu rosto. Levantou-se da cama e foi em direção a porta.
- Então, eu vou descer também. - Mark também se levantou da cama.
- Está bem. Eu vejo você daqui a pouco. - Eu afirmei com a cabeça. - Obrigada. - Eu disse sem emitir som, pois não queria que o escutasse.
- Sempre que precisar. - Mark sussurrou, trazendo um sorriso bobo para o meu rosto. Ele passou pela porta e depois a fechou.

Assim que o Mark saiu do quarto, eu me levantei da cama. Eu não queria atrapalhar o dia especial dos garotos. Fui até o guarda-roupa para escolher uma roupa, ficando de costas para a porta do quarto. Com isso, não consegui notar quando o adentrou silenciosamente no quarto assim que viu o Mark sair. Eu fiquei algum tempo escolhendo a roupa que usaria e ele ficou me observando com aquele sorriso safado no rosto.

- Gostei do pijama. - A voz dele me fez levar o susto do século. Eu me joguei contra o guarda-roupa ao me virar na direção dele. Ao vê-lo, eu consegui voltar a respirar normalmente. Levei as mãos até o meu rosto e o tampei, enquanto tentava me acalmar.
- Eu vou matar você. - Eu disse antes de tirar as mãos do rosto. - Está achando que é quem pra entrar assim no meu quarto? - Eu já fui pra cima dele feito uma leoa.
- Como assim? Eu achei que tinha acesso vip a esse quarto. Eu sempre tive. - ergueu os ombros, se fazendo de bobo. - Oh, espere! Ainda não são 3:35. Eu errei o horário, não é? - Ele olhou para o relógio em seu pulso.
- Errou sim. - Eu afirmei com a cabeça com um falso sorriso no rosto. - O horário certo é… - Eu olhei para o meu pulso, fingindo que tinha um relógio lá. - 1, 2, 3… 6, 7… - Eu fingi estar fazendo contas. - Nunca! - Eu completei. - Agora, sai logo daqui. Eu preciso me trocar. - Eu falei mais séria.
- Qual é! Eu já vi tudo o que tinha pra ver. Não precisa bancar a tímida agora. - piscou um dos olhos pra mim. Eu sabia que ele estava fazendo aquilo só para me irritar. Eu olhei pra ele e afirmei com a cabeça como se dissesse ‘você está ferrado!’.
- ! - Eu gritei, me aproximando da porta. O sorriso desapareceu do rosto dele na mesma hora e ele pulou na minha direção feito um gato.
- O que você está fazendo? Está maluca? - entrou na minha frente, desesperado.
- Você não quer ficar aqui? - Eu abri os braços. - Bem, vamos contar ao os seus motivos. Se ele aceitar numa boa, você pode ficar. - Eu pisquei um dos olhos pra ele.
- Você está blefando. - sorriu, me olhando com desconfiança.
- ! - Eu gritei novamente o nome do meu irmão e ele teve um chilique.
- Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! - pediu, colocando o dedo indicador em frente a sua boca. - Wow! O que é isso nos seus olhos, ? Medo? - Eu olhei nos olhos dele e ele fez careta.
- Não é medo! É só… precaução. - se defendeu.
- Quer saber qual é a melhor precaução de todas? Ficar longe do meu quarto. - Eu sorri, satisfeita.
- Você é mesmo muito mimada. Não sabe resolver as coisas sozinha. Tem que chamar o seu irmão pra resolver pra você, não é? - usou as palavras que ele achou que mais me insultariam.
- , você pode vir aqui, por favor? - Eu gritei mais uma vez. - É, eu tenho. - Eu respondi a pergunta do .
- Você… - já ia me responder, quando o meu irmão apareceu repentinamente na porta do meu quarto.
- O que foi? - perguntou, adentrando o quarto. congelou na mesma hora e eu tentei engolir o riso.
- Hey. - Eu sorri pro meu irmão. Os olhos de me imploravam para não falar nada.
- Algum… problema? - arqueou uma das sobrancelhas, depois que um estranho silêncio se estabeleceu no quarto.
- Não, é que… - Eu tentei engolir o riso, mas realmente estava difícil. - O tem uma coisa pra falar com você, não é, ? - Eu cruzei os braços, esperando para assistir aquele show de camarote.
- Falar o que? - olhou para o amigo, curioso. me fuzilou com os olhos antes de olhar para o meu irmão.
- Não é nada demais. - forçou uma risada. - É só que… - Ele não sabia como continuar.
- O que? - pressionou, quando ele demorou algum tempo pra falar.
- Eu só queria dizer que… estou feliz por ajudar a realizar o seu sonho de assistir o Yankees da primeira fileira. - terminou a frase com um enorme sorriso. ficou algum tempo olhando pra ele, sem dizer nada. Eu levei uma das mãos até a minha boca para esconder o riso.
- É só... isso? - me olhou. - Bem… obrigado? - Ele estranhou tudo aquilo.
- Ele estava com receio de te dizer isso. - Eu ergui os ombros.
- Agora, você já sabe. - ainda sorriu, nervoso.
- Viu? - Eu sorri de forma debochada. - Não doeu nada, doeu? - Eu levei um dos dedos até o queixo dele e movi o seu rosto pra cima. Ele sorriu de forma ameaçadora.
- Não, mas vai doer. - me provocou com seu sorriso.
- Vai o que? - aproximou-se.
- Vai doer muito o… meu… coração… se nós chegarmos atrasados no jogo de hoje. Temos que chegar cedo! - se enrolou todo com a sua desculpa sem noção. Ficava cada vez mais engraçado.
- Você está bem, ? - o olhou, desconfiado.
- Está! Claro que está. - riu, aflito.
- Ok, então eu acho melhor eu começar a me arrumar pra não atrasar vocês, certo? - Eu perguntei, vitoriosa.
- Eu também acho. - concordou na mesma hora. - Vamos, Jonas. - Ele chamou o amigo, enquanto aproximava-se da porta do quarto. Antes de afastar-se, me olhou e me viu acenar pra ele, enquanto eu ria sem emitir qualquer som. Ele apenas cerrou os olhos na minha direção e afastou-se, indo atrás do meu irmão.
- Otário! - Eu cai na risada sozinha no meu quarto. - Você vai se arrepender de ter começado com isso, Jonas. - Eu disse aos risos, enquanto voltava a me aproximar do meu guarda-roupa.

saiu do meu quarto e já passou nos outros quartos para acordar as garotas. Eu consegui ouvi-las gritando com ele do meu quarto. Eu realmente senti falta de toda aquela bagunça que fazíamos quando estávamos todos juntos. e voltaram para o segundo andar da casa e se juntaram novamente com os outros garotos.

Demorei algum tempo para escolher a roupa que usaria por que, apesar de estarmos no inverno, o sol sempre aparecia durante o dia. Então, eu não precisava ir tão agasalhada, mas não podia ir sem uma jaqueta. Eu certamente usaria o meu jeans escuro e as minhas botas pretas, mas eu precisava usar uma blusinha mais simples, afinal, eu estava indo para um jogo! Escolhi uma blusinha branca bem simples e só joguei a minha jaqueta de couro por cima (VEJA AQUI). Fui ao banheiro para fazer a minha higiene matinal e voltei para o meu quarto para terminar de me arrumar. Não usei maquiagem, não era necessário. Passei apenas um batom bem claro e coloquei brincos de tamanho médio. Preferi fazer um coque simples no cabelo para dar um ar mais casual ao meu visual. Passei perfume e antes de sair do quarto, peguei meus óculos escuros.

- Oi, meninas. - Eu bati na porta e entrei em um dos quartos ao ouvir e conversando.
- Oi, . - virou-se pra me olhar.
- Uau! - me olhou dos pés da cabeça.
- Como eu estou? - Eu coloquei uma das mãos na cintura e fiz pose aos risos.
- Maravilhosa como sempre! - elogiou. - Viu, ? É disso que eu estou falando! - Ela olhou para a namorada do .
- Qual o problema? - Eu me aproximei.
- A está surtando por que não trouxe nenhuma roupa boa pra ir ao jogo. Eu disse pra ela usar qualquer coisa. - explicou, fazendo cara feia.
- É só um jogo, . Ninguém vai notar a sua roupa. - Eu me sentei na beirada da cama.
- E você me fala isso vestida desse jeito? - arqueou uma das sobrancelhas.
- A única coisa nova que eu estou vestindo é essa jaqueta. O resto é tudo velho. - Eu expliquei. - Mas, se você quiser eu posso te emprestar alguma coisa. - Eu ergui os ombros.
- Jura? - abriu um enorme sorriso.
- Claro. Pode pegar o que quiser do meu guarda-roupa. - Eu achei graça de toda a empolgação dela.
- Você sabe que eu te amo, não sabe? - me abraçou e beijou escandalosamente o meu rosto. Ela saiu do quarto as pressas.
- Ela não mudou nada, não é? - riu assim que a saiu do quarto.
- Absolutamente nada. - Eu concordei com ela e ri junto com ela. - E você? Precisa de ajuda pra escolher a sua roupa? - Eu perguntei.
- Eu já escolhi. - sorriu fraco. Costumávamos fazer isso na época do ensino médio. - E quando nós vamos ter tempo para conversar? - Ela perguntou, sentando-se ao meu lado.
- Eu sinto tanta falta das nossas conversas. - Eu queria tanto poder desabafar com ela.
- Eu também. - fez bico.
- Eu tenho tanta coisa pra te contar. - Talvez eu pudesse contar algumas partes só para ela. Eu precisava daquilo.
- É sobre o ? - me conhecia bem.
- Em partes, sim. - Eu fiz careta e ela sorriu.
- Mark? - deduziu novamente.
- Também. - Eu suspirei e ela riu. - Complicado, não é? - levou uma das suas mãos até a minha e a acariciou.
- Você não faz ideia do quanto. - Eu neguei com a cabeça.
- Amor… - entrou repentinamente no quarto. - Olha só se não são as minhas garotas favoritas. - Ele se aproximou.
- Se a ouvir isso, ela te mata. - Eu sorri ao vê-lo.
- Ela não precisa saber. - fez careta. - Ok, eu odeio ter que interromper vocês, mas eu tenho que perguntar: você não vai assim no jogo, vai? - Ele olhou para a namorada.
- É claro que não. - riu da pergunta boba.
- Eu sei que não. Esse foi só o meu jeito carinhoso de dizer: ‘Vai se arrumar logo!’. - disse e a ficou mais séria na mesma hora.
- Jeito carinhoso? Sei. - levantou-se e pegou algumas peças de roupa que estavam sobre a cama.
- Não fica brava comigo. - puxou e selou os seus lábios.
- Está tudo bem. - Ela negou com a cabeça antes de se afastar e sair do quarto.
- Alguém está apaixonado. - Eu me levantei da cama e o olhei com um enorme sorriso.
- Está tão na cara assim? - perguntou ao fazer careta.
- Está escrito na sua testa. - Eu afirmei.
- E por que eu não vejo nada escrito na sua testa? - arqueou uma das sobrancelhas.
- Por que não tem nada escrito nela. - Eu ergui os ombros, desconversando.
- Bom, já que você falou sobre isso. - Ele cruzou os braços. - Da última vez que eu soube, você e o estavam juntos, não estavam? - lembrou de quando ele me ligou para confirmar que eu estava relacionada com toda a empolgação do , quando foi buscar o Buddy em sua casa.
- É, nós estávamos meio… - Eu tentei enrolar.
- Juntos. - completou a minha frase. - Certo! E o que foi que aconteceu? - Ele perguntou.
- Não deu certo. Nunca deu certo, né? - Eu tentei responder da melhor forma que eu consegui.
- E por que não deu certo? O que ele fez dessa vez? - perguntou, me olhando sério.
- Bem, nós começamos a brigar muito e… - Eu rolei os olhos.
- Ok, mas como o Mark entra nessa história? - parecia desconfiar de alguma coisa.
- Ele é o oposto do , sabe? O faz besteira e ele aparece para me mostrar que eu tenho que parar de perder tempo com quem não merece. - Eu não sabia muito bem como falar dos dois sem compará-los.
- E… - esperava ouvir algo a mais.
- Eu gosto dele, ok? - Eu ergui os ombros, deixando um sorriso escapar. - Eu gosto muito dele. - Eu completei.
- Uau! Isso é… - ficou surpreso com o que ouviu. - Isso é muito legal. Então, você não sente mais nada pelo ? - Ele deduziu.
- Bem… - Eu sorri, negando com a cabeça.
- Bem… - sorriu, me imitando.
- É complicado. - Eu não podia falar mais do que aquilo.
- E isso quer dizer... - arqueou uma das sobrancelhas.
- Isso quer dizer que sim, mas por pouco tempo. - Eu disse, decidida.
- Independentemente de quem você escolher, eu sempre estarei aqui por você. Você sabe disso, não sabe? - colocou um dos braços sobre os meus ombros.
- É claro que eu sei. - Eu me aproximei, colocando meus braços em volta do corpo dele.

Era muito bom finalmente pode desabafar parte de todos aqueles problemas com o meu melhor amigo. Eu posso contar a mesma coisa pra milhões de pessoas, mas nenhuma delas vai conseguir tirar aquele fardo do meu peito como o conseguia. Quando a voltou para o quarto, nós mudamos de assunto. Não que ela não pudesse saber. Ela também é a minha melhor amiga, mas era realmente péssimo ficar falando sobre aquilo e espalhar pra todo mundo que aquela situação entre eu, Mark e estava insustentável.

Com todos os garotos nos apressando, era impossível chegarmos atrasados naquele jogo. Conseguimos sair de casa no horário combinado e fomos todos no carro de , que cabia todos nós. Chegamos no estádio na hora planejada. Era definitivamente o lugar mais extravagante que eu já havia visto. Era muito grande e tinha as cores do Yankees. Os garotos estavam vibrando por estarem ali. Todos usavam camisetas e bonés do time do coração deles e eu e as garotas tentávamos fingir que não estávamos entediadas. Fomos direto para a bilheteria e de longe vimos o conversando com uma das atendentes. De longe, vi que ela ria enquanto conversava com ele. O realmente não consegue ficar 5 minutos sem dar em cima de uma garota! Não demorou nada para que ele viesse em nossa direção com as 9 entradas nas mãos.

- Então, prontos? - parou em nossa frente, se gabando por realmente ter conseguido entradas de primeira fileira.
- Eu acho que vou chorar. - olhou uma das entradas de perto.
- Isso é… - nem tinha palavras.
- Não acredito que isso está acontecendo. - sorriu feito bobo.
- Wow! Entradas de um jogo de basebol! Isso é realmente muito emocionante. - ironizou e os meninos a olharam feio.
- , coloca uma focinheira nessa sua namorada, por favor. - arqueou uma das sobrancelhas.
- Hey! - defendeu imediatamente a amiga.
- Ela começou! - ergueu os braços demonstrando inocência.
- Vai deixar ele falar assim comigo? - olhou para o namorado, indignada.
- Amor, não tem como te defender agora. - ergueu os ombros e viu esbravejar.
- É só um jogo, ok? Não precisa disso tudo. - Eu tentei amenizar a situação.
- Só um jogo? - me olhou com cara feia.
- Um monte de homens correndo atrás de uma bola e segurando tacos. Isso não é um jogo? - Meg concordou comigo.
- Vocês não entendem nada. - rolou os olhos.
- Deu trabalho conseguir as entradas pra esse ‘jogo’. - me imitou ao dizer a última palavra.
- Sério? Achei que dar em cima da garota da bilheteria fosse o suficiente. - Ao terminar a frase, eu sorri falsamente. Ele cerrou os olhos em minha direção.
- Nada disso importa, não é? Vamos entrar de uma vez. - Mark tentou acabar com a confusão. Ele segurou a minha mão e me puxou para frente para me afastar um pouco do .
- Idiota. - Eu resmunguei antes de respirar fundo para tentar me acalmar. olhou pra mim e pro Mark de mãos dadas e fez careta e gestos com a mão, fazendo com que os outros garotos rissem.
- Se eu soubesse que ela daria tanto trabalho, teria trazido a Amber no lugar dela. - disse propositalmente em voz alta para que eu pudesse ouvir. Na hora que eu ouvi aquilo, eu surtei.
- Cala a boca, Jonas! - sussurrou, sabendo que aquilo causaria um enorme problema se eu tivesse escutado.
- Acho que ela não ouviu. - disse no mesmo segundo em que eu parei de andar ao lado do Mark. Soltei a mão dele e comecei a andar furiosamente até ele. - Ela ouviu. Ferrou. - Ele sussurrou.
- O que foi que você disse? - Eu parei na frente do , enquanto ele me olhava e sorria cheio de deboche.
- Qual parte você não entendeu, ? - ironizou, me encarando.
- Para de me chamar assim. - Eu disse em tom de ordem e ele nem pareceu intimidado.
- Eu já pensei que você tivesse superado essa coisa da Amber, mas parece que eu estava errado, certo? - sorriu. - Cuidado, . Está deixando o seu ciúmes transparecer e nós dois sabemos que pessoas que se odeiam não sentem isso, não é mesmo? - Ele arqueou uma das sobrancelhas.
- Para de provocar ela, Jonas! - Meg também se irritou.
- Não. Não! Quer saber? - Eu engoli a minha raiva e consegui esbanjar um sorriso. - Por que você não liga pra Amber? Aposto que ela daria um jeito de chegar a tempo de assistir esse jogo com você. - Eu fiz uma breve pausa. - Se ela vier, pelo menos você não vai mais precisar segurar vela pro grupo inteiro. Quem sabe você até não saia do meu pé, não é? - Quando terminei a frase, vi o sorriso de deboche sumir do rosto dele. Satisfeita com o que eu havia dito, eu virei de costas pra ele e voltei a ir em direção ao Mark, que me esperava um pouco a frente. Cheguei ao lado dele e segurei novamente a sua mão, me sentindo muito melhor por ter dito tudo aquilo pro .
- Podia ter ficado sem essa. - olhou para o amigo com um olhar de lamentação. Ela percebeu que ele ficou um pouco chateado com o que tinha escutado. não respondeu, apenas ficou quieto e um tanto quanto pensativo.

A verdade é que eu tinha ganhado todos os rounds daquela luta até agora. Quer dizer, isso era o que o pensava, mas definitivamente não era o que eu pensava. Só eu sabia o que eu sentia com cada grosseria que ele me dizia. A única diferença é que eu tenho o Mark. Ele é o melhor refúgio e o melhor argumento pra qualquer briga que eu e o tivéssemos. Enquanto eu tinha o Mark, o apenas tinha a Amber, que nem ao menos estava ali. Para o , aquela disputa idiota parecia um tanto quanto desigual. Ver a minha mão colada a mão de Mark era o pior do que qualquer insulto que eu poderia dizer pra ele.

Nós entramos no estádio e os garotos estavam eufóricos. Até mesmo o Mark, que parecia ser o mais contido de todos, estava todo empolgado. ainda ria e fingia ouvir alguns comentários que os amigos diziam, mas a verdade é que ele estava péssimo com aquela situação entre e o Mark. Se ele pudesse, ele iria embora para não precisar ver aquilo.

- É aqui. - avisou, quando chegamos nas cadeiras centrais da primeira fileira. Eu me sentei em uma ponta e o sentou na outra. Mark estava ao meu lado e os demais casais sentaram-se lado a lado.

Ainda faltavam 15 minutos para o jogo começar e eu estava completamente atenta a qualquer movimento do . Eu queria estar 3 passos na frente de qualquer malandragem que ele tentasse me aprontar. Eu realmente não havia notado que as minhas palavras haviam decepcionado ele. Nem sequer passou pela minha cabeça que, talvez, ele estivesse pensando em uma trégua daquela guerra que nós traçamos.

Meg comprou alguns chips para comer durante o jogo e alguns refrigerantes também foram comprados pela maioria do grupo. Faltavam um pouco mais de 5 minutos, quando o se levantou do seu lugar e foi até uma das cabines de som e TV do estádio. Juro que queria ser um mosquito para saber o que é que ele foi fazer lá. Disfarcei toda a minha curiosidade, quando ele voltou a vir na nossa direção. Eu tentei disfarçar e também tentei fingir que não percebi quando ele sentou-se ao meu lado. A maioria do grupo estava tão entretido com tudo o que acontecia no campo, que nem perceberam a mudança de lugar de . Aliás, se ele nunca mais voltasse, eles também não perceberiam. Tê-lo ao meu lado não só me chamou a atenção, como também me irritou. Estava mais do que claro que aquela seria mas uma tentativa de me provocar.

- Olha, se você veio aqui… - Eu ia dizendo, quando o simplesmente virou as costas pra mim e olhou para a garota desconhecida ao seu lado.
- Oi, o meu nome é . - Ele estendeu uma das mãos e deu o seu melhor sorriso. A garota olhou pra ele e quando viu do que se tratava, ficou agindo como uma idiota.
- Oi, . - A garota riu, enquanto todas as amigas fofocavam ao lado dela.
- É o seu primeiro jogo? - perguntou pra ela. Eu continuei observando a cena em silêncio.
- Sim, é a primeira vez. - A garota afirmou com um belo sorriso. Devo reconhecer, ela era muito bonita e usava alguns acessórios do Yankees.
- Espero que você nos dê sorte hoje. - piscou um dos olhos pra ela e as suas bochechas rosaram na mesma hora. Logo em seguida, ele virou-se para me olhar. - O que é que você estava dizendo? Desculpe, eu estava um pouco ocupado. - Ele perguntou, sério.
- Eu sei o que você está tentando fazer. - Eu neguei com a cabeça.
- Estou tentando fazer amizades. Qual o problema? - bancou o cínico, deixando um sorriso escapar. - Até parece. - Eu rolei os olhos, deixando de dar atenção pra ele. Eu estaria mentindo se dissesse que não fiquei incomodada com aquilo. Sim, eu sei que ele está fazendo de propósito.

O jogo começou e a gritaria também. Os garotos gritavam e xingavam, enquanto as garotas olhavam para o campo como se entendessem tudo o que estava acontecendo lá. Mesmo estando um pouco longe dos amigos, ainda conseguia vibrar com eles através de gritos. Ele também comentava o jogo com a garota ao seu lado, que parecia entender bastante do esporte. Parecia que a única pessoa naquele jogo que não queria estar ali era eu.

Depois da 5° entrada (período/tempo) teve um intervalo. Muitos aproveitaram para ir ao banheiro e outros discutiam a vitória do Yankees até agora. Eu até já havia conseguido me distrair com o Mark, quando a Kiss Cam (câmera do beijo) começou. O telão começou a filmar diversos casais, que acabavam se beijando. Muitas cenas acabavam sendo engraçadas e mesmo entre risos, eu não pude deixar de notar que a câmera que filmava cada um dos casais estava obviamente dentro da sala de Som e Vídeo em que o havia entrado antes do jogo. Chegar àquela conclusão me deixou um pouco preocupada e desconfiada. Até então, era só uma desconfiança. Bem, eu disse certo: ERA!

Meus olhos acompanhavam o telão, quando eu de repente me vi nele. Maior do que a minha surpresa ao me ver naquele telão, foi ver o ao meu lado. De repente, todos estavam nos olhando. Não demorou absolutamente nada para que eu finalmente entendesse o plano do . É claro! Foi isso o que ele foi fazer na cabine de Som e Vídeo. Ele tem os seus contatos lá e pediu para que eles nos filmassem na hora da Kiss Cam. Depois, ele muda de lugar, senta do meu lado e começa a dar em cima da garota do seu lado! Esse era o plano dele: pedir para que nos filmassem na Kiss Cam para que ele beijasse a garota ao seu lado e me fizesse de idiota na frente do estádio todo! Eu cheguei àquela conclusão tão rápido e a minha resposta foi mais rápida ainda. O que eu fiz? Usei o plano dele contra ele! Em meio a um impulso, eu me virei e beijei o Mark, que já tentava se conformar em ter que ver o irmão me beijar.



Assim que eu o beijei, ouvi gritos e muitos aplausos. Parecia que o estádio viria abaixo. Aos poucos, o barulho foi sumindo. De repente, tudo estava extremamente silêncio e só então eu percebi que não era as pessoas que tinham parado de gritar e aplaudir, era o beijo do Mark que havia me levado pra outro lugar, pra outro planeta.

Era a primeira vez que o me via beijar outro cara desde que começamos a ficar juntos. Era a primeira vez que ele sentia aquela sensação horrível desde que o seu amor não correspondido finalmente se tornou correspondido. O estádio todo estava rindo e debochando dele, mas essa definitivamente não era a pior parte. Para falar a verdade, não ouviu nada do que lhe disseram. Ele não conseguia ter reação.

Bem, a verdade é que o tinha mesmo um plano. Ele realmente tinha pedido a um dos responsáveis pela Kiss Cam para que o filmasse com a garota ao seu lado, que estava usando jaqueta de couro. O plano dele era muito mais simples do que eu imaginava. O seu plano era surpreender a garota que ele amava com um beijo para, quem sabe, lembrá-la que ela também o ama. A intenção dele era boa, mas a nossa disputa idiota me vez ter uma interpretação totalmente diferente da realidade. Agora, não existe mais plano. Não existe mais nada.

Meu medo de ser magoada e humilhada novamente pelo me fez tomar medidas extremas, que nem ao menos eram necessárias, mas que de repente me pareciam um bom negócio. Confesso que no primeiro momento, a minha intenção era dar apenas um simples selinho no Mark, mas assim como na noite passada, o beijo dele me fez perder a noção de tudo e de todos. De repente, eu não me lembrava mais onde eu estava e quem mais estava ali. Eu não sei ao certo o que isso quer dizer e também não sei dizer se é bom ou ruim, mas o beijo do Mark era coisa mais louca que me aconteceu nos últimos tempos. Quando o Mark terminou o beijo, eu demorei alguns segundos para voltar para a realidade. Abrir os olhos e me deparar com aqueles olhos verdes me renderam mais alguns segundos de atordoamento. Ele sorriu pra mim e eu sorri de volta. Meu sorriso soou mais como um ‘wow!’.

Assim que terminamos o beijo, se levantou sem dizer nada e se afastou. Eu só percebi que ele tinha saído, quando olhei para os meus amigos e vi que eles acompanhavam o se afastar com o olhar. Depois, eles me olharam. Em muitos olhares havia julgamento e em outros, pena. Também tinha o da Meg, que brilhava junto com um enorme sorriso dela. Não é que ela era a única que torcia para que eu e o Mark ficássemos juntos, mas ela era a única que não se importava tanto com a tristeza de . Ela era a única que não sabia exatamente o que eu e o costumávamos ser juntos.

- O que? - Eu ergui os ombros, tentando fingir que não sabia o motivo do julgamento da maioria deles.

Mark também tinha percebido o que havia acontecido e mesmo estando muito feliz com o beijo que havia acabado de ganhar, ele se sentiu mal com o que havia acontecido. Ele se sentiu muito mal, quando viu o sair daquele jeito mesmo sabendo que se fosse ao contrário, o irmão mais novo jamais sentiria o mesmo. Para o Mark, tudo aquilo era muito mais fácil antes de ele saber que o era o seu irmão. Isso era tão injusto! Mark me olhou e negou com a cabeça como se dissesse ‘Isso não é justo.’. No momento em que eu vi que o Mark também e sentia mal por aquilo, a minha consciência pesou. Mesmo achando que o faria o mesmo comigo com a garota ao lado, isso não parecia certo. Isso não parece algo que eu faria.

- Eu vou falar com ele. - Mark chegou a se levantar ao avistar o irmão. Ele estava encostado em um dos pilares da arquibancada que ficava um pouco abaixo da primeira fileira e do lado direito. Ele olhava pro campo e os braços estavam cruzados.
- Não. - Eu segurei a mão do Mark. - Eu vou. - Naquele momento, eu me sentia a pior pessoa do mundo. Eu sabia que a mancada tinha sido minha, portanto, eu precisava resolver aquilo. Além disso, eu tinha medo que os irmãos brigassem. Eu não me perdoaria se eles brigassem por minha causa.
- Deixem para se matar depois que o jogo acabar, ok? - gritou e as meninas fuzilaram ele com os olhos.
- Cala a boca, ! - e gritaram juntas. Meg apenas riu da situação.
- Ok! Ok! - fez cara feia para elas.
- Mark, não tem nada a ver com você. Você sabe, não é? - não queria que o Mark achasse que todos estavam contra ele.
- Claro. Eu entendo. - Mark afirmou, sem qualquer ressentimento.
- Foi só um beijo também. Não precisava de tanto drama. - Meg tentou amenizar a situação.
- Se fosse mais que um beijo, o problema seria comigo. - afirmou, sério.

Me afastei de todos sem ouvir qualquer um dos comentários e fui em direção ao . Eu não sabia muito bem como abordá-lo. Eu não sabia se eu me desculpava ou se eu pedia para que ele parasse de frescura. Eu também não sabia se ele me receberia com 1000 pedras nas mãos ou se apenas demonstraria o quanto estava decepcionado. Eu estava um pouco receosa do que ouviria, mas isso não me desencorajou de ir até lá. Cheguei por trás dele e o observei de costas por algum tempo antes de me abordá-lo.

- … - Eu parei ao seu lado e ele nem sequer virou o seu rosto para me olhar.
- Não. - Ele foi curto e grosso.
- Você pode me ouvir, por favor? - Eu insisti, entrando em sua frente.
- Eu não quero te ouvir. - me olhou, sério. - Você pode, por favor, voltar pro Mark e me deixar em paz? - Ele não importou-se em ser estúpido.
- Olha, eu sinceramente não sei por que você está agindo assim. Se eu não fizesse aquilo com você, você é quem faria aquilo comigo. - Eu me irritei um pouco com o jeito grosseiro que ele estava me tratando.
- Do que você está falando? - negou a cabeça.
- Eu vi você entrando naquela cabine. Eu sei que você pediu que nos filmasse na Kiss Cam para que você me fizesse de idiota na frente de todos e beijasse aquela garota que estava do seu lado. - Eu expliquei, irritada. - Eu só fui mais rápida. - Eu ergui os ombros. Quando ele entendeu tudo o que tinha acontecido, ele simplesmente negou com a cabeça, enquanto sorria debochadamente na minha cara. - O que foi? - Eu perguntei, impaciente. Do que ele estava rindo?
- Eu fui mesmo até a cabine e pedi que eles nos filmassem na Kiss Cam. Eu também tinha a intenção de beijar uma garota. - confirmou a minha versão.
- Eu sabia! - Eu afirmei, demonstrando a indignação com o seu plano sujo.
- O seu único erro foi não perceber que a garota que eu pretendia beijar era você! - me olhava, esperando a minha reação.
- O que!? - No primeiro momento, eu achei que ele estava mentindo.- Não. Nós estamos brigados, por que você… - Eu não consegui continuar a pergunta, quando o jeito sério dele de me olhar me confirmou que ele estava dizendo a verdade. - Bem, você estava tentando me provocar o tempo todo e você mudou de lugar só para que eu te visse conversando com aquela garota do seu lado. - Eu tentei me justificar.
- Eu mudei de lugar por que eu queria ficar perto de você. - afirmou sem mudar a sua expressão. Os braços continuavam cruzados.
- Você não pode me cobrar isso, ok? Droga! Como eu poderia adivinhar tudo isso? Eu não sei se você lembra, mas nós dois estamos no meio de uma guerra. - Eu m irritei com o fato de ele esperar que eu adivinhasse a sua real intenção com tudo aquilo quando estávamos brigados.
- Eu não estou te cobrando nada. - me olhou feio, balançando a cabeça negativamente. - Você queria ganhar essa guerra, não queria? Parabéns, você acabou de ganhar. - Ele disse antes de se afastar. Eu ainda fiquei algum tempo ali parada tentando engolir o que ele tinha me dito. Quando eu consegui me recompor, voltei a andar em direção a primeira fileira. havia voltado para lá, mas estava sentado no seu lugar inicial. Eu me sentei ao lado do Mark em silêncio e todos ao meu lado vibravam com a continuação do jogo.
- Tudo bem? - Mark preocupou-se em me perguntar.
- Eu estou bem. - Eu afirmei e até conseguiresbanjar um sorriso.

As palavras de não me trouxeram qualquer tipo de sofrimento em relação ao que eu poderia sentir por ele ainda. As palavras dele apenas serviram para fazer com que eu me sentisse a pior pessoa de todas. Eu não me sentia a pior pessoa por ter beijado o Mark, mas sim por ter beijado o irmão do . Isso soava extremamente ridículo e desnecessário. Era como se eu estivesse tentando usar um irmão contra o outro. Quem sou eu pra fazer isso? Certo, eu confesso que beijar o Mark não foi o maior sacrifício de todos. Eu confesso que eu adorei beijá-lo e que eu realmente tinha sentimentos por ele que eram suficientes para que eu tomasse tal atitude. Bem, eu também confesso que a motivação do beijo naquele momento não foi a mais correta e nem a mais justa. Estava sim acontecendo uma coisa entre o Mark e eu, mas aquele beijo definitivamente não tinha relação com essa ‘coisa’ que nós temos. Tinha relação com o que eu e o temos ou tínhamos, não sei. De qualquer forma, foi errado.

O resto do jogo foi uma droga. Eu, que já não entendia nada sobre o jogo, nem me esforcei mais para entender. Todos ao meu lado estavam aproveitando, inclusive o . O problema realmente era só comigo! Pelo menos, o Yankees ganhou. Ao final do jogo, o até tentou conseguir um encontro dos seus amigos com os jogadores, mas infelizmente o presidente do clube não estava lá e, por isso, não tinha ninguém que intermediasse o encontro. De qualquer forma, os garotos estavam felizes e realizados.

- Eu não quero ir embora daqui. - fez bico, mantendo-se sentando na cadeira do estádio.
- Foi o melhor dia de todos. - sorriu como um bobo.
- Eu ainda vou voltar aqui. - prometeu em meio a um suspiro.
- Vocês viram aquele home run? - Mark perguntou, surpreso.
- Eu vou sonhar com ele essa noite. - comentou, fazendo com que o irmão concordasse.
- Quanto tempo vocês acham que devemos dar pra eles? - perguntou, olhando para mim e para as garotas. Nós já estávamos de pé e um pouco longe dos garotos.
- Vamos deixar eles aproveitarem mais um pouco. Eles estão tão felizes. - riu, olhando para o namorado e para os amigos.
- Eu acho que nunca vi o tão feliz. - Meg riu ao olhá-lo.
- E eu nem sabia que o meu irmão tinha tantos dentes. - Eu disse e todas nós rimos.
- E quais são os planos de hoje a noite? - Meg perguntou, nos olhando.
- Hoje a noite? - Eu fiz careta. Jura? Mais essa?
- Vocês não vão ficar em casa em um sábado a noite, vão? - Meg abriu os braços.
- É claro que não! - afirmou com convicção.
- Estamos em Nova York, certo? - sorriu.
- Vocês é que são as anfitriãs! Vocês devem conhecer os melhores lugares da cidade. - deduziu.
- Não somos tão baladeiras assim. - Eu e Meg rimos.
- Mas nós conhecemos alguns lugares. - Meg completou.
- Estou louca para ir a um barzinho com música ao vivo! Vocês conhecem algum? - perguntou, esperançosa.
- Eu não conheço muitos, mas o Mark conhece alguns. Ele tem até um amigo que é dono de um bar assim. Ele nos levou lá uma vez. Lembra, ? - Meg me perguntou.
- Lembro. O lugar é ótimo. - Eu afirmei.
- Ei, Mark! - Meg gritou na direção do melhor amigo. - Vem aqui. - Ela pediu e ele atendeu na mesma hora.
- O que foi? - Mark perguntou assim que parou ao nosso lado.
- Eu estava falando para as garotas sobre aquele barzinho que o seu amigo é dono. - Meg começou a contar.
- Sei. - Mark continuou dando atenção a ela.
- A disse que queria ouvir música ao vivo. Você acha que está tendo música ao vivo lá hoje? - Meg perguntou.
- Não é todos os dias que tem, não é? - Eu fiz careta. Na verdade, eu estava torcendo para que não saíssemos naquela noite. Eu não queria ter que sair com ambos os Jonas.
- Faz algum tempo que eu não vou lá, mas a música ao vivo costumava ser aos sábados. - Mark respondeu sem tanta certeza. - Bem, eu posso ligar pra ele depois para perguntar. - Ele sugeriu.
- Sim! - pareceu ter adorado a ideia.
- Eu agradeço. - sorriu para o mais novo amigo.
- Tudo bem. - Mark sorriu e negou com a cabeça antes de voltar a se juntar com os garotos.
- Ele não é um amor? - Meg olhou admirada para o melhor amigo.
- Ele é incrível. - concordou na mesma hora.
- Não é, dona beijoqueira? - me cutucou aos risos.
- Podem parar com isso. - Eu as olhei com desaprovação.



- Foi só um beijo. - Eu estava muito sem graça.
- E que beijo! - Meg comentou.
- Mas o que foi que aconteceu com o ? Você conseguiu se resolver com ele? - perguntou, curiosa.
- Eu tentei conversar com ele, mas ele não é fácil. Vocês já sabem disso, não é? - Eu fiz cara feia. Eu jamais contaria a versão toda da história. Eu era orgulhosa demais pra isso.
- Olha, ele é meu amigo e eu sei que ele gosta muito de você, mas se você escolheu e está com outra pessoa, ele tem que respeitar. - disse sabiamente.
- Espera. Eu não estou com o Mark. - Eu fiz uma pequena correção.
- Não está? - Meg arqueou uma das sobrancelhas.
- Eu não estou com ninguém. - Por que eu tenho que estar com alguém? Por que toda essa pressão? - Foi só um beijo. - Eu expliquei.

Foi bem difícil convencer todas elas de que realmente tinha sido só um beijo. É claro que o beijo me fez sentir um milhão de coisas diferentes, mas isso não significava que estávamos juntos. Em certo momento, eu até desisti de tentar fazê-las acreditar que não estava acontecendo nada demais entre eu e o Mark. Fomos embora com aquele clima estranho. Cada olhar que o me lançava era uma facada. Mesmo sabendo que ele se sentia mal com aquilo, ninguém estava me punindo mais do que eu mesma. Eu realmente queria deletar esse dia da minha vida.

Ao chegar em casa, eu me dei conta de que teria que me arrumar e ser torturada pelo o resto da noite. Eu sinceramente não estava nem um pouco empolgada com aquela noite. Eu não estaria empolgada para qualquer coisa que eu fizesse com o , pois eu sabia que em algum momento ele me faria pagar por aquela humilhação em público no estádio do Yankees. Além disso, eu estava me sentindo muito mal perto dele depois do que aconteceu. Apesar de não me arrepender daquele beijo, eu ainda me sintia mal por ele da mesma forma que o Mark também se senteiamal. Em todo caso, eu teria que ir até aquele barzinho, pois eu não podia deixar todos na mão. Eu precisava e eu queria passar um tempo com todos eles.

- Não me diga que você já está pronta! - ironizou assim que eu cheguei no andar debaixo da casa, onde os garotos esperavam pelas garotas.
- Não começa com isso. - Eu cerrei os olhos em sua direção e neguei com a cabeça.
- Ele disse que ia falar isso quando você descesse. - entregou.
- Não. Eu estou orgulhoso! - sorriu, demonstrando que achava aquilo uma coisa boa.
- Eu sei! - Eu sorri pra ele ao erguer os ombros. Eu me aproximei dos garotos e me sentei na ponta da mesinha de centro, que ficava bem em frente ao sofá em que eles estavam sentados. Buddy, que estava deitado em um canto da casa, aproximou-se de mim e eu o peguei no colo. - E então, qual é a boa? - Eu perguntei ao tentar puxar assunto, enquanto acariciava o cachorro deitado no meu colo, que estava prestes a dormir.

- Bem, a minha melhor novidade do ano é a primeira fileira no estádio do Yankees, mas você já sabe disso. Então, eu não tenho nada. - ergueu os ombros.
- A está demorando para se arrumar, mas isso também não é novidade. - rolou os olhos.
- Eu acho que ela… - Eu ia dizendo, quando ouvi passos na escada. estava descendo. - Já está vindo. - Eu completei com um sorriso.
- Parem de falar mal de mim. - gritou, enquanto se aproximava.
- Você acha que eu deixaria que alguém falasse mal de você? - sorriu ao olhar a namorada da cabeça aos pés.
- Na verdade, ele estava falando mal de você. - afirmou.
- Valeu! - olhou torto para o amigo.
- Ele só estava dizendo que você estava demorando. - Eu tentei ajudar o meu melhor amigo.
- E estava mesmo, mas tudo bem por que valeu a pena. - levantou-se do sofá e aproximou-se da namorada com um sorriso. Ele selou os lábios dela e a abraçou. e rolaram os olhos, enquanto eu sorria igual uma idiota.
- Do que vocês estavam falando? - perguntou. agora a abraçava por trás, tinha seus braços em torno da cintura dela e o queixo encostado em seu ombro direito.
- Estávamos falando sobre as novidades que, na verdade, nós não temos pra contar. - explicou.
- Querem saber de uma coisa? Eu tenho uma novidade. - disse, chamando a atenção de todos.
- , nós já sabemos que o deixou de ser virgem ontem. Isso não é mais novidade. - falou sério, mas estava apenas sacaneando o amigo.
- Cuida da sua vida, ! - esbravejou.
- Eu sei. É outra novidade. - afirmou aos risos.
- Então, nos conte. - Eu fiquei curiosa na mesma hora.
- Eu não sei se devo contar. - fez charme.
- Não nos faça te matar, . Você ainda é muito novo. - era tão curiosa quanto eu.
- Ok! Eu vou contar. - cedeu na mesma hora. Ele colocou uma das mãos no bolso e tirou de lá uma caixinha.
- Meu Deus! Uma caixinha! Devemos chamar a imprensa? - brincou e nós rimos na mesma hora.
- Ok! Espera um pouco! - Eu abri um enorme sorriso. - É o que eu estou pensando? - Eu estava prestes a surtar.
- Meu Deus! - começou a surtar comigo assim que ele abriu a caixinha e mostrou duas alianças.
- Você vai pedir a Meg em namoro? - perguntou, surpreso. Ele não esperava que isso fosse acontecer tão rápido.
- Não, não. Ele vai pedir a . - respondeu a pergunta com ironia e todos nós paralisamos ao ouvir o nome dela. - Ops. - Ele forçou um sorriso na mesma hora.
- Sim! - sorriu para o amigo demonstrando que estava tudo bem. - Eu vou pedi-la em namoro. - Ele completou.
- Ela vai pirar! - Eu ainda estava surtando.
- Ei! Ei! O que está acontecendo aqui? - desceu e logo nos viu empolgados.
- Ei, amor. - a recebeu e a puxou para perto dele. - O estava nos contando que vai pedir a em namoro. - Assim que terminou a frase, ele percebeu que tinha errado o nome. - A Meg! Ele vai pedir a Meg! - Ele consertou aos risos, enquanto o quase morria de rir.
- Sério? - se aproximou ao ver a caixinha nas mãos de . - Isso é incrível, . - Ela estava feliz por ele.
- Desculpe, . Foi sem querer. - se desculpou pelo mal entendido.
- Não tem problema. - foi super compreensível. - Mas se um de vocês dois falarem isso perto dela, eu mato vocês. - Ele ameaçou os dois amigos.
- Entendido. - respondeu na mesma hora.
- Pode deixar. - também concordou.


Na casa ao lado, e Mark também estavam quase prontos. Mark, na verdade, estava esperando impacientemente o irmão terminar de se arrumar. Se fosse em outros tempos, Mark largaria o lá e iria logo para a minha casa, onde nós combinamos de nos encontrar, mas o que aconteceu no jogo do Yankees fez com que ele ficasse um pouco mais tolerante. Ele sentia como se estivesse devendo alguma coisa para o ou como se precisasse recompensá-lo de alguma forma.

- Vamos, ! Nós já estamos atrasados. - Mark disse pela milésima vez.
- Espera, porra! Falta só o cabelo. - gritou do banheiro.
- Inacreditável. - Mark suspirou ao ouvir a nova desculpa. - Você tem 5 minutos ou eu vou sem você! Ouviu? - Ele gritou sem perceber que o irmão já estava na sala.
- Hey! Para de gritar desse jeito! - o olhou, irritado. - Eu não sou uma das suas garotas. - Ele reclamou.
- Mas você age como uma! Eu estou te esperando há mais de 20 minutos! - Mark rebateu na mesma hora.
- Olhe pra mim. - abriu os braços e viu o irmão olhá-lo com cara de tédio. - É por isso que eu consigo todas as garotas e é por isso… - Ele apontou para a roupa do Mark. - Que você não consegue. Entendeu? - finalizou com um sorriso.
- Meu Deus, você é mesmo gay. - Mark fez careta assim que terminou de ouvir.
- Me observe! - piscou um dos olhos, indo em direção a porta. Mark rolou os olhos e o acompanhou. Enquanto o Mark trancava a porta, foi na frente. Eu ainda comemorava a novidade contada pelo , quando a campainha tocou.
- Meu Deus! Deve ser a Meg! - arregalou os olhos.
- Mudem de assunto! - disse em voz alta.
- Por favor, disfarcem! - pediu a todos.
- Eu abro a porta. - Eu me levantei e fui até a porta. Antes de abri-la, olhei para eles e fiz sinal de silêncio. Voltei a encarar a porta e a abri em seguida. Eu juro que eu procurei uma expressão melhor para descrever o que eu senti ao vê-lo, mas como eu não achei vocês vão ter que ficar com o meu ‘PUTA QUE PARIU’ mesmo. Na hora, eu tentei agir naturalmente. - É só o ! - Eu gritei, tentando demonstrar indiferença.
- Não se preocupe. O seu favorito já está vindo. - disse extremamente sério e passou por mim ao adentrar na casa.

Ok! Se o jogo da vez era demonstrar indiferença, o ganhou. Ele se policiou para não me olhar da cabeça aos pés como ele costumava fazer. Ele queria que eu sentisse a sua indiferença. Ele queria que eu me sentisse horrível pelo que eu tinha feito no jogo. Bem, ele conseguiu! Eu ainda estava tentando superar aquilo, quando o Mark apareceu na minha frente. O sorriso dele ao me ver trouxe novamente tranquilidade ao meu coração. Eu fiquei tão feliz ao vê-lo, que o abracei na mesma hora.

- Eu estou tão feliz por você estar aqui. - Eu sussurrei em seu ouvido e em seguida terminei o abraço para poder olhá-lo.
- Você está linda. - Mark sorriu com os olhos e eu sorri involuntariamente.
- Obrigada. - Eu agradeci, sem jeito.
- Desculpe a demora. A culpa é toda dele. - Mark fez cara feia, me fazendo rir.
- Tudo bem. - Eu neguei com a cabeça. - Entra. - Eu peguei a sua mão e o puxei para dentro da casa.
- Achamos que era a Meg! - disse, quando se aproximou deles.
- Bem, sou eu! Vocês estão com sorte hoje. - disse ao sentar-se ao lado de .
- Vocês não me disseram que nós íamos em um casamento. Eu achei que fossemos em um bar. - comentou ao ver o quão arrumado o estava.
- Não seja invejoso! - riu com o comentário do amigo.
- Tem certeza que nós vamos para o mesmo lugar? - também entrou na brincadeira.
- Não acredito que não me convidaram para o casamento. - tentou não rir.
- Viu? Eu disse! - Mark gargalhou com os comentários.
- Do que vocês estão falando? O está ótimo! - elogiou, olhando para a roupa do amigo. Obrigada, ! Isso quer dizer que eu não estou louca.
- Vocês não entendem nada mesmo, não é? Ele está muito bem. Ele vai destruir corações essa noite. - também elogiou.

Aproveitei a oportunidade para observá-lo mais detalhadamente. Ele realmente estava muito bem vestido. Ele usava uma camiseta branca estampada, uma calça jeans mais clara que tinha um tom de cinza e seus tradicionais tênis de marca. O que realmente dava o charme era o casaco preto que vinha até o seu quadril que ele usava por cima da camiseta e que, apesar do frio, estava aberto. O casaco tinha uma gola um pouco maior, que elevava todo o look dele para um outro nível. O cabelo dele estava arrumado, mas estava arrumado de um jeito que ele nunca tinha arrumado antes. Um jeito que, de alguma forma, deixou ele ainda mais bonito. Isso simplesmente não era justo!

- Engulam essa, otários! - se gabou. - Eu não sei você, Mark, mas eu prefiro agradar as garotas do que esses caras. - Ele sorriu, vitorioso. Eu não ousei fazer qualquer comentário.
- Se fossemos tão ruins nós não estaríamos acompanhados. - tentou dar uma resposta a altura.
- Essa é a diferença. Vocês já tem alguém e, por isso, se vestem de qualquer jeito. - continuou a discussão.
- Ele está certo, sabia? - concordou com o amigo na mesma hora.
- Você se vestia muito melhor antes, . - reclamou para o namorado.
- Você também, . - analisou o namorado.
- Ok, depois dessa eu acho que já posso ir embora. - se levantou ao ver que os amigos estavam encrencados agora.
- Você não vale nada, Jonas. - gargalhava junto com o amigo.
- Eu posso te dar umas aulas depois, Markey. - deu alguns tapinhas nas costas de Mark, que rolou os olhos.
- Do que ele te chamou? - Eu sussurrei ao olhar pro Mark.
- Deixa pra lá. - Mark negou com a cabeça, parecendo irritado. Naquele momento, a campainha voltou a tocar.
- Agora é a Meg! - afirmou na mesma hora.
- Por que toda essa obsessão com a Meg? - fez careta e o olhou com cara feia. - Ok, desculpe! - Ele sorriu.
- Nós podemos ir agora, não é? - perguntou prestes a se levantar do sofá.
- Vamos. - concordou.

Após cumprimentarmos a Meg, eu tranquei a porta e fomos todos para o carro enorme do . Eu sentei o mais longe possível do , mas era difícil manter-se tão longe quando se está em um carro. Fui do lado do Mark, que percebeu que eu ainda estava mal com tudo aquilo e ficou o caminho todo tentando me distrair. Quando chegamos no barzinho, ele não saiu do meu lado. Mark não me deixava sozinha nem por um minuto. Já o , se mantinha longe a todo o momento. Ele nem sequer me olhava para não termos que trocar olhares. O clima estava realmente pesado.

- Eu vou pegar alguma coisa pra beber. - percebeu que o parecia nervoso. - Vamos comigo, Meg? - Ela sorriu para a mais nova amiga.
- Claro! Vamos. - Meg saiu do lado do sem perceber nada. Ela estava feliz por estar conseguindo ter uma boa relação com todos os amigos de . Disfarçamos até perdê-las de vista.
- Ok! Ela já foi. - olhou para e todos fizeram o mesmo.
- Vai mesmo fazer isso? - perguntou. Ele parecia muito nervoso.
- Como assim? É claro que vai. - Eu tentei encorajá-lo.
- Fazer o que? - não estava entendendo nada. Ele e o Mark não estavam presentes quando revelou a sua verdadeira intenção para aquela noite.
- Pedir a Meg em namoro! - afirmou na mesma hora.
- Espera! O que? - Mark achou não ter escutado direito. Aproximou-se para ouvir melhor.
- O vai pedir a Meg em namoro aqui. - repetiu com um pouco mais de paciência.
- Hey! Como eu não sabia disso? - ficou bravo com o amigo ao perceber que todos em sua volta já sabiam da novidade.
- Eu também não sabia. - Mark concordou.
- Eu contei pra eles hoje antes de virmos pra cá. Não deu tempo de contar. - se justificou.
- Ela vai surtar. - Mark sorriu, empolgado com a felicidade que a sua melhor amiga certamente viria a ter.
- Eu disse a mesma coisa. - Eu me empolguei junto com ele.
- Eu ia te perguntar se você conseguia dar um jeito de me colocar no palco por alguns minutos. Você conhece o dono do local, certo? - perguntou.
- É claro. Eu posso falar com ele! - Mark prontificou-se na mesma hora em ajudá-lo.
- Você vai pedi-la em namoro aqui? - parecia não ter gostado da ideia. - Quer dizer, da mesma forma que você pediu a ? - Ele forçou um sorriso ao mencionar o nome da amiga.
- ! - o repreendeu.
- O que? Eu estou falando sério! - abriu os braços.
- Você está apenas implicando com a Meg… de novo! - Mark o olhou, sério.
- Pensem a respeito! O seu pedido de namoro para a foram nessas mesmas circunstâncias. Uma festa; você em cima de um palco. - estava realmente sendo sincero e todos a sua volta perceberam isso.
- Bem… - fez careta, pois passou a concordar com o melhor amigo.
- Meu Deus, você está certo! - sentiu-se um idiota.
- Eu não tinha pensado nisso. - negou com a cabeça.
- Você… pode fazer alguma coisa diferente. - Mark tentou dar alguma solução.
- Isso é uma boa ideia, mas… o que? O que eu posso fazer de diferente? Como eu posso improvisar alguma coisa agora? - não sabia o que fazer.
- Você pode… - começou a dizer, mas não soube como terminar a frase.
- E se você… - negou com a cabeça. - Não. Não vai dar certo. - Ela fez careta.
- Eu não consigo pensar em nada. - Eu disse, pensativa.
- Eu poderia até te aconselhar a cantar, mas aparentemente isso não dá muita sorte. - comentou sem qualquer atenção de me atingir. me olhou e eu apenas ergui ambas as sobrancelhas como se dissesse ‘O que eu posso fazer? Ele está certo.’.
- É isso! - quase gritou.
- O que? Fala! - estava curioso.
- Cantar pra ela! Isso é diferente. - estava muito empolgado.
- Sim. É diferente, mas também é uma péssima ideia. - foi imediatamente contra.
- Você já se ouviu cantando, ? - tentou falar com mais jeitinho.
- Se você realmente ama ela, não faça isso, . - tocou gentilmente um dos ombros do amigo. - Ok! Ok! Não precisa humilhar. - olhou para os amigos com cara feia.
- É tão ruim assim? - Mark ainda tinha esperanças.
- Eu não sei. Dá última vez que ele cantou, só os cachorros conseguiram ouvir. - disse e os amigos caíram na risada.
- Eu fico lisonjeado com tantos elogios, mas eles não fazem a menor diferença agora. Vocês não ouviram o resto da minha ideia. - recebeu a atenção de todos.
- Deixem ele falar. - Eu pedi, séria. Tínhamos que resolver aquilo antes da Meg voltar!
- Eu e a Meg temos uma música. Eu mandei a letra da música pra ela há algumas semanas e a música falava tanto sobre nós e como nós nos sentíamos, que concordamos que aquela seria a nossa música. - começou a contar.
- Awn! Isso é muito fofo. - ficou encantada.
- Isso é maravilhoso, mas eu ainda não sei como vamos fazer para ela não perceber que a sua voz é uma droga. - falou e recebeu olhares maldosos da namorada.
- Ela não vai perceber, por que não sou eu que vou cantar. - terminou a frase olhando pro e todos fizeram o mesmo.
- O que!? - ficou surpreso.
- Agora tudo isso faz sentido! - afirmou com a cabeça.
- Eu vou cantar? - apontou para si mesmo. - Você quer que eu cante para a sua garota? Isso é meio estranho, não acha? - Ele fez careta.
- Você não vai cantar pra ela. Você só vai cantar a nossa música antes de eu fazer o pedido a ela. - explicou, impaciente.
- É uma ótima ideia! - se empolgou.
- Pode dar certo, já que o é a nossa pequena estrela do Rock. - olhou para o melhor amigo com uma expressão meiga.
- Pequena estrela do Rock. - Mark repetiu a frase aos risos.
- , você sabe que eu te amo não é, cara? Você é um dos meus melhores amigos, mas… eu não vou fazer isso. - lamentou-se.
- Deixa de ser chato, Jonas! - resmungou.
- Você vai deixar que o pedido de namoro do cara seja uma droga? - olhou feio para e depois percebeu o que tinha dito. - Quer dizer, eu apoio qualquer pedido de namoro que você queira fazer. - Ele sorriu pro .
- Que tipo de amigo é você? - também o julgou.
- Por favor, ! - implorou.
- Não acredito que vou concordar com isso. - negou com a cabeça e suspirou. Ele já havia percebido que seria difícil fugir daquilo. - Ok, mas qual é a música? - Ele perguntou e os amigos comemoraram.
- Então, sobre isso… - sorriu, sem jeito.
- O que foi? - o encarou, sabendo que uma bomba estava por vir.
- Bem, tem uma coisa que eu não mencionei. - coçou a cabeça, sabendo que complicaria as coisas agora.
- Por favor, diga que é uma música da Madonna. - juntou as mãos ao pedir. Ver o seu melhor amigo cantando Madonna seria zoação garantida para uma vida toda.
- A música, na verdade, é um… dueto. - disse olhando para o e depois me olhou. Eu paralisei. Não! Ele não podia estar falando sério. Não. Não. Não.
- Um dueto? - demorou algum tempo para concluir o que aquilo realmente queria dizer.
- Constrangedor. - comentou, fazendo careta.
- , você sabe que um dueto exige que a música seja cantada por duas pessoas, certo? - não acreditava que o estava realmente cogitando aquela possibilidade.
- Eu sei! - afirmou com a cabeça.
- E quem seria a outra pessoa? - arqueou uma das sobrancelhas. me olhava e tentava se desculpar com o olhar.
- Provavelmente a única pessoa aqui que também sabe cantar. - me olhou e todos os outros fizeram o mesmo.
- Eu? - Eu sabia que estavam falando de mim. Eu só não queria acreditar naquilo. me olhou, sem saber como reagir.
- Por favor, ! Eu te imploro! - sabia que estava pedindo muito, mas sabia que eu seria capaz de fazer isso por ele.
- Você quer que eu cante com o… ? - Eu podia repetir aquilo mil vezes, que eu ainda não acreditaria naquilo.
- Não. Eu quero que você me ajude a fazer o meu pedido de namoro ser especial. - me olhou com carinho.
- … - Eu nem sabia o que dizer.
- É melhor pensarmos em outra coisa. - tentou consertar toda a situação. Ele não queria ter que passar por aquilo.
- É só uma música. - insistiu. - O Mark pode conseguir colocar vocês dois no palco, certo? Ele conhece o dono do lugar. Vocês cantam e depois eu subo e faço a minha parte. - Parecia muito simples quando o dizia, mas quando eu pensava naquilo, eu queria sair correndo.
- Sim, eu posso falar com o meu amigo. - Mark concordou mesmo não estando tão feliz com a ideia.
- Qual música é, afinal? - estava curiosa, apesar de tudo.
- ‘Broken’ do Seether e da Amy Lee. Vocês conhecem? - olhou para o e depois pra mim. - Na verdade, eu conheço. - afirmou. - Se for para parar pra pensar, ela fica bem melhor se for cantada por uma só pessoa. - Ele estava tentando evitar tudo aquilo.
- Você conhece? - ignorou totalmente a sugestão de e me perguntou.
- Na verdade, eu… não conheço muito bem. - Eu estava mentindo, mas eu juro que era realmente preciso naquele momento!
- Isso é engraçado, por que a Meg comentou comigo que não conseguia parar de escutar a música e que até tinha feito você viciar nela também. - me desmascarou na hora. DROGA.
- Olha, eu conheço a música, ok? Mas, eu concordo com o . - Eu comecei a dizer.
- MEU DEUS! ELA REALMENTE DISSE ISSO? - brincou com o fato de eu ter concordado com o .
- É sério! A música realmente pode ser cantada por uma só pessoa e o vai saber fazer isso muito bem. - Eu afirmei e voltou a me olhar. Ele percebeu que o meu desespero era o mesmo que o dele.
- Quer saber? Vamos deixar tudo isso pra lá. Eu penso em algo melhor outro dia. - Diante da minha recusa, desistiu de vez de fazer o pedido de namoro. e eu nos olhamos de canto de olho. Aquilo parecia uma ótima notícia, mas parecia ser tão errado.
- Espera! - interrompeu. - Olha, ele está só pedindo ajuda pra pedir a garota que ele ama em namoro. Vocês dois sabem exatamente como é isso, não é? - Ele perguntou retoricamente.
- O tem toda a razão. Vocês dois sabem o quanto é importante que esse momento seja o melhor possível. O quanto sonhamos para que esse momento seja perfeito. - concordou com o namorado. Eles estavam certos! Eu e o sabíamos disso, mas isso não tornava as coisas mais fáceis pra nós. Para eles pode até ser ‘só uma música’, mas para nós envolvia muito mais coisas. Envolvia momentos que preferíamos esquecer.
- Eu entendo. - afirmou, sério. Ele já esteve no lugar do antes e simplesmente não parecia certo privá-lo de ter o mesmo. Além disso, seria uma ótima maneira de provar a si mesmo e até mesmo para mim que ele já não se importava tanto. A resposta de parecia um ‘sim’, o que me surpreendeu bastante. Eu não esperava que ele aceitasse. Ele me olhou, esperando a minha resposta. A troca de olhar intensa que tivemos tentava me dizer algo, que eu estava nervosa demais para entender.



- Bom, eu… - Eu ergui os ombros e estava prestes a terminar a frase, quando eu fui interrompida.
- Galera, vocês precisavam ver o fora épico que a Meg acabou de dar em um cara. - chegou fazendo escândalo de propósito. Ela queria anunciar a chegada das duas para que parássemos de falar do assunto.
- Como assim? - ficou mais sério na mesma hora.
- Não se preocupa. Ele nunca mais vai desejar passar perto de mim. Eu juro. - Meg disse, rindo. Ela aproximou-se de e percebeu que os novos amigos haviam formado uma roda em um dos cantos do barzinho. Tinha uma mesa ao nosso lado, mas não usávamos ela a todo o momento. - Sobre o que vocês estão falando? - Ela deduziu que estávamos conversando.
- A e o acabaram de nos contar que vão cantar uma música. - olhou para nós dois.
- Bem, nós só… - Eu ia dizendo, quando o me interrompeu.
- Vão logo antes que dê a hora de irmos embora! - se aproximou e começou a empurrar eu e o pra longe. - Mark, você vai providenciar tudo, não é? - Ele olhou para trás.
- Claro! Eu vou falar com o meu amigo. - Mark afirmou na mesma hora e se afastou, indo em direção ao amigo.
- Muito obrigado. Sério! Eu nunca vou esquecer disso. - sussurrou para mim e para o antes de se afastar e nos deixar sozinhos.
- Não acredito que isso está acontecendo. - suspirou, contrariado. A sua voz me fez olhá-lo.
- Olha, isso também não era o que eu queria, ok? Mas, vamos fazer isso por eles, certo? - Eu queria deixar bem claro que só estava fazendo aquilo pelos meus amigos.
- Sim, certo. - afirmou ainda meio contrariado. Deixei de olhá-lo e de longe, vi o Mark conversando com dono do bar. Eu amo o e a Meg, mas eu estava realmente torcendo para que o dono do lugar não nos deixasse subir naquele palco.
- Você realmente conhece a música, não é? Se não conhece me diz logo para que eu não precise subir lá para pagar o mico da minha vida. - Eu ainda estava um pouco insegura com o . Eu ainda tinha medo que ele tentasse se vingar do que eu tinha feito ele passar naquele jogo.
- Não seria uma má ideia, sabia? Mas, sim. Eu conheço a música. - afirmou, sério. - Eu só preciso dar uma olhada na letra para confirmar uma coisa. - Ele tirou o celular de seu bolso e ficou olhando para a tela dele por um bom tempo.
- Ok, está tudo certo. A banda vai fazer um pequeno intervalo depois dessa música e vocês podem subir no palco. - Mark me deu a notícia que eu não queria ouvir.
- Ótimo. - Eu não deixaria o meu egoísmo em evidência.
- Ele disse que se vocês pedirem, a banda até pode acompanhar a música de vocês. - Mark avisou.
- Ainda bem. - ficou um pouco mais aliviado. Seria muito complicado cantar a música sem qualquer instrumento para acompanhar.
- Então, tudo bem? - Mark me olhou com lamentação. Ele percebeu que eu realmente não queria fazer aquilo.
- Tudo. - Eu afirmei e sorri pra ele. Eu não queria que ele se preocupasse.
- Eu já acabei. Você precisa dar uma olhada na música também? - ofereceu o celular emprestado.
- Não, tudo bem. Eu conheço muito bem a música. A Meg só tem escutado isso nas últimas semanas. - Eu sorri, tentando descontrair um pouco aquele péssimo clima.
- Certo. - disse antes de voltar a guardar o celular no bolso de sua calça. - Então, vamos seguir o padrão da música, certo? Quer dizer, em relação a parte que cada um de nós vai cantar. - Ele tirou a dúvida.
- É melhor, não é? - Eu perguntei e ele afirmou com a cabeça. - Pode ser. - Eu completei.

e eu estávamos lado a lado e esperávamos a banda cantar a última música. Nós parecíamos bem calmos, mas a verdade é que por dentro estávamos desesperados com o que estava prestes a acontecer. O motivo nem era o fato de cantarmos na frente de 150 pessoas, mas sim o fato de estar novamente juntos em um palco. Essa era a última coisa que precisávamos agora. Justo agora que estávamos decididos em seguir em frente. É claro que cantar uma música não vai nos fazer mudar de ideia sobre o que sentíamos naquele momento um pelo outro, mas definitivamente tornaria tudo mais difícil.

Nós sempre tivemos uma conexão com a música, sabe? Era uma coisa só nossa. As únicas vezes que cantamos, ou estávamos juntos, ou estávamos cantando um para o outro. Agora, subiríamos em um palco, cantaríamos uma música romântica e tentaríamos fingir que não estávamos cantando um para o outro. Seria muito difícil, porque aquela era a única maneira que nós conseguíamos cantar. Tente fazer tudo isso depois de tudo o que passamos ultimamente e depois de todas as brigas que tivemos. Tente imaginar como vamos sair daquele palco.

- Eles acabaram. Vão falar com eles. - Mark disse assim que a banda terminou a música.
- Vamos. - me olhou antes de sair em direção ao palco. Eu fui atrás dele.

explicou tudo para a banda: por que estávamos ali e a música que cantaríamos. A banda não parecia tão empolgada a nos acompanhar até saber qual música nós iriamos cantar. Por serem uma banda de Rock, eles adoraram a ideia e nos perguntaram mais de uma vez se nós realmente poderíamos cantar a música. os convenceu que sim. Era realmente impressionante a lábia que o tinha. Eu achei que era só com as garotas, mas não era. Ele consegue levar todo mundo no papo. Ele pode convencer qualquer pessoa do que quiser.

- Muito obrigada por nos acompanharem. Vai nos ajudar muito. - Eu também fui simpática com a banda.
- Nos agradeça mantendo o pessoal animado para a continuação do nosso show. - O baterista brincou e eu ri apenas para não deixá-lo no vácuo.
- Podem subir. - A vocalista da banda aproximou-se. - Eu já pedi para eles colocarem dois suportes e dois microfones pra vocês. - Ela disse.
- Obrigado. - sorriu pra ela e depois me olhou. Ambos sabíamos o quão nervosos estávamos. - Pelo e pela Meg, certo? - As palavras dele me fizeram olhá-lo. De alguma forma, ele estava tentando me acalmar.
- Pelo e pela Meg. - Eu confirmei, deixando um tímido sorriso escapar no canto do meu rosto.
- Legal. - afirmou com a cabeça, tentando não se deixar levar pelo meu quase sorriso. - Vamos. - Ele apontou a cabeça em direção ao palco.

Ao subir no palco, o meu coração começou a disparar sem qualquer motivo. A música mal tinha começado e eu já estava muito nervosa por estar ali em cima com o . Ele se aproximou de um do suportes do microfone e o agarrou com as duas mãos, achando que talvez aquele suporte pudesse, de alguma forma, impedi-lo de abandonar o palco a qualquer momento. Eu parei ao lado de e também fiquei de frente para o suporte do microfone que eu usaria. Olhei para a plateia e encontrei muitos olhares curiosos e outros de total desprezo. ‘Quem são esses dois?’. ‘Isso aqui virou um karaokê ou o que?’. Os únicos que nos olhavam diferente era os nossos amigos, que sorriam como idiotas por verem eu e o juntos naquele palco.

- Prontos? - O baixista sussurrou para nós. me olhou, esperando que eu desse qualquer sinal positivo. Eu afirmei com a cabeça e ele fez um sinal positivo para a banda. Ambos encaramos a plateia por detrás daquele microfone. Seria difícil até trocarmos olhares com eles.

A banda começou a tocar a música e foi só então que a minha ficha realmente caiu. Eu estou realmente aqui? O que eu estou fazendo? O coração continuava disparado e estava difícil até para respirar. repetia para si mesmo que não se deixaria levar pela música e que não deixaria que ela o afetasse de qualquer forma. não poderia interpretar a música da melhor forma, pois ele não poderia cantar aquelas frases como se elas fossem para mim. Ele não queria ter que passar por aquilo. Segundos antes da música começar a ser cantada, ambos respiramos fundo e repetimos para nós mesmos: ‘Pela Meg e pelo !’.



SE PREFERIR, ACOMPANHE COM A MÚSICA:





I wanted you to know that i love the way you laugh (Eu queria que você soubesse que eu adoro o jeito que você sorri)
cantou ao segurar o microfone com suas duas mãos. Ele se esforçava para continuar olhando para frente.
I wanna hold you high and steal your pain away (Eu quero te abraçar bem forte e levar sua dor pra bem longe) - Meu coração estava simplesmente saindo pela boca e as minhas pernas estavam totalmente bambas. A voz dele era a coisa mais poderosa de todas. Ela tinha o poder de me derrubar em poucos segundos. Ela me afetava de maneira inexplicável.
I keep your photograph and I know it serves me well (Eu guardo sua foto, e eu sei que ela me faz bem) – De repente, a música deixou de ser apenas frases aleatórias. Elas começavam a ter muito sentido para o , que não esperava o mesmo de mim.
I wanna hold you high and steal your pain (Eu quero te abraçar bem forte e roubar sua dor) – Os olhos dele já não encaravam a plateia. Os olhos desceram um pouco até o chão, enquanto ele tentava manter a mesma postura.

Cause I'm broken when I'm lonesome (Porque eu fico em pedaços quando fico solitário) – Aproximei a minha boca do microfone para acompanhá-lo na primeira verso do refrão. Ele voltou a encarar a plateia, mas na verdade não estava enxergando absolutamente nada.
And I don't feel right when you're gone away (E eu não me sinto bem quando você vai embora) – Na metade da frase, ele encontrou coragem para inclinar o seu rosto em minha direção e me olhar. Quando eu percebi que os seus olhos estavam sobre mim, eu também o olhei ao terminar a frase.

You've gone away (Você se foi) voltou a cantar sozinho e continuou me olhando. Ele já não parecia o mesmo idiota com quem eu venho brigando nos últimos dias.
You don't feel me here, anymore (Você não me sente mais aqui) - O jeito triste e ao mesmo tempo tão doce que ele me olhava me fez desistir de continuar olhando pra ele. Se eu continuasse olhando, eu não conseguiria cantar.

The worst is over now and we can breathe again (O pior já passou e nós podemos respirar de novo) – Encarei o microfone e o segurei com uma das mãos. Eu ainda sentia que ele me olhava e isso me deixava ainda mais instável. pensava no quanto sentiu a falta da minha voz e desejava inconscientemente que eu estivesse cantando sobre ele igual a todas as outras vezes em que ele me viu cantar.
I wanna hold you high, you steal my pain... away (Eu quero te abraçar bem forte, você tira a minha dor) me acompanhou na última palavra do verso, me fazendo voltar a olhá-lo.
There's so much left to learn (Ainda há muito o que aprender) – Passei a cantar olhando pra ele. De repente, ele parecia a única pessoa naquele bar.
And no one left to fight (E ninguém contra quem lutar) – Eu neguei com a cabeça.
I wanna hold you high and steal your pain (Eu quero te abraçar bem forte e roubar sua dor) – Eu fechei os olhos ao completar o último verso.

Cause I'm broken when I'm open (Porque eu fico em pedaços quando me abro) – O refrão exigia que aumentássemos a entonação na voz, por isso, fui obrigada a ver aquela careta extremamente linda e involuntária que ele fazia. Será que ele sabe o quanto isso é destruidor?
And I don't feel like I am strong enough (E eu não me sinto como se eu fosse forte o bastante) não tirava os olhos de mim. Aquele momento era extremamente valioso para ele. Ele não sabia se teria a oportunidade de cantar comigo novamente.
Cause I'm broken when I'm lonesome (Porque eu fico em pedaços quando fico solitário) – Uma das mãos de soltou o microfone para que ele a fechasse e demonstrasse a força do que ele estava cantando, que era a maior verdade de todas.

And I don't feel right when you're gone away (E eu não me sinto bem quando você vai embora) – Eu neguei com a cabeça sem perceber que estava deixando em evidência mais do que eu deveria, mais do que eu queria. Quando o refrão acabou, eu consegui me recuperar e deixei de olhá-lo na mesma hora. Encarei novamente a plateia e vi que todos pareciam curtir o que estávamos fazendo. Ambos olhamos na direção dos nossos amigos e eles nos olhavam perplexos. Meg nos olhava atentamente, enquanto estava entrelaçada nos braços de .

- Olhem, não deixem que eles saibam, mas... que química, hein? - Mesmo sabendo que estávamos separados, ainda conseguia ver que tinha sentimentos entre nós.
- Meu Deus. - suspirou, encantada.
- Parece até que eles… nunca se separaram. Isso é assustador. - negou com a cabeça, surpresa.
- E… wow! Ele realmente manda muito bem. - Meg foi obrigada a reconhecer.
- Ele com certeza ainda é louco por ela. - também comentou. Mark não estava perto, mas definitivamente era o que ele também pensava.
- Se eu conheço bem a minha irmã, ele não é o único. - completou.

Enquanto a banda tocava a parte mais instrumental da música, nós nos esforçamos para esquecer que estávamos no mesmo palco. Eu acenei discretamente para os nossos amigos e mantive contato visual com eles. O afastou-se um pouco do microfone e aproximou-se da banda. Ele acompanhava o som da bateria com movimentos sutis com a cabeça.

Cause I'm broken when I'm open (Porque eu fico em pedaços quando me abro) voltou rapidamente a assumir o controle do microfone e eu continuei olhando pra frente.
And I don't feel like I am strong enough (E eu não me sinto como se eu fosse forte o bastante) – Uma das minhas mãos segurava o microfone e a outra tocava o suporte do microfone.
Cause I'm broken when I'm lonesome (Porque eu fico em pedaços quando fico solitário) – Nos esforçamos mais para cantar esse verso, mas continuamos sem nos olharmos.
And I don't feel right when you're gone away (E eu não me sinto bem quando você vai embora) – Fechei os olhos para manter o vocal da última palavra.

Cause I'm broken when I'm lonesome (Porque eu fico em pedaços quando fico solitário) – Ao iniciarmos o último refrão, nos olhamos involuntariamente no início do verso. Sem hesitar, tirou o microfone do suporte e virou todo o seu corpo em minha direção.
And I don't feel right when you're gone (E eu não me sinto bem quando você vai embora) – Eu neguei com a cabeça, enquanto fazia o mesmo com o meu microfone. Apesar de tirá-lo do suporte, continuei segurando o suporte com a outra mão. Conseguimos manter juntos o vocal da última palavra do verso. Nos encaramos por poucos segundos antes de terminarmos a música. Os olhos dele tentavam me dizer alguma coisa, que eu não conseguia entender. Talvez porque nós simplesmente não falávamos mais a mesma língua ou porque eu estava triste demais em ter que cantar aquela última frase com ele com tanta sinceridade e com tanto pesar.

You've gone away (Você se foi) – Os olhares que trocamos me fez acompanhá-lo em mais um verso.
You don't feel me here, anymore (Você não me sente mais aqui) terminou a música com o coração em pedaços. Ele afastou o microfone de sua boca e chegou a negar sutilmente com a cabeça como se dissesse ‘Eu sinto muito.’. O olhar triste dele me devastou de tal maneira, que eu não conseguiria explicar. Eu apenas respirei fundo, enquanto os aplausos e gritos da plateia me mantinham sã.



TROQUE A MÚSICA:



Depois de tantos aplausos, eu tinha que seguir com o plano, já que o não parecia ter condições para tal. Deixei de olhá-lo, mas ainda me sentia mal com o que tinha acabado de acontecer naquele palco. Eu estava me esforçando para não deixar aquilo me afetar de qualquer forma. Eu deixei de olhá-lo e coloquei o microfone novamente no suporte. Encarei a plateia com o meu melhor sorriso e o tentou fazer o mesmo.

- Hey, pessoal. - Eu disse e eles voltaram a aplaudir. - Muito obrigada. - Eu deixei um sorriso sincero escapar.
- Obrigado. - também agradeceu toda a reação positiva da platéia.
- Olha, foi muito divertido e também um enorme prazer cantar pra vocês hoje. - Eu voltei a dizer.
- Vamos aplaudir a banda, pessoal. Eles foram incríveis. - olhou para os integrantes da banda e apontou na direção deles. A platéia aplaudiu novamente.
- Bem, tudo isso foi bem legal, mas… nós estamos aqui por um motivo. - Eu disse, fazendo mistério.
- Essa é a música favorita de um dos nossos casais de amigos. Sim, Meg. Eu estou te incluindo nisso. - rolou os olhos, mas manteve o sorriso no rosto. De longe, a Meg fez careta e negou com a cabeça, mas acompanhou a risada dos amigos em sua volta.
- , talvez você queira subir aqui e dizer algumas palavras. - Eu sugeri como se estivesse improvisando. Os amigos apoiaram a ida de até o palco, que fingiu ter sido convencido por todos eles.
- Você pode vir também, Meg. - também sugeriu.
- Meu Deus! Isso é sério? - Meg estava um pouco envergonhada com tudo aquilo.
- Vem comigo. - pediu ao segurar a sua mão e puxá-la com ele.

Enquanto o e a Meg iam em direção ao palco, eu e o nos afastávamos dele. Seguimos caminhos diferentes, mas chegamos juntos até o lugar onde os nossos amigos estavam. me recebeu com um abraço e sussurrou em meu ouvido, perguntando se eu estava bem. Ele me conhecia extremamente bem e já sabia a resposta antes mesmo de perguntar. Eu não respondi, apenas terminei o abraço e sorri pra ele com tristeza. me devolveu o sorriso e chegou do lado dele.

- Foi lindo, . - sorriu com pesar. Eu apenas afirmei com a cabeça e dei o meu melhor sorriso.
- Mandou bem, Jonas. - tocou o ombro do melhor amigo, que também respondeu com um simples sorriso. Nós dois não estávamos tão bem quanto achávamos que estaríamos.
- Foi muito legal o que vocês fizeram por eles. - sentiu o clima estranho, mas comentou de qualquer forma. Ela queria que soubéssemos que todo o esforço que fizemos não foi à toa.
- Oi, galera. Eu peço desculpa por atrapalhar a noite de vocês. Eu juro que vou ser bem rápido. - disse ao segurar o microfone. Meg não sabia o que estava fazendo ali. - Bem, primeiro eu queria agradecer aos meus amigos, e . Eles foram incríveis, não foram? - Ele perguntou para o público e todos gritaram na mesma hora. A reação de todos me arrancou um sorriso e fez fazer uma breve comemoração com o . - Eu realmente agradeço muito pelo que vocês fizeram hoje. Eu sei que era a pior coisa que eu podia pedir para vocês agora, mas, mesmo assim, vocês fizeram isso por mim e pela Meg e eu nunca vou ser grato o bastante. - completou.
- Obrigada mesmo por cantarem a nossa música. Você não é tão ruim quanto eu achei, Jonas. - Meg disse e fez todos rirem, inclusive o .
- Eu pedi a eles que cantassem a nossa música hoje, mas essa não é a única coisa que eu vou pedir hoje. - virou-se em direção a Meg. - Escuta, Meg. Eu sei que não nos conhecemos há tanto tempo assim e sei que pode parecer um pouco precipitado da minha parte fazer tudo isso na frente de todas essas pessoas, correndo o risco de não receber a resposta que eu tanto quero. - Ele estava nervoso. - Nós tínhamos tudo para darmos errado. Nós não nos vemos tanto quanto eu gostaria, por que moramos em cidades diferentes, mas a distância não vai nunca mudar o que eu sinto por você desde que eu te vi pela primeira vez. - sorriu, quando viu os olhos da namorada encherem de lágrimas.

O assunto ‘distância’ parecia ser tão fácil para a Meg e para o , mas parecia impossível para mim e para o . As palavras de nos acertou em cheio, foi um golpe certeiro. Parecia até que ele estava falando aquilo para nós dois. A distância que não funcionou para nós, funcionava para eles. Então, o problema somos nós? Não tentamos o bastante? Fomos fracos demais? O amor não era o bastante? Não importa agora. O que realmente importa é que a distância não define o amor de ninguém. Talvez fosse mais fácil para o e para a Meg, pois eles já se apaixonaram sabendo de toda essa coisa de distância. Comigo e com o foi diferente. Nós nos víamos todo dia. Nós precisávamos e dependíamos muito um do outro e quando percebemos, tinha acabado. Em meio ao discurso do , nós nos olhamos. Nós não dissemos nada, mas se disséssemos, nós certamente perguntaríamos: ‘O que fizemos de errado?’.

- Meg, você quer namorar comigo? - perguntou, me fazendo deixar de olhar pro e voltar toda a minha atenção para o palco. Ele ajoelhou-se e abriu a caixinha que estava em suas mãos. Meg estava completamente em choque e suas mãos cobriam o seu rosto. Um sorriso involuntário surgiu em meu rosto. Eu estava muito feliz por ela, pois eu sabia exatamente o que era estar naquele palco. Eu já estive em seu lugar e eu não podia desejar nada melhor pra ela do que aquela sensação mágica de ouvir aquela mágica pergunta da pessoa que ama.
- Eu quero! - Meg respondeu, depois de fazer um certo mistério. A plateia comemorou e vibrou. também estava feliz pelo amigo, mas a única coisa que ele conseguia fazer era ficar ali me olhando, enquanto ele se lembrava da noite em que aquele mesmo pedido de namoro era feito por ele. sentia falta da felicidade que sentiu no instante seguinte em que eu aceitei o seu pedido e ele se deu conta de eu era a sua garota. Eu batia palmas assim como todos a minha volta, mas ainda podia sentir o olhar dele sobre mim. Aquilo doía muito.

e Meg já estavam com as alianças e todos nós resolvemos fazer um drink para comemorar o namoro dos dois. Todos pediram suas bebidas. Enquanto eu pedia a bebida com menos álcool, pediu a bebida mais forte que eles tinham. Mark estava levando tudo numa boa. Ele não faria uma cena de ciúmes como o certamente faria. Ele não questionaria os meus motivos por estar péssima para continuar naquela festa e é exatamente por isso que ele é tão especial pra mim. Ele já secou as minhas lágrimas quando eu chorava por outro cara. Ele já me salvou para me ver voltar para os braços de outro cara. Ele me protegeu até mesmo quando a sua vida estava desabando. Se algum dia você conhecer uma pessoa como ele, sinta-se a pessoa mais sortuda do mundo. Não existem tantos Mark’s no mundo.

Depois do nosso drink, começamos a conversar sobre como tinha sido perfeito o pedido de namoro de . Meg nos mostrava a sua aliança e elogiava a minha apresentação com o . Não demorou muito para que eu percebesse que o tinha sumido há algum tempo. Não que isso fizesse alguma diferença ou que fosse do meu interesse, mas eu discretamente passei a procurá-lo pelo bar só com os olhos. Nenhum de nossos amigos falava sobre ele ou perguntava sobre ele. Só eu que notei o desaparecimento repentino dele?

- Faz algum tempo que eu não vejo o . - Mark comentou comigo algum tempo depois, enquanto olhava rapidamente em volta. Ótimo! Eu não fui a única! O irmão dele também tinha notado o sumiço do Jonas.

Para o , era mais difícil enfrentar as coisas entre nós como se nada tivesse acontecido. Ele não conseguia, então ele simplesmente preferia se afastar e ficar um pouco sozinho para lidar com isso. Ele tinha ido até o bar para pedir mais uma bebida, quando uma bela garota se aproximou e já foi logo de cara elogiando a voz dele. Como o garanhão que sempre foi, não deixaria a oportunidade passar, certo? Ficou um bom tempo conversando com a garota, que chegou a perguntar quem era a misteriosa garota com que ele tinha cantado. Ele conseguiu fugir da pergunta dizendo o quanto ela era bonita.

Todos a minha volta conversavam empolgadamente e riam de histórias que eu só conseguia ouvir partes, pois meus olhos ainda rodavam discretamente o bar. Não seria bem mais fácil esquecer aquilo e me divertir com os meus amigos? Claro que seria, mas eu tenho essa mania idiota de ficar procurando mais problemas.

Eu só parei de procurar, quando eu realmente achei o que eu queria. O estava beijando essa garota do outro lado do bar, o que queria dizer que ele não estava fazendo aquilo para me atingir ou para chamar a minha atenção. Ele estava bem longe e em um lugar um pouco escuro. Esse era inevitavelmente o motivo que estava faltando para que eu quisesse ir embora daquele lugar naquele instante. Mesmo estando desesperada para ir embora, eu ainda demorei algum tempo para me manifestar, pois não queria que ninguém percebesse o meu verdadeiro motivo.

- Gente, eu acho que eu vou embora. - Eu disse, quando todos finalmente pararam de conversar.
- Ir embora? Porquê? - aproximou-se na mesma hora, sabendo que havia algo errado.
- Eu… estou com um pouco de dor de cabeça. Eu acho que foi a bebida. - Eu inventei a mentira na hora.
- Você realmente está com uma carinha. - Meg se aproximou e me examinou visualmente.
- Você está bem? - Mark me olhou, preocupado.
- Sim, tudo bem. - Eu neguei com a cabeça e sorri como se dissesse que ele não precisava se preocupar.
- Eu só tenho uma pergunta: se você é tão fraca pra bebida, por que você bebe? - me deu uma bronca.
- Exatamente! - também me olhou feio.
- Eu já cansei de falar isso pra ela. - concordou.
- Hey! Hey! - Eu pedi calma com as mãos, enquanto ria. - Podem parar com os sermões, ok? Eu não estou entrando em coma alcoólico. É só uma dor de cabeça. - Eu achava uma graça o jeito que todos eles cuidavam de mim.
- Eu te disse pra não beber, . - me olhou feio.
- Eu precisava comemorar o namoro dos meus amigos, ok? É um bom motivo. - Eu me justifiquei.
- Já ouviu falar em água? - abriu os braços, irritado.
- , a sua irmã não é mais uma criança. - o repreendeu.
- Obrigada, . - Eu sorri para a minha cunhada.
- Do que vocês estão falando? Você é a minha irmã mais nova e pelas minhas contas, você sempre vai ser. Então, nem pense em começar com essa fase rebelde, porque fui eu que te ensinei todos os seus truques. - respondeu na mesma hora, chamando a atenção de todos.
- Ok, ok! Eu entendi. - Eu o acalmei. - Olha, eu vou pra casa. - Eu disse e todos reclamaram. - Eu vou sozinha e encontro vocês lá em casa mais tarde. - Eu dei uma boa alternativa a eles.
- Sozinha? - arqueou uma das sobrancelhas.
- Eu vou com ela. - Mark se adiantou.
- Viu? O Mark vai comigo. - Eu aceitei a companhia dele, pois sabia que ninguém me deixaria ir embora sozinha mesmo.
- Nós viemos pra Nova York pra ficar com você e agora vamos ficar aqui sem você? - parecia não ter gostado da ideia.
- Vocês estão em Nova York! Eu não vou deixar que vocês percam a noite de vocês por causa de mim. - Eu cruzei os braços e fiquei séria na mesma hora. - Olha, eu já estive em várias festas como essa. Isso é comum pra mim, mas é diferente pra vocês. - Eu não permitira que eles fossem embora. - Além disso já são quase 11 horas. Vocês não vão demorar tanto assim. - Eu ergui os ombros.
- Mas… - ia questionar, mas eu o interrompi.
- Está decidido, ok? O Mark vai comigo pra casa e vamos esperar vocês lá. - Eu disse com autoridade.
- Está bem, então. - concordou, contrariada.
- Legal. Eu vejo vocês daqui a pouco, então. - Eu disse antes de me aproximar e beijar cada um deles.
- Qualquer coisa, você liga, Mark. - Meg pediu e ele afirmou com a cabeça.
- Cuida dela. - pediu a ele.
- Claro. - Mark estendeu a mão e o meu irmão a apertou. - Eu vejo vocês depois. - Ele também se despediu antes de sair ao meu lado.

Não conseguimos trocar qualquer palavra até sairmos daquele bar. Por sorte, ninguém tinha visto os beijos que o AINDA estava dando naquela garota desconhecida. Se vissem, saberiam na hora o verdadeiro motivo da minha dor de cabeça. também não tinha percebido que eu tinha ido embora com o Mark. Ele estava um pouco ocupado no momento.

- Você está realmente bem? - Mark perguntou, quando andávamos em direção a um táxi estacionado na rua.
- Eu estou! Eu juro! - Eu afirmei ao olhá-lo. - Vamos correr ou perderemos o táxi para aquela moça. - Eu disse, quando vi uma garota que também saia do bar. Nós corremos um pouco e conseguimos chegar no táxi antes dela. Entramos e eu disse o endereço para o motorista, que deu a partida em seguida.
- Eu juro que queria saber como você consegue correr com esse salto. - Mark comentou ao sorrir.
- Esse é um mistério que os homens jamais vão desvendar. - Eu disse ao piscar um dos olhos pra ele.
- Ok, então. - Mark riu sem emitir som.
- Hey… - Eu diminui o meu sorriso. - Desculpa por ter te atrapalhado o resto da sua noite. - Eu me sentia um pouco mal por isso.
- Não se preocupa com isso, está bem? Vamos só… cuidar de você. - Mark disse sem saber o quanto aquilo era adorável. A minha resposta foi apenas um sorriso bobo. Me aproximei um pouco mais dele, passei um dos meus braços em volta do braço dele e coloquei a minha cabeça em seu ombro. Ele conseguia me acalmar e sabia como fazer com que eu me sentisse melhor.

Chegamos em casa e para variar, ele não me deixou pagar o táxi. Eu bem que tentei, mas ele me olhou feio com aqueles seus olhos verdes ‘horríveis’ e eu acabei cedendo. Resolvemos ir para a minha casa, pois pretendíamos esperar o pessoal que voltaria mais tarde. Ao entrar na minha casa, fui obrigada a dizer que a minha dor de cabeça tinha passado para não precisar tomar remédio. Nos sentamos lado a lado no sofá.

- A Meg estava muito feliz. - Mark comentou, puxando assunto. Ele virou-se no sofá.
- Ela estava radiante e o também. Eu torço tanto por eles. - Eu falei sobre o assunto sem citar a música. Eu também me virei no sofá para ficar de frente pra ele.
- Ela é bem diferente da sua outra amiga que namorava o , não é? - Mark quis saber. Não teve oportunidade de conhecer a tão bem.
- Elas são bem diferentes, mas… elas também são bem parecidas em algumas coisas. - Eu disse, pensando um pouco mais sobre o assunto. Nunca tinha parado para fazer essa comparação.
- Por que eles terminaram afinal? - Mark perguntou.
- Eu não sei muito bem. Nós não estávamos mais tão próximas quando eles terminaram. Eu acho que as coisas simplesmente mudaram, sabe? Ela mudou. Ele mudou. - Eu ergui os ombros.
- Vocês se afastaram bastante, não é? - Mark percebeu que o assunto me deixava triste.
- Sim. Nós brigamos por causa da Amber e… por causa do . - Eu terminei a frase rolando os olhos.
- Amber… - Mark negou com a cabeça. - Eu preciso conhecê-la. Ela não pode ser tão horrível assim. - Ele disse e eu cerrei os olhos na sua direção na mesma hora.
- Você está brincando, certo? - Eu ainda o olhava, quando o vi rir. - Se essa garota pensar em chegar perto de você, eu acabo com ela. - Eu disse de um jeito um pouco mais humorado, quando percebi que ele estava brincando.
- Wow! - Mark sorriu, surpreso. - Eu não sabia que eu era tão importante assim. - Ele completou.
- Como assim? É claro que você é importante. - Eu neguei com a cabeça, enquanto sorria pra ele. - Você não conhece essa garota. Ela adora botar as mãos no que é meu. - Eu disse totalmente concentrada no ódio que eu sentia por ela, enquanto o Mark apenas ficava me ouvindo falar dele com tanta autoridade. - Aliás, se ela viu o jogo pela TV hoje a tarde e viu o nosso beijo, ela vai pegar o primeiro voo pra Nova York e deve aparecer na sua porta daqui aproximadamente… - Eu fingi olhar no relógio que eu nem ao menos tinha. - 10 minutos. - Eu completei aos risos, quando ouvi o Mark gargalhar.
- 10 minutos? - Mark tentou ficar mais sério. - Bom, acho que nós temos mais algum tempo então. - Ele brincou. Eu cerrei os olhos, mantendo um sorriso no canto do rosto.
- Aproveitando que… estamos falando sobre o jogo. - Eu fiquei um pouco mais séria para falar no assunto.
- Você está se referindo ao beijo, certo? - Mark não parecia bravo ou chateado com o assunto.
- Me desculpa por aquilo. - Eu levei uma das mãos até o meu rosto. Eu não conseguia nem olhar pra ele.
- Que bom que você se desculpou por isso, porque eu já estava cogitando a possibilidade de não te perdoar nunca. - Mark ironizou, me fazendo recuperar a coragem para olhá-lo.
- Não, eu estou falando sério. Foi… ridículo. Eu não sei o que deu em mim. - Eu rolei os olhos.
- Mas eu sei. - Mark afirmou referindo-se ao .
- Eu também sei, mas é que é tão patético que eu tenho até vergonha de assumir. - Eu disse em meio a caretas. Ele sorriu.
- Então, eu estava certo. Eu estava com medo que estivesse certo. - Apesar de estar triste, ele manteve o sorriso.
- Eu queria puni-lo de alguma forma. - Eu me referia ao . - Nós temos brigado tanto nos últimos dias e parece que estamos nessa guerra idiota, que me faz perder a cabeça. - Eu estava com raiva de mim. - E depois de tudo, eu me dei conta de que… - Ainda era difícil pra mim completar essa frase. - Vocês são irmãos. Eu não posso fazer isso. Eu não posso colocá-los um contra o outro. Eu não posso usar um contra o outro. Isso é errado. - Eu estava tentando ser completamente sincera com ele.
- Quer saber um segredo? - Mark perguntou mais sério, quando me ouviu falar sobre o fato de eles serem irmãos.
- Quero. - Eu afirmei com um fraco sorriso.
- Hoje aconteceu a coisa mais estranha de todas. - Mark riu sem emitir som. - Depois que nós nos beijamos, eu vi o daquele jeito e, pela primeira vez, eu me senti mal por ele, sabe? Se fosse há alguns meses, eu não me importaria com ele, mas, hoje… eu me importei. - Ele me contou. Ele parecia meio sem jeito por estar dizendo aquilo em voz alta.
- Ele é o seu irmão, Mark. Não há nada de errado com o fato de você se importar com ele. - Eu era a única pessoa com quem o Mark podia conversar sobre aquilo, então eu me sentia na obrigação de dizer aquilo pra ele.
- Eu nunca tive um irmão. Eu não sei como lidar bem com isso. - Mark riu de si mesmo.
- Você vê como isso é errado? Por causa de mim, o ficou decepcionado com você e você se sentiu mal por isso. - Aquilo só aumentava ainda mais a minha culpa. - Foi… um grande erro. - Eu completei.
- Então, foi só isso pra você? Um grande erro? - Mark perguntou, demonstrando um pouco de decepção.
- Olha, Mark… - Quando eu percebi como minha frase poderia ter soado, eu tentei reverter a situação na mesma hora.
- Está tudo bem. - Mark tentou sorrir. O olhar dele de repente tinha mudado.
- Eu não quis dizer isso. - Eu afirmei na mesma hora. - Eu não te beijei pelos motivos certos. Esse foi o meu erro. - Eu completei.
- Você só queria machucar o . Eu entendi. - Mesmo estando decepcionado, Mark continuava fingindo levar tudo aquilo numa boa para não arrumar problemas. Quando ele terminou a frase, eu continuei olhando pra ele e ele fez o mesmo. Depois de ficarmos algum tempo nos olhando, ele deixou um fraco sorriso escapar. Mark achou que o sorriso dele me faria acreditar de que estava tudo bem entre nós quando, na verdade, me deu coragem para dizer o que eu tinha receio.
- Aquele beijo foi sim um grande erro da minha parte e foi extremamente egoísta, mas… - Eu hesitei completar a frase. - Ele também teve a sua parte boa. - Eu não fui tão clara.
- O que isso quer dizer exatamente? - Mark arqueou uma das sobrancelhas.
- Isso quer dizer que… eu gostei de beijar você. - Eu fiquei um pouco sem jeito ao completar a frase e deixei de olhá-lo por alguns segundos. - E esse é o único motivo por eu não me arrepender do que eu fiz. - Eu completei ao voltar olhá-lo.
- Eu espero que você não esteja dizendo isso só para consertar o que você disse antes. - Mark disse em um tom de brincadeira.
- Por que é tão difícil acreditar que eu posso estar gostando de você? - Eu perguntei e o sorriso em seu rosto mudou. No primeiro momento, ele achou que eu estava brincando. Quando ele foi se dando conta de que eu falava sério, o sorriso foi desaparecendo de seu rosto.
- Por que coisas boas não costumam acontecer com tanta frequência na minha vida. - Mark disse, olhando nos meus olhos. A frase dele só me fez ficar ainda mais encantada. Eu adorava o jeito único que ele tinha de me fazer sentir importante.
- Bem, eu estou aqui para provar que você está errado. - Eu sorri sem mostrar os dentes. - Eu gosto de você, Mark. - Eu afirmei colocando o meu rosto bem em frente ao dele. Agora, eu fazia questão de dizer. - Eu gosto da sua bondade. Eu gosto do seu jeito tímido de fazer as coisas por mim. Eu gosto quando você cuida de mim mesmo sem saber o motivo da minha vulnerabilidade. Eu gosto do fato de você compartilhar de quase todos os meus problemas só para não me deixar sofrer sozinha. - Enquanto eu falava, ele olhava atentamente para o meu rosto. - Eu gosto quando esses seus olhos verdes ficam me encarando como se estivessem guardando cada detalhe do meu rosto. - Eu sorri ao terminar a frase, fazendo com que os olhos dele passassem a encarar os meus lábios. - E eu gosto do seu beijo. - Eu disse, deixando de olhar os seus olhos para olhar os seus lábios.
- Você não é apenas uma coisa boa. - Mark deixou de olhar para os meus lábios para olhar em meus olhos. Uma de suas mãos se aproximou do lado esquerdo do meu rosto e o acariciou. - Você é a melhor delas. - Ele completou antes de aproximar um pouco mais o seu rosto do meu. Um fraco sorriso surgiu no meu rosto sem que eu percebesse. Mark esperava qualquer sinal meu para que ele pudesse me beijar. A encarada nada discreta que eu voltei a dar em sua boca foi o sinal que ele precisava. Mark inclinou o seu rosto, enquanto se aproximava lentamente. A mão dele que já estava em meu rosto, deslizou para lateral da minha cabeça, ficando embaixo do meu cabelo. Quando a boca dele ficou há menos de três dedos de distância da minha, ele parou e deixou que eu diminuísse de vez a distância que havia entre os nossos lábios. O beijo começou com um selinho, que acabou se aprofundando quando eu tomei a iniciativa



Canto com um e beijo o outro? Confuso, não é? Você não faz ideia! Enquanto ele me beijava, eu não tinha absolutamente nenhuma dúvida em relação ao que eu estava fazendo. O Mark não estava forçando nada e eu também não estava correspondendo ao beijo por pena. Eu estava beijando ele por que eu realmente gosto dele. Ficar com ele me dava a certeza de que eu seria feliz pra sempre. Eu adorava o casal que nós sempre fizemos. Eu adoro a forma como tudo dá extremamente certo entre nós dois. Ele era muito bonito e tinha o melhor coração do mundo. Não tinha como dar errado, sabe? Bom, pelo menos até a hora que o aparecia.

A minha relação com o Mark mudou muito desde a última vez que estivemos juntos como um casal. Eu sempre tive um carinho enorme por ele, mas agora parece ter algo maior envolvido. Algo que, além de me dizer que é certo ficar com ele, me faz querer ficar com ele. Algo que me faz ter vontade de beijá-lo e de estar com ele. Eu não sei dizer exatamente o que é esse ‘algo’, mas eu prefiro não usar a palavra amor, pelo menos, não tão cedo.

Os meus amigos e o meu irmão continuavam no barzinho, que ficou um pouco mais desanimado quando a banda encerrou o show. Apesar de quererem ir embora, eles resolveram ficar um pouco mais depois de verem o com a tal garota. Eles não queriam interrompê-los e nem estragar a diversão deles. Se eles fossem embora, teria que ir também, pois vieram todos em um carro só.

Ao contrário do que todos pensavam, não estava bêbado. Ele tinha sim bebido alguns copos, mas nada que o deixasse fora de si. Ele estava ficando com aquela garota por que ele queria. Ele estava ficando com ela simplesmente por que ela era bonita e por que demonstrou muito interesse nele. Qual o problema? Ele era solteiro e não devia satisfações a ninguém. É claro que os beijos na tal garota o ajudaram a esquecer aquele dia horrível. Talvez esse tenha sido um dos motivos dele. Quem poderia julgá-lo por isso, não é?

- Hey. Achei vocês! - disse assim que chegou na mesa dos amigos.
- Oi, . - sorriu para o amigo. - Oi, amiga do . - Ele olhou para a garota que estava ao lado dele.
- Oi, pessoal. - A garota deu o seu melhor sorriso.
- Essa é a… minha nova amiga. - improvisou quando não se lembrou do nome da garota.
- Lindo nome. - ironizou, recebendo um cutucão de . Todos seguraram o riso. o fuzilou com os olhos.
- Então, nós estávamos querendo ir embora. - mudou de assunto. Não demorou muito para que notasse a minha ausência na mesa.
- Cadê a ? - teve que perguntar.
- Ela foi embora com o Mark. - respondeu com um careta, pois sabia que ele não gostaria de saber.
- Quem é ? - A garota perguntou apenas por que queria se entrosar.
- Não é ninguém. - respondeu quase que imediatamente.
- É a garota com quem ele cantou. - fez questão de dizer.
- Ela é só uma amiga. - tentou consertar a situação, olhando torto para a amiga.
- Na verdade, é a ex-namorada dele. - Meg falou para garota, enquanto fazia careta. apenas a matou com o olhar. Os amigos continuavam se segurando para não rir.
- Quer saber? Podem ir embora. - forçou um falso sorriso para os amigos. - Eu vou ficar. - Ele afirmou.
- E como você vai embora depois? - perguntou.
- Eu pego um táxi. - encontrou a solução para o problema.
- Bom, se você prefere. - ergueu os ombros.
- Que ótimo. Eu estou morta. - reclamou.
- Eu também. Passamos quase o dia todo fora. - fez careta.
- Então, vamos. - disse e todos se levantaram da mesa.
- , você pode pedir pro Mark deixar uma chave embaixo do tapete da varanda pra eu poder entrar depois? - aproximou-se do amigo para pedir.
- Nossa. Você vai demorar tanto assim? - perguntou com um sorriso malandro.
- Eu acho que vou ficar um pouco ocupado o resto da noite. - afirmou com um sorriso safado e os dois riram.
- Eu falo pra ele. - deu alguns tapinhas no ombro do amigo.
- Valeu. - agradeceu. - Eu vejo vocês amanhã. - Ele gritou para os amigos, que já se afastavam.
- Amanhã? - arqueou uma das sobrancelhas. - Ele não vai voltar pra casa hoje? - Ela completou a pergunta.
- Amor, você viu a garota que estava com ele, não viu? - respondeu, referindo-se ao físico da menina.
- E o que tem ela, ? - olhou feio para o namorado.
- Odiei ela. - tentou reverter a situação na mesma hora. lhe deu um empurrão, enquanto os amigos riram.

Todos foram para o estacionamento, onde o carro de estava estacionado. Passaram deixar a Meg na casa dela, pois a mãe dela não deixaria que ela dormisse fora de casa de novo. Seguiram para a minha casa com a ajuda de um GPS, pois ainda não conheciam bem a cidade. Quando chegaram na minha casa, Mark e eu ainda conversávamos no sofá em meio a sorrisos bobos e olhares intensos. Fizemos questão de nos afastarmos um pouco quando ouvimos o carro de parar em frente a casa.

- Eu disse que eu não precisava do GPS. - disse, enquanto abria a porta com a chave que eu havia dado pra ele.
- Do que você está falando? Você errou o caminho 3 vezes. - respondeu. Eles pararam de discutir, quando viram eu e o Mark na sala.
- Oi! - sorriu, aproximando-se.
- Você está melhor, ? - sentou-se ao meu lado.
- Eu estou bem melhor. A dor de cabeça já passou. - Eu os tranquilizei. - E como foi lá? - Eu perguntei ao olhar pra todos. É óbvio que eu percebi que o não estava com eles.
- Depois que a banda acabou o show não teve mais graça. - fez cara feia, sentando-se no sofá. Ele pegou o controle remoto e ligou a TV.
- E a Meg? - Eu também tinha notado que ela não tinha vindo, mas dela eu podia perguntar.
- A mãe dela não gostou da ideia de ela dormir fora de casa de novo. Deixamos ela em casa. - fez bico. - Ela disse que vem amanhã cedo. - Ele completou.
- O não veio com vocês? - Mark fez a pergunta que eu tanto queria fazer, mas que jamais faria.
- Ele ficou lá com aquela garota. Não deve voltar tão cedo. - disse sem qualquer problema.
- Ele mal conhece essa garota direito. - negou com a cabeça.
- Antes ela do que a minha irmã. - ergueu os ombros, prestando a atenção na TV. A frase dele me fez olhá-lo de canto. Se ele soubesse, hein?
- Olha, estão repetindo e comentando os lances do jogo. - aproximou-se e também sentou-se no sofá.
- Eu quero ver! - se juntou a eles.
- Prestem a atenção! Daqui a pouco vai passar aquele lance que eu falei. - Mark também havia voltado toda a sua atenção para a TV.
- Meu Deus. Eu não aguento mais ouvir falar de Yankees. - fez careta e tampou os ouvidos.
- Vamos subir. É melhor conversar lá em cima sem eles gritando. - Eu disse em meio a um suspiro. - Boa noite, Mark. - Eu me aproximei para me despedir dele. Beijei carinhosamente o seu rosto e ele me olhou e deu o seu melhor sorriso. Aquele que deixava as minhas pernas bambas, sabe? - Eu vejo vocês depois, meninos. - Eu não me despediria deles, pois eu ainda iria vê-los naquela noite. - Vamos, Buddy. - Eu me agachei em frente a casinha do cachorro, que saiu todo empolgado atrás de mim. Fui em direção a escada e as meninas me acompanharam. Fomos até o meu quarto e sentamos na minha cama. Buddy deitou-se em meu colo.
- Foi lindo o pedido de namoro do , não é? - comentou, encantada.
- Ele falou muito bem. - concordou.
- Ele parece gostar muito da Meg. - Eu demonstrei estar feliz por eles.
- E ela também parece gostar muito dele. - acrescentou.
- Então, vocês gostaram dela? - Eu perguntei, curiosa. Ainda não tínhamos conversado sobre isso.
- Confesso que quando a vi, fiquei um pouco com o pé atrás. Aquela coisa de julgar pela aparência, sabe? - negou com a cabeça.
- Eu também. A princípio, eu achei que ela não se encaixaria tanto no nosso grupo de amigos, mas depois de conhecê-la eu vi que ela é bem parecida com nós. - concordou com a amiga.
- Ela é um pouco diferente sim. Especialmente se formos levar a como parâmetro. Elas realmente são bem diferentes, mas cada uma tem a sua qualidade. - Eu tive que fazer a comparação para argumentar a respeito.
- Exatamente! - afirmou.
- E… vocês têm falado com a ? - Eu perguntei com um pouco de receio.
- Eu sempre falo com ela por mensagem. Ela sempre me pergunta como estão todos e quer sempre saber as novidades de todo mundo. - contou.
- Eu também converso bastante com ela. Aliás, eu tenho uma coisa pra contar, mas vocês têm que prometer não contar para os garotos. - impôs a condição.
- Eu prometo! - disse na mesma hora.
- Eu prometo também. - Eu também disse.
- Ela me contou que está namorando um francês. - disse um pouco mais baixo.
- O QUE? Não brinca! - quase teve um ataque.
- Isso é muito legal. - Eu fiquei feliz em saber. - Se querem saber, isso não me surpreende nem um pouco. A sempre foi muito bonita. Até parece que ela não encontraria alguém lá. - Eu comentei.
- Ela não me contou nada! - mostrou-se brava. - Eu conto tudo pra ela e ela não me conta nada. - Ela rolou os olhos.
- Ela também pergunta sobre mim? - Eu quis saber.
- É claro que pergunta. Ela sempre pergunta sobre você e o . - contou.
- Sobre eu e o ? - Eu sorri com sarcasmo.
- Sim. Eu acho que ela se sente um pouco mal pelo que aconteceu com vocês dois e deve torcer pra que vocês voltem a se acertar. - explicou.
- Bem, eu acho que é um pouco tarde demais pra isso. - Eu neguei sutilmente com a cabeça em meio a um fraco sorriso.
- Isso é sério, ? - perguntou um pouco mais séria. - Não tem nenhuma chance pra vocês dois? - Ela fez bico.
- Honestamente, eu acho que não. - Eu afirmei sem querer parecer tão triste.
- Então, você não sente mais nada por ele mesmo? - perguntou, me analisando.
- Eu não sei. O fato é que eu não quero mais sentir. - Eu afirmei com toda a segurança do mundo.
- Me desculpa, mas é muito difícil acreditar que não existe mais nada entre vocês depois de ver vocês dois naquele palco hoje. - sentia-se mal por estar me falando aquilo, mas ela tinha que falar.
- Mas não existe mais nada. Ele pode até querer que exista, mas eu não quero. Eu não quero mais. - Eu afirmei, séria.
- E com o Mark, existe? - disse com um sorriso maroto.
- Talvez exista. - Eu respondi, deixando um sorriso escapar. - Eu gosto bastante dele. Ele é o cara mais incrível que eu já conheci. - Eu disse.
- Gosta? Gostar é diferente de amar, certo? - me olhou com desconfiança.
- Eu sinceramente não sei se eu… posso dizer que eu amo ele. É difícil dizer. - Eu estava nitidamente confusa.
- Você amava o , certo? Então, você sabe como é amar alguém. Você pode saber se sente o mesmo pelo Mark ou não. - me colocou contra a parede.
- Não dá! É diferente! Eles são completamente diferentes. As nossas relações são diferentes. Os sentimentos também são diferentes. - Eu respondi sem, na verdade, responder nada.
- Posso ser bem sincera? Não me odeie, mas… eu sou Team Jonas. - disse, forçando um sorriso.
- E a Meg é Team Mark. - Eu fiz a parte da Meg, já que ela não estava ali.
- E você, ? - olhou para a amiga.
- Eu sou Team . O que ela escolher e o que fazê-la feliz, eu vou apoiar totalmente. - , como sempre, sendo adorável.
- Awn! Venha aqui. - Eu puxei a e a abracei.
- Esperem! Aposto que o Buddy é Team Jonas também. - apontou para o cachorro, que estava deitado calmamente em meu colo. - Não é, garoto? - Ela abaixou-se e colocou o seu rosto em frente ao dele, que começou a lambê-la com empolgação. - Viram? - gargalhou.

Ficamos mais algum tempo conversando e só paramos quando os garotos vieram chamar as meninas para dormir. Eles de despediram de mim e foram para os seus respectivos quartos. ficou conversando um pouco comigo antes de dormir, pois ele estava tão sozinho quanto eu naquela noite. Quando ele decidiu ir dormir, eu fui obrigada a ir dormir também. Coloquei o pijama e escovei os dentes. Demorei algum tempo para dormir, pois não conseguia descansar a minha cabeça. Hora eu estava pensando no beijo que o Mark me deu o no quanto nós daríamos certo juntos; hora eu pensava no que o poderia estar fazendo naquele exato momento com aquela garota, que ele nem ao menos conhecia.

Depois que o programa de esportes acabou, Mark foi direto para a sua casa. Apesar de o dia ter sido cansativo, foi um bom dia. Ele estava feliz com o que tinha escutado de mim naquela noite, mas também estava um pouco preocupado com o irmão. Era cedo demais para usar a palavra ‘preocupação’ com o , mas se havia alguma parte ruim no meio disso tudo, essa parte era definitivamente os sentimentos que seu irmão ainda parecia ter por mim. Mark ficou um pouco aliviado ao saber que o ficaria com outra garota naquela noite. Talvez, isso o ajudasse a superar o que nos tínhamos.

foi literalmente a última pessoa a sair daquele bar. Ele não tinha bebido mais desde a hora que os amigos foram embora, mas a garota que estava com ele continuou bebendo loucamente. No final da noite, a garota estava realmente bêbada e o fazia rir a todo momento. A embriaguez dela acabou sendo a distração que ele precisava naquela noite. Ela o forçava dançar a maioria das músicas e, Deus, como ela dançava mal! De qualquer forma, foi divertido.

- Você veio pra cá de carro? - perguntou pra ela, já do lado de fora do bar.
- Eu… não lembro. - A garota fez careta.
- Não lembra? - arqueou uma das sobrancelhas. Que ótimo,não é?
- Eu não tenho um carro. Por que eu viria pra cá de carro? - A garota olhou pra ele, confusa.
- Isso foi um não, certo? - sorriu pra ela. - Ok, vamos chamar um táxi. Eu te levo em casa. - Ele disse, antes de assoviar para chamar um táxi, que passava pela rua principal. - Ali. Vamos. - apontou em direção ao carro e segurou no braço dela para ajudá-la a chegar até lá. A garota entrou no táxi e do jeito que sentou, ficou por algum tempo. Parecia até que estava morta.
- Onde nós estamos? - A garota gritou de repente, assustando o .
- Hey! Calma, garota. - a olhou, irritado. - Estou te levando pra casa. Coincidentemente, tinha o seu endereço anotado em um papel na sua bolsa. Eu acho que não é a primeira vez que você toma um porre desses, não é? - Ele perguntou e ela apenas rolou os olhos.
- É aqui. - O taxista parou em frente a uma casa grande. O lugar realmente parecia uma república.
- Vamos. - acordou a garota. - Espere um minuto. Eu só vou levá-la até a porta e já volto. - Ele pediu e o motorista concordou.
- Chegamos em casa. - A garota ficou feliz em ver a sua casa.
- Você vai ficar bem? - perguntou e a melhor forma que ela encontrou para responder foi agarrando ele repentinamente.
- Eu vou ficar melhor se você ficar. - A garota começou a passar a mão por todo o corpo de , que mal se movia, mas mantinha uma careta no rosto. - Você pode entrar, se quiser. - Ela começou a beijar loucamente o pescoço de , que foi obrigado a recuar.
- Hey. Hey. É melhor não. - afastou-se e deu o seu melhor sorriso. - Você é muito bonita, mas eu não fico com garotas bêbadas. - Ele explicou os seus motivos.
- Nem com a ? - A garota perguntou, colocando a mão na cintura.
- O que? - disse em meio a uma careta. Ela disse mesmo o meu nome? - Você está bêbada, mas tem uma ótima memória, han? - Ele riu, negando com a cabeça.
- Você nem canta tão bem assim, ok? Você não tem moral pra ficar rindo da minha cara. - A garota disse, irritada.
- Certo. - ignorou totalmente o que ela disse, foi até a porta da casa e tocou a campainha. - Foi um prazer te conhecer. - Ele disse e saiu andando em direção ao táxi. A garota ficou parada em frente a porta e esperou no táxi até o momento que alguém abrisse a porta. Assim que a porta foi aberta e algumas garotas levaram a bêbada para dentro, ele disse ao taxista que ele podia ir. deu o endereço da minha casa para o motorista, que não ficava tão longe dali.

Eu juro que tinha conseguido dormir, mas não tinha jeito. Quando o relógio marcava 3:30 e, às vezes, 3:35, eu acordava. Era uma praga com a qual eu provavelmente teria que conviver o resto da minha vida. Eu acordava no meio da noite e nem olhava mais no relógio, pois eu até já sabia que horas eram. Como em algumas outras noites, eu resolvi me levantar para ir até a cozinha para beber água. Eu já estava acordada, certo? Por que não? Tirei as cobertas de cima de mim e me levantei da cama. Cruzei os braços por causa do frio e fui até a porta. Andei lentamente pelo corredor para não correr o risco de acordar ninguém e desci a escada. Não acendi nenhuma das luzes, pois o poste da rua já iluminava a casa o suficiente. Cheguei na cozinha e fui até o armário para pegar um copo. Levei o copo até o filtro e o enchi quase que completamente. Me sentei em um dos bancos e coloquei o copo com água em cima da bancada. Demorei mais do que qualquer outra pessoa normal no mundo para tomar aquele copo de água. Enquanto eu o tomava, eu me perguntava até quando eu seria trouxa de acordar no meio da noite. Os meus insultos mentais foram interrompidos por um barulho, que parecia vir do lado de fora da casa. Minha primeira reação foi de susto. Depois de ouvir algumas vozes, eu tomei coragem para ir até a sala e olhar discretamente entre as frestas da cortina.

- Ah, qual é! - Eu sussurrei ao ver o afastar-se de um táxi. Ele estava chegando só agora? A noite foi boa, hein? Conforme ele se afastava da calçada, eu fui obrigada a fechar a cortina. Eu não queria que ele me visse. Mesmo sem olhar, eu continuei próxima a janela. Ouvi quando ele movimentou a varanda da casa do Mark atrás da chave.
- Onde ele colocou essa porra de chave? - sussurrou, procurando em todos os lugares possíveis. É claro que ele não encontraria a chave da casa, pois o tinha esquecido de dar o recado dele para o Mark.

Não demorou para que eu me desse conta de que o estava trancado para fora da casa do irmão. Mark não tinha nem sequer cogitado a possibilidade de que o voltaria pra casa naquela noite, por isso, nem pensou em deixar uma chave para que ele pudesse adentrar a casa. Espiei mais uma vez através da cozinha e o vi rondando a casa atrás de uma solução. poderia gritar ou fazer um escândalo batendo na porta, mas ele corria o sério risco de acordar os vizinhos, que provavelmente chamariam a polícia. Ele também pensou em ligar para o Mark, mas seu celular estava descarregado. Se ao menos ele pudesse ligar para um táxi para levá-lo até um hotel, mas nem isso dava. O que ele faria agora?

Eu resisti um bom tempo até chegar ao ponto de ceder. Eu esperei o máximo até ter certeza de que ele não encontraria outra saída. Eu podia deixá-lo dormir na varanda da casa ou no jardim, mas eu não era tão fria e nem tão esperta assim. Mesmo lutando contra todos os meus instintos, eu fui até a porta da minha casa e a abri. Estava realmente muito frio! Eu não podia deixá-lo lá fora. Já do lado de fora da minha casa, eu virei o meu corpo em direção a casa do Mark. olhava mais uma vez para o seu celular. Ele certamente estava tentando ligá-lo mais uma vez.

- Heeey! - Eu sussurrei e ele me olhou na mesma hora. É claro que ele se assustou, pois não esperava me ver ali. demorou algum tempo para dar-se conta de que era eu ali. Fiz sinal com uma das mãos para que ele viesse até mim. Ele guardou o celular no bolso e veio na minha direção. Durante o caminho, ele fechou o casaco por causa do frio. - O que você está fazendo? - Eu perguntei, quando ele parou na minha frente.
- Ele me deixou trancado pra fora! Dá pra acreditar? - disse, indignado.
- É claro que dá pra acreditar. Ele achou que você estaria ocupado demais essa noite e que só voltaria pela manhã. Aliás, todos nós pensamos isso. - Eu defendi o Mark, que não tinha culpa alguma.
- Eu disse pro pedir pra ele deixar uma chave pra mim. - explicou-se e logo que terminou a frase, percebeu o que tinha acontecido. - Ele esqueceu, não é? - Ele concluiu. - Idiota! - resmungou.
- Você foi pedir logo pro , gênio? - Eu ironizei e ele me olhou, sério.
- Dá pra você não implicar comigo agora? Não está ajudando nem um pouco. - disse, irritado. Não receber uma resposta estúpida de volta me fez engolir todos os outros insultos que eu tinha pra ele.
- Ok. Entra. - Eu disse depois de respirar fundo. Saí da frente da porta e dei passagem para que ele entrasse.
- Você está… falando sério? - me olhou, surpreso.
- Entra logo antes que eu mude de ideia. - Eu ignorei a perplexidade dele.
- Certo. - escondeu o sorriso ao adentrar a casa. Assim que ele entrou, eu voltei a trancar a porta.
- Esse sofá é o bastante pra você? - Eu falei um pouco mais baixo ao olhar para o sofá. Eu realmente não queria que ninguém acordasse.
- Qualquer coisa é melhor do que o sofá do Mark. - disse em meio a um sorriso.
- Certo. Eu vou pegar um travesseiro e alguns cobertores. - Eu apontei em direção a escada. - Eu já volto. - Eu completei, enquanto já me afastava. Fui em direção a escada e voltei para o segundo andar. Eu ia ter que pegar os cobertores e o travesseiro no meu quarto, já que não dava para entrar nos outros quartos.

No andar debaixo, ainda estava um pouco perplexo com a minha atitude. Depois das nossas brigas e do que ele tem feito ultimamente, essa não era o tipo de atitude que ele esperava. Era impressionante o quanto eu conseguia surpreendê-lo mesmo depois de tanto tempo. olhou em volta, sem acreditar que ele realmente estava ali. Quando ouviu passos na escada, ele olhou para lá imediatamente e me viu descer a escada com dificuldade por causa de todas as cobertas que eu segurava. Ele prontificou-se a me ajudar no mesmo instante e foi ao meu encontro na escada.

- Eu te ajudo. - pegou quase tudo o que estava nas minhas mãos e terminou de descer a escada. Ele colocou as coisas sobre o sofá e eu fiz o mesmo logo depois.
- Eu… encontrei essa camiseta que você acabou esquecendo aqui e… também tem esse shorts que o esqueceu no banheiro. Você pode usá-las pra dormir. - Eu entreguei as peças de roupas em suas mãos. Ele reconheceu a sua camiseta na mesma hora. Por sorte, eu consegui tirá-la do armário do quarto do durante a tarde.
- Sim, claro. Obrigado. - agradeceu, me olhando.
- Tudo bem. - Eu sorri fraco até o momento em que eu percebi o jeito que ele me olhava. Eu desviei o olhar, me virando de costas pra ele e indo novamente em direção a cozinha.

Agora, além de uma água, eu precisava de um copo de qualquer coisa que me fizesse dormir bem rápido. Na hora, eu só consegui pensar em um leite com chocolate. Comecei a preparar o leite, enquanto o arrumava a sua ‘cama’ para dormir. Assim que terminou, ficou algum tempo parado no meio da sala, enquanto me ouvia fazer alguma coisa na cozinha. Ele resolveu ir até lá. Ao chegar na cozinha, ele me encontrou sentada em um dos bancos. O meu copo estava sobre a bancada e os meus olhos estavam fixos nele.

- Eu posso sentar aqui com você? - perguntou e nem coragem para olhá-lo eu tive. Ele ainda vestia a mesma roupa que foi para o bar e isso era extremamente perturbador pra mim. Na verdade, seria perturbador de qualquer forma.
- Claro. - Eu disse, encarando as minhas mãos que seguravam o copo. Ele pegou um banco e se sentou na minha frente.
- Eu queria te agradecer por… tudo isso. - continuava me olhando, mesmo que eu não correspondesse. - Eu não sei o que eu faria se você… você sabe. - Ele achou que não precisava completar.
- Eu não podia te deixar lá fora com esse frio. - Eu respondi, enquanto finalmente o olhava.
- Na verdade, você podia. - disse, sério. - É bom saber que você ainda se importa. - Um fraco sorriso surgiu no canto de seu rosto.
- Não tem a ver com se importar ou não. Tem a ver com o fato de eu ser uma boa pessoa, que não podia deixar o melhor amigo do meu irmão passando frio e dormindo no chão. - Eu já fui logo tirando o cavalinho dele da chuva. Eu não queria que ele pensasse que eu tinha feito tudo aquilo para impressioná-lo de qualquer forma.
- Certo. Como você quiser. - levantou as mãos, demonstrando que estava ali com boa intenção e não para brigar. O sorriso fraco dele me obrigou a esconder o sorriso que repentinamente surgiu em meu rosto. A situação deixou nós dois sem graça, nos fazendo olhar para baixo.



- Eu posso te perguntar uma coisa? - Ele voltou a me olhar e isso me deixou nervosa.
- Perguntar o que? - Eu o olhei com desconfiança, pois sabia que não viria coisa boa.
- Está um pouco tarde, não acha? Como eu fui dar a sorte de te encontrar acordada? - perguntou, olhando discretamente para o relógio que ficava na cozinha. Eu sabia exatamente o que ele estava querendo com aquela pergunta. Ele acha mesmo que eu vou dizer?
- Bem, eu acordei com sede e… só tinha descido pra tomar água. Foi ai que eu ouvi o barulho do táxi. - Eu expliquei sem qualquer hesitação. Eu não queria dar brechas para qualquer outra interpretação. - E você? Não acha que é um pouco cedo? Ouvi dizer que você estaria extremamente ocupado essa noite. - Eu disse da forma mais casual possível. Eu estava curiosa para saber o que tinha acontecido entre ele e a tal garota e também aproveitei para mudar de assunto.
- Ela… estava muito bêbada e eu tive que levar ela pra casa. - fez careta e negou com a cabeça.
- Você fez bem. - Eu afirmei, tentando não deixar transparecer o quanto aquela notícia me deixou feliz.
- Digamos que… eu tenho um pouco de experiência nesse assunto. - sorriu pra mim, me fazendo engolir seco.
- Sim, você tem. - Eu disse sem nem ao menos olhá-lo. Peguei o copo com leite e tomei tudo o que restava em um só gole. Eu precisava sair dali o mais rápido possível. - Eu.. acho que já vou dormir. - Eu me levantei prontamente da cadeira. Deixei o copo dentro da pia e me virei para olhá-lo. - Você vai ficar aqui? - Eu perguntei.
- Vou. Eu acho que vou beber alguma coisa. - afirmou, percebendo a minha desesperada tentativa de me afastar.
- Ok. Fica a vontade. Você sabe muito bem onde fica cada coisa dessa cozinha. - Espera. Eu disse mesmo isso? Estou mesmo fazendo referência a época que estávamos juntos? - Boa noite. - Assim que me virei de costas, fechei os olhos e me xinguei mentalmente.
- Espera. - Ouvi ele pedir depois de já ter dado alguns passos em direção a sala. Eu parei e respirei fundo antes de me virar para olhá-lo novamente.
- O que foi? - Eu perguntei ao cruzar os braços, já que estava com um pouco de frio.
- Eu tinha esquecido como era. - disse ao dar alguns passos na minha direção.
- Como era… o que? - Eu sorri e neguei com a cabeça para demonstrar que eu não fazia ideia do que ele estava dizendo.
- Cantar com você. - completou com um fraco sorriso. - Você… se saiu muito bem. - Ele me elogiou, sem jeito.
- Você também se saiu muito bem. Bom pra você, não é? Aposto que isso ajuda bastante a aumentar o seu número de fãs. - Mesmo parecendo ser uma frase ciumenta, eu me expressei de maneira tão calma, que nem ao menos soou como algo provocativo.
- Honestamente, estou mais preocupado com quem eu ando perdendo. - aproximou-se mais um pouco e eu fui obrigada a recuar.
- Então, pare de se preocupar. Você não pode fazer mais nada a respeito. - Eu disse antes de dar alguns passos para trás. - Boa noite, . - Eu disse mais uma vez ao me afastar de vez. Os olhos tristes dele me acompanharam até me perderem de vista.

Mesmo depois do que eu tinha dito, eu ainda tinha receio que ele insistisse e viesse atrás de mim. Isso fez com que eu subisse a escada em uma velocidade maior do que eu deveria, já que eu não queria acordar os outros. Ao chegar em meu quarto, fechei a porta e finalmente consegui parar para pensar sobre tudo aquilo. fazia o mesmo, sentado sozinho na cozinha.

Era difícil para nós dois entender que tinha realmente acabado. Para mim era um pouco mais fácil, pois eu tinha mais de um motivo para chegar a tal conclusão. Além de tudo o que aconteceu envolvendo o meu pai, agora também tem o Mark. São dois motivos maravilhosos para me obrigarem a seguir em frente, mas ainda tem algo dentro de mim lutando contra isso. Para o era bem mais difícil. Ele sabia pelo que ele me fez passar e também sabia que agora, mais do que nunca, ele tinha um poderoso adversário, que é nada menos que o seu irmão. Bem, de qualquer forma, ele terá que arcar com as consequências dos seus atos e, como eu já disse, não fazer nada a respeito. Nada além de torcer para que ainda exista algum sentimento bom por ele dentro de mim.

Quando eu deitei na cama, eu demorei algum tempo para conseguir pegar no sono. Eu fiquei algum tempo me fazendo algumas perguntas: ‘Por que ele não desiste de mim de uma vez?’ ; ‘Por que ele não dá uma chance para outra garota?’ ; ‘O que é pior: ver ele sendo feliz com outra pessoa ou tentar me acostumar com todos os olhares e sorrisos dele?’. Obviamente eu não consegui nenhuma resposta. O que quer dizer que aquelas perguntas voltariam a me tirar o sono nos próximos dias.

Ao abandonar a cozinha, voltou para a sala. Aproximou-se do sofá e pegou as peças de roupas que eu havia deixado ali em cima. Resolveu trocar de roupa ali mesmo, já que todos estavam dormindo. Colocou primeiro o shorts do e antes de colocar a camiseta, ele a encarou por algum tempo, enquanto se lembrava das vezes que me viu usá-la. Um fraco sorriso surgiu no rosto dele e ele negou com a cabeça antes de vesti-la. Arrumou o travesseiro e os cobertores antes de deitar-se no sofá. Quando se cobriu e aproximou os cobertores de seu rosto, foi inevitável não sentir o meu cheiro em cada um deles. Absolutamente tudo tinha o meu cheiro ali. até pensou em afastar um pouco os cobertores, mas com aquele frio era impossível. Além disso, sentir o meu cheiro naquela noite fria não era a pior ideia de todas.

Domingo de manhã e eu já acordei com os gritos do pedindo pro sair logo do banheiro. Depois de me espreguiçar e demorar algum tempo para conseguir abrir totalmente os meus olhos devido à claridade que vinha da janela, eu me levantei. Olhei rapidamente no relógio e vi que ainda era um pouco cedo. Se fosse em qualquer outro domingo eu, com certeza, voltaria a dormir, mas já que esse é o último dia dos meus amigos e do meu irmão na cidade, eu abriria uma exceção. Coloquei uma roupa simples (VEJA AQUI), pois não tínhamos planos de sair de casa naquele dia. Apesar de o dia parecer ensolarado, eu ainda estava com frio. Penteei o meu cabelo e escovei os dentes. Arrumei rapidamente a minha cama e sai do quarto.

- Ué, caiu da cama? - ficou surpreso ao me ver. Ele estava na porta do banheiro.
- E dá pra dormir com todo esse escândalo do ? - Eu fiz careta, me aproximando dele e passando meus braços em volta do seu corpo. Coloquei a minha cabeça em seu peito, enquanto senti ele dar um beijo na minha cabeça.
- Ele já acorda gritando. - também reclamou.
- E ai, dormiu bem? - Eu perguntei, me desvincilhando de seus braços.
- Melhor impossível. - Ele sorriu pra mim e eu comecei a olhá-lo com desconfiança.
- Eu imagino o motivo. - Eu disse com um sorriso malandro e ele começou a rir.
- Eu não sei do que você está falando. - tentou disfarçar.
- Você acha que me engana? Qual é, sou eu! - Eu continuei brincando e ele começou a ficar sem graça.
- Para com isso. - pediu em meio a risos.
- Você vai me contar como foi, né? - Eu falei brincando e ele me olhou com uma careta engraçada.
- O que!? Nunca! - afirmou.
- Então, ela vai me contar. - Eu ergui os ombros e ele negou com a cabeça.
- Quem vai contar o que? - saiu repentinamente do quarto.
- Oi, amor. - disfarçou, aproximando e selando rapidamente os seus lábios.
- Eu estava dizendo pra ele que você ia me contar como… ele está indo na faculdade. Ele nunca vai me falar a verdade, você sabe. - Eu improvisei e ele sorriu discretamente pra mim.
- Por que não conta pra ela? Você está indo muito bem. - olhou para o namorado.
- Sério? - Eu olhei pra ele, tentando não rir.
- Eu não gosto de sair por ai me gabando. - disse em tom de brincadeira, fazendo a namorada rir.
- Então, o está mandando bem? - Eu cruzei os braços, olhando pra ele. A pergunta teve um duplo sentido que só nos dois entendemos. Ele me julgou com os olhos e eu continuava segurando a risada.
- Ele manda muito bem! - afirmou com convicção.
- Viu? Você queria saber. Agora, você já sabe. - ergueu os ombros entre risos.
- Qual o problema de vocês dois? - não entendeu o porquê de estarmos rindo.
- Pronto! - abriu repentemente a porta do banheiro. - O que é isso? Reunião na porta do banheiro? - Ele nos olhou, aproximando-se de mim e pendurando um de seus braços em meu pescoço.
- Estávamos aqui falando do quanto você é insuportável quando acorda. Deixamos você participar da nossa reunião se você prometer não gritar mais nos próximos… - fingiu olhar no relógio. - 35 anos. O que você me diz? - Ele completou.
- Quer mesmo saber o que eu quero te dizer agora? - sorriu falsamente para o amigo.
- Deixa pra lá. - rolou os olhos. - Vamos poupar essa sua doce e encantadora voz. - Ele ironizou, fazendo com que eu e rissemos.
- Você anda muito engraçadinho, hein. O que está acontecendo que você não está me contando? - o olhou, desconfiado.
- Eu vou trocar de roupa. - fugiu da pergunta sem nem disfarçar.
- Eu vou com você. - foi andando rapidamente atrás dele.
- Você sabe o que é, não sabe? - perguntou pra mim, enquanto olhava o casal se afastar e entrar no quarto.
- Ele está mandando muito bem… na faculdade. - Eu respondi, séria.
- O que? - me olhou, sem entender.
- Esquece. - Eu ri, sem emitir som. - Já que você me acordou, vai ter que me ajudar a colocar a mesa do café hoje. - Eu disse e ele suspirou, fazendo careta.
- Está bem. - concordou mesmo estando contrariado. Começamos a andar lado a lado no corredor.
- A já acordou? - Eu perguntei.
- Já. Ela só estava terminando de trocar de roupa. - Meu irmão explicou.
- E o , será que já acordou? - Eu perguntei, enquanto passávamos pela porta do quarto dele.
- ACORDA, ! - gritou ao dar um soco na porta do quarto.
- VAI SE FODER! - gritou de dentro do quarto, depois de levar um enorme susto com o grito e o soco na porta.
- Agora acordou. - gargalhou, me fazendo rir com ele.
- Você não vale nada. - Eu disse, enquanto ainda ríamos. Descemos a escada e chegamos juntos na sala. É claro que a primeira coisa que ele viu foi o amigo dormindo no sofá.
- , você sabe que tem uma pessoa morta no seu sofá? - perguntou, aproximando-se do sofá.
- Ah, é! - Eu suspirei. - Eu tinha até me esquecido que ele estava ai. - Eu fui até o e olhei para o sofá. estava literalmente jogado no sofá. Dois cobertores estavam no chão e o que restou cobria apenas parte de suas pernas.
- Qual o problema dele? Parece que passou um furacão por aqui. - perguntou.
- Ele tem o costume de se mexer bastante na cama e derrubar os lençóis e os cobertores. - Eu expliquei com descaso, quando notei que o meu irmão deixou de olhar para o amigo e passou a me olhar.
- Como você sabe disso? - arqueou uma das sobrancelhas. Na hora, minha vontade era sentar e chorar. Eu disse isso mesmo?
- Como assim ‘como eu sei disso’? - Eu fiz careta. - Ele me contou, é claro. Nós namoramos, lembra? - Eu disse como se fosse a coisa mais óbvia de todas. - Como mais eu saberia de uma coisa dessas? - Eu cheguei a rir e negar com a cabeça. - Ele também me contou uma vez que odeia travesseiros baixos. - Eu completei. - Viu? Como eu saberia de uma coisa dessas sem ele ter me contado? - Eu comecei a ficar nervosa e não consegui calar a boca.
- Eu já entendi. - afirmou, sério. - Espera, ele está usando o meu shorts? - Ele aproximou-se para ter certeza.
- Ok. Antes de você surtar, me deixa explicar. - Eu fiz sinal com as mãos, pedindo calma. - Ontem eu levantei no meio da noite pra beber água e ouvi quando o táxi deixou o aqui na frente. Ele ia dormir na casa do Mark, mas acontece que ele não encontrou a chave da porta. - Na hora que eu falei sobre a chave, vi o meu irmão fazer careta. Ele lembrou do recado que tinha que ter dado pro Mark.
- Ahn, merda. - levou uma das mãos a cabeça.
- Você esqueceu. - Eu cruzei os braços, afirmando com a cabeça.
- Eu esqueci completamente. - Meu irmão negou com a cabeça.
- Exatamente! E como eu não podia deixá-lo dormir na rua, eu o chamei para dormir aqui. Encontrei uma camisa… - Não interessava essa parte da história, não é? - E peguei o seu shorts e emprestei pra ele, aliás, nada mais justo, já que a culpa disso tudo foi sua. - Eu ergui os ombros.
- Ok. Ok. Eu já entendi. - não gostou de ouvir o meu sermão. - Vamos deixá-lo dormir, está bem? Eu te ajudo com o café. - Meu irmão estava sendo bonzinho por que sabia que tinha feito besteira. Que lindo, não é?

Os meus amigos desceram para o primeiro andar, enquanto o me ajudava a preparar o café. Ele até arriscou a fazer umas panquecas que, aliás, ficaram estranhamente deliciosas. Eu terminei de colocar a mesa, enquanto todos me perguntavam o que o estava fazendo no sofá. Eu resumia a história dizendo que o tinha esquecido de dar o recado do Mark. Mesmo com toda a conversa, não acordou. Provavelmente por causa das bebidas da noite passada.

- Estou louco pra passar esse chantilly na cara do . - sussurrou assim que sentamos na mesa para tomar café.
- Demorou! - já ia levantando da mesa, quando os repreendeu.
- Não. Vamos deixá-lo dormir. Ele teve uma longa noite ontem. - falou, sério. Os amigos olharam pra ele, incrédulos.
- , você entendeu o que eu disse? Eu disse pra sacanearmos o . - estranhou a recusa do amigo, que normalmente seria o primeiro a topar a ideia.
- Eu entendi. - fez cara de tédio. - Eu só estou dizendo que devemos poupá-lo hoje. - Ele completou.
- Ok, o que está acontecendo aqui? - perguntou ao fingir que estava preocupado e as garotas riram.
- O que está acontecendo é que o meu irmão sabe que fez besteira e está tentando recompensar o de alguma forma. - Eu disse e o me olhou feio.
- Não inventa, garota. - resmungou.
- Sabia! - afirmou aos risos.
- Não adianta. O vai querer te matar de qualquer jeito quando ele acordar. - também riu.
- Hey, Hey! Já chega, né? - parecia irritado. - Vamos logo tomar a porcaria do café. - Ele afirmou e todos riram. Era muito engraçado o jeito que ele reagia as zoações que sempre fazíamos com ele. As altas risadas finalmente foram suficientes para acordar o , que chegou a assustar-se com a movimentação. Ele sentou-se no sofá de uma hora pra outra e olhou em direção a mesa de jantar.
- Bom dia, flor do dia. - foi o primeiro a perceber que ele tinha acordado. Todos olharam pra ele.
- Bom dia, o caralho! Vocês não tem outro lugar para tomar café, não? - reclamou, irritado.
- Claro. O que estávamos pensando quando resolvemos tomar café na mesa de jantar? - ironizou. - Quem foi que teve essa ideia estúpida? - Ele completou, me fazendo segurar o riso.
- Ah, cala a boca. - resmungou, sem paciência.
- Por que você não vem tomar café com nós? - convidou.
- É, ! O fez um café da manhã especial pra você. - brincou, causando uma risada tímida em todos.
- Está bem. Eu só… - ainda parecia meio perdido. - Eu preciso ir ao banheiro antes. - Ele disse, levantando-se lentamente do sofá. Ele foi direto para o banheiro.
- Ok, o primeiro que lembrar ele da merda que eu fiz vai ter que se ver comigo. - ameaçou, quando percebeu que o não podia ouvi-lo. Não demorou muito para que o voltasse. Ele parecia um pouco mais acordado, mas ele ainda usava a mesma roupa e o cabelo dele continuava bagunçado. Que ótimo, não é?
- Que horas são? - perguntou ao sentar-se na mesa ao lado do .
- São… 10:30. - respondeu ao olhar a hora em seu celular.
- 10:30? Qual o problema de vocês? - olhou pra todos com careta.
- Nós não ficamos na gandaia até tarde ontem. - respondeu.
- É verdade. Todos nós dormimos cedo aqui na casa da . Como será que foi na casa do Mark, ? - perguntou ao segurar o riso, tentando trazer o assunto da mancada do à tona.
- Eu não sei. Alguém que tenha dormido lá essa noite poderia nos dizer. - também entrou na brincadeira. Eles não perdiam uma!
- Não me deixem ESQUECER de perguntar ao Mark depois. - enfatizou o ‘esquecer’ propositalmente.
- Eu poderia até ir até a casa do Mark e perguntar pra ele, mas ele deve estar dormindo e eu não tenho a CHAVE DA CASA DELE. - Eu fui um pouco mais além. Naquele momento, o meu irmão já estava metralhando todo mundo só com os olhos. estava louca para entrar na brincadeira, mas ela queria poupar o namorado.
- OK! CHEGA! EU JÁ ENTENDI. - finalmente se manifestou. - Eu esqueci, ok? Eu esqueci de dar o seu recado pro Mark, ok? Fui eu mesmo! Desculpa ai, ok? - Ele se entregou.
- Desculpa!? Você tem noção que eu fiquei trancado pra fora da casa? Você tem noção que eu ia ter que dormir na rua? - perguntou ao melhor amigo, irritado.
- Mas não dormiu! - respondeu ao forçar um sorriso.
- Graças a sua irmã, não é? Você parou pra pensar no que teria acontecido se ela não estivesse acordada na hora que eu cheguei? - perguntou em tom de sermão.
- Eu sei, eu sei! Eu sei que foi errado, mas eu esqueci! Ainda bem que a minha irmã é um anjo e salvou a sua vida, não é? - quis tirar o foco dele. Eu e o trocamos rápidos olhares.
- Você tem que ser grato a ela o resto da sua vida, entendeu? - ainda olhava feio para o meu irmão.
- E eu sou! Eu sou! Olha. - me puxou pra perto e deu vários beijos seguidos em uma das minhas bochechas. - Viu? - Ele sorriu.
- Você vai ficar me devendo essa, cara. - apontou em sua direção.
- Eu sei que vou. - afirmou, sério. - Aliás, gostei do seu shorts. - Ele quis lembrar o fato de ter emprestado o seu shorts para o amigo.
- Algum problema com o meu shorts? - arqueou uma das sobrancelhas.
- Não, não. Sem problemas! Aliás, ele é seu agora. - deu o seu melhor sorriso.
- Bom mesmo. - manteve-se sério. Todos na mesa estavam perplexos diante da reação de . - Viu? Eu falei pra vocês que o melhor momento pra sacanear ele é quando ele dá mancada. - A expressão no rosto de mudou repentinamente, enquanto ele sorria com deboche ao olhar para e .
- Meu Deus. Eu sou muito o seu fã. - gargalhou.
- Espera. Como é que é? - cerrou os olhos em direção aos amigos.
- Genial. - também ria.
- Vocês não prestam. Idiotas. - negou com a cabeça.
- Tadinho do meu amor. - aproximou-se e beijou o rosto do namorado.
- Ninguém mandou você vacilar comigo. - ergueu os ombros.

Em meio a zoações e risadas, continuamos a tomar o café da manhã juntos. Eu estava muito feliz por ver todos eles juntos naquela mesa. Eu sentia muita falta das brincadeiras e daquele clima que só era perfeito quando estávamos todos juntos. Os garotos brigavam em um minuto e no outro já estavam rindo e falando besteiras juntos. Nós tínhamos o tipo de amizade que permitia essas brigas bobas sem que guardássemos qualquer ressentimento um do outro. Isso era único.

- Quem fez essas panquecas? Estão ótimas. - perguntou, pegando mais uma panqueca.
- Fui eu. - respondeu, se gabando.
- Fui eu? O que é isso? Nome de alguma padaria? Mercado? - brincou e todos gargalharam.
- Quer saber? Só eu vou comer essas panquecas. Devolvam. - pegou o prato de panquecas e levantou-se. Todos se manifestaram e pediram para que ele voltasse para a mesa. - Não! Vocês perderam o direito de comer as minhas panquecas. - Meu irmão se fez de difícil.
- Não nos faça ir até ai, . - ameaçou.
- Cai dentro, garotão! - mostrou-se indiferente, mas no momento em que os 3 garotos levantaram-se da mesa, ele saiu correndo feito um louco.

Os garotos se divertiram caçando o e as suas panquecas e eu e as garotas nos divertimos ao vê-los correndo feito retardados atrás do . Buddy corria junto com todos eles. Aquilo era o céu pra ele! Mark chegou logo depois da diversão e Meg também. Explicamos o que tinha acontecido e eles se juntaram a nós para rir deles. Em certo momento, o Mark chegou a ajudar os garotos, quando o passou perto da mesa. abandonou a corrida por alguns segundos para vir dar um beijo de bom dia na nova namorada, Meg.

Nos divertimos pela manhã e quando chegou a hora do almoço, os garotos decidiram assumir o comando. Eles juraram que sabiam fazer um bom churrasco e como eu e as garotas não estávamos muito a fim de ir para a cozinha, resolvemos acreditar. Ficamos próximas a churrasqueira, enquanto víamos os garotos se divertindo e fingindo que eram os reis do churrasco. Não almoçamos tão tarde, pois o meu irmão e os meus amigos ainda teriam que voltar para Atlantic City naquele dia.

Depois de arrumarmos toda a bagunça que fizemos, os que iriam embora foram arrumar as suas ‘malas’. Obviamente, os garotos demoraram um pouco mais do que as garotas, pois elas tinham mantido suas coisas organizadas desde que chegaram e é claro que os garotos fizeram o contrário. Esperamos eles já embaixo, enquanto as garotas me falavam sobre suas faculdades.

- Acho que peguei tudo. - disse as descer a escada, confuso.
- , se eu esquecer alguma coisa, você guarda e dá pro pai e pra mãe levarem na semana que vem. - pediu logo depois.
- Semana que vem? - Eu perguntei. Meus pais viriam me visitar na semana que vem?
- Ah, eu esqueci de falar. - fez careta.
- Não me diga. - Eu cruzei os braços e fiz cara feia.
- Eles pediram pra eu te avisar que eles viriam te visitar na semana que vem. Eles até iam vir nesse final de semana, mas quando nós decidimos vir, eles desistiram. - Meu irmão explicou.
- Tudo bem. Eu vou esperá-los. - Eu afirmou com um sorriso.
- E quando vamos marcar outro final de semana desse? - perguntou, dando ideia.
- Mês que vem começam as minhas provas. Seja quando for, agilizem! - pediu.
- Marquem e me avisem, que eu dou um jeito de aparecer. - colocou-se a disposição.
- Depois de conseguir esse contrato do Yankees, eu posso passar um ano no Japão que ninguém no trabalho vai reclamar. - se gabou os risos.
- Menos, Jonas. Nem todo mundo é um garoto prodígio como você. - rolou os olhos.
- Garoto prodígio? Gostei disso. - sorriu.
- Espera! E se… fossemos para outro lugar da próxima vez? - sugeriu.
- Oh, é claro! Por que não vamos pra Veneza na semana que vem? Todo o meu salário não vai pra minha faculdade mesmo. - ironizou.
- Veneza? Por que nós iriamos pra Veneza? - o olhou com careta.
- É romântico! - defendeu a ideia.
- É careta. - respondeu.
- Hey! Nós não vamos pra Veneza. Por que estão discutindo? - os interrompeu.
- É claro que você não vai pra Veneza! Você nem ao menos tem uma namorada. - tentou fazê-lo calar a boca.
- Ok. Muito obrigado. - o olhou, contrariado.
- Eu adoro o seu irmão, . - Meg gargalhou.
- Cala a boca, Meg. - revirou os olhos ao ouvir a voz dela.
- Hey, cara! - o repreendeu.
- Você quis namorar com uma ogra. Agora aguenta. - respondeu na mesma hora.
- Olha quem fala, Shrek! - Mark intrometeu-se para defender a melhor amiga.
- Cala a boca você também, Markey. - o olhou com descaso.
- Ele continua com essa história de Markey? - Eu perguntei e olhei pro Mark, confusa.
- Ele é um imbecil. - Mark respondeu e respirou fundo.
- CHEGA. - gritou do nada. Todos olhamos pra ela. - Vocês podem parar de brigar uns com os outros e conversar como pessoas normais? - Ela perguntou, irritada.
- Isso é muito sexy, amor. - elogiou em voz alta o comportamento rígido da namorada.
- Você está tentando me deixar ainda mais irritada. É isso? - cerrou os olhos na direção do namorado.
- EU ESTOU FALANDO DA CASA DO LAGO! - gritou, ignorando a nova briga. - Nós podemos ir pra lá da próxima vez. - Ele sugeriu.
- Por que você não disse de uma vez? - perguntou, fazendo o meu irmão respirar fundo para não surtar.
- Eu tentei, porra! - respondeu, impaciente.
- É uma boa ideia. - Eu os interrompi. - Nós não vamos lá há algum tempo. - Eu disse.
- Onde fica? - Mark perguntou.
- Fica entre a Atlantic City e Nova York, mas é mais próximo de Atlantic City. - explicou.
- A casa era da tia Janice. - Eu disse e olhei para o Mark com um fraco sorriso. foi o único que entendeu a nossa troca de olhares.
- Ela comentou sobre… essa casa do lago uma vez. - Mark lembrou-se na hora.
- Parece ótimo pra mim. - gostou da ideia.
- Vamos combinar. - também concordou.
- O ideal seria ir no verão. Esses lugares costumam ser bem frios. - sugeriu.
- Bem pensado. - Meg afirmou.
- Verão. Lago. Biquínis. Estou dentro. - ergueu os ombros, recebendo um tapa no braço da namorada. - Eu estou sendo honesto. - Ele se defendeu.
- Eu posso levar uma amiga, não é? - perguntou ao cruzar os braços.
- Amiga? - perguntou, desconfiada.
- Vocês todos estão de casal e eu sou obrigado a ir até lá e segurar vela pra todo mundo? - cerrou os olhos.
- ‘Estão todos de casal’? Quando você diz todos, você quer dizer… - deixou de olhá-lo para me olhar. - Todos mesmo? - Ele completou.
- Nem todos. - Mark respondeu por nós dois.
- Mas… isso não quer dizer que você não possa levar uma garota. - Eu disse e ergui os ombros para demonstrar indiferença. Sim, eu fiz propositalmente.
- Ótimo. - afirmou, me olhando sério.
- Ótimo. - Eu mantive a minha postura. - Espero que você não esteja pensando na Amber. - Ele não faria isso, faria? - E se eu estiver? - gostava de ver o quanto eu ficava furiosa em falar sobre ele e a Amber. Ele gostava de ver que eu ainda me importava.
- Se você estiver falando dela, eu juro que jogo vocês dois no lago. - Eu sabia que ele colocou a Amber na história para me irritar, mas eu não conseguia evitar. - Piranha do jeito que é, vai conseguir sobreviver. Já um peixe pequeno como você, eu não sei não… - Quando eu terminei a frase, todos me olharam em silêncio e acho que alguns nem respiravam. Sim, o ‘peixe pequeno’ teve um duplo sentido.
- O que… ela quis dizer com ‘peixe pequeno’? - perguntou e olhou desconfiado para o .
- O que!? Eu, eu... - perdeu todos os sentidos. - Eu não sei! A sua irmã é maluca e eu sou obrigado a entender? - Ele não sabia o que dizer. - Por que você não explica pra ele, ? - Ele jogou a bomba no meu colo.
- Do que vocês estão falando? Eu estava falando sobre o animal. Todo mundo sabe que os peixes grandes costumam comer os peixes pequenos. Os peixes pequenos são mais fracos. - Eu improvisei bonito. - Gente, vocês dormiram em todas as aulas de biologia? Foi um insulto! - Eu completei como se fosse óbvio.
- Meu Deus. - fez careta.
- O que foi? - Eu perguntei, receosa.
- Eu tinha esquecido que você era tão nerd. - Meu irmão negou com a cabeça, me deixando bem mais aliviada, ou melhor, todos ali mais aliviados.
- Viu? É por isso que eu também não entendi nada do que ela falou. Ninguém entendeu. - conseguiu o melhor argumento.
- Eu entendi. - disse.
- Você não conta, . - o ignorou, pois também era nerd.
- Resumindo: a odeia a Amber e o e a se odeiam. - foi objetiva. - Agora, nós podemos ir? Eu tenho que terminar de ler um livro para uma apresentação na faculdade amanhã. - Ela pediu e depois sorriu.
- Ela tem razão. Vamos logo para não ficar muito tarde. - concordou.
- Certo, então vamos. - deixou a minha discussão com o de lado.

Foi muito difícil me despedir de todos os meus amigos e principalmente do meu irmão. Da última vez em que eu me despedi, eu fiquei muito tempo sem vê-los. Era horrível me despedir, sem saber quando voltaria a vê-los. Ao ver o quão triste eu estava por ter que me despedir, alguns disseram que nos veríamos em breve, mas eu sabia que não seria bem assim. Também dissemos isso da última vez. me abraçou mais de 3 vezes e a ena foi para o carro com lágrimas nos olhos. foi consolar a amiga, enquanto o se despedia dolorosamente da namorada. me deu inúmeras recomendações para que eu me mantivesse segura.

- De qualquer modo, estou um pouco mais tranquilo com o por perto. - sorriu ao olhar para o melhor amigo, que estava por perto. Mark e eu trocamos olhares. Eu estava furiosa e ele tentava me acalmar. - Você pretende ficar aqui em Nova York por mais quanto tempo? - Ele perguntou.
- Eu… ainda não sei. Eu tenho que… resolver algumas coisas ainda. - respondeu ao cruzar os braços.
- Você pode ficar de olho nela pra mim? - perguntou mais sério.
- . - Eu rolei os olhos.
- O que? Você é a minha irmã e você está muito longe de mim. Se eu pudesse, eu mesmo ficava… - ia dizendo, mas eu o interrompi.
- Tem o Mark. Por que você não pede pra ele? Ele está bem mais perto. - Era revoltante ver todos enaltecendo o por algo que o Mark fez. Foi o Mark que salvou a minha vida e não o .
- De repente, ele tem muito mais qualificação pra isso. - disse referindo-se ao segredo que o irmão escondia de mim. Ele apenas sugeriu aquilo para tentar demonstrar que não se importava tanto assim. Mark tentou agir naturalmente, mas no fundo queria matá-lo.
- Claro, o Mark também. Eu aceito toda e qualquer ajuda. - sorriu pro Mark, que devolveu o sorriso.
- Quer saber? Nada disso é necessário. Eu sei me cuidar sozinha, está bem? - Eu revirei os olhos.
- Não é necessário? Você realmente me conhece, garota? - perguntou, achando o que eu disse uma besteira.
- Certo. Certo. Não vamos discutir isso agora, está bem? - Eu desconversei, pois não queria brigar com ele logo na hora de me despedir.
- Não fique brava comigo. Eu sou o seu irmão e só estou tentando te manter segura. - Meu irmão se aproximou, tentando reverter a situação.
- Eu sei disso. - Eu afirmei ao sorrir fraco. Me aproximei e o abracei.
- Eu vou sentir saudades, sua chata. - Ele sussurrou, me arrancando um sorriso maior.
- Eu também vou, seu mala. - Quando me ouviu dizer, ele também sorriu.
- Qualquer coisa você me liga. Combinado? - terminou o abraço e estendeu uma das mãos na minha direção.
- Combinado! - Eu pisquei um dos olhos pra ele ao apertar a sua mão, me aproximei e dei um beijo estalado em seu rosto.



- Ótimo. - afirmou, me olhando com admiração. - Te vejo da próxima vez, Mark. Foi bom te ver. - Ele disse indo em direção ao Mark, que estendeu uma das mãos em sua direção. Meu irmão a apertou.
- Foi bom te ver também. - Mark sorriu pra ele ao se despedir.
- Não sei quando eu vou te ver, então… se cuida, está bem? - também foi se despedir do . Eles fizeram o seu típico toque de mãos e chegaram a se abraçar. - Eu estou falando sério. Fica de olho nela, por favor. - Ele sussurrou para o amigo para que eu não escutasse.
- É claro. - concordou, terminando o abraço.

Todos já estavam no carro esperando pelo meu irmão quando ele saiu da minha casa. Ninguém queria ir embora, mas todos tinham que ir. Todos tinham compromissos com a faculdade e com o trabalho no dia seguinte. Eu fui até o lado de fora da casa para acenar para eles, enquanto o carro se afastava. continuou dentro da minha casa, esperando que eu voltasse. Quando os perdi de vista, senti uma enorme tristeza. Aquela sensação estranha de estar sozinha novamente.

- Eu odeio isso. - Eu disse visivelmente triste, me virando de frente para o Mark. - Odeio ter que me despedir deles. - Eu completei.
- Eu sinto muito. - Mark levou suas duas mãos até o meu rosto e acariciou as minhas bochechas com cada um de seus dedões.
- Eu sinto como se… eu estivesse sozinha de novo. - Eu apoiei minhas mãos eu seu peito.
- Você sabe que não está. - Mark olhou para os meus olhos. - Eu estou aqui, está bem? - Ele aproximou-se um pouco mais e depositou um beijo carinhoso em minha cabeça.
- Obrigada. - Eu disse ao voltar olhá-lo e consegui até sorrir sem mostrar os dentes.
- Vamos. - Mark devolveu um sorriso maior e apontou com a cabeça em direção a casa. Estendeu uma das mãos e eu a segurei, enquanto ele me guiava até a porta da minha casa. Entramos e eu fechei a porta. Ao dar alguns passos na direção da sala, vi o sentado no sofá. Por alguns segundos, eu tinha até me esquecido que ele ainda estava lá.
- Você ainda está ai. - Eu suspirei.
- Olha, você tem que parar de ficar falando essas coisas na frente do seu irmão. Você já parou pra pensar o que ele faria se… - ia dizendo, quando viu Mark o encarando de longe.
- Acabou? - Eu arqueei uma das sobrancelhas ao olhá-lo. Por que ele estava falando sobre aquilo na frente do Mark? - Ótimo! Então, acho que você já pode ir embora. - Já que os meus amigos já tinham indo embora, ele não tinha mais nada pra fazer ali.
- Na verdade, eu queria conversar sobre uma coisa com você. - levantou-se do sofá e começou a vir na minha direção. Mark estava alguns passos atrás de mim.
- Conversar sobre o que? - Eu cruzei os braços, sem dar qualquer brecha pra ele.
- Bem, eu… - parou em minha frente. - Eu estava pensando em voltar a te levar e a te buscar na faculdade e no trabalho todos os dias. - Ele disse com receio.
- O que!? - Eu achei que não tivesse escutado direito. Não é possível.
- Você sabe… pra te manter segura. - explicou como se fosse óbvio.
- Você está drogado, né? - Parecia até que ele estava me sacaneando.
- Eu estou falando sério, ! - me repreendeu, me olhando sério.
- Eu também estou falando sério, . - Eu respondi na mesma hora. - Depois de tudo, você realmente acha que eu vou ficar andando com você por ai? - Eu perguntei, indignada. Mark acompanhava tudo com a mesma indignação, mas resolveu não se envolver. Ele não queria mais brigas.
- É pra sua segurança! - aumentou o tom de voz depois de ouvir a minha frase.
- Dane-se a minha segurança! Esqueça a minha segurança! Isso não é mais problema seu. - Eu também aumentei o meu tom de voz.
- E por quê? O problema é dele agora? - apontou com a cabeça em direção ao Mark.
- Eu não sei. Talvez seja por que você apontou uma arma pro meu pai? - Eu respondi grosseiramente, pois não gostei da forma com que ele tinha falado também.
- Droga, . Eu já pedi desculpas. Quando é que você vai esquecer isso? - perguntou, irritado. Até quando eu ficaria jogando isso na cara dele?
- Eu nunca vou esquecer isso. - Eu cuspi as palavras em sua cara.
- Escuta aqui! - levou uma de suas mãos até o meu braço e o segurou, me trazendo para mais perto dele. - Você pode ficar com ele se você quiser! Você pode namorar com ele. Você pode até casar com ele, mas você não pode impedir que eu te proteja de qualquer coisa que possa te machucar. - Ele me olhou nos olhos. - Eu vou sempre proteger você. - afirmou intensamente. O jeito que ele disse e a proximidade me intimidaram um pouco.
- Me solta. - Eu pedi e ele continuou me olhando de perto, sem se mover.
- Ela pediu pra você soltar. - Mark apareceu do nosso lado e encarou o irmão, que só deixou de me olhar para pode olhá-lo.
- Para de me tratar como se eu fosse alguém capaz de machucá-la. - soltou o meu braço e focou toda a atenção no irmão.
- Eu não sei se você é capaz de machucá-la ou não. O que eu sei é que você adora desrespeitar as vontades dela e eu odeio isso. Ela odeia isso. Você não percebe? - Mark não se intimidou nem um pouco.
- Eu já disse que eu não me importo. Eu não estou aqui para agradá-la. Eu não estou aqui para tratá-la como uma princesa. Eu não estou aqui para beijá-la. Muito menos para dar flores a ela. Você pode ficar com essa parte, se quiser. Eu fico com o seu trabalho. Eu a protejo, enquanto você vive o seu conto de fadas. - disse, se sentindo vitorioso.
- Protegê-la de quem? Do seu pai? - Mark perguntou, irritado.
- Do nosso pai! - o corrigiu.
- E o que te faz pensar que eu não sou capaz de protegê-la? - Mark perguntou, pois sabia que o sabia sobre o seu trabalho no FBI. A discussão entre eles começava a ficar mais intensa e eu continuava entre eles, sem saber o que fazer para impedir que os irmãos brigassem.
- Você provavelmente é. - foi obrigado a concordar.
- Então, me deixe cuidar disso sozinho. - Mark achou que a conversa estava chegando a seu final.
- Nunca! - recusou na mesma hora.
- Eu mandei você me deixar cuidar disso! - Mark disse mais irritado.
- E eu disse não! - aumentou o tom de voz. - O que é que você sabe sobre o Steven? Hm? Aposto que você acha que sabe bastante, não é? - Ele perguntou retoricamente, referindo-se aos recursos que o FBI certamente disponibilizava para ele. - Eu sei como ele pensa! Eu sei como ele age! Eu sei o que ele quer. - pausou por alguns segundos. - Eu sei como protegê-la dele e ninguém, ninguém vai me impedir de fazer isso. - Ele completou.
- Já chega! - Eu disse, afastando um pouco o Mark dele e me colocando em sua frente. - Eu não posso controlar as suas ações. Então, faça o que você tem que fazer. Faça o que o que você precisa fazer para limpar a sua consciência diante de tudo o que você já fez, mas… - Eu neguei com a cabeça. - Você não vai me levar ou me buscar de lugar algum. - Eu decretei.
- Você nunca facilita as coisas pra mim, não é? - estava um pouco chateado com o que tinha escutado, mas tentou não demonstrar.
- Eu não vou facilitar, por que eu não quero! Eu não quero a sua proteção! Eu não quero ter você por perto. , eu não quero que você cuide de mim, ok? - Eu não fui tão grosseira dessa vez, mas falei bem sério.
- Diferente de todos os que estão a sua volta, eu não vou fazer o que você quer. Eu não vou ser mais um a te mimar. - Apesar de decepcionado com as minhas palavras, ele conseguiu sorrir ao terminar a frase. - Todo mundo tem que ouvir alguns ‘não’ de vez em quando, não é? - Ele completou, olhando em meus olhos e depois olhou para o irmão mais uma vez.



Eu mal consegui dar uma resposta a ele, pois ele saiu da minha casa antes que eu conseguisse fazer isso.

- Você viu isso? - Eu olhei pro Mark, apontando em direção a porta. - Eu odeio isso! - Eu suspirei, furiosa. Nada me irritava tanto quanto ouvir o me chamando de mimada.
- Está tudo bem. Esquece isso. - Mark se aproximou e me puxou para mais perto. Eu aconcheguei a minha cabeça em seu peito e ele encostou a sua cabeça na minha, enquanto entrelaçava os seus dedos em meu cabelo. - Eu converso com ele depois, está bem? - Ele disse, tentando me acalmar.
- Por que ele não é como você? - Eu perguntei retoricamente, enquanto continuava nos braços dele.
- Por que se ele fosse, você jamais ficaria comigo. - Mark disse e na mesma hora, eu afastei a cabeça de seu peito e a levantei para poder olhar em seu rosto.
- Por que você está dizendo isso? - Eu não estava brava. Eu só queria entender.
- Você sabe que é verdade. Se você e ele tiveram algo tão especial com ele sendo um idiota, imagina se ele não fosse um idiota? Eu jamais teria chance. - Mark também não estava reclamando. Ele estava só sendo sincero.
- Isso não é verdade. É claro que você teria chance. Você teria chances em qualquer circunstância. Eu não estou com você por que não deu certo com ele. Eu estou com você por que eu quero. Eu estou com você por que eu gosto de você e não por que eu… não gosto dele. - Eu expliquei pra ele e o vi sorrir feito bobo.
- Eu gostei disso. - Mark ainda sorria do mesmo jeito, enquanto me olhava com carinho.
- Você precisa parar de se desvalorizar tanto. Você é maravilhoso. Você é perfeito. Qualquer garota no mundo teria muita sorte em encontrar um cara como você. - Eu disse um pouco antes de ele se aproximar com aquele sorriso maravilhoso e selar rapidamente os meus lábios.
- Bem, se eu for ouvir todos esses elogios todas as vezes, eu vou ser obrigado a continuar me desvalorizando. - Mark disse entre um selinho e outro, me fazendo rir.
- Não. Me prometa. - Eu tentei me afastar, mas era muito difícil. - Me prometa que vai se valorizar de hoje em diante. - Eu pedi afastando um pouco o meu rosto do dele para que ele não tentasse me beijar novamente antes de terminarmos aquela conversa.
- Eu prometo. - Mark disso com um sorriso.
- Não. Isso é sério. - Eu tentei ficar mais séria também.
- Ok. Ok! Eu prometo. - Mark afirmou mais sério. - Agora, eu preciso te fazer uma pergunta séria. - Ele continuou sério.
- Pode fazer. - Eu realmente pensei que fosse algo sério.
- Certo. - Mark respirou fundo. - Você disse que qualquer garota no mundo teria muita sorte em encontrar um cara como eu. - Ele começou e eu já fui logo deixando um sorriso escapar. - Não, não. Não sorria agora. Isso tira toda a minha concentração. Você tem que ficar séria. - Mark pediu aos risos, olhando para os meus lábios.
- Me desculpe. Eu já voltei a ficar séria. - Eu me esforcei para esconder o meu sorriso.
- Então, você disse isso, não disse? - Mark perguntou.
- Sim, eu disse. - Eu confirmei, enquanto o olhava com desconfiança.
- Ótimo. - Mark afirmou com a cabeça. - Então, agora me responda com toda a sinceridade do mundo: você quer ser a minha garota de sorte? - Ele perguntou, olhando em meus olhos.
- Como assim? Eu achei que eu já fosse. - Eu fingi estar indignada.
- Me desculpe. Eu sou um pouco criterioso com isso. - Mark entrou na brincadeira, mas manteve-se sério. - E depois de várias análises aprofundadas e diversos testes de compatibilidade, eu achei que você poderia se encaixar nesse papel. - Ele deixou um sorriso escapar no final.
- É mesmo? Bom, é uma grande honra e uma grande responsabilidade, mas acho que vou aceitá-la. - Eu afirmei, me aproximando ainda mais. Passei meus braços em volta de seu pescoço e ele passou os braços dele em volta da minha cintura. - Você quer que eu seja a sua garota de sorte? - Eu perguntei ao olhar discretamente para os seus lábios.
- Eu quero. - Mark disse um pouco mais baixinho, tentando selar os meus lábios novamente, mas eu recuei um pouco o meu rosto, enquanto sorria igual uma boba. Ele tão fofo, que eu não conseguia lidar.
- Então, eu também quero. - Eu afirmei, voltando a aproximar o meu rosto do dele. Nós dois sorriamos, quando ele aproximou-se novamente para me beijar, mas dessa vez eu deixei. O beijo durou um bom tempo e só não durou mais por que o meu celular acabou tocando. Isso é hora? - Espera, eu… - Eu fiz careta, me afastando dele e indo até a mesa. Meu celular estava em cima dela. - Oi, Meg. - Eu atendi, fazendo uma careta pro Mark de longe. Ele riu.
- Oi, . - A voz de Meg não parecia boa.
- Você… está bem? - Eu perguntei, preocupada.
- Eu estou bem. Eu só estou chorando há uns 20 minutos por que o meu namorado foi embora e acabei lembrando daquele trabalho idiota que nós vamos ter que apresentar amanhã. Você não esqueceu, não é? - Ela perguntou com a voz chorosa.
- Não, eu não esqueci. Eu… estou quase acabando a minha parte. Falta só alguns detalhes. - Eu me xinguei mentalmente. Eu estava mesmo acabando a minha parte, mas eu realmente tinha esquecido dos detalhes.
- Está bem. Eu vou terminar a minha parte também. Eu só liguei pra te lembrar. - Meg explicou.
- Obrigada, Meg. - Eu fiquei triste por ouvir a sua voz tão triste.
- Tudo bem. Eu te vejo amanhã. Beijos. - Meg começou a finalizar a ligação.
- Beijos. Fica bem. - Eu disse antes de ouvi-la desligar o telefonema. - Tadinha. - Eu voltei a colocar o celular sobre a mesa.
- Ela está mal por causa do . - Mark deduziu, chateado.
- Está. - Eu afirmei, indo em direção a ele.
- O que ela queria? - Ele perguntou.
- Ela ligou para me lembrar de um trabalho que vamos ter que entregar amanhã que, na verdade, eu esqueci. - Eu forcei um sorriso.
- Ah, não. Eu sei o que isso quer dizer. - Mark fez bico. - Eu tenho que ir embora, certo? - Ele deduziu.
- Não. Você pode ficar se você quiser, mas eu realmente tenho que terminar esse trabalho. Desculpa. - Eu me senti mal por aquilo.
- Não tem problema. Eu vou te deixar fazer o seu trabalho e nos falamos depois. Combinado? - Mark perguntou com um fraco sorriso.
- Tem certeza que não quer ficar? - Eu insisti.
- Tenho. Eu não quero te atrapalhar. - Mark negou na mesma hora. - Nos vemos depois, ok? - Ele perguntou novamente.
- Combinado. - Eu afirmei com a cabeça.
- Então, eu estou indo… - Mark aproximou e selou meus lábios seguidas vezes, me fazendo sorrir. Quando ele demonstrou que se afastaria, eu fui até ele.
- Espera. - Eu selei os lábios dele mais algumas vezes e ele achou graça. - Agora, você pode ir. - Eu disse depois de beijá-lo pela última vez. Me afastei para não cair novamente em tentação.
- Qualquer coisa você me liga. - Mark pediu, enquanto se afastava.
- Eu ligo. - Eu afirmei. Ele me olhou pela última vez antes de abrir a porta, sair por ela e depois fechá-la.

Não é difícil imaginar o sorriso idiota que permaneceu no meu rosto algum tempo depois que ele saiu. Eu adorava estar com o Mark. Ele me deixava muito feliz e me distraia de todas as coisas horríveis que andam acontecendo na minha vida. Ele está me fazendo muito bem e está passando por tudo isso junto comigo. Era ótimo ter alguém com quem conversar, desabafar e rir. Era ótimo não ficar brigando pra variar.

Mark saiu da minha casa e foi direto para a sua. Chegou lá e para a sua surpresa, ainda não tinha tomado vergonha na cara e ido embora. Ele estava sentado no sofá e tinha um notebook em seu colo. Quando a porta foi aberta, olhou para o irmão sem qualquer reação. Ele não demonstrou estar bravo, mas também não demonstrou estar feliz. Ele simplesmente estava indiferente. Mark não disse nada até aproximar-se do sofá.

- O que você está fazendo ai? - Mark perguntou, abrindo os braços.
- Oh, me desculpa. Vocês querem fazer sexo no sofá? Eu posso sair. - foi mais do que cínico e levantou-se do sofá.
- Não. Não! Não é nada disso. Pode ficar ai! - Mark achou um absurdo. atendeu o seu pedido e voltou a se sentar. - Eu só achei que… você ia ir embora. - Ele não queria ser tão grosso. Ele não queria começar uma nova briga.
- Eu ainda estou guardando o seu segredo, não estou? Então, não. Eu não vou embora. - disse com toda a calma do mundo.
- Vai mesmo continuar me chantageando? - Mark perguntou um pouco mais irritado.
- Eu não estou te chantageando. Eu estou só te ajudando a ser um bom irmão mais velho, ok? Você não pode deixar o seu irmão mais novo dormir em um hotel tendo essa casa enorme. - explicou com uma certa ironia.
- Não posso? - Mark cruzou os braços.
- Não. É contra a regra… de irmãos. - demorou algum tempo para improvisar.
- Regra de irmãos? - Mark negou com a cabeça, sem acreditar no que estava ouvindo.
- Você nunca teve um irmão antes, ok? Você não sabe dessas coisas. - mostrou-se impaciente.
- Toda essa besteira só pra fugir do que nós realmente precisamos conversar? - Mark sentou-se no outro sofá.
- Nós precisamos conversar? - colocou o notebook de lado e deu toda a sua atenção para o irmão.
- Sobre o que conversamos na casa da . - Mark disse mesmo sabendo que o já sabia do que se tratava.
- Por que nós temos que conversar sobre isso? Você quer brigar? Por que se conversarmos sobre isso, nós vamos brigar. - foi sincero.
- Eu não quero brigar. - Mark pegou mais leve quando percebeu a atitude diferente do irmão.
- Legal. Então, por que você não me oferece uma cerveja e nós conversamos sobre alguma coisa do tipo… paz mundial. - sugeriu com um sorriso. Mark o olhou e negou com a cabeça. Levantou-se do sofá e foi até a geladeira.
- Eu já sei sobre o que podemos conversar. - Mark disse, entregando uma cerveja para o irmão e ficando com outra.
- Sobre o que? - abriu a pequena garrafa com as mãos.
- Que história foi aquela de… peixe pequeno? - Mark perguntou sem qualquer pressão. Ele só estava curioso demais.
- Aquilo foi besteira da . - tentou demonstrar que não tinha tanta importância para ver se o irmão deixava o assunto pra lá.
- Não, não. Você usou essa desculpa pro irmão dela e não pode usá-la pra mim também. É… contra a.. regra de irmãos. - Mark usou a mesma desculpa que o irmão.
- É nada! - fez careta, depois de beber um gole da cerveja.
- Agora é! - Mark afirmou na mesma hora.
- Esquece isso, vai. - continuou resistindo.
- Não. Agora você vai ter que me falar. Regra de irmãos. - Mark ergueu os ombros.
- Para com essa coisa de regra. Não é assim que funciona. - negou com a cabeça.
- Fala! - Mark o pressionou.
- Bom, pela sua reação, eu acho que você já sabe. Eu preciso dizer? - arqueou uma das sobrancelhas. Ele sabia que o Mark estava pensando sobre sexo.
- Até parece! - Mark duvidou.
- Então tá bom. - ergueu os ombros.
- Então tá bom é o caralho. Você não está falando sério. - Mark não queria acreditar que eu e o já tínhamos chegado àquele ponto.
- Ta bom! - não precisava que ele acreditasse. Ele nunca foi do tipo que se gabava por esse tipo de coisa.
- Para de me sacanear, palhaço! - Mark ainda achava que o irmão estava brincando.
- O que você quer que eu diga? - abriu os braços.
- Ela me disse há alguns meses que era virgem. - Mark se lembra muito bem da brincadeira que fizemos em que eu acabei revelando isso pra ele.
- Bem, ela era até… - achou que não fosse necessário continuar.
- Eu não acredito! - Mark estava perplexo. - Isso é… - Ele não conseguiu concluir.
- Horrível, eu sei! Ela jamais poderia ter usado o termo ‘peixe pequeno’ só por que estava brava comigo. Foi injusto e uma tremenda mentira. - respondeu depois de tomar mais um gole da cerveja.
- Cala a boca. - Mark o olhou com indignação O termo que eu usei era a coisa mais insignificante pra ele agora.
- Eu não queria falar nada, ok? Você é que ficou insistindo. - se defendeu.
- Você está certo. Fui eu que insisti. - Mark se recompôs. - Isso é besteira minha. Isso nem tem tanta importância. As vezes o sexo pode acontecer casualmente, sem qualquer intenção. Isso já aconteceu com todo mundo uma vez. - Ele tentou mostrar tranquilidade, mas viu o irmão agir estranho ao ouvir ‘uma vez’.
- Eu concordo plenamente. - respondeu, depois de tomar um grande gole de cerveja.
- Não foi só uma vez? - Mark arregalou os olhos.
- O que será que está passando na TV? - deixou de olhá-lo e encarou a TV, que estava desligada.
- PUTA MERDA. - Mark gritou, chocado. - Mas eu achei que… - Ele não conseguiu concluir.
- Aquele sorriso inocente é bem convincente, não é? - comentou e o irmão nem conseguiu responder. - Ainda bem. Se não fosse, o irmão dela já tinha me matado. - Ele demonstrou alívio.
- Wow… - Mark não conseguia dizer nada.
- Eu não sei por que você está tão surpreso. Quer dizer, eu e ela temos uma história, sabe? Ficamos muito tempo juntos. - tentou entender tamanha perplexidade.
- Eu sei, mas é que… ela nunca falou nada sobre o assunto. - Mark ainda tinha um pouco de dificuldade pra se expressar.
- Ainda bem, né? Seria estranho se ela saísse contando esse tipo de coisa pra todo mundo. - respondeu, olhando-o estranho. - E você nem ao menos pode reclamar pra ela, porque você também deixou de contar algumas coisas bem importantes pra ela. - Ele disse.
- Dá pra você parar de ficar jogando isso na minha cara? - Mark o olhou, irritado.
- Só estou dizendo. - levantou as mãos demonstrando inocência.

Mark ficou um bom tempo sentado no sofá em silêncio, tentando superar aquela notícia. O fato de eu ter dito pra ele há alguns meses que era virgem, ele de repente descobrir que eu não era mais e ter o envolvido naquilo foi um pouco chocante pra ele. Isso quer dizer que o tinha sido ‘o meu primeiro cara’. Como é possível competir com o desse jeito? Não dá! É simplesmente impossível competir com algo assim.

O Jonas mais velho não estava bravo comigo ou com o , ele só estava muito perplexo. Ele até foi na minha casa para me dar boa noite, depois que mandei uma mensagem pra ele avisando que eu tinha terminado o trabalho. Eu insisti para que ele ficasse e jantasse comigo, mas ele recusou. Disse que não ocuparia mais ou meu tempo, pois sabia que eu teria que acordar cedo no dia seguinte. Depois do longo e cansativo fim de semana que eu tive, não foi uma má ideia. Eu realmente estava louca pra dormir e descansar.

- Onde você estava? - perguntou, quando viu o irmão entrando na casa.
- Eu… fui falar com a . - Mark não queria dizer que foi me dar um beijo de boa noite.
- Ah, sim. - tentou demonstrar indiferença e deixou de olhá-lo na mesma hora, voltando toda a sua atenção para a TV.
- Eu precisava falar com você. - Mark foi até a geladeira e trouxe uma cerveja para o seu irmão antes de sentar-se ao seu lado no sofá.
- Valeu. - estranhou a gentileza. - Você quer… falar sobre sexo de novo? - Ele o olhou com desconfiança.
- Não. Não é nada disso. - Mark negou com a cabeça. - Para falar a verdade, estou tentando esquecer isso. - Ele rolou os olhos.
- Faça isso. - achou melhor mesmo. - Mas, sobre o que você quer falar? - Ele perguntou ao abrir a garrafa de cerveja.
- Sobre… o que você disse na casa da hoje. - Mark não foi tão específico.
- Sobre o que? - arqueou uma das sobrancelhas.
- Sobre o Steven. - Mark ficou ainda mais sério ao falar o nome do pai.
- O que tem ele? - perguntou ao beber um gole da cerveja.
- Você realmente acha que ele vai tentar mais alguma coisa contra ela? - Mark esteve preocupado desde então.
- Bem, eu convivi muito tempo com ele, mas eu era só uma criança, sabe? Eu não prestava atenção nos valores morais que o meu pai tinha ou deixava de ter, mas a minha mãe costumava dizer que ele era muito teimoso e que ele nunca desistia fácil das coisas que ele queria. - recordou. - Se formos levar isso em consideração e também o fato de ele ter esperado 8 anos pra ter a vingança dele, tendo que deixar pra trás tudo o que ele deixou, eu diria que ele não vai desistir tão fácil de fazer algo contra ela. - Ele completou em tom de lamentação.
- Isso é… - Mark negou com a cabeça. - Isso é estranho agora, sabe? Agora que eu sei que ele é… - Ele ergueu os ombros.
- Seu pai. - concluiu a frase para ele.
- É! É difícil. - Mark reclamou. - Eu queria poder contar isso pra , mas eu não quero assustá-la. Eu também deveria contar para o pai dela, mas eu não sei se ele tomaria a melhor atitude. - Ele não sabia o que fazer.
- Contar pro pai dela? Eu não sabia que vocês eram tão próximos assim. - o olhou, estranhando a sua frase anterior.
- Ele sabe sobre o meu trabalho. - Mark não achou que fosse importante.
- Ele sabe? Desde quando? - continuava estranhando toda a situação.
- Um pouco antes de ela vir para Nova York. Provavelmente a Janice, quer dizer… a minha mãe… - Mark ainda não estava acostumado a chamá-la de mãe. - Contou pra ele sobre o que eu faço. Ela também sabia. Ela pediu que eu cuidasse dela. - Ele explicou.
- Mas por que ela pediria pra você cuidar dela? Ela não sabia que o Steven estava vivo. Ou… sabia? - perguntou, confuso.
- Ela não sabia, eu acho. Eu acho que ela só estava preocupado com o fato de ela estar sozinha na cidade ou tinha medo que… alguém tentasse se vingar pelo Steven. Eu não sei. - Mark ergueu os ombros.
- ‘Alguém tentasse se vingar pelo Steven?’ Você está falando sobre mim? - o olhou mais sério. Achou que pudesse ser uma indireta.
- Não. É claro que não. Se ela desconfiasse de você, ela jamais deixaria você se aproximar da sobrinha dela. - Mark explicou.
- Eu não estou falando sobre ela. Eu estou falando sobre você. É isso o que você acha? Você acha que eu posso ser uma ameaça pra ela? - o colocou contra a parede.
- Eu não acho isso, está bem? - Mark finalmente respondeu. - Mas, talvez, seja assim que a se sinta, sabe? E você sabe que nós não podemos culpá-la por isso depois de tudo o que aconteceu. - Mark tentou explicar da melhor forma possível. - É por isso que ela não quer a sua proteção e eu sinceramente acho que essa é a melhor coisa que você pode fazer por ela agora. - Ele completou.
- Olha, independente do jeito que ela se sinta sobre isso, eu não vou deixar de protegê-la. Eu não vou deixar que nada aconteça com ela. - manteve a sua opinião.
- Não vai acontecer nada com ela, porque eu vou estar por perto. Eu te prometo que não vou deixar nada acontecer com ela. É melhor assim? - Mark entendia o que o irmão sentia, mas também queria tornar a minha vida menos complicada.
- Você não entende. - rolou os olhos, deixando de olhá-lo.
- O que eu não entendo? - Mark mostrou-se paciente.
- Tudo isso é culpa minha. O Steven começou toda essa porcaria de vingança por causa de mim. - Em qualquer outra situação, diria aquelas frases com tristeza, mas não na frente do Mark. Coisa boba de homem.
- Isso também é um pouco culpa minha, certo? Quer dizer, eu sou o outro irmão. Aliás, esse é o problema: nós somos irmãos e, de alguma forma, a está entre nós. - Mark tentou tirar toda a culpa dos ombros do irmão.
- Não. Você entendeu errado. - balançou negativamente a cabeça. - Fui eu que trouxe ela pro meio disso tudo. Ela perdeu a memória duas vezes e se esqueceu de mim nas duas. Parecia que a vida estava dando a ela a chance de correr pra longe de tudo isso, mas eu sempre acabava puxando ela de volta. - Ele pausou para negar com a cabeça. - Droga, ela nem ao menos gostava de mim. Ela me odiava, mas eu consegui fazer com que ela me olhasse com outros olhos, por que eu era babaca e me achava bom demais para não conseguir justamente a garota pela qual eu era apaixonado. - Mesmo sem perceber, estava desabafando. Mark disfarçou, mas ficou um pouco impressionado com as palavras e a diferente atitude do antigo rival. Ele sempre viu o como um idiota, mas agora ele conseguia ver além.
- Espere. - Mark fez cara de confuso. - Você acabou de se chamar de babaca? Eu achei que você nunca fosse assumir. - Ele sacaneou com o irmão, pois não sabia como lidar com aquela situação. Ele não queria consolá-lo ou fazer algo por ele, pois ele não queria demonstrar que se importava.
- Na verdade, eu acho que está no nosso sangue, babaca. - ironizou, irritado com a falta de sensibilidade do irmão.
- Ok. Vem comigo. - Mark levantou-se do sofá.
- O que? Não! - não estava nem um pouco a fim de levantar do sofá e estava um pouco irritado com a atitude do irmão.
- Anda logo! Eu quero te mostrar uma coisa. - Mark disse, indo em direção ao corredor onde ficava os outros cômodos da casa.
- É bom que seja uma coisa muito importante. - levantou-se todo contrariado e foi na mesma direção que o irmão.
- Espera. - Mark pediu, parando na frente de uma das portas. A primeira coisa que o tentou fazer, foi tentar se lembrar o que tinha naquele quarto. Depois de algum esforço, ele se lembrou que, na verdade, nunca tinha entrado ali. A porta sempre esteve trancada.
- Olha, é melhor que tenha uma mulher muito gostosa ai dentro ou eu vou ser obrigado a te dar uns socos. - disse, enquanto Mark destrancava a porta com a chave que tinha tirado do bolso de sua calça. - Você anda com essa chave no bolso? Agora, eu estou ficando assustado. - Ele comentou.
- Quando eu estava sozinho em casa, eu costumava deixá-la aberta, mas com você aqui… - Mark fez careta.
- Que gentil. - fingiu olhá-lo com carinho.
- Entra. - Mark apontou com a cabeça em direção a porta, depois de abri-la.
- Se alguma coisa tentar me assustar, eu te quebro. - o ameaçou antes de entrar no quarto. Mark acendeu a luz. - Um quarto com um… guarda-roupas. Chocante. - Ele comentou assim que entrou no quarto e viu apenas um guarda-roupas. - Eu não sei como vocês fazem aqui em Nova York, mas lá em Atlantic City nós também costumamos colocar cama e colchão nos quartos. Ajuda bastante na hora de dormir. - brincou, recebendo olhares feios do irmão.
- Dá pra você calar a boca por um minuto? - Mark respirou fundo para não perder a paciência. - Isso não é só um guarda-roupa, idiota. - Ele foi até o móvel e estava prestes a abrir uma de suas portas, quando pediu que ele esperasse.
- Nós vamos mesmo pra Nárnia? - voltou a brincar e Mark o fuzilou com os olhos. - O que tem ai dentro? - Ele quis mostrar que falava sério dessa vez. Aproximou-se do irmão mais velho.
- Veja você mesmo. - Mark disse ao abrir duas portas do guarda-roupa. aproximou-se ainda mais para olhar direito para dentro do móvel.
- Uma TV? - o olhou, confuso.
- Olhe direito! - Mark afastou-se um pouco para que pudesse se aproximar ainda mais.
- Isso é algum tipo de... radar? - perguntou, sem ter certeza.
- Exatamente. - Mark voltou para o lado do irmão. Eles ficaram algum tempo em silêncio, olhando para a pequena TV.
- Você vai explicar? - perguntou, impaciente.
- Isso é um radar. - Mark confirmou. - Vê o ponto vermelho? - Ele apontou. - É onde o Steven está. Eu coloquei um rastreador no carro dele da última vez que eu estive lá. - Mark explicou. - Esse ponto verde...é o rastreador que eu coloquei no carro da há algum tempo. - Ele completou.
- Puta merda. Não brinca comigo. - deu mais atenção a pequena TV.
- Eu consigo ver todas as vezes que o Steven sai de carro e, principalmente, consigo ver se ele está bem longe de onde a está. - Mark disse, vendo que o irmão continuava surpreso.
- Isso é… genial. Sério! - não conseguia nem disfarçar. - Então, esse é o quarto onde você esconde suas coisas de agente do FBI? - Ele estava super empolgado em dizer aquilo.
- Sim. - Mark afirmou aos risos.
- Ok. Me mostre. - não pediu. Foi mais como uma ordem.
- O que? - Mark arqueou uma das sobrancelhas.
- Me mostra. Anda logo. - não sairia dali sem ver tudo o que estava dentro daquele ‘guarda-roupa’.
- Eu não vou te mostrar nada. Não gosto de você perto das armas, sabe? Elas não costumam ser uma boa influência pra você. - Mark deu a indireta e fingiu achar graça.
- Você realmente acha que eu não aprendi a minha lição? - o olhou com cara de tédio.
- Eu não sei. Você aprendeu? - Mark perguntou, desconfiado.
- Abre logo essa porra. Você sabe que sim. Eu prometo não tocar nas suas preciosas armas. - disse, impaciente.
- Certo. - Mark sabia que não teria como fugir. Aproximou-se das duas portas do ‘guarda-roupa’ que ficava ao lado das que ele já tinha aberto, mas essas eram diferentes. Elas nem tinham puxador. Elas só tinham uma pequena tela, onde o Mark tocou um dos dedos. A pequena tela pareceu ter identificado a digital e as portas se abriram repentinamente.
- Meu Deus. - nem ao menos piscava. - Isso é muito, muito foda. - Ele tentou aproximar as mãos dos objetos que estavam ali dentro, mas Mark o repreendeu. - Ok. Eu disse que não ia tocar em nada. - Ele concordou, mas continuou olhando com os olhos brilhando para os equipamentos e armas.
- É legal, não é? - Mark comentou com um sorriso.
- É a coisa mais bonita que eu já vi. - suspirou com um sorriso bobo. - Ser um agente do FBI deve ser a coisa mais incrível de todas. Por que eu estou estudando publicidade? - Ele fez careta.
- Qual é! - Mark gargalhou. - Você também tem um emprego bem legal. Você trabalha para o Yankees, cara! Levou todos os seus amigos para verem o jogo na primeira fileira. - Ele tentou ser legal. Com a digital, fechou as portas do ‘guarda-roupa’ que, na verdade, não guardava roupa alguma.
- É… - não concordou tanto, mas achou legal o que ele disse. - Então… - Ele demorou algum tempo para concluir. - Por que você me mostrou isso? - finalmente perguntou ao cruzar os braços.
- Por que você me implorou? - Mark respondeu como se fosse óbvio.
- Não. - sorriu e rolou os olhos. - Estou falando do radar. - Ele apontou ao descruzar os braços.
- Bem… - Mark ergueu os ombros. - Você quer cuidar dela, não quer? Por que não fazermos isso juntos? - Ele abriu os braços, olhando para o irmão.
- Ela não quer que eu faça isso. Eu achei que você não quisesse contrariá-la. - fez careta ao completar a frase.
- Ela não precisa saber, né? - Mark sorriu desjeitosamente.
- Sabe, você não é tão ruim quanto eu pensava. - afirmou com a cabeça.
- Mas você é, mas... não está sendo tão difícil te aturar quanto eu achei que seria. - De um jeito muito torto, Mark tentou devolver a gentileza. Ambos ficaram visivelmente desconfortáveis com o que tinha acabado de acontecer. Eles olhavam pro radar, pois mal conseguiam se olhar.
- Isso… está ficando estranho só pra mim ou… - referia-se àquele momento de irmãos, que eles viviam pela primeira vez. Ele olhou o Mark de canto.



- Muito estranho! - Mark concordou na mesma hora.
- Ok, vamos fingir que isso nunca aconteceu, certo? - arrumou uma rápida solução. - E sim, vou te ajudar a protegê-la. - Ele afirmou com um fraco sorriso no canto do rosto. Ele queria agradecer pelo que o irmão tinha feito, mas achou que o sorriso era o bastante.
- Ok. - Mark devolveu o sorriso de maneira mais tímida.

Ainda sem graça, abandonou o quarto e no caminho de volta para a sala, ele pensou no quanto tudo aquilo foi esquisito pra ele. Não é todo dia que você começa a simpatizar com o seu antigo inimigo. Mark continuou no quarto, mas se sentia da mesma forma. É claro que para ele tudo aquilo era um pouco diferente. Ele nunca teve um irmão. Ele não sabia como tudo isso acontecia. Ele não sabia como reagir e nem como lidar com aquilo.

Mark desistiu de tentar entender o que tinha acontecido naquele quarto e voltou para a sala como se nada tivesse acontecido. Passou pelo , que estava sentado no sofá e assistia alguma coisa na TV e foi para a cozinha fazer alguma coisa para comer. Já era um pouco tarde, então ele resolveu simplificar. também estava com fome e percebeu que o Mark preparava alguma coisa na cozinha, mas ele não se sentia confortável para se juntar a ele e comer da sua comida. Mark saiu da cozinha e trouxe com ele um molho com salsicha, mostarda e outras coisas que gostava de colocar em seu cachorro quente. Sentou-se na mesa e relutou algum tempo em ser gentil novamente com o irmão.

- Ei, você está com fome? Se estiver e quiser comer um cachorro quente ...- Mark finalmente ofereceu, mas não demonstrou (propositalmente) tanta boa vontade. o olhou de longe e não demorou mais que alguns segundos para que a fome vencesse o seu orgulho.
- Na verdade, eu estou morrendo de fome. - levantou-se do sofá e foi em direção a mesa.
- Senta ai. - Mark apontou a cabeça em direção a cadeira e o irmão atendeu o seu pedido.

Sem qualquer frescura, juntou os ingredientes e caprichou no seu cachorro quente. Antes de começar a comer, ele se levantou da mesa e foi até a cozinha para buscar mais duas garrafas de cerveja. Ao voltar, colocou uma delas em frente do Mark e sentou-se novamente. No primeiro momento, a refeição foi feita em silêncio. Aquilo continuava um pouco estranho para eles. A conversa acabou fluindo quando um programa de esportes começou na TV, onde algumas pessoas comentavam sobre o campeonato de beisebol. Sem nem perceber, os irmãos começaram a interagir sobre o mesmo assunto que os comentaristas. Algumas opiniões eram divergentes, mas eles também concordavam em algumas coisas.

- Foi você que fez esse molho de salsicha? - perguntou, quando ambos já tinham acabado de comer.
- Foi. Por quê? - Mark achou que tivesse algo errado com o molho.
- Eu não sabia que você sabia cozinhar. - comentou, depois de beber o último gole de sua cerveja.
- Eu nem sempre tive uma mãe para me mimar. Eu tive que aprender a me virar sozinho. - Mark explicou sem qualquer drama.
- Eu também morei sozinho por um tempo, mas a única coisa que eu aprendi a fazer foi ligar para a pizzaria. - disse, arrancando uma risada do irmão mais velho.
- Ouvi dizer que você faz um bom chocolate quente. - Mark disse, tentando segurar o riso. No fundo, estava sacaneando o irmão.
- Ela te contou!? - perguntou ao cerrar os olhos.
- Ela me contou tudo. - Mark voltou a rir. continuou fuzilando ele com os olhos por algum tempo.
- Ela também te contou sobre o chantilly? - referia-se ao chantilly que comemos na manhã seguinte da nossa primeira vez. Sim, ele fez de propósito.
- Não. - Mark ficou mais sério.
- Ok, então deixa pra lá. - levantou-se da mesa aos risos. Mark entendeu perfeitamente do que se tratava e sua única reação foi pegar o guardanapo, fazer uma bolinha com ele e jogá-lo nas costas de . - Você começou! - Ele levantou os braços, demonstrando inocência.

Aos poucos os irmãos Jonas começavam a se acertar. Eles não perceberam, mas as brigas sérias acabaram e deram lugar a uma briga boba e patética de irmãos. Quando eles não tinham essas brigas, eles estavam conversando sobre qualquer assunto ou rindo um do outro. Isso acabou se tornando cada vez mais comum entre eles e a afinidade que nunca existiu começou a transparecer, mas eles adoravam agir como se nada tivesse mudado. Eles adoravam fingir que ainda não se importavam um com o outro e se desdobravam em dois para disfarçar ou fugir dos inúmeros momentos estranhos de irmãos que eles passaram a viver. Agora, eles era companheiros de bebida. Na verdade, eles são muito mais do que isso, mas eles gostam desse termo.

Na segunda- feira, Mark saiu para trabalhar pela manhã e saiu para a sua última reunião com os gestores do Yankees. Depois que acabou a reunião, ele deveria voltar para Atlantic City para continuar a trabalhar normalmente na terça-feira, mas resolveu pedir férias para o chefe, que obviamente não negou as merecidas férias depois do belo trabalho que o tinha feito para o Yankees e para a empresa.

A minha segunda feira também foi rotineira. Fui para a faculdade de manhã e trabalhei durante a tarde. Cheguei em casa um pouco exausta por que ainda não tinha conseguido descansar totalmente do final de semana. Mark apareceu na minha casa a noite, mas não chegamos a fazer nada de diferente. Eu realmente estava cansada.

- Sai comigo amanhã? - Mark convidou antes de ir embora. Ele estava tentando ir embora há algum tempo, mas eu ficava torturando ele com beijos.
- Amanhã? Posso saber para onde você quer me levar? - Eu perguntei ao encarar o seu rosto bem de perto. Meus braços estavam em volta de seu pescoço.
- Eu não sei. Nós podíamos sair só nós dois, já que da última vez nós não conseguimos. - Mark fez careta.
- Nós podemos ir em um restaurante. - Eu dei a ideia.
- Você manda. - Mark sorriu.
- Então, pode ser aquele restaurante que eu adoro? - Eu perguntei, sorrindo exageradamente.
- Está decidido. - Mark afirmou com a cabeça.
- Legal. - Eu fiquei empolgada.
- Agora eu vou embora mesmo. Você precisa descansar. - Mark disse antes de me dar um longo selinho.
- Ok. - Eu concordei ao olhar de perto os seus belos olhos verdes. Como eles me fascinavam!
- Vejo você amanhã. - Mark despediu-se de vez ao afastar-se e ir em direção a porta.
- Até amanhã. - Eu fui atrás dele para poder trancar a porta logo que ele saísse e assim foi feito.

Pode parecer meio estranho o fato de eu e o Mark estarmos vivendo aquilo justamente agora que o estava tão próximo de nós. Quer dizer, ele está morando na casa do Mark! Bem, mesmo sem combinarmos, eu acho que temos um acordo. Quando estava comigo, o Mark nunca falava sobre o . Quando estava com , o Mark não falava absolutamente nada sobre mim. Era desse jeito que estávamos conseguindo levar aquela situação sem brigas. Porém, mesmo sem sermos mencionados um para o outro, sabia muito bem quando o irmão ia até a minha casa e eu também sabia muito bem que o continuava ali bem perto de mim. Felizmente, não nos encontramos nos últimos dois dias. Isso me deixava muito aliviada, mas deixava o extremamente chateado.

Na terça-feira, cheguei as pressas do trabalho para ter tempo para me arrumar para sair com o Mark. Eu queria estar bonita, pois era um encontro especial. Depois de tomar banho, escolhi com um pouco de dificuldade usar um conjunto jeans e um sapato preto de salto (VEJA AQUI) . Passei uma maquiagem bem fraca e dei uma ajeitada no cabelo com o secador. Desci para o primeiro andar e me dei conta de que passaria frio, portanto, eu fui obrigada a subir novamente para buscar um casaco.

- Você vai sair? - perguntou, quando o Mark apareceu na sala todo arrumado.
- Vou. - Mark respondeu sem dar mais detalhes.
- Ok. - Não precisava dizer mais nada, né? É claro que o sabia que ele sairia comigo. - Eu não vou demorar muito. Você pode ficar atento ao radar? De repente, o Steven resolve sair de casa hoje. - Mark pediu.
- Eu fico. - foi um pouco seco. Era um pouco difícil pra ele lidar com aquela situação de ver o irmão saindo de casa para encontrar a garota que ele ainda amava. Ele tentava mostrar maturidade e fingir que não se importava, mas em alguns momentos era bem difícil.
- Ok, então. - Mark percebeu a situação e não forçou. Saiu de casa sem dizer mais nada. É claro que o Mark também não se sentia bem com aquela situação. Por ser o seu irmão, ele sentia como se estivesse traindo o . Se fosse qualquer outra garota no mundo, ele desistiria! Mas por se tratar de mim, ele não conseguia. Era um sentimento muito maior do que tudo aquilo.

Eu ainda estava escolhendo o casaco que usaria, quando a campainha tocou. Com isso, eu tive que tomar uma decisão rápida e optei por um casaco beje. Vesti o casaco, peguei o celular e sai apressadamente do quarto. Desci a escada e antes de abrir a porta, arrumei o cabelo que ficou um pouco bagunçado por causa da breve corrida que eu dei. Abri a porta e me deparei com ele. Meu Deus, como ele estava bonito! Eu sempre falo isso, mas é que cada vez ele me surpreende mais. Ele vestia um blaser cinza por cima de uma camiseta preta lisa, calça jeans escura e sapato preto. Eu não sei quem ficou mais perplexo ao ver o outro: eu ou ele.

- Uau. - Eu comentei, olhando ele da cabeça aos pés.
- Estou bem assim? - Mark abriu os braços.
- Está lindo. - Eu sorri fraco.
- Então, somos o casal perfeito por que você também está linda. - Mark elogiou, aproximando uma de suas mãos da minha e segurando-a.
- Obrigada. - Eu agradeci, sem jeito. Eu não sei como, mas ele conseguia dizer as coisas de um jeito tão doce, que se alguém tentasse fazer igual, não conseguiria. É uma coisa que é dele mesmo. É uma coisa no sorriso dele que eu não conseguia explicar.
- Podemos ir? - Mark perguntou.
- Podemos. - Eu afirmei, saindo para o lado de fora da casa e trancando a porta. Guardei a chave no bolso da minha calça. Passamos para falar com o Big Rob antes de irmos para o carro.

O restaurante não ficava tão perto assim, mas também não ficava do outro lado da cidade. Fomos conversando durante todo o caminho e ao chegarmos no restaurante, Mark deixou o carro no estacionamento. Ainda não éramos um verdadeiro casal, pelo menos, não assumidamente, por isso, não andávamos de mãos dadas. Ao chegarmos no restaurante, Mark deu o seu nome para que o recepcionista nos levasse até a nossa mesa. O restaurante não era o mais refinado de Nova York, mas era um pouco chique sim.

continuou na casa do Mark durante grande parte da noite. Ele se sentia muito idiota por estar em casa, enquanto eu e o Mark estávamos em um encontro. A vontade dele era sair e se divertir também, seja com quem fosse. Ele só não queria ser o idiota que fica em casa pensando na ex-namorada, enquanto ela está com outro. Era exatamente nesses momentos em que ele se perguntava se tudo aquilo realmente valia a pena.

Pediu alguma coisa para comer e logo depois de jantar, começou a ver um filme que passava na TV. Toda aquela situação parecia humilhante pro . Ele precisava mesmo passar por tudo aquilo? Quer dizer: será que não seria melhor voltar para Atlantic City de uma vez e deixar que o Mark faça o seu trabalho e cuide de mim? Bem, realmente era uma coisa que ele começava a cogitar, enquanto ele assistia aquele filme besta na TV. ainda tentava se concentrar no filme, quando ouviu alguma coisa apitar. No primeiro momento, ele achou que estivesse delirando, mas quando o barulho persistiu, ele ficou um pouco mais preocupado. Abaixou todo o volume da TV para poder ouvir melhor o som, que parecia vir de um dos quartos da casa. começou a dar lentos passos em direção aos quartos e parou em frente de um deles quando o barulho aumentou. Era justamente o quarto ‘secreto’ do Mark. Com um certo receio, abriu a porta, acendeu a luz e foi se aproximando aos poucos do móvel. As portas do ‘guarda-roupa’ ainda estavam abertas e ainda deixavam a pequena TV com o radar em evidência.

- O que está acontecendo? - perguntou em voz alta, tentando entender por que aquilo estava apitando. Olhou com mais atenção para o radar e assustou-se quando percebeu que o ponto vermeho (o rastreador no carro de Steven) se movia. - Merda. - Ele resmungou, sem saber o que fazer. Seu primeiro instinto foi pegar o seu celular e ligar para o Mark. Ele sim saberia como resolver a situação! - Vamos! Vamos! - implorava para que o irmão atendesse, enquanto a ligação continuava chamando. - Droga! - Ele reclamou, quando a ligação caiu na caixa postal. Sua última e única opção era ligar para mim. A sua esperança acabou, quando a ligação nem chegou a chamar. Eu estava sem bateria! - Qual é! Só pode ser brincadeira! - esbravejou, sem saber mais o que fazer. Ele ficou algum tempo parado no centro do quarto, enquanto tentava pensar em alguma coisa. - Big Rob. - Ele disse em meio a um sorriso aliviado. Saiu correndo do quarto e saiu da casa o mais rápido que conseguiu. Atravessou o jardim e chegou no lugar em que o segurança costumava ficar. - Big Rob! Big Rob! Hey! - chamou por ele desesperadamente.

- O que aconteceu, garoto? - Big Rob apareceu, assustado.
- Graças a Deus! - ficou aliviado em vê-lo. - A e o Mark saíram, não é? - Ele primeiro queria saber se o segurança estava ciente da situação.
- Saíram sim. Já faz mais de uma hora e meia. Por quê? Aconteceu alguma coisa? - Big Rob mostrou preocupação na mesma hora.
- Por favor, por favor me diga que você sabe onde eles foram. - estava aflito.
- Eles foram jantar em algum restaurante. - O segurança respondeu. - Ela disse alguma coisa sobre ir ao restaurante favorito dela. - Ele completou, confuso.
- Restaurante favorito? - parou algum tempo para pensar. Qual era o meu restaurante favorito? - Claro! - Ele arregalou os olhos. Nós fomos nesse restaurante algumas vezes.
- O que foi? - Big Rob se perguntava se o garoto estava drogado.
- Você é demais, Big Rob. Obrigado! - agradeceu antes de voltar as pressas para dentro da casa de Mark. - Ok, onde fica aquele restaurante? - não conseguia lembrar muito bem onde ficava o restaurante, por isso, fez uma breve pesquisa na internet e ao descobrir o endereço, comparou com o mapa na tela do radar. - Droga! - Ele suspirou, quando viu que o rastreador de Steven estava indo justamente para a região da cidade onde ficava o restaurante. Depois de mais algum tempo pensando, tomou a decisão de ir até lá! Já que ele não podia avisar o Mark, ele é que teria que fazer alguma coisa a respeito. Steven provavelmente tentaria mais alguma coisa e ele não podia deixar que eu corresse esse risco. Ele tinha que avisar o Mark.

O jantar foi muito agradável. Além de estarmos no meu restaurante favorito, o Mark era uma companhia incrível. Ele sabia como me divertir e por gostarmos de coisas parecidas, nunca faltava assunto entre nós. Ele era um cara incrível e não era apenas um rosto bonito, ele era interessante e muito educado. Quando eu estava com ele, eu sabia que nada sairia errado. Mark sempre dizia as coisas certas e fazia as coisas certas. Como eu já disse, é difícil encontrar um cara como ele.

- Eu já trago o troco, senhor. - O garçom afastou-se, levando o dinheiro do Mark, que pagaria a conta.
- Ok, obrigado. - Mark agradeceu. Ele voltou a me olhar e me flagrou olhando pra ele com um sorriso idiota, que eu nem ao menos fiz questão de esconder. - O que foi? - Ele perguntou, sem jeito.
- Você é um cara incrível, sabia? - Eu disse, sem tirar os olhos dele.
- Por que você está dizendo isso? - O sorriso dele aumentou e ele continuou me olhando.
- Eu estava aqui olhando você ser todo formal e sério com o garçom e quando você virou-se pra mim... tinha esse sorriso bonito e cativante no seu rosto. Você é tão sério, mas quando me olha você está sempre sorrindo. - Eu tentei explicar o que eu sentia.
- Você é o meu melhor motivo pra sorrir. - Mark disse com um sorriso mais fraco. A sua frase fez meu coração disparar sem que eu nem percebesse. Levei uma das minhas mãos até a mesa e toquei a mão dele.
- Entendeu o porquê de você ser tão incrível? - Eu olhei nossas mãos por alguns segundos. - Você diz muito em poucas palavras, mas os seus olhos dizem mais que qualquer coisa no mundo. - Eu voltei a olhar em seus olhos. - Seus olhos me passam carinho, me passam confiança, sabe? Eu sei que posso confiar em você e sei que você nunca vai me decepcionar. - Eu completei.
- Eu queria poder te beijar agora. - Mark disse e eu, que estava tão séria, deixei um sorriso escapar.
- Aqui está. - O garçom nos interrompeu ao trazer o troco de Mark. Afastei a minha mão da dele, mas ainda matinha o sorriso no rosto.
- Obrigado. - Mark agradeceu, pegando o dinheiro e guardando em sua carteira. - Você quer mais alguma coisa? - Ele me perguntou, sendo educado.
- Não. Eu estou bem. Obrigada. - Eu neguei sutilmente com a cabeça.
- Está bem. Então, eu só vou até o banheiro e ai nós vamos pra casa, ok? - Mark avisou.
- Claro. Eu espero. - Eu afirmei com a cabeça.
- Eu já volto. - Mark levantou-se da mesa e foi em direção ao banheiro masculino.

Com a ajuda de um GPS, conseguiu ir até o restaurante. Ele não sabia se chegaria a tempo, mas não custava nada tentar, certo? Ele dirigiu o mais rápido que conseguiu e chegou ao restaurante com a adrenalina a mil! Confirmou se o carro de Mark ainda estava no estacionamento e logo em seguida estacionou o seu carro também. Completamente atento e procurando Steven em todos os lugares pra onde olhava, correu até a porta do restaurante e a abriu abrupta e escandalosamente. Devido ao barulho repentino, meus olhos foram direto na direção da porta do local. Coincidentemente ou não, os olhos de também vieram direto na minha direção. Ao ver que eu estava bem e segura, ele olhou em volta e percebeu que praticamente todos no restaurante olhavam pra ele. Era um alarme falso! Meu olhar assustado, se transformou em um olhar de ódio. O QUE DIABOS ELE ESTAVA FAZENDO ALI? Infelizmente não tinham mais pratos na minha mesa, pois se tivesse eu certamente jogaria todos eles na direção daquele idiota!

- Me desculpe! Eu… entrei no lugar errado. - disse para o recepcionista, demonstrando estar completamente sem graça. Ele saiu pela porta tão rápido quanto entrou. Assim que saiu do restaurante, ele tentava entender o que tinha acabado de fazer. O pior de tudo é que eu tinha visto ele. - Merda. O que eu… - Ele resmungava, enquanto afastava-se do restaurante e ia em direção ao estacionamento.

Nada poderia me deixar mais furiosa no mundo do que ter visto o naquele restaurante. Eu só conseguia pensar em todas as vezes em que eu pedi para que ele se afastasse e quantas vezes eu mandei ele parar de ficar me seguir por ai. O fato de ele não me respeitar e não respeitar as minhas vontades me deixavam maluca! Ao vê-lo sair do restaurante, eu não pensei duas vezes e me levantei da mesa. Com um sorriso no rosto e sendo menos discreta possível, eu atravessei todo o restaurante e sai para o lado de fora. Assim que saí, eu o vi. Ele estava um pouco mais de 10 passos na minha frente. Andei o mais rápido que consegui na sua direção e assim que consegui alcançá-lo, parei bem atrás dele.

- O que você está fazendo aqui? - Eu perguntei e o vi parar de andar no mesmo instante. Ainda de costas pra mim, ele fez careta. Pensou em ignorar e ir embora, mas já que ele estava furioso comigo por causa do Mark, porque não ficar e me enfrentar? Assim que decidiu isso, virou na minha direção pronto para me dar uma resposta grosseira, mas ao me ver, ele travou. Sem ser nada discreto, os olhos dele percorreram o meu corpo. Ele pensou: ‘Uau!’. A expressão séria chegou até a desaparecer de seu rosto. - Eu estou falando com você! - Eu percebi a situação e tentei trazê-lo de volta para o mundo real.
- Eu já estou indo embora, ok? - voltou a olhar em meu rosto, mas sem dar tanta atenção. Assim que terminou de falar, ele virou-se de costas e deu alguns passos. Teimosa do jeito que sou, não deixei que ele desse mais de 5 passos e já me coloquei em sua frente.
- Você veio até aqui, não veio? Agora, você vai me dizer o que você quer! - Eu o encarei, séria.
- Por que você está tão brava? - abriu os braços, irritado. - É por que eu estraguei o seu encontro com o meu irmão? - Ele poderia ter dito ‘Mark’, mas sabia que ‘irmão’ soaria muito mais pesado pra mim.
- Eu sabia! - Eu cerrei os olhos em sua direção. Então, era por isso que ele estava lá?
- Sabia o que? - arqueou uma das sobrancelhas. - Sabia que tudo isso o que você está fazendo com ele é baixo demais até pra você? - Já que eu queria ouvir verdades, ele colocaria todas elas pra fora.
- E o que eu estou fazendo? Tentando viver a minha vida? Tentando encontrar um cara que vale a pena? Eu sinto muito por isso! - Eu ironizei, fingindo que as palavras dele não tinham me acertado em cheio.
- Eu não culpo ele, sabia? Eu não culpo ele por gostar de você e se importar com você, mas você… - negou com a cabeça. - Você não podia estar fazendo isso comigo. Você não podia estar fazendo isso com ele. - Ele completou.
- Se eu sou tão ruim assim e se as minhas atitudes te deixam tão decepcionado, por que você não desiste de uma vez disso tudo? Por que você não volta pra Atlantic City? Por que não volta pra sua vida? - Eu disse ainda mais irritada depois do que eu ouvi dele.
- Eu juro que não sei por que eu ainda me importo com você. - também cuspiu as palavras.
- Então, não se importe! É isso o que eu tenho te pedido nos últimos dias. É isso o que eu mais quero! - Eu aumentei um pouco o meu tom de voz.
- Eu não posso! Você não entende? Eu te coloquei no meio disso tudo. Eu trouxe o Steven pra sua vida e essa é a minha responsabilidade agora. - Ele também aumentou o tom de voz. Confesso, que as palavras dele me surpreenderam um pouco.
- Steven? Mas o que tudo isso tem a ver com o Steven? - Eu arqueei uma das sobrancelhas. - Ele é passado! Nós já descobrimos tudo sobre ele. Nós já sabemos o que ele queria e sabemos quem ele é! Ele não é mais problema meu. - Eu achei que essa história de Steven já tivesse acabado. Por que ele estava falando isso agora?
- Você quer realmente saber o que eu vim fazer aqui? - Naquele momento, já estava de saco cheio do que estava ouvindo. - Eu soube que o Steven estava vindo pra cá e vim até aqui pra tentar impedir que ele tentasse fazer alguma coisa contra você! - Ele sabia que o seu argumento me surpreenderia e calaria a minha boca de uma vez.
- O que!? - Foi inevitável não ficar assustada diante daquela notícia. O Steven ainda está atrás de mim?
- Agora que você já sabe, eu posso ir embora. - disse antes de passar por mim, que fiquei em choque por mais alguns segundos.
- Como você soube disso? - Eu me virei na direção dele e ele parou de andar. - Você anda falando com ele? Você está junto com ele nisso? - Foi a única explicação que eu consegui pensar e ela me deixou muito abalada. Quando eu disse isso, ele me olhou na mesma hora.
- Você está falando sério? - veio pra cima de mim. - Você tem noção do que você está falando? - Ele ficou muito ofendido.
- Como você soube que ele estava vindo até aqui? Como, ? - Eu queria muito que ele me desse uma desculpa melhor.
- Esquece! - recusou-se a dizer, pois ainda estava muito ofendido com o que eu tinha dito.
- COMO VOCÊ SOUBE? - Eu o pressionei ainda mais ao gritar.
- ATRAVÉS DE UM RADAR! DROGA! - devolveu o grito, furioso. - Tem um rastreador no carro dele pra sabermos quando ele tentasse se aproximar de você de novo. - A notícia me pegou de surpresa. Um radar? Como foi que ele fez isso?
- Por que eu não sabia disso? - Aquilo soou extremamente estranho pra mim. Como eu conhecia o muito bem, eu sabia que tinha mais alguma coisa por detrás daquilo. - Por que você escondeu isso de mim? - Pela cara dele, eu sabia que viria algo muito ruim por aí.
- … - negou com a cabeça. Ele queria deixar isso pra lá. Ele queria retirar o que tinha dito, pois sabia que não esqueceria do assunto tao cedo.
- Você está mentindo, não está? Como você teria acesso a esse tipo de coisa? Você sempre foi péssimo com tecnologia. Você nem saberia mexer com algo assim. - Talvez o problema fosse que tudo não passava de uma mentira, né? Talvez ele estivesse mentindo para justificar a ida dele até o restaurante! Era disso que eu queria me convencer.
- Não fui eu. Foi o Mark. - achou que seria o bastante. Mark certamente conseguiria encontrar uma boa desculpa para me dar depois.
- O Mark? - Eu fiquei ainda mais confusa. O Mark também estava envolvido na história? - O Mark está vigiando o Steven? Por quê? Por que ele nunca me contou nada disso? - Quando fiz a pergunta, olhei nos olhos de e tive certeza que estava prestes a descobrir algo terrível.
- Você pode perguntar isso pra ele depois. - tentou fugir da responsabilidade. Como eu já disse, ele imaginava que o Mark saberia muito bem inventar uma ótima desculpa depois.
- Não. Você vai me falar agora. - Eu me aproximei ainda mais dele. Eu estava com muito medo do que viria por ai, mas eu precisava saber.
- Eu não… - ia inventar qualquer coisa, mas eu o interrompi, quando levei minhas duas mãos até a sua camiseta e a segurei com força.
- Por que o Mark não me falou nada sobre isso? - Apesar de estar segurando a sua camiseta, eu não disse aquilo com raiva. Eu disse aquilo com medo. Olhando o meu rosto de perto, percebeu o quanto eu estava aflita. Ele percebeu o quanto eu estava com medo do segredo que ele escondia. Ele percebeu que não poderia manter aquele segredo mesmo se quisesse.
- Por que esse é o trabalho dele. - respondeu em um tom baixo. Eu continuei confusa e ele precisou concluir a notícia. - Ele trabalha no FBI, . O trabalho dele é proteger você. - Ele disse mesmo se sentindo péssimo por estar revelando o segredo do irmão.
- O que? Não. - Minha primeira reação foi de negação. Eu não queria acreditar que ele tivesse me enganado todo esse tempo. - Não pode ser. - Eu olhava pro e esperava qualquer sinal que me mostrasse que ele estava mentindo. - Você está mentindo, não está? - Eu ainda tinha esperanças. Eu precisava muito que tudo aquilo fosse mentira.
- Eu sinto muito. - me olhou, lamentando por me ver daquele jeito. A decepção no meu rosto era evidente.

Ao sair do banheiro, Mark foi direto para a mesa onde estávamos sentados e ficou um pouco preocupado quando não me viu lá. Ele olhou em volta, pensando que pudesse ter errado a mesa. Imaginou que eu tivesse ido ao banheiro também, mas resolveu ir até o recepcionista e perguntar. Ele perguntou sobre a ‘garota’ que estava com ele e o recepcionista atento prontamente respondeu que eu tinha saído do restaurante há alguns minutos. Mesmo estranhando a informação, Mark agradeceu e foi para o lado de fora do restaurante. Assim que saiu, me viu de costas e viu que o estava comigo. Confuso, ele se aproximou para saber o que tinha acontecido.

- O que aconteceu? - Mark perguntou, me olhando de costas. levantou os olhos na mesma hora e se sentiu ainda pior pelo que ele tinha feito. Olhei para o rosto de , sabendo que o Mark estava atrás de mim. Eu sinceramente não sabia se deveria olhar na cara dele. - Tudo bem, ? - Ele perguntou, preocupado. negou com a cabeça como se estivesse tentando avisá-lo do que estava acontecendo, mas o irmão mais velho não entendeu nada. Eu soltei a camiseta do e me virei na direção do Mark. Ele soube que havia algo errado comigo na mesma hora. - Mas o que… - Mark aproximou-se imediatamente, tentando me consolar de qualquer coisa que tivesse acontecido. O seu melhor palpite era uma briga com o . Uma das minhas mãos tocaram o seu peito, impedindo que ele se aproximasse mais. - Me diz que você não mentiu pra mim. - Eu pedi, sentindo meus olhos encherem de lágrimas. - Por favor. - Eu olhei nos olhos dele e notei que ele olhou discretamente para o irmão. Naquele momento, Mark soube do que se tratava. Ele sabia que eu tinha descoberto. - Diz que você não escondeu uma coisa dessa de mim todo esse tempo. - Eu pedi novamente. - Eu sinto muito, . - Mark estava em choque. Ele não esperava contar aquilo pra mim naquele dia. Ele ainda não sabia como me contar. Ele não sabia como se explicar.



- Meu Deus. - Eu tirei a mão do peito dele e dei poucos passos pra trás. - Isso não está acontecendo. - Eu levei as mãos a cabeça e entrelacei os dedos no meu cabelo. Eu ainda estava em negação.
- Espere. - Mark tentou se aproximar novamente e eu voltei a recuar. A minha cabeça estava a mil. De repente, tudo começava a fazer sentido: as mentiras sobre a faculdade dele, os segredos sobre o trabalho dele, o instinto de proteção dele, a mira certeira dele no dia em que fomos ao parque, ele ter aparecido repentinamente na casa do Steven naquele dia horrível e o fato de ele ter uma arma e saber manobrá-la tão bem.
- Meu Deus. Estava na minha cara todo esse tempo e eu não percebi. - Enquanto eu juntava todas as peças, as lágrimas iam desaparecendo dos meus olhos.
- Eu vou te contar tudo. - Mark estava um pouco desesperado para me explicar antes que as coisas piorassem de vez.
- Eu confiei em você! Eu confiei completamente em você e você mentiu pra mim. Você me enganou todo esse tempo! - Eu estava me sentindo traída.
- Vamos conversar! - Mark disse, pedindo calma.
- Eu não quero conversar! Eu não quero falar com você. Eu nem consigo olhar pra você agora! - Eu disse antes de começar a andar para me afastar dali. Eu precisava ir pra casa. Mark me acompanhou com os olhos, sem saber o que fazer. Ele me viu entrar em um táxi, que estava do outro lado da rua. Antes mesmo que ele tomasse qualquer atitude, eu já tinha ido embora. Olhou para o irmão mais novo, que continuava parado logo em frente. tinha tudo para estar feliz com aquela situação, mas ele não estava.
- Eu não queria ter contado, mas ela… - tentou se justificar, mas Mark o interrompeu.
- Obrigado mesmo por ter feito a única coisa que eu te pedi pra não fazer, . - Mark mal olhou direito em seu rosto e passou direto por ele, indo em direção ao seu carro. Ele ainda tinha esperanças de conseguir falar comigo novamente naquela noite.
- Mark, espera! - gritou, sentindo-se péssimo. Continuou parado, enquanto via o irmão mais velho entrar no carro e sair.

Naquele momento, eu estava muito mais brava do que qualquer outra coisa. Provavelmente tudo aquilo doeria muito mais tarde, mas não naquele momento. Eu estava me sentindo traída. Eu estava me sentindo idiota. Eu estava me sentindo usada. Como eu pude deixar chegar a esse ponto? Como eu não percebi isso antes? Eu não conseguia parar de me perguntar isso. Eu estava tão indignada comigo mesma por ter me deixado enganar DE NOVO. O que foi? Tem otária escrito na minha testa, por acaso? Todos os homens no mundo são assim ou são só os homens da família Jonas mesmo?

- Obrigada. - Eu paguei o táxi com o único dinheiro que eu tinha comigo. Ao descer do carro, não acreditei quando percebi que o Mark tinha chegado junto comigo. Ao vê-lo, andei mais rapidamente em direção a porta da minha casa. Consegui chegar na varanda, mas ele me alcançou.
- Por favor. - Mark pediu, tocando o meu braço.
- Não encosta em mim! - Eu o empurrei.
- Você tem todo o direito de estar brava. - Mark me olhou. Suas mãos me pediam calma.
- Eu tenho o direito de nunca mais ter que olhar pra você! - Eu esbravejei. - Eu não acredito que confiei tanto em você! Droga, Mark! Eu confiei em você mais do que em qualquer um. Eu sempre contei tudo pra você. Você sabe absolutamente tudo sobre a minha vida. Eu fui honesta com você o tempo todo. - Eu comecei a desabafar. - Agora, eu nem sei se te conheço. - Eu neguei com a cabeça.
- Eu nunca fingi ser outra pessoa. Eu fui eu mesmo o tempo todo. - Mark respondeu na mesma hora. Ele precisava que eu soubesse disso.
- Você acha mesmo que eu vou conseguir acreditar em alguma coisa que saia da sua boca agora? - Ele esperava mesmo que eu acreditasse?
- Você disse que conseguia ver nos meus olhos que poderia confiar em mim. Você disse! - Mark afirmou, colocando-se novamente em minha frente. - Então, olhe pra mim. Olhe nos meus olhos. Eu duvido que você consiga ver qualquer coisa diferente neles. - Ele pediu e eu olhei mesmo sabendo que nada mudaria.
- Por que eu? - Eu perguntei aproveitando que estava olhando nos olhos dele. Eu queria sinceridade. - Tantas garotas por ai. Por que logo eu? Porque o FBI se interessaria em mim?- Eu o pressionei.
- Foi a Janice. Ela sabia sobre o meu trabalho. - Mark relutou algum tempo para dizer a frase. - Foi a minha mãe que me pediu que eu cuidasse de você. Ela me disse que a sobrinha dela se mudaria em breve para a cidade e me pediu para ficar de olho em você. Na época, a justificativa que ela deu foi de que você estaria sozinha na cidade e que não conhecia quase nada. Hoje, eu sinceramente acho que ela desconfiava que o Steven, na verdade, não tinha morrido. - Ele explicou.
- Então, a minha tia pede e o FBI já está atrás de mim? Simples assim? - Eu arqueei uma das sobrancelhas ao olhá-lo.
- No começo, as coisas não eram tão profissionais. Eu só ficava de olho em você por que a sua tia tinha me pedido, mas… depois que você começou a sofrer as ameaças, as coisas ficaram mais sérias. - Mark explicou com nervosismo.
- E foi ai que eu me tornei o seu trabalho, certo? - Eu forcei um sorriso irônico. - E como é que você fazia? Chegava em casa todas as noites e descrevia todas as novas conversas em um relatório para entregar para o seu chefe no dia seguinte? - A minha ironia era tanta, que até parecia que eu não estava prestes a surtar!
- … - Mark tentou me interromper, mas eu o ignorei totalmente.
- E você teve algum tipo de treinamento pra esse tipo de caso? Tipo ‘Aprenda a ser um babaca mentiroso e a fazer qualquer garota de idiota em 2 dias?’. - Eu continuei julgando ele da forma menos dolorosa pra mim. - Aposto que você recebeu algum bônus do seu chefe por ter conseguido ficar comigo, não recebeu? - Eu perguntei retoricamente e ele me olhou, sem saber o que dizer. Ele não esperava que eu tivesse aquela reação. Nunca. - E o que você ganharia se tivesse conseguido me levar pra cama? Uma promoção? Férias em dobro? - Eu perguntei novamente e ele mantinha-se em silêncio, perplexo. Um silêncio que me deixava ainda mais furiosa e que me fez perder o pouco juízo que me restava. - RESPONDE! - Eu gritei em sua direção. - QUAL O PROBLEMA COM VOCÊ? - Em um momento de total insanidade, eu fui pra cima dele e comecei a empurrá-lo seguidas vezes e quando tentei dar alguns tapas, ele segurou minhas mãos.
- SE ACALMA! - Mark gritou, tendo um pouco de dificuldade para controlar. - POR QUE VOCÊ ESTÁ AGINDO ASSIM? - Ele perguntou, me olhando muito sério.
- POR QUE EU ESTOU TÃO CHEIA DE TUDO ISSO! EU ESTOU CHEIA DAS MENTIRAS. EU ESTOU CHEIA DAS DECEPÇÕES. EU ESTOU CHEIA DE TER O MEU CORAÇÃO QUEBRADO POR UM JONAS! - Eu estava com tanta raiva, que consegui me desvincilhar das mãos dele. - VOCÊS SÃO TODOS IGUAIS! - Eu o empurrei mais uma vez com toda a minha força. Dessa vez, minhas palavras tornaram-se um pouco mais difíceis de ouvir.
- Não. Não. , me escuta. - Mark tentou recuperar a calma para finalmente tentar me fazer entender.
- Chega. - Eu o interrompi. - Eu não quero ouvir mais nada! - Eu neguei com a cabeça, decidida a acabar com aquela conversa.
- Eu menti sim sobre o meu trabalho e eu sinto muito por isso. Realmente, não foi a minha intenção te magoar. Era a última coisa que eu queria, mas… eu fui sincero sobre o que eu sentia. Eu estou sendo sincero nesse exato momento. - Mark me disse, olhando em meus olhos.
- Olha bem pra mim, Mark. Eu só vou dizer isso uma vez. - Eu o encarei friamente. - Eu não quero o seu pedido de desculpas. Eu não quero a sua pena. Eu não quero o seu amor. Eu não quero a sua proteção. - Eu mantive a frieza até o final. - Se eu sou o seu trabalho, você acaba de ser demitido. - Minha vontade era voar no pescoço dele, mas eu estava me controlando muito. - Demitido como o meu segurança. Demitido como amigo ou seja lá o que nós fomos nesses últimos dias. - Eu demonstrei indiferença. - Você foi demitido da minha vida, Mark. Você entendeu? - Eu perguntei retoricamente. - Desaparece da minha vida e se possível, leve o seu irmão com você! E pode colocar esse detalhe no relatório pro seu chefe também. - Quando eu acabei de dizer, um fardo enorme saiu do meu peito. Eu estava precisando muito falar tudo aquilo. Dizer tudo aquilo, de alguma forma, fez com que eu me sentisse mais forte. - Adeus, Mark. - Eu me despedi antes de me virar de costas, destrancar a porta da minha casa e entrar, batendo a porta na cara dele. Mark não conseguiu dizer absolutamente nada. Ele estava em choque com tudo o que tinha acabado de ouvir.

Mark ficou mais uns 10 minutos parado na porta da minha casa, sem saber como superar cada palavra dita por mim. Eu não chorei e em nenhum momento demonstrei qualquer tipo de fraqueza ou tristeza. A raiva estava presente nos meus olhos a todo o momento. Mark nunca me viu daquele jeito. Ele nunca soube qual era a sensação de ser odiado por mim. Ele não estava acostumado a lidar com aquilo. Pelo menos, não tanto quanto o . Poucas lágrimas surgiram nos olhos dele, quando ele finalmente chegou a conclusão que eu o odiava. Ele tinha perdido a garota que ele amava.

Completamente sem rumo e sem saber o que fazer depois de tudo o que tinha acontecido, Mark foi afastando-se da porta da minha casa e atravessou lentamente todo o jardim. A cabeça repetia seguidas vezes as palavras que eu tinha dito a ele. Com os olhos fixos no chão e a cabeça longe, ele chegou na varanda de sua casa. Levantou a cabeça para olhar o irmão mais novo, que estava sentado em um dos degraus. percebeu que ele não estava bem só ao olhá-lo. Há alguns dias, estaria feliz com a situação, mas vê-lo daquele jeito foi um pouco difícil pra ele. Um sentimento estranho, que ele não soube explicar.

- Mark, me desculpa. - levantou-se e ficou de frente pro irmão. - Eu não contei pra ela de propósito. Eu só… - Ele estava prestes a completar a frase, quando foi surpreendido com um soco em seu rosto. A reação de ao soco do irmão foi a mais compreensiva de todas. No fundo, ele sabia que merecia aquele soco.



- Está se sentindo melhor agora? - se recompôs e voltou a olhá-lo.
- Não. - Mark negou com a cabeça. Ele nem ao menos demonstrava estar bravo. O soco foi apenas um reflexo de tudo o que tinha acontecido. Uma forma de extravasar.
- Eu não queria contar. Eu te disse que não contaria, não disse? - voltou a se explicar. A resposta de Mark foi deixar de olhá-lo e sentar-se em um dos degraus da varanda.
- Ela me odeia. - Mark disse, olhando para o irmão. Essa era a única coisa em que ele conseguia pensar.
- Você não é único. - disse em meio a um suspiro. Ele voltou a se sentar, mas dessa vez ao lado do Mark.
- Se você ouvisse as coisas que ela me disse. - Mark parecia estar voltando para a realidade.
- Ela pega pesado, não é? - sabia exatamente como ele estava se sentindo. - Eu te disse. Ela odeia mentira. - Ele completou.
- Jura? É isso o que você tem pra me dizer agora? ‘Eu te avisei’ ? - Mark virou a cabeça para olhá-lo.
- O que você quer eu faça? Te dê o meu ombro pra você chorar? Quer que eu vá comprar uma barra de chocolate pra você? - ironizou, recebendo olhares fuzilantes do irmão.
- É melhor você calar a boca se não quiser levar outro soco. - Mark o ameaçou, arrancando um sorriso de .
- Eu não devia ter ido naquele restaurante. - concluiu em voz alta.
- O que é que você foi fazer lá afinal? - Mark perguntou, irritado.
- O rastreador no carro do Steven começou a se mover e estava indo para o mesmo lado da cidade em que ficava o restaurante. Eu fiquei desesperado achando que ele ia tentar alguma coisa. - explicou.
- Por que você não me ligou? - Mark questionou.
- Eu tentei te ligar, mas só chamava. Eu até tentei ligar pra , mas não consegui também. - disse e viu o irmão colocar as mãos no bolso para procurar o seu celular.
- Eu deixei no carro. - Mark fez careta ao concluir.
- Eu achei que o Steven estava indo atrás dela. Eu sabia que ela estava com você e que estava segura, mas eu queria te alertar. Eu fui até lá para te avisar. Nem era pra ela ter me visto. - explicou, mostrando-se arrependido com o que tinha feito. - Quando ela me viu, ela ficou maluca e começou a me fazer milhões de perguntas. - Ele negou com a cabeça. Mark ficou em silêncio e não se expressou de qualquer maneira. O silêncio de Mark fez com que o ficasse em silêncio também. - Foi mal mesmo, Mark. Se eu soubesse que ia dar toda essa confusão, eu nem teria ido. - Ele completou, sentindo-se mal por ter sido o culpado por tudo. Sua intenção tinha sido boa, mas isso não fazia a menor diferença agora.
- Você fez bem em ter ido me avisar. - Mark foi obrigado a assumir. As palavras de Mark, fez olhá-lo. - Eu teria feito a mesma coisa. - Ele completou, tentando tirar um pouco do peso da consciência do irmão mais novo.
- Agora você já sabe que a minha intenção não era ruim. - Mesmo estando surpreso com a atitude do irmão, tentou disfarçar. Levantou-se do degrau. - Bom, eu vou só pegar as minhas coisas e vou pro hotel que tem aqui perto. - Depois do que aconteceu, sabia que não tinha mais condições de ficar na casa do irmão. Além disso, Mark apenas resolveu dar abrigo a ele com a condição de ele não me contar nada sobre o FBI. Eu já sabia sobre o FBI, portanto, ele não tinha mais motivos para permanecer na casa.
- Você não precisa ir embora. - Mark também se levantou do degrau. As palavras dele novamente surpreenderam o irmão.
- Mas a já sabe sobre o seu segredo. Essa era a condição, certo? - achou que tivesse entendido errado.
- Eu odeio ter que assumir isso, mas nada disso foi culpa sua. - Mark afirmou. - A culpa é toda minha. Eu escondi tudo dela desde o começo. Seria muito mais fácil jogar toda a culpa pra cima de você agora. Acredite! Mas… eu não vou fazer isso. - Ele balançou negativamente com a cabeça. estava tão surpreso, que não conseguiu dizer nada. - Você decide se quer ficar ou não, mas eu espero que você fique. Não vou conseguir dar conta sozinho de todas aquelas cervejas na minha geladeira. - Mesmo com tudo o que tinha acontecido, Mark acabou deixando um sorriso escapar. Deu dois tapas no ombro do irmão e entrou na casa.

Mark tinha muita coisa na cabeça para ficar constrangido com o que tinha acabado de acontecer. Ele só tentou ser honesto, sem se importar no afeto que poderia demonstrar pelo irmão. Foi involuntário e inocente da parte dele. Para o foi um pouco mais chocante. No primeiro momento, ele ficou sem entender qual era o problema com o Mark. No segundo momento, ele tentou esconder de si mesmo a felicidade que sentiu ao saber que o irmão o queria por perto. Aquilo era muito estranho. Se qualquer outra pessoa tivesse a atitude do Mark, acharia idiota e até mesmo debocharia disso mais tarde. Como a atitude foi do Mark, o sentimento foi totalmente outro. Foi uma dessas coisas de irmão, sabe? Coisa que só um irmão faria pelo outro.

Algum tempo já havia se passado desde que tudo aconteceu e ainda não havia escorrido uma só lágrima dos meus olhos. Alguma coisa aconteceu dentro de mim no momento em que eu descobri a minha mais nova decepção. Foi como se eu tivesse bloqueado tudo dentro de mim. Sabe quando o seu cartão é roubado e você bloqueia tudo o que tem direito para que o ladrão não faça um estrago? Agora, imagine que você é a pessoa roubada, o cartão é o seu coração e o ladrão é o Mark. Sim, eu bloqueei absolutamente tudo antes do enorme estrago ser feito. Eu não sei como eu consegui, mas foi algo realmente forte, provavelmente, o meu medo de ser machucada novamente. Só eu sabia o quanto eu já havia sofrido. Eu não sabia se resistiria a outra enorme decepção.

Sem pensar em absolutamente nada e apenas mantendo o ódio que eu sentia por grande parte da família Jonas, eu fui para o meu quarto. Mesmo sem estar com sono ainda, eu me obrigaria a dormir, pois eu tinha medo que aquele bloqueio dentro de mim cessasse a qualquer momento. Eu tinha medo que a minha reação fria durasse apenas no calor do momento. Eu não queria passar por tudo de novo. Eu não queria sofrer novamente por quem não merecia.

Mark também foi direto para a cama, depois de deixar o irmão sozinho na varanda de sua casa. Ele já estava deitado, quando ouviu o irmão ligar a TV na sala de sua casa. A TV ligada foi a confirmação de que o ficaria em sua casa. O som da TV fez com que surgisse um sorriso involuntário em seu rosto. Mark estava feliz que o irmão ficaria. Ele esteve sozinho e morou sozinho por tanto tempo, que agora que finalmente tinha alguém ao lado dele, ele não queria perder aquilo. Ele não queria chegar em casa todos os dias e não encontrar ninguém. Ele não queria acordar todas as manhãs sem ver o irmão jogado em seu sofá.

O sol que entrava pela janela do meu quarto acabou me acordando naquela manhã de quarta-feira. Minha primeira preocupação foi: ‘eu continuo lidando bem com tudo o que anda acontecendo na minha vida?’. Aquele era o meu maior medo no momento. Sim, ainda estava tudo bem comigo. Sim, eu ainda sobreviveria mais um dia daquela decepção.

A noite passada tinha sido como um choque de realidade pra mim. Eu estava sentindo tanta raiva de mim e de todos a minha volta, que eu resolvi bloquear tudo aquilo dentro de mim. Não, não existe um botão de ‘off’, mas as coisas ficam muito mais fáceis quando você para de se preocupar tanto com o que você tem ou não pra fazer ou até mesmo com o que as pessoas deixam ou não de pensar de você. O ódio que eu sentia por eles me fazia tão mal, que eu simplesmente não queria sentir nada. Eu não queria pensar em absolutamente nada, mas eu acabei pensando em algumas coisas sim. Eu acordei naquela manhã pensando que eu não preciso do ou do Mark pra nada. Eu sou livre, desimpedida e estou sozinha em Nova York. Eu pensei que eu deveria parar de ser tão certinha, pois isso certamente deveria ser algum ímã pra homem babaca. Eu pensei no quanto seria divertido ser um pouco louca, pra variar. Eu só parei de pensar, quando cheguei a uma conclusão: menos choro e mais diversão; menos livros de medicina e mais festas; menos amor e mais sexo.

Eu queria que tudo fosse diferente a partir de agora e eu consegui isso logo bem cedo. Levantei da cama atrasada para a faculdade e me arrumei sem qualquer pressa. Aliás, fiz questão de caprichar na roupa e também na maquiagem. Não, eu não fui de salto 20 pra faculdade e também não passei um batom vermelho. Eu não sou tão tapada assim, ok? O problema é que eu nunca me importei com as roupas que eu vestia ou o jeito que eu ia pra faculdade. Tinha dias que eu acordava atrasada e tinha tempo só para trocar de roupa e escovar os dentes. Para mim, a faculdade costumava ser apenas um lugar para estudar. Eu nunca olhei em volta. Eu nunca olhei para os garotos que também estudavam lá, pois os únicos garotos que me interessavam não estavam lá. Agora, além de estudar e ser a nerd que eu sempre fui, eu posso fazer algumas amizades e até, quem sabe, conhecer alguém interessante. Por que não unir o útil ao agradável?

- Com licença, professor. - Eu bati na porta antes de entrar na sala de aula, que já devia ter começado há uns 20 minutos. Em silêncio, fui em direção a minha carteira. Me sentei ao lado de Meg e senti os olhos dela sobre mim. Me virei para olhá-la e ela me olhava como se dissesse: ‘ O que aconteceu com você?’. Obviamente, ela notou a minha mudança, que nem era tão radical assim, mas pra quem me conhecia e convivia comigo todos os dias, era bem notável.
- O que foi? - Eu sussurrei ao abrir o meu caderno.
- Você está atrasada. - Meg sussurrou de volta.
- Perdi a hora. - Eu expliquei, voltando a dar total atenção ao professor.

Pode parecer idiota, mas pela primeira vez em muito tempo, eu realmente me sentia bem. Era como se eu tivesse construído um muro dentro de mim, que escondia todos os meus problemas e sentimentos ruins. Eu estava bem comigo mesma. Eu estava bem com todos os alunos que me olharam durante o meu trajeto até a sala de aula e, principalmente: estava feliz por dar um tempo pra mim mesma.

- Eu achei que você não viesse hoje. Eu já ia te mandar uma mensagem. - Meg disse assim que o professor acabou a aula. Vários alunos saíam da sala de aula para irem para o intervalo.
- Eu fui dormir um pouco tarde ontem e acabei perdendo totalmente a hora. - Eu expliquei pra ela, enquanto fechava o meu caderno e começava a guardar as minhas coisas.
- Entendi. - Meg disse, enquanto me observava. Ela ficou me analisando mais algum tempo até finalmente se manifestar. - Você está bonita hoje. - Ela sorriu. - Algum motivo especial? - Meg quis saber.
- Eu preciso de um? - Eu perguntei e ela quase riu, sem entender nada.
- Eu acho que não. - Meg estava achando que eu estava tentando sacanear ela de alguma forma.
- Eu vou sair. Você quer vir comigo? - Eu me levantei da cadeira, colocando a minha bolsa no ombro.
- Sair? - Meg me olhou, perplexa. Nós SEMPRE ficávamos na sala durante o intervalo. - , está tudo bem? - Ela perguntou.
- É claro que está. - Eu neguei com a cabeça ao rir sem emitir qualquer som. - São só pessoas lá fora, ok? Eles não vão nos matar. - Eu brinquei.
- Eu sei, mas é que nós nunca saímos. - Meg se explicou.
- A partir de hoje, nós saímos. - Eu afirmei. Segurei uma das mãos dela e a puxei da cadeira. - Vamos. - Eu arrastei ela da sala de aula.

O pátio da faculdade era enorme e estava completamente lotado. Eu estudo ali há mais de 6 meses e não sabia que tantas pessoas estudavam lá. Olhei em volta e percebi que o local todo era basicamente dividido em grupos. As filas de todas as cantinas estavam lotadas e o barulho era um pouco alto. Ver tudo aquilo fez surgir um sorriso espontâneo no meu rosto. Como é que eu nunca fiz parte disso? Por que eu também não tenho um grupo de amigos? Provavelmente por que eu e a Meg nos isolamos muito nesses últimos meses.

- De onde veio toda essa gente? - A Meg me perguntou ao elevar um pouco o seu tom de voz para que eu conseguisse escutá-la.
- Eu estava pensando a mesma coisa. - Eu respondi aos risos.
- E tem muitas pessoas que já estão indo embora. - Meg apontou em direção a saída da faculdade.
- Os professores deles devem ter liberado a sala toda mais cedo. Por que os nossos professores nunca fazem isso? - Eu perguntei um pouco indignada.
- Isso é revoltante! - Meg concordou.
- Olha aqueles caras estudando na mesa. Como eles conseguem com esse barulho? - Eu apontei na direção dos garotos.
- Aposto que aquilo nas mãos deles são revistas pornôs. - Meg disse, me fazendo gargalhar.
- É uma nova forma de estudar anatomia, eu acho. - Eu ergui os ombros e nós duas voltamos a rir.
- Com licença. - Um garoto repentinamente nos abordou. Ele vestia um jaleco e nele tinha o seu nome: Ben.
- Oi. - O meu sorriso se transformou, quando eu vi que ele era muito bonito.
- Vocês… são calouras, certo? - O garoto perguntou olhando pra mim e depois olhou pra Meg.
- Não. - Meg respondeu.
- Sim! - Eu respondi junto com ela. Eu tive que mudar a minha resposta quando vi alguns panfletos nas mãos do garoto. Provavelmente, era alguma festa de calouros. - Eu sou. - Eu confirmei e a Meg me olhou, sem entender.
- Ótimo. - O garoto não disfarçou o quanto ficou feliz com a notícia. - Então, você vai ter que ir na nossa festa hoje. - Ele sorriu, me entregando o panfleto.
- Hoje? No meio da semana? - Meg estranhou.
- É que fizemos uma festa no final de semana e sobrou muita bebida. Compramos tudo em um mercado do outro lado da cidade, por que estava em promoção. Só depois soubemos que o motivo da grande promoção era a validade das bebidas. Muita coisa vai vencer até sexta-feira, por isso, resolvemos fazer a festa hoje mesmo. - O garoto explicou pacientemente.
- Isso já aconteceu comigo uma vez. - Eu falei qualquer coisa só para voltar a ter a atenção dele.
- É uma droga, né? - O rapaz fez uma careta, que me fez ter vontade de agarrá-lo ali mesmo.
- Nem me fale. - Eu sorri pra ele e ele sorriu de volta.
- Posso te esperar lá hoje? - Ele queria ter certeza de que eu iria.
- Eu não sei. Eu não conheço muitas pessoas e vou acabar ficando deslocada. - Eu disse aquilo, pois tinha toda a certeza do mundo de que a Meg não iria.
- Você conhece uma pessoa agora. - O garoto falava sobre ele mesmo.
- Conheço? Eu nem mesmo sei o seu nome. - Eu já tinha lido no jaleco dele, mas me fiz de boba.
- Eu sou o Ben. - O garoto estendeu a mão e eu fiz um charme antes de apertá-la.
- . - Eu fingi estar um pouco sem jeito.
- É um prazer, . - Ben ainda segurava a minha mão.
- O prazer é todo meu, Ben. - Eu retribui a gentileza, enquanto ele me olhava com um olhar curioso. Ele estava curioso sobre mim. Quem seria a garota que ele nunca viu por ali?
- Agora você não tem mais desculpa pra não ir na nossa festa. - Ben abriu os braços.
- Eu prometo que vou pensar a respeito, ok? - Eu não quis ser tão fácil.
- Espero te ver lá. - O garoto deu alguns passos para trás e começou a se afastar. Ele ainda tinha um belo sorriso no rosto.
- O que você está fazendo? - Meg finalmente pode perguntar.
- Ele é muito bonito. Você não achou? - Eu olhei pra ela.
- Achei, mas… - Meg ia dizendo, mas eu a interrompi.
- Onde será que é o lugar da festa? - Eu perguntei retoricamente ao olhar para o panfleto em minhas mãos.
- , você não é caloura. Você não pode ir em uma festa para calouros. - Meg tentou me trazer para a realidade.
- Não posso? Como eles vão saber que eu não sou caloura? Eles vão pedir a minha matrícula na porta da festa? - Eu ergui os ombros.
- Mas depois ele vai saber que você estava mentindo. - Meg argumentou.
- E daí? Ele também estava. - Eu continuei dando atenção para o panfleto.
- Estava? - Meg arqueou ambas as sobrancelhas.
- Você não percebeu que ele estava usando jaleco? Os jalecos só são exigidos a partir do 2° semestre. - Eu respondi, voltando a olhá-la.
- Você sabia que ele estava mentindo e não disse nada? - Meg estava perplexa.
- Olha, eu não pretendo casar com ele, ok? Eu só vou ficar com ele. Ele não precisa ser sincero ou fiel. Ele só precisa ser bonito e também seria ótimo se ele tivesse uma boa pegada. - Eu disse friamente para o espanto ainda maior da minha amiga.
- Ok, agora eu estou preocupada com você. - Meg me olhou, séria.
- Qual é, Meg. - Eu ri ao negar com a cabeça. - É só uma festa da faculdade. - Eu dei pouca importância para o problema, que só ela enxergava.
- Espera. Mas e o Mark e o ? - Meg sabia que eu estava enrolada com eles.
- O que tem eles? - Eu arqueei uma das sobrancelhas.
- O que eles vão dizer sobre isso? - Meg disse como se fosse óbvio.
- Independentemente do que for, eu vou mandá-los enfiar no… - Eu ia completar, mas a Meg me impediu.
- Hey! Hey! Ok! Eu entendi. - Meg estendeu as mãos, pedindo calma.

Voltamos para a sala e a Meg continuava chocada com o que tinha acontecido. Ela nunca tinha conhecido esse meu lado que, na verdade, nunca existiu. Não era muito o meu estilo, mas ela também não queria me julgar. Além disso, qual é o problema em ir a uma festa, não é? Ao contrário dela, eu estou solteira. Mesmo não sendo do meu feitio, eu podia sair e beijar todos os caras que eu quisesse. O que o Mark e o iam pensar era uma outra coisa que, aliás, não era problema meu.

Depois de outras duas aulas, Meg e eu fomos para o trabalho. Com o meu novo comportamento, eu até fui trabalhar mais feliz. Eu estava feliz por não estar sofrendo ou chorando por alguém. Apliquei diversas injeções naquele dia e só consegui sair do trabalho no início da noite. Meg ainda tentou me convencer a não ir a tal festa de calouros, mas ninguém seria capaz de me convencer. Cheguei em casa já sabendo que provavelmente iria me atrasar e fui direto para o banho. Aproveitei o meu tempo no banho para pensar em qual roupa eu iria vestir. Não podia ser nada careta e nem muito comportado. Não podia ser vulgar, mas definitivamente tinha que ser sexy. Nada podia ser algo como ‘mulher fatal’, tinha que ser algo como ‘universitária ousada’.

Na casa ao lado, tinha passado a tarde toda sem fazer absolutamente nada. Ele estava de férias, não é? Já o Mark, trabalhou no período da tarde e tinha chegado em casa há alguns minutos. A presença do irmão já não o incomodava, na verdade, ele já havia se acostumado bastante com o . Sempre que ele chegava em casa, tinha alguma coisa para comer e alguém com quem beber uma cerveja. Não era tão ruim, era?

- E o Steven, algum sinal? - Mark perguntou, sentando-se no sofá.
- Ele saiu hoje durante a tarde, mas não foi nessa região da cidade. - explicou, sem dar tanta importância.
- E a ? - A pergunta de Mark fez com que ele tirasse os olhos da TV para olhá-lo.
- Sabe quantas vezes você já me perguntou dela hoje? - o olhou com cara de tédio.
- Nem foram tantas vezes assim. - Mark fez careta.
- Cara, você precisa parar de ser tão desesperado. Você vai acabar enlouquecendo. - aconselhou do seu jeito todo torto. - Ouça o conselho de quem já brigou com a mais de 500 vezes. Em algum momento, ela vai dar um sinal de vida. - Ele completou.
- Me desculpa. Eu não sabia que estava falando com um especialista no assunto. - Mark rolou os olhos.
- Se existisse algum tipo de faculdade pra esse tipo de coisa, eu certamente já teria terminado o meu doutorado. - riu sem emitir som ao completar a frase.
- É mesmo? Então, porque você não me diz qual o próximo passo dela? - Mark perguntou, cruzando os braços.
- O próximo passo dela é tentar te fazer pagar pelo que você fez com ela. Ela vai tentar te convencer do jeito dela que você fez a pior besteira de todas. Sem querer te assustar, mas ela é muito boa nisso. - arqueou ambas as sobrancelhas ao fazer careta.
- Que ótima notícia. - Mark ironizou em meio a um suspiro.



TROQUE A MÚSICA:



Ao sair do banho, liguei para uma companhia de táxi para pedir que um carro viesse me buscar. Eu poderia ir com o meu carro, mas eu pretendia beber naquela noite. Comecei a me arrumar e como já tinha escolhido a roupa que usaria, eu não demoraria tanto assim. Vesti um cropped preto e uma bota preta de cano alto, que passava alguns dedos do meu joelho (VEJA AQUI). O táxi chegou antes mesmo que eu começasse a me maquiar e eu fui obrigada a pedir que o taxista esperasse alguns minutos. Depois de avisá-lo, tive que fazer tudo com muito mais rapidez.

- Que barulho é esse? - perguntou, abaixando o volume da TV. Mark levantou-se do sofá e foi até a janela da sala.
- É um táxi. Eu acho que foi a que chamou. - Mark não viu muito problema com aquilo.
- O que? - levantou-se rapidamente e foi confirmar a informação, indo até a janela. - É isso! Eu sabia! - Ele afirmou.
- Sabia do que? - Mark olhou pra ele sem entender nada.
- Ela vai sair! Se está indo de táxi é por que pretende beber. - olhou em volta, pensando no que faria.
- Como você sabe de tudo isso? - Mark não estava acreditando.
- Se arruma bem rápido. Nós vamos ter que ir atrás dela. - disse e saiu, deixando o irmão falando sozinho. Pegou algumas peças de roupa em sua mala e foi direto para o banheiro. parecia tão certo sobre o que tinha dito, que Mark resolveu fazer o que ele tinha pedido.

Fui um pouco mais ousada na maquiagem naquela noite. Usei lápis preto, delineador e batom vermelho. Não investi muito em acessórios. Coloquei uma gargantilha/choker preta e um brinco discreto. Antes de descer, tive que pegar um casaco preto por causa do frio. Resolvi deixar o celular em casa e levei apenas dinheiro e panfleto da festa para conseguir lembrar o endereço do local da festa. Sai da minha casa e fui direto para o táxi. Antes de entrar, me certifiquei de que os meus ‘adoráveis’ vizinhos não estavam me vigiando. Não vi nada de diferente e acabei entrando no táxi.

- Anda logo, Mark! Ela está saindo! - pressionou o irmão, que veio correndo do quarto.
- Pronto. Estou pronto. - Mark já foi logo pegando a chave do carro e o saiu para o lado de fora. Mark trancou a porta da casa rapidamente e correu para o carro, onde o irmão já o esperava.
- Vamos! Dá tempo de alcançar. - afirmou rapidamente, enquanto Mark tirava o carro da garagem.

O taxista que estava me levando na festa era muito simpático. Fomos conversando durante quase todo o caminho. A conversa não deixou que ele ou eu percebêssemos que um carro nos seguia. Mark e sabiam que eu poderia reconhecer o carro, por isso, tentaram ser um pouco discretos. estava um pouco elétrico e empolgado com a situação, mas o Mark ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo.

- O que nós estamos fazendo? Não deveríamos estar seguindo ela. - Mark sabia que eu odiaria saber que eles estavam fazendo aquilo.
- Você está brincando, não é? É bom que esteja, se não é melhor descer do carro e me deixar fazer isso sozinho. - o olhou sem paciência.
- Isso o que? Eu sinceramente não sei o que você acha que vai ver. - Mark o olhou, irritado. - E daí que ela está saindo? Deve estar querendo se distrair por que nós dois fomos idiotas e fizemos tudo errado. - Ele ergueu os ombros.



- Você realmente não conhece a . - comentou em meio a risos.
- Eu só acho que ela não vai gostar do que estamos fazendo. - Mark se explicou.
- Deixa de ser idiota! Não é possível que você continue sendo tão baba-ovo dela mesmo depois do que aconteceu. - esbravejou. - Ela te odeia agora também, ok? Pode parar de ficar querendo agradar ela, porra. - Ele completou.
- Vai se foder, Jonas. Nem todo mundo é um babaca como você, que não respeita a vontade de ninguém. - Mark também ficou irritado com as críticas.
- Ei! Você quer brigar? Vamos fazer isso mais tarde, está bem? - tentou focar no que realmente era importante. - Você gosta dela, não gosta? - Ele perguntou.
- É claro que gosto. - Mark afirmou como se fosse óbvio.
- Eu também! - também afirmou. - Você quer protegê-la, não quer? - Ele voltou a perguntar.
- Quero. - Mark respondeu.
- Eu também quero! - o olhou, sério. - Ela está furiosa com nós agora e sem contar que ela é a pessoa mais teimosa que eu já conheci. Ela não queria que eu a protegesse antes e aposto o que você quiser que ela também não quer que você faça isso agora. Então, se você quer mesmo protegê-la, vai ter que fazer isso contra a vontade dela. Ou você respeita as vontades dela e volta pra casa ou você protege ela e continua nessa comigo. Escolhe. Agora! - disse em tom de ordem. Depois de ficar alguns segundos pensativo, Mark tomou uma decisão.
- Vamos nessa! - Mark afirmou, acelerando ainda mais o carro.
- É assim que se fala! - ficou visivelmente feliz com a escolha que o irmão tinha feito. Não só por que era a melhor opção, mas também por que era a opção que os manteria juntos.

Ao chegar no local da festa, me surpreendi com a quantidade de carros no estacionamento. Devia ter muitas pessoas lá dentro. Paguei o taxista e o agradeci antes de descer do carro. Como eu previ, não tinha qualquer controle na porta da festa. Tinha sim um segurança, mas qualquer pessoa que chegasse lá falando que tinha vindo na festa de calouros conseguiria entrar na festa e comigo não foi diferente. Passei pela segurança e entrei no local. A música era boa e o lugar parecia agradável. Tinha uma faixa enorme saudando os calouros. A primeira coisa que eu fiz foi procurar o Ben, mas a quantidade de pessoas dificultou a minha procura. Fui até o bar e peguei uma bebida que o bartender estava terminando de preparar. Eu não sabia o que tinha lá dentro. Eu só sei que tinha muitas pessoas do meu lado pedindo. Eu estava me afastando do bar, quando fui surpreendida no meio do caminho.

- Você veio! - Ben abriu os braços ao me ver. Demorei alguns segundos para ter certeza que era ele, pois ele estava MUITO diferente.
- Oi! Eu quase não te reconheci sem o jaleco. - Eu sorri pra ele. Meu Deus, como foi que um simples jaleco escondeu tudo isso? Sim, eu estou falando do corpo, dos músculos e de todo o resto.
- Eu reconheceria o seu rosto em qualquer lugar. - Ben deu um sorriso desconcertante. Já posso levar ele pra casa? - Como você está? - Ele aproximou-se e beijou o meu rosto.
- Estou ótima e você? - Eu devolvi o beijo.
- Tudo ótimo. - Ben afirmou. - O que você achou da festa? - Ele olhou em volta.
- Eu adorei. Não esperava encontrar tantas pessoas aqui. - Eu também olhei em volta.
- Esse pessoal não perde uma só festa. - Ben riu sem emitir qualquer som. - Eu ia te oferecer uma bebida, mas vi que você já encontrou o bar. - Ele olhou pro meu copo.
- Eu não sei o que é isso que eu estou tomando, mas eu sei que é maravilhoso. - Eu mostrei o meu copo e ele riu.
- Vem, eu quero te apresentar pro meu pessoal. - Ben agarrou a minha mão repentinamente e me arrastou para o outro lado do lugar. - Gente, essa é a . - Ele me colocou em uma rodinha cheia de gente.
- Oi! É um prazer conhecer todos vocês. - Eu tentei ser simpática ao olhar pra todos.
- Ela é mesmo muito bonita, Ben! - Um dos amigos dele gritou e eu nem consegui ver qual foi.
- Obrigada. - Eu ergui os ombros e voltei a tomar mais um gole de bebida. - Então, todos vocês fazem medicina? - Eu tive que gritar pra todos me ouvirem.
- Sim! - Eu ouvi a maioria gritar. - Legal. - Uma festa com estudantes de medicina. Isso não é legal?

Depois de estacionarem o carro, Mark e desceram do carro e foram se aproximando da entrada da festa. Uma faixa enorme logo na entrada informava que tratava-se de uma festa de calouros de medicina. Mark tinha certeza que o plano deles tinha ido por água abaixo, mas o ainda tinha um pouco de esperança, ou melhor, ele tinha uma ideia, que também poderia não dar certo.

- Me acompanha. - disse discretamente para o irmão, pegando o seu celular e colocando ele em sua orelha. - Oi? Você está ouvindo? - Ele fingiu falar ao telefone, enquanto se aproximava do segurança que ficava na porta. - Está muito barulho ai dentro! - gritou propositalmente. - Agora, eu estou ouvindo. - Ele parou quase em frente a porta. - Então, nós acabamos de chegar. - olhou para o lado, demonstrando que referia-se ao Mark. - Não foi difícil encontrar o lugar. - Ele continuava gritando para que o segurança pudesse ouvir. - Ok, nós estamos entrando agora. - deu alguns passos na direção da porta e percebeu que o segurança não se manifestou de qualquer forma. - Onde você está? Perto do bar? - Ele foi entrando e o Mark foi atrás dele. - Estou indo ai. - Ele gritou pela última vez. Olhou para trás e viu que os seguranças não tinham notado nada e, por isso, tirou o celular da orelha.
- O que foi isso? - Mark olhou para o irmão aos risos.
- Isso sempre funciona. - riu com ele. - Eu e os caras sempre fazíamos isso para entrar nas festas em que não tínhamos sido convidados. - Ele completou.
- Eu poderia entrar se mostrasse o meu distintivo, mas isso acabaria chamando muita atenção. - Mark disse.
- Com certeza. - concordou. - E então, cadê ela? - Ele perguntou, olhando em volta.
- Tem muita gente aqui. Todo mundo aqui é estudante de medicina? - Mark ficou surpreso.
- Estou impressionado. Os nerds também sabem dar uma boa festa. - comentou.
- Ali. Ela está ali. - Mark afirmou, olhando discretamente para o lado direito.
- Onde? - esforçou-se, mas não conseguiu me ver.
- Naquela rodinha. - Mark olhou novamente.
- Eu vi mais ou menos. - tinha conseguido ver o meu rosto, mas não tinha conseguido me ver por inteiro.
- Ela não pode nos ver. Vamos procurar algum lugar pra ficar. - Mark disse e começou a ir mais para o fundo do local. o acompanhou.
- Aqui no canto do bar. - apontou, vendo dois bancos vazios. O outro lado era o mais movimentado, pois era onde o bartender ficava mais.
- Boa. - Mark achou uma boa ideia. Ambos foram até lá e sentaram-se lado a lado. Os dois ficaram de frente para o lugar que eu estava, mas tinha muitas pessoas na frente deles.
- A Meg está com ela? - perguntou, tentando ver de longe.
- Eu acho que não. - Mark negou com a cabeça.
- Então, quem são todas aquelas pessoas com ela? Eu não sabia que ela era tão popular. - estranhou.
- Eu também não sabia. - Mark também achou muito estranho.
- Vocês vão querer beber alguma coisa? - O bartender se aproximou, interrompendo-os.
- Duas vodkas, por favor. - pediu e Mark o olhou, surpreso.
- Vodka? É muito forte. Eu vou ter que voltar dirigindo pra casa depois. - Mark perguntou com um ar de julgamento.
- Só uma dose. - disse, colocando um dos pequenos copos com vodka na frente do irmão. virou o seu copo de uma só vez e fez algumas caretas enquanto engolia o líquido.
- Só uma. - Mark afirmou antes de pegar o copo e virá-lo de uma vez.

Os irmãos Jonas bebiam no balcão do bar, enquanto eu tentava fazer novas amizades com a turma do Ben. Não demorou muito para que eu percebesse que o Ben era a estrela do grupo e, possivelmente, da faculdade. Ele era o cara popular da faculdade. Era dele que todas as garotas corriam atrás. Ele era basicamente o Jonas da faculdade de medicina. Eu não disse que eu tinha algum tipo de faro pra esse tipo de cara? Mas que dedo podre! Em todo o caso, isso não era motivo para que eu me afastasse dele. Como eu já disse: eu não pretendo ter nada sério com ele. Eu só queria diversão.

Depois de quase uma hora conversando com os amigos e amigas do Ben, eu já era praticamente a melhor amiga de todos. Mentira! A verdade é que eu me dei muito bem com todos eles sim e eles também gostaram muito de mim. Ben não deixava faltar bebida no meu copo. Ele ia de 15 em 15 minutos buscar alguma coisa para mim no bar. Eu não fazia ideia se a intenção dele era me embebedar, mas se fosse eu não me importaria.

- Vocês não dançam? - Eu perguntei para os amigos de Ben entre uma conversa e outra.
- Acho que ainda precisamos de um pouco mais de álcool para ter essa coragem. - Um dos garotos respondeu.
- Qual é, Ben. Vamos! - Eu convidei ele e ele não pareceu muito animado. - Eu vim por sua causa. Agora é a sua vez de fazer algo por mim. - Eu o coloquei contra a parede.
- Tem como negar um pedido desses? - Ben sorriu para os amigos. - Eu vou. - Ele aceitou e os amigos vibraram. Fomos até o meio da pista de dança, onde a maioria das pessoas dançavam. Ele ficou de frente pra mim.
- Os seus amigos são muito legais. - Eu me aproximei e falei em seu ouvido. Era o único jeito de conversar com aquela música alta.
- Eles também gostaram de você. - Ben respondeu no meu ouvido. Nos olhamos e eu sorri, demonstrando que estava feliz com aquilo.

já estava na terceira dose de vodka e o Mark tinha parado mesmo depois da primeira. Eles conversavam e de tempos em tempos eles olhavam na direção em que eu estava. Quando eu fui dançar com o Ben, eles me perderam de vista por algum tempo e demoraram um pouco mais do que deveriam para me encontrar. Quando o Mark me achou, ele só conseguiu me ver no centro da pista de dança. Ele não viu que eu estava acompanhada.

- Ela está ali no meio. - Mark apontou com a cabeça na minha direção e o também me olhou. Eles ficaram me olhando até o momento em que eu me aproximei do Ben para dizer algo no ouvido dele.
- Wow. Wow. Quem é esse, agora? - arqueou uma das sobrancelhas ao ver a cena.
- Eu nunca vi esse cara. - Mark ficou mais sério.
- O que ele está falando pra ela? - começou a ficar irritado ao ver o tal garoto falando algo no meu ouvido.
- E essa mão boba? - Mark reclamou ao ver as mãos do garoto na minha cintura.
- Chega. Eu vou resolver isso. - não se importou se eu ia vê-lo ou se eu ia surtar com a presença dele ali. Ele só queria acabar com aquilo.
- Ei! Pode parando ai! - Mark o impediu, segurando o seu braço.
- Você está vendo isso? - apontou na nossa direção, indignado. - O que eles tanto conversam? - Ele perguntou, sentando-se novamente no banco.
- Ela está sorrindo pra ele. - Mark continuava nos observando de longe.
- Ela não nos viu aqui, viu? - olhou pro Mark. - Se ela não viu, por que ela está fazendo essa cena? - Ele ficou preocupado.
- Ela não está fazendo isso pra nos provocar. - Mark concluiu.
- Quer dizer que ela gosta mesmo desse otário? - apontou na direção deles.

Ben e eu estávamos no meio da pista de dança, mas nem estávamos dançando. Nós só mexíamos sutilmente os nossos corpos, enquanto falávamos no ouvido um do outro. Nós conversamos sobre várias coisas ali, mas falamos especialmente dos amigos dele. Ele me falou rapidamente sobre cada um deles, inclusive contou que ficou com a maioria das garotas do seu grupo. Isso era uma boa notícia, pois queria dizer que: ele não costumava se apegar fácil e provavelmente tinha uma boa pegada, pois tinha bastante experiência. Perfeito!

- Os meus amigos até que são legais e pelo que eu pude perceber, eles gostaram bastante de você. - Ben repetiu no meu ouvido, me arrancando um novo sorriso. - Mas eu duvido que algum deles tenha gostado mais de você do que eu. - Ele completou. A frase dele fez com que eu me sentisse mais confortável com a situação.
- Não conta pra eles, mas… - Ao me aproximar dessa vez, toquei os ombros dele com as minhas mãos. - Você também é o meu favorito. - Quando eu terminei a frase, eu não me afastei dessa vez. Ben começou a trazer o seu rosto lentamente na frente do meu e enquanto fazia isso, deslizava o seu rosto pelo meu. O rosto dele nem chegou a se afastar do meu. Quando ele conseguiu colocar o seu rosto em frente ao meu, ele já foi levando a boca dele ao encontro da minha e acabou me beijando.
- Não. Não. Não. Não. - não acreditou no que estava vendo. - O que ela está fazendo? - Ele perguntou retoricamente, revoltado.
- Não pode ser. - Mark também não conseguia acreditar.
- Nós precisamos fazer alguma coisa. Vamos fazer alguma coisa! - estava surtando.
- Nós não podemos fazer nada! Ela não deve satisfação a nenhum de nós. - Mesmo estando transtornado com o que estava vendo, Mark ainda tentava manter a razão.
- DANE-SE! NÃO IMPORTA! - estava furioso e voltou a se levantar. - Se você quer ficar ai parado sem fazer nada a respeito, eu faço! - Ele não deu nem dois passos, quando o irmão mais velho entrou em sua frente.
- Para com esse show! - Mark o enfrentou, sério. - Vai fazer cena de ciúmes agora? Sério? - Ele perguntou, sério.
- Ciúmes é o caralho! - reagiu na mesma hora. - Não é ciúmes! Eu só estou… cuidando dela. - Ele não gostava de assumir nem pra si mesmo o ciúme louco que ele sentia de mim.
- Senta ai! Nós não viemos aqui pra isso, entendeu? - Mark empurrou o irmão e o fez sentar-se novamente no banco.
- Como você consegue, hein? Como você consegue lidar com isso desse jeito? - não conseguia entender.
- Eu não consigo. Eu só não gosto de ficar dando show igual você. - Mark respondeu, recebendo olhares feios do irmão.
- Alguém já te disse que você é irritantemente chato? - disse, irritado.
- O que foi? Vai querer brigar comigo também? - Mark não entendeu o motivo das grosserias.
- Me vê mais uma dose de vodka! - ignorou totalmente o irmão e pediu ao bartender. - Não! Mais duas doses! - Ele gritou em direção ao atendente, que aproximou-se com dois copos na mão.
- Eu já disse que não quero mais beber vodka. Eu vou dirigir. - Mark o olhou e o viu virar o copo de uma vez só.
- E quem disse que é pra você? - disse, pegando o outro copo e virando-o de uma vez.
- Vai devagar com a bebida. Eu não vou carregar ninguém pra casa. - Mark aconselhou.
- Vai bancar o irmão mais velho, agora? - o olhou com impaciência. - Vai contar pra minha mãe? - Ele ironizou.
- Idiota. - Mark rolou os olhos.
- Babaca. - devolveu na mesma hora. Eles trocaram olhares e só pararam quando o virou o seu rosto para olhar na minha direção. Eu já tinha finalizado o beijo.

Ben era bonito, simpático, beijava bem e até que tinha uma boa pegada. Não é a melhor pegada de todas, mas dava pra dar uma boa aproveitada. Depois do beijo, eu notei que ele ficou ainda mais bobo por mim. O sorriso safado dele tinha se tornado um sorriso fofo. O que eu fiz de errado? Depois do beijo, dançamos bem pouco ali na pista de dança. Eu queria tentar fazer ele voltar ao que ele era há 5 minutos, mas eu ainda não sabia como.

- Acabou a sua bebida. Você quer mais alguma coisa? - Ben me perguntou, sendo educado.
- Na verdade, eu quero. Você pode me trazer mais uma taça daquela, por favor? - Eu pedi.
- Claro. Eu já volto. - Ben saiu me deixando sozinha ali.

Aproveitei a ida de Ben até o bar para pensar no que eu poderia fazer para deixá-lo novamente com o fogo de antes. O que eu menos precisava naquela noite eram sorrisos fofos e palavras de carinho. Algumas coisas passaram pela minha cabeça, mas nada parecia bom o suficiente. A demora de Ben para voltar fez com que eu parasse de tentar ter ideias. Eu olhei em direção ao bar para procurá-lo e tive um pouco de dificuldade para encontrá-lo. Continuei procurando até encontrar quem eu não procurava, ou melhor, quem eu não queria encontrar nunca mais. Eu não acreditei que o e o Mark estavam ali. Eu não acreditei que eles seriam tão filhos da puta de aparecerem lá depois de tudo.

- É ele. - O Mark comentou, olhando para o Ben que estava há alguns passos deles. Ele pedia a minha bebida para o batender.
- A costumava ter um gosto melhor para homens. - o olhou da cabeça aos pés.
- Eu sabia que você ia dizer algo assim. - Mark o olhou com cara de tédio.
- É verdade! - ergueu os ombros. - Vamos falar com ele. - Ele disse, olhando para o irmão para saber qual a sua opinião a respeito.
- Falar o que? - Mark o olhou com careta. - ‘Oi, meu nome é e eu sou o ex-namorado da garota que você está querendo levar pra casa. Tem como você se afastar dela para que eu não precise te dar uns socos?’. - Ele tentou imitar a voz do irmão mais novo.
- Eu não falo assim. - o olhou feio.
- É desse jeito que eu escuto. - Mark afirmou, deixando um sorriso escapar.
- Cala a boca, Markey. - continuou sério e manteve os olhos no Ben.

Mark e estavam tão curiosos sobre o garoto que estavam comigo, que nem sequer perceberam que eu tinha visto eles. Nem mesmo quando eu passei a fuzilá-lo com os olhos ou quando eu me segurei para não expulsá-los dali com a ajuda dos seguranças. Qualquer uma dessas atitudes seriam comuns e normais para uma garota que passou o inferno com esses dois idiotas, mas eu queria ser diferente. Eu queria levar aquela história a um outro nível. Em menos de um minuto, eu decidi o que eu faria para resolver os meus dois problemas daquela noite: empolgar o Ben e acabar com o e o Mark. Fui até o DJ que, aliás, estava colocando só música ruim para tocar.

- Oi. - Eu cheguei no DJ com o meu melhor sorriso. - Me diz que você tem ‘Buttons’ da Pussycat Dolls ai! - Eu me aproximei um pouco mais para que ele pudesse ouvir.
- Eu tenho. - O DJ confirmou.
- Você pode, por favor, colocar pra tocar pra mim? Eu amo essa música e adoro dançá-la. - Eu tentei ser o mais meiga possível. Ele me olhou e me analisou por algum tempo antes de me responder.
- Eu vou tocar só por que você me pediu. - O DJ sorriu pra mim e eu demonstrei empolgação.
- Muito obrigada! - Eu agradeci.
- Depois dessa música, ok? - O DJ avisou e eu fiz joia com uma das mãos. Me afastei do DJ e voltei para o mesmo lugar de antes para que o Ben pudesse me encontrar. Assim que parei no centro da pista de dança, não olhei para o bar, pois fiquei com receio que o Mark e o percebessem que eu já tinha visto eles. Fiquei de costa para o bar, esperando que o Ben viesse logo.
- Desculpa a demora. - Ben chegou por trás de mim. - Tinha muitas pessoas na fila e só um bartender. - Ele explicou, esticando o braço e colocando a taça na minha frente.
- Tudo bem. Obrigada. - Eu agradeci, pegando a taça de sua mão. O que eu estava prestes a fazer exigia um pouco mais de álcool, por isso, eu virei a taça de uma vez.

Assim que eu virei a taça, a música que eu havia pedido ao DJ começou a tocar. Muitas pessoas a nossa volta vibrou com a música, especialmente as garotas. A música era um sucesso da nossa época de adolescência e, por isso, quase todo mundo conhecia. No meu caso, eu conhecia até a coreografia oficial da música. Eu e as minhas amigas costumávamos dançar em quase todas as festas, mas sem dar tanta ênfase as partes sexy’s. Nós dançávamos na inocência mesmo e dançávamos por que a batida da música era ótima, mas hoje eu não vou dançá-la com inocência. Eu estava louca para fazer com que o e o Mark se arrependessem de terem vindo até ali.

- Eu adoro essa música! - Eu sorri pro Ben na mesma hora. Me afastei por poucos segundos para colocar a taça em qualquer mesa e já voltei dançando sutilmente em direção ao Ben. Eu não queria começar assustando ele. Eu tinha que ir aos poucos. Quando cheguei na frente dele, me virei de costas e comecei a rebolar um pouco. Virei o meu rosto de lado para olhá-lo e já logo percebi que ele já estava entrando no clima.

Quando a parte em que o Rapper cantava na música acabou e as garotas começaram a cantar, eu me virei de frente para o Ben e comecei a dançar mais colada nele. Nossos rostos estavam próximos e ele me olhava com desejo. É claro que eu sabia a letra da música e comecei a cantá-la junto com a música sem emitir qualquer som. No meio do primeiro refrão, eu já comecei a mexer a minha cintura com mais sensualidade.

- Não! Ela não vai fazer isso. - nem piscava ao me ver dançando de longe.
- Ela já está fazendo. - Mark estava em choque, nos olhando.

Ao acabar o refrão, me virei de frente pra ele e levei as mãos até o peito dele e comecei a deslizá-las pelo corpo dele, enquanto eu ia me abaixando e rebolando. Ben abaixou a cabeça para me olhar e eu continuava com os olhos vidrados nele. Quando minhas mãos chegaram em suas coxas, eu parei de tocá-lo. Ao me levantar, inclinei o meu quadril, deixando a parte de cima do meu corpo de um lado e o meu quadril do outro. Ao me recompor, deixei de olhá-lo para acompanhar o meu corpo se mover lentamente de um lado para o outro, enquanto minhas mãos tinham os meus dedos entrelaçados em meu cabelo. No trecho da música que dizia ‘But I can't seem to get you over here to help take this off’ (Mas eu não consigo te trazer aqui para me ajudar a tirar isso), eu o chamei para mais perto com o meu dedo indicador, mas ele mal conseguia se mover. O jeito que ele me olhava, me arrancou um sorriso safado, enquanto eu tirava sensualmente o meu casaco e o jogava em qualquer lugar.

- Meu Deus. - suspirou mesmo estando longe. Os olhos dele estavam fixos em mim e a boca estava entreaberta.
- Não devíamos ter vindo. - Mark negou com a cabeça, alucinado.
- Hey! Você! - gritou em direção ao bartender. - Me dá a coisa mais forte que você tiver. - Ele gritou e voltou a me olhar.
- Eu não vou olhar mais. Chega. - Mark virou-se de costas para a pista de dança.
- Então, sai da minha frente. - levantou-se do banco com o copo de bebida na mão e conseguiu uma visão melhor de onde eu estava.
- Você tem razão. Eu não consigo. Eu tenho que ver. - Mark desistiu e também se levantou, juntando-se ao irmão.

O refrão novamente voltou a tocar e eu novamente virei de costas para o Ben e colei o meu corpo ao dele, enquanto balançava o meu quadril lentamente de um lado pro outro. Enquanto eu descia até o chão, uma das minhas mãos ficava para trás e fazia o mesmo trajeto mais lentamente. Quando o refrão acabou, eu voltei a subir, mas de frente pra ele. Minhas mãos novamente entraram em ação e iam deslizando por todo corpo dele até o momento em que o meu rosto começou a ficar de frente para o dele. No trecho em que dizia ‘What you wanna do?’ (O que você quer fazer?), comecei a usar as minhas mãos no meu próprio corpo. Meus olhos acompanhavam as minhas mãos, que desceram pelos meus seios, depois pela minha barriga descoberta e parou em minha cintura, que rebolava de um lado para o outro sensualmente.

- Ela é muito… - Mark não conseguiu terminar a frase.
- Você não faz ideia! - sabia bem do que estava falando. Mark o olhou, sabendo que ele falava sobre sexo. - Sério! Você não faz ideia. - Ele reafirmou.

Novamente o refrão e eu arrisquei alguns passos da coreografia que eu sabia, mas os dancei de forma mais sensual. Eu tentava manter a mesma coisa em meu olhar e quando eu não estava sorrindo, meus dentes mordiam o meu lábio inferior. Terminei o resto da música dançando para o Ben. Se eu queria botar algum fogo nesse cara, eu definitivamente tinha conseguido, pois o jeito que ele me olhava me dava a impressão de que ele me arrastaria dali e me levaria para o banheiro mais próximo.

- Esse cara é gay. Não é possível. - estava chocado com o controle de Ben diante da situação.
- Eu já passei por isso. - Mark defendeu o garoto, pois sabia exatamente o que ele estava sentindo.
- Eu também já, mas não desse jeito e não com essa roupa que ela está usando. - argumentou. - E eu estava bêbado. - Ele completou.

e Mark ainda olhavam para mim e para o Ben, que continuávamos no centro da pista de dança, mas não dançávamos mais. Ben ficava falando algumas coisas pervertidas no meu ouvido e me dizia que precisávamos ir embora. Eu gostei da ideia, mas não pude aceitá-la tão rápido quanto eu gostaria. Eu disse a ele que antes de ir, eu queria pegar mais alguma coisa para beber. Ele aceitou e disse que iria até os seus amigos e que me esperaria lá. Ben foi para um lado e eu fui para o outro. Hora do show!

- Ela está vindo pra cá! - Mark avisou, disfarçando.
- Merda. - resmungou, olhando para o outro lado.

Eu fui mesmo até o bar e demorei algum tempo para escolher a saideira da noite. Eu já tinha bebido muito. Os drinks que eu tinha tomado não eram tão fortes, mas se formos levar em consideração a quantidade que eu tomei, eu já estava começando a ficar fora de mim. Eu ainda não estava louca, mas eu com certeza estava mais alegre. Resolvi pedir para o bartender mais um daqueles drinks que eu já tinha tomado. Um a mais ou um a menos não vai fazer diferença, né? Peguei uma nova taça cheia e ainda sentia os olhares dos dois Jonas sobre mim. Eu tinha que ir até lá! Quando sai do bar e comecei a me deslocar para o lugar em que eles estavam sentados, eles desviaram o olhar e fingiram conversar sobre alguma coisa.

- Ninguém avisou vocês que essa festa é só para estudantes de medicina? - Eu perguntei, parando entre os dois. Ambos me olharam.
- Ninguém te avisou que essa festa é pra calouros? - devolveu na mesma moeda.
- Acontece que o organizador da festa ali. - Eu apontei na direção do Ben. - Ele gostou muito de mim e insistiu muito para que eu viesse. Eu não tinha como dizer não pra ele. Ele é muito bonito e pelo que eu pude perceber, é bem apessoado também. - Eu ergui os ombros, fingindo lamentar.
- Então, você só está interessada na beleza, agora? É tudo o que importa? - Mark me questionou. Eu percebi que tinha alguma lição de moral por detrás daquela pergunta.
- Na verdade, não é a única coisa que importa. - Eu olhei pro Mark com descaso. - Para falar bem a verdade, a beleza é o de menos. Se ele não for um Jonas, já mais do que o suficiente pra mim. - Eu completei sorrindo pra ele e depois para o . Levei a taça até a minha boca e bebi um gole da minha bebida. Percebi a troca de olhares entre eles.
- Você já não bebeu demais, não? - me perguntou, olhando para o meu copo.
- Vocês querem controlar o que eu bebo também? - Eu perguntei um pouco mais irritada.
- Você sabe que é fraca com a bebida. - Mark tentou me alertar.
- Sabe qual a melhor parte de beber perto de vocês? - Eu sorri, achando graça. - Vocês sempre ficam pisando em ovos em relação a mim. Vocês nunca sabem o que eu vou fazer. - Eu completei.
- E o que você vai fazer? - continuou me olhando sério. - Vai sair com aquele cara que você mal conhece? - Ele sempre era o que mais me enfrentava.
- Talvez eu saia. Qual o problema? - Eu perguntei antes de beber mais um pouco.
- Você não conhece ele, ! - Mark disse mais preocupado.
- Eu também não te conheço, Mark. O que faz de você melhor do que ele? - Eu fui mais grosseira. - O fato de você ser filho da minha tia? O fato de você ser irmão desse idiota? - Eu apontei pro . - Me desculpa, mas isso não significa absolutamente nada pra mim. - Eu completei.
- Se você pretende sair com ele poderia pelo menos fazer isso por que você quer e não para nos atingir. - disse assim que percebeu que o Mark já estava sem argumentos.
- Acha que eu não quero ficar com ele? - Eu ri sem emitir qualquer som. - Deixe-me adivinhar: você acha que eu vou sair com ele só pra te deixar louco de ciúmes. - Eu disse em tom de deboche.
- Quanto ao ciúmes, eu vou ter que descordar. Eu não tenho ciúmes de você. - tentou me enfrentar. - Quanto ao resto, eu realmente acho que você está fazendo isso só para tentar chamar a minha atenção. - Ele completou, sorrindo pra mim.
- Sério? Você realmente acha que eu vou beijar um cara, dançar pra um cara, me esfregar em um cara, levar um cara para a minha casa e fazer sexo com um cara só pra chamar a sua atenção? Você é mesmo tão tapado assim ou só está se fazendo de idiota? - Eu disse com um tom irônico.
- Sexo? Você falou mesmo sexo? - gargalhou. - Você está brincando, não é? - Ele achou a maior graça.
- O que foi? Está com medo de perder a exclusividade? - Eu sorri, entrando na mesma onda que ele.
- Você não tem coragem. Não com qualquer um. - achou que eu estivesse blefando.
- Quer pagar pra ver? - Eu arqueei uma das sobrancelhas.
- Você não é assim, . - Mark tentou interferir novamente.
- Olhe pra mim. - Eu abri os braços. - Você já me viu assim? - Eu perguntei.
- Nunca. - Mark afirmou.
- Você já viu eu me vestir assim? - Eu perguntei novamente.
- Não. - Mark afirmou novamente.
- Isso é quem eu me tornei depois de ter o meu coração quebrado tantas vezes e de tantas maneiras. - Eu disse sem qualquer drama. - Vocês, garotos, tem todo o crédito por isso. Meus parabéns. - Eu sorri ironicamente.
- E o que acontece quando passar o efeito da bebida? - ainda achava que eu estava falando todas aquelas coisas por que estava bêbada.
- Talvez eu procure um outro cara. Vou deixar para decidir depois. - Eu disse numa boa.
- É isso o que realmente vai te deixar feliz? - Mark perguntou.
- Sabe o que realmente ia me deixar feliz? Mais uns 10 drinks desse aqui para que eu consiga ficar mais um minuto olhando pra cara de vocês dois. - Eu disse antes de beber de uma só vez o último gole de bebida na minha taça. Eu a coloquei sobre o balcão. - Se vieram por causa de mim, podem ir embora. Eu também estou indo. - Eu disse mais séria e me virei de costas com a intenção de me afastar dali.
- Hey. - levantou-se e puxou o meu braço, me virando de frente pra ele. - Você não vai mesmo dormir com esse cara, vai? - Ele também estava sério. Sem ironias ou brincadeiras dessa vez.
- Vou! - Eu afirmei sem qualquer dúvida. - Por que você não procura uma estudante de medicina pra você? Assim, você também pode brincar de médico essa noite. - Eu pisquei um dos olhos pra ele, me desvincilhei da mão dele e sai.



Mark e viram eu me afastar em silêncio. Eu passei pela pista de dança e fui direto até a rodinha de amigos do Ben. Ele avisou a todos que nós íamos embora e nem foi preciso explicar o motivo. Eu me despedi rapidamente de todos e fomos saindo do local. Ben chegou a me perguntar por que eu tinha demorado tanto e quem era os caras com que eu estava conversando. Como eu não podia dizer que ambos eram os meus ‘ex-namorados’, eu o enrolei dizendo que eram apenas conhecidos.

- Você veio de carro? - Ben perguntou assim que saímos de dentro do local da festa.
- Não. - Eu neguei.
- O meu carro está ali no estacionamento. - Ben avisou, segurando uma das minhas mãos e me puxando em direção ao seu carro.
- Nós podemos ir pra minha casa. - Eu ofereci e ele me olhou.
- E os seus pais? - Ben estranhou o meu convite.
- Eu moro sozinha. - Eu sorri, mordendo o meu lábio inferior.
- Não brinca! - Ben ficou maravilhado.
- Estou falando sério. - Eu confirmei a notícia.

Mark e ainda estavam lá dentro e tentavam superar o que eu tinha dito a eles e essa minha nova personalidade. costumava saber o que eu ia fazer, mas a minha nova atitude o deixou totalmente confuso. Ele não conseguia aceitar que eu ia mesmo dormir com outro cara. Esse era o tipo de coisa que eu só tinha feito com ele até agora. O até se sentia mais especial por conta disso. Ele se sentia especial por ter sido não só o meu primeiro cara, mas também por ter sido o único desde então. Mark também estava contrariado por que nem mesmo ele que praticamente foi o meu namorado conseguiu tal proeza e agora esse cara chega do nada e já vai conseguindo o que quer?

- Eles saíram. - falou em voz alta, mas era como se nem tivesse ali.
- Vamos sair. - Mark levantou-se do banco e foi saindo. foi logo atrás dele.

Ben me arrastou até o seu carro. Ele nem conseguia disfarçar o quanto desesperado ele estava. Aquilo era muito engraçado pra mim. Eu perguntava porque ele estava com tanta pressa e ele desconversava e dava qualquer desculpa. No caminho até o carro, ele me contou que morava com os pais e que seria impossível me levar para a casa dele. Foi por isso que ele ficou tão feliz em saber que podíamos ir para a minha casa.

- Então, nós podemos ir para a sua casa? - Ben perguntou mais uma vez quando chegamos em seu carro. Ele entrou na minha frente, ficando de costas para o seu carro.
- Podemos, mas nós também podemos ficar aqui se você quiser. - Eu sugeri o carro, enquanto eu o empurrava contra o seu carro e o beijei. Ele aproveitou a oportunidade para começar com as mãos bobas. Foi justamente aquela cena que o Mark e o tiveram que ver ao saírem do local da festa.
- Ela não estava brincando, hum? - Mark comentou, enquanto nos olhava.
- Eu não estou aguentando mais isso. Eu estou falando sério. - negou com a cabeça, segurando-se para não ir até lá.
- Calma. - Mark tentou ser mais racional. Ele achou que tinha conseguido controlar o irmão até o momento em que eles viram a mão boba de Ben alcançar o meu quadril.
- Quem ele está pensando que é? Eu vou lá! Foda-se! - enlouqueceu, chegou a dar alguns passos, quando foi segurado novamente pelo irmão. - Sai da minha frente ou você vai apanhar também. - Ele ameaçou, encarando o irmão.
- Do que vai adiantar ir até lá e quebrar a cara dele? - Mark tentava ver o outro lado da coisa.
- Isso me faria muito mais feliz. - disse como se fosse óbvio.
- Não adianta! Se fizermos alguma coisa com o cara, a vai tentar ficar com ele amanhã de novo só para se vingar de nós. - Mark puxou o para trás de um carro para que eu e o Ben não pudéssemos vê-los.
- Você me irrita com esse seu papo de cara certinho. - esbravejou.
- Vamos pensar em algo mais inteligente. - Mark sugeriu.
- Nós podemos matar ele e esconder o corpo. - sugeriu, recebendo olhares feios do irmão. - Ok. Eu estou brincando! - Ele rolou os olhos. - O que nós podemos fazer? - Ele perguntou.
- Eu não sei ainda. - Mark disse, pensativo.

Ben e eu ficamos um bom tempo nos beijando ali. Ele estava com muita pressa, mas mesmo assim não quis aceitar a minha ideia do carro. Ele disse que ali passava muitas pessoas e que isso acabaria nos atrapalhando. Ben insistiu dizendo que a melhor opção era ir para a minha casa. Eu simplesmente aceitei e entrei no carro dele. Ben conhecia a cidade, então eu não precisaria ficar mostrando a ele o caminho até a minha casa. Eu só disse a ele que a minha casa ficava perto de um dos shoppings e ele já sabia pra onde ir.

- Eles estão saindo! E agora? - perguntou para o irmão, aflito.
- Vamos para o meu carro. Eu vou pensar em alguma coisa. - Mark disse, apontando na direção de seu carro.

Mark e entraram no carro rapidamente e já deram a partida, pois não podiam perder o carro de Ben de vista. Ben tinha colocado uma música horrível para tocar no carro, mas eu não me manifestei. Ele ficava conversando comigo e nenhum de nós acabou percebendo que um carro nos seguia. Mark e continuavam nos seguindo, sem saber o que fariam para evitar aquela situação.

- Ela está mesmo levando ele pra casa dela! Qual o problema dessa garota? - disse ao perceber que estávamos seguindo o caminho para a minha casa.
- Se ela chegar na casa dela, não tem como fazer mais nada. - Mark precisava pensar em alguma coisa bem rápido.
- Não dá? Como não dá? Eu arrebento a porta da casa dela ou pulo a janela. Qualquer coisa! - faria qualquer coisa para evitar que eu ficasse com o garoto.
- Nós temos que dar um jeito de parar esse carro. - Mark afirmou, sabendo que a sua ideia deveria partir desse ponto.
- JÁ SEI! - gritou ao ter uma grande ideia. - Ele está bêbado! Ele está dirigindo bêbado! - Ele completou.
- E? - Mark ainda não tinha entendido qual era a ideia brilhante.
- Você é do FBI, idiota. Faz ele parar o carro e ameaça prender ele. Nós mandamos ele embora. - disse como se fosse a coisa mais óbvia de todas. Era mais de 1 hora da manhã, por isso, as ruas estavam praticamente vazias.
- Eu não sei se você sabe, mas esse não é o tipo de trabalho que eu faço! Eu não sou guardinha de trânsito, entendeu? - Mark afirmou em tom de deboche.
- Quem se importa? - fez careta.
- Eu me importo! É o meu trabalho! Eu não posso sair por ai mostrando distintivo e prendendo todo mundo. - Mark sempre foi muito correto com o seu trabalho.
- Então, você vai deixar ela ficar com esse cara. É isso? - apontou para o carro da frente.
- Vamos pensar em outra coisa. - Mark tentou encontrar outra saída.
- Não existe outra coisa que possa ser feita! - afirmou, irritado. - PARA AQUELE CARRO AGORA! - Ele disse em tom de ordem e Mark o ignorou. - PARA LOGO! - Ele o pressionou ainda mais. Mark ainda pensou algum tempo antes de enfiar o pé no acelerador e ultrapassar o carro. Afastou se um pouco do carro do Ben e quando achou que a distância era o suficiente, ele deu o famoso ‘cavalinho de pau’, parando o carro na contramão e o deixando de frente para o carro de Ben. - WOOOOOOOOOOW! - gritou empolgadamente, surtando com o que tinha acabado de acontecer. - Agora sim você é um Jonas, porra! - Ele riu, dando um tapa no painel do carro.
- Se fizer isso de novo, eu arrebento a sua cara. - Mark o olhou, sério. Ele era meio neurótico com o seu carro. - Vamos mandar esse imbecil pra casa. - Ele desceu do carro e parou ao seu lado.
- O que esse cara está fazendo parado na contramão? - Ben perguntou, me fazendo olhar para frente. O carro de Ben foi se aproximando e só então eu consegui reconhecer o carro que estava parando.
- Não pode ser. - Eu disse, negando com a cabeça. Ben foi diminuindo a velocidade e quando chegou na frente do carro de Mark, ele parou. - Meu Deus. - Eu fechei os olhos, tentando manter a calma. O também saiu do carro.
- O que vocês estão fazendo ai? - Ben gritou de dentro do carro, olhando para o Mark. Mark foi lentamente até o carro do Ben e agachou-se para nos olhar pelo vidro. Eu não conseguia nem olhar pra ele.
- FBI. - Mark tirou o distintivo do bolso e mostrou para o Ben, que ficou mansinho na mesma hora. Eu neguei com a cabeça ao ouvi-lo dizer aquilo. - Desçam do carro, por favor. - Ele pediu todo sério. Ben sabia que estava bêbado e, por isso, não quis contrariar o policial.
- Ninguém vai descer do carro. - Eu segurei o Ben antes que ele saísse.
- Mas ele pediu pra nós descermos. - Ben estava me achando maluca por questionar o policial.
- Não interessa. Não vamos descer. - Eu sabia o que o Mark e o estavam tramando e eu não cederia.
- Se vocês não descerem, eu vou ter que levar o seu amigo para a delegacia. - Mark ameaçou, me olhando.
- Vamos descer logo! - Ben ficou desesperado e saiu rapidamente do carro. Eu respirei fundo antes de descer do carro. Eu estava tão furiosa.
- Estavam pensando em ir em algum lugar? - perguntou com aquele sorriso idiota no rosto ao me olhar. Eu forcei um sorriso pra ele e nem respondi.
- Encostem no carro. Mãos no capô e afastem as pernas. - Mark deu a ordem e Ben a cumpriu imediatamente.
- Isso é mesmo necessário? - Eu abri os braços.
- É necessário! - Mark afirmou, tentando esconder um sorriso. Me aproximei do carro e coloquei as mãos no capô e afastei as pernas.

Mark começou a revistar o Ben, verificou os bolsos e a carteira. aproveitou-se da situação e se aproximou de mim, colocando suas mãos em meus ombros e descendo lentamente com elas. A cara de pau dele chegou a me arrancar um sorriso. estava louco para colocar as mãos em mim e fez isso sem qualquer pudor, mesmo sabendo que eu sabia que ele não era do FBI coisa alguma. Mark poderia fazer isso. Ele não!

- Ei! O que você está fazendo? - Mark viu o que o irmão estava fazendo e o repreendeu na hora.
- Estou só… revistando ela. - tirou as mãos de mim e levantou os braços, demonstrando inocência. Mark o olhou e negou com a cabeça.
- Ok, Ben. - Mark voltou a sua atenção para o garoto e devolveu para ele os seus documentos. - Você está bêbado? - Ele fingiu avaliar o garoto.
- Não, eu… - Ben ia dar uma desculpa, mas Mark o interrompeu.
- Eu já sei que você está bêbado, ok? Vou ser legal com você e te liberar hoje. - Mark afirmou, sério. - Você pode ir embora, mas a garota fica. Nós vamos levá-la para casa com segurança. - Ele afirmou e eu rolei os olhos. Que desculpa ridícula!
- Muito obrigado, Senhor! - Ben ficou extremamente agradecido. Nem sequer me olhou e já foi entrando no carro. Saiu com o carro e me deixou ali sozinha. Outro ridículo!
- Bem macho esse garoto que você arrumou, hein? Só faltou chorar. - me olhou. Eu fechei os olhos por poucos segundos para não mandá-lo ir a merda.
- Ele estava tremendo. - Mark riu e o irmão riu com ele.
- Vocês dois são ridículos. - Eu suspirei e comecei a me afastar deles.
- Onde você está indo? - perguntou, quando viu eu me afastar.
- Pra longe de vocês! - Eu continuei andando. - Talvez eu encontre um outro cara para levar pra casa! - Eu só disse isso para provocá-los.
- Aqui? - Mark gritou.
- Volta logo pra cá, . - começou a ficar impaciente.
- Vão embora! Eu me viro! - Eu preferia ficar ali sozinha do que voltar com eles.
- Entra no carro. Vou dar ré. - Mark avisou o irmão, que fez o que ele pediu. Ele estava no volante e o estava sentado no banco do passageiro. Mark colocou o carro na mão correta na pista e começou a dar ré para poder me alcançar.
- , eu sei que você está brava, mas você vai nos agradecer amanhã. - Mark tentou conversar comigo. Ele ainda estava dentro do carro e conversava comigo pela janela.
- Vão pro inferno! - Eu esbravejei, sem nem sequer olhá-los.
- Entra logo no carro, . - não se importava em ser educado. Eu ignorei e continuei andando. O carro continuava dando ré para me acompanhar.
- Por favor, . - Mark pediu com educação.
- Vocês estão me ouvindo? Eu estou mandando vocês me deixarem em paz. - Eu disse grosseiramente.
- Entra no carro! - gritou mais uma vez.
- VAI SE FERRAR! - Eu perdi a paciência de vez. - Eu não vou entrar nessa droga de carro. Eu não vou pra nenhum lugar com vocês! - Eu completei.
- Não vai? - me fuzilou com os olhos e tirou o cinto de segurança.
- O que você vai fazer? - Mark perguntou ao irmão.
- Salvar a vida dela para variar. - disse antes de abrir a porta do carro e sair. Ele colocou-se na minha frente antes que eu percebesse. - Dá pra parar de frescura? - Ele me encarou.
- Eu já disse que não vou entrar. - Eu o encarei de volta.
- Ah! Você vai! - veio na minha direção e eu já sabia o que ia acontecer. Eu já vi essa cena antes.
- Nem pense nisso! - Eu dei alguns passos para trás.
- Então, entra! - apontou em direção a porta do carro.
- NÃO VOU ENTRAR! - Eu gritei em sua direção e ele não pensou duas vezes antes de andar até mim, colocar suas braços em volta da minha cintura e me colocar em um de seus ombros. - ME COLOCA NO CHÃO AGORA, JONAS! - Eu comecei a espernear. - SOLTA! - Eu tentei descer do ombro dele, mas era impossível com ele m segurando. - ME SOLTA! - Eu gritei pela última vez antes de ele abrir a porta detrás do carro e me colocar lá dentro. Quando eu me sentei no banco, eu comecei a estapeá-lo e ele segurou as minhas mãos na hora.
- Para de bancar a mimada rebelde. Isso não me convence. - disse, encarando o meu rosto de bem perto. As palavras e a proximidade dele fizeram com que eu me calasse. Ele colocou o cinto de segurança em mim e depois bateu a porta. Mark me olhou pelo retrovisor. - Agora, nós podemos ir. - Ele afirmou ao voltar para dentro do carro.



TROQUE A MÚSICA:



O silêncio ensurdecedor permaneceu durante todo o caminho até a minha casa. Mark me olhava pelo retrovisor de tempos em tempos e o mal se movia no banco. No banco detrás, eu tentava não surtar por causa daqueles dois idiotas. Conforme os minutos iam passando, o efeito de toda a bebida que eu tinha tomado parecia que aumentava. A minha cabeça pesava cada vez mais, mas isso não fez com que a minha raiva pelo e pelo Mark diminuísse. Quando chegamos na minha casa, eu fui a primeira a sair do carro. Os dois vieram logo atrás de mim.



- Vocês podem sair do meu pé agora. Eu sei o caminho até a porta. - Eu disse antes de subir os degraus da varanda da minha casa. Eu estava um pouco tonta, por isso, acabei tropeçando em um dos degraus e os dois me seguraram na mesma hora.
- Você está bem? - perguntou, preocupado.
- Eu estou bem! Eu estou bem! - Eu disse, me desvencilhando do braço dos dois.
- Eu só estou tentando ajudar. - respondeu, irritado com o meu comportamento.
- Eu não quero a sua ajuda! Quando você vai entender? - Eu fiz questão de ser estúpida. - Quando você vai entender que eu não te quero aqui? Eu não quero você! Você só me trouxe dor e sofrimento. Ainda não foi o bastante pra você? - Eu cuspi as palavras na direção dele. - O que mais você quer de mim? - Eu perguntei retoricamente. Ele sentiu as minhas palavras na hora.
- Isso não é justo. - estava visivelmente abalado.
- Sabe o que não é justo? Todas as outras garotas terem a opção de nunca mais olhar para a cara do seu ex-namorado delas, enquanto eu sou obrigada a te aturar todos os dias! Isso sim é que não é justo! - Eu fui além. - Por que você não some de uma vez? Eu juro que não vou sentir falta de você, aliás, de vocês dois! - Eu disse antes de virar novamente de frente para a porta da minha casa, destrancá-la e entrar, batendo a porta na cara deles.

Para mim, foram só mais algumas palavras. Nós brigamos tanto nos últimos dias, que os insultos que trocávamos eram todos os mesmos pra mim. Para o foi um pouco mais difícil de ouvir e para o Mark foi difícil ver a cena e ver o seu irmão devastado logo depois. As ironias e sorrisos idiotas de simplesmente desapareceram. Ele ficou sem chão e nem ao menos conseguiu disfarçar. Eu realmente tinha pegado pesado dessa vez. saiu da varanda da minha casa em silêncio e foi direto para a casa do irmão. Mark nem tentou falar com ele, pois percebeu que ele queria ficar sozinho.

Ao entrar na minha casa, eu andei rapidamente até o sofá, pois achei que não conseguiria ficar tanto tempo de pé. Fiquei algum tempo ali sentada. Eu estava arrependida sim, mas era por ter bebido tanto e não por ter dito ao as palavras que ele merecia ouvir. Consegui me levantar do sofá e subi a escada segurando no corrimão. Fui me apoiando nas paredes até chegar ao meu quarto. Fiquei até mais feliz ao ver a minha cama. Me deitei e nem sequer sei a hora que consegui dormir.

A ressaca me pegou de jeito naquela manhã de quinta-feira. Quando o despertador tocou parecia que ele estava dentro da minha cabeça. Eu mal conseguia abrir os meus olhos e a minha cabeça parecia que pesava mais de 500 kg. Eu não conseguiria ir para a faculdade nem se eu quisesse, mas eu teria que ir ao trabalho. Assim que acordei, tomei um comprimido e fiquei deitada para descansar o máximo que eu conseguisse. Enviei uma mensagem de texto para a Meg, avisando que eu não iria para a faculdade e que só iria trabalhar naquele dia.

O dia todo foi péssimo. A Meg salvou a minha vida no trabalho, pois percebeu que eu não estava bem. Ela atendeu a maioria dos pacientes, mas quando o meu chefe aparecia eu conseguia me colocar de pé e fingir que estava trabalhando. Foi horrível! Era aquele tipo de ressaca que parecia ser eterna.

Meg me deixou em casa um pouco depois das 7 horas da noite e nem comer eu consegui. Eu cheguei, tomei mais um comprimido para dor de cabeça e cai na cama do mesmo jeito que eu estava e fiquei deitada lá até a manhã do dia seguinte.

Na sexta-feira de manhã, acordei com o barulho ensurdecedor da campainha. Eu nem sabia onde eu estava e nem como eu tinha dormido em um dia e ter acordado só no outro. Eu acordei totalmente perdida, mas a campainha continuava tocando. Eu me levantei da cama lentamente sem nem saber que horas eram. O relógio mostrou que eram quase 7 horas da manhã. Quem é que estava batendo na minha porta tão cedo? Vesti um casaco por cima da minha roupa e desci para atender a porta. Ao chegar na porta, a destranquei e girei a fechadura.

- Oi, querida! - Minha mãe gritou, me fazendo acordar de vez. Meus pais? Agora?
- Mãe? - Eu olhei para ela e para o meu pai sem entender nada.
- É tão bom te ver! Eu fiquei tão preocupada. - Minha mãe me abraçou forte. Eu continuava um pouco perdida. - Me deixe olhar pra você! - Ela terminou o abraço e olhou para o meu rosto. - Você está bem, não está? - Emotiva como sempre, minha mãe estava com lágrimas nos olhos. Era a primeira vez que ela me viu desde o sequestro.
- Eu estou bem, mãe. - Eu sorri pra ela e ela voltou a me abraçar.
- Oi, filha. - Meu pai finalmente conseguiu falar.
- Oi, pai. - Eu me aproximei e ele beijou o meu rosto.
- Você está… - Minha mãe me olhou da cabeça aos pés. - O que aconteceu com você? - Ela percebeu que havia algo errado.
- Eu… - Eu não tinha pensado em nenhuma desculpa. Eu não podia falar do porre que eu tomei dois dias atrás. - Eu estava dormindo. - Eu completei.
- Com essa roupa? - Minha mãe perguntou.
- Eu cheguei bem cansada do trabalho ontem e acabei pegando no sono sem querer. Só acordei agora. - Eu improvisei e depois sorri. - Entrem. - Eu dei passagem para que eles entrassem.
- Você não vai para a faculdade hoje? - Meu pai perguntou, consultando o relógio.
- Eu vou. Só preciso tomar um banho antes. - Eu afirmei. Eu não podia faltar mais um dia da faculdade! Além disso, eu acordei muito melhor naquela manhã.
- Então vá! Não queremos te atrasar. - Minha mãe me apressou.
- Ok. Eu volto já. - Eu afirmei e já fui logo subindo a escada.

Aos poucos, fui voltando para a minha realidade. Separei a roupa que eu usaria para ir na faculdade e fui tomar banho. O banho me ajudou a acordar de vez. Ao sair do banheiro, notei que estava MUITO atrasada e, por isso, tive que fazer tudo com mais pressa. Me vesti, fiz a minha higiene matinal e desci para comer alguma coisa. Quando cheguei na cozinha, minha mãe já tinha feito um banquete para o café da manhã. Mesmo atrasada, eu não tinha como recusar. Eu entendia o jeito carinhoso dela de me mimar por causa de tudo o que eu passei nas últimas semanas. Coisa de mãe.

- Hoje, eu vou fazer o seu prato favorito no jantar. - Minha mãe me avisou logo no café da manhã.
- Jura, mãe? - Eu fiquei feliz da vida. Finalmente uma boa notícia. - Eu estou morrendo de saudades da sua comida. - Eu disse e vi os olhos dela brilharem.
- Eu vou caprichar para você! - Minha mãe sorriu pra mim, enquanto alisava carinhosamente o meu cabelo. - Mas o seu pai vai ter que ir até o mercado buscar algumas coisas pra mim. Não tem comida nessa casa. Não sei como você estava sobrevivendo. - Ela já aproveitou para me dar um puxão de orelha.
- Faz algum tempo que não vou ao mercado. - Eu fiz careta.
- Odeio ir ao mercado. - Meu pai rolou os olhos.
- Espera. Eu já sei! - Eu tinha tido uma ideia. - Depois que eu sair do trabalho, o senhor passa para me buscar e vamos direto para o mercado. Eu te ajudo com as compras. - Eu disse.
- Eu não vou poder te ajudar com as compras, porque vou estar ocupada na cozinha. - Minha mãe já tirou o corpo fora.
- Já que você não pode, vamos fazer do jeito que a falou. - Meu pai concordou comigo.
- Pode ser. - Minha mãe mostrou-se indiferente.
- Ótimo! Então, você pode me levar para a faculdade, pai? Depois eu vou com a Meg pro trabalho e de noite o senhor me busca. - Eu já tinha traçado todo o plano.
- Vamos. Eu levo! - Meu pai concordou numa boa.
- Legal! - Eu comemorei. - Eu te vejo mais tarde então, mãe. - Eu fui até ela e beijei o seu rosto. Ela me abraçou forte.
- Boa aula e bom trabalho, querida. - Minha mãe também beijou o meu rosto.
- Obrigada pelo café da manhã. Estava ótimo. - Eu agradeci, enquanto me afastava.
- Até mais tarde. - Minha mãe acenou antes de me ver desaparecer pela porta junto com o meu pai.

No caminho para a faculdade, meu pai foi me fazendo um interrogatório. Ele queria saber sobre qualquer tentativa de reaproximação do Steven e eu deixei ele tranquilo, dizendo que nunca mais tinha visto ele. Meu pai também perguntou sobre o Mark e depois sobre o . Eu contei que o estava morando na casa do Mark, mas que não costumava vê-los com muita frequência. Infelizmente, eu tive que esconder as brigas e qualquer outro tipo de relacionamento que eu tivesse tido com um deles. Era melhor não falar sobre eles, pois esse assunto ainda não me deixa totalmente confortável.

também acordou bem cedo naquela sexta-feira. Ele continuava pensando sobre a noite passada e sobre todas as coisas que eu disse pra ele. Era muito difícil pra ele aceitar que o fato de ele se importar tanto comigo, me machucava tanto. Era difícil pra ele aceitar que a minha felicidade dependia do afastamento dele. Era difícil pra ele aceitar que eu o queria longe. Pensando em tudo isso, resolveu tomar uma decisão. Se eu queria que ele se afastasse, ele faria isso. Ele voltaria para Atlantic City ainda naquele dia!

- Ué! O que aconteceu com você? - Mark estranhou ao encontrar o irmão acordado logo cedo. Não era algo muito comum.
- Eu pensei muito durante a noite e também pensei bastante agora cedo. - começou dizendo. - E… eu decidi voltar para Atlantic City. - Ele completou.
- O que? - Mark ficou surpreso.
- Eu vou voltar para o meu trabalho, pra minha casa e pra minha família. Pelo menos lá eu tenho com o que ocupar a minha cabeça. - achou melhor não citar o meu nome.
- Você está fazendo isso por causa dela, não é? - Mark tinha certeza.
- Olha, eu não vou ficar aqui se for pra fazê-la sofrer. Se ela acha que vai ficar melhor estando longe de mim, eu posso fazer isso por ela. - ergueu os ombros.
- Eu entendo o que você está dizendo, mas… talvez nós consigamos encontrar um outro jeito de lidar com isso. - Mark tentou dar um jeito. A verdade é que ele não queria que o irmão fosse embora, mas ele jamais assumiria isso.
- Não adianta! Você ouviu ela ontem, não ouviu? Ela foi bem clara. - parecia já estar decidido.
- Eu ouvi, mas e daí? Não é você que vive me dizendo para parar de fazer tudo o que ela quer? Ignore o que ela quer e faça o que você quer. - Mark tentou fazê-lo mudar de ideia.
- Eu ignorei até o momento em que eu achei que estava fazendo o melhor pra ela. Hoje, eu sei que eu não estava fazendo o melhor pra ela. Eu estava fazendo o melhor pra mim. - foi sincero. - E, cara, eu amo ela. - Ele assumiu sem qualquer constrangimento. - Se eu realmente estou fazendo mal a ela, eu prefiro ir embora. - Ele manteve a sua decisão.
- Você já tomou a sua decisão, né? - Mark percebeu.
- Já. - confirmou ao afirmar com a cabeça.
- E quando você vai? - Mark quis saber.
- Hoje a tarde. Antes, eu quero passar na casa do Steven. - disse, deixando Mark sem entender.
- Por quê? - Mark perguntou.
- Antes de ir embora, eu preciso olhar pra ele e ter certeza de que ele não vai tentar mais nada contra ninguém. - explicou.
- Se você acha que é necessário. - Mark ergueu os ombros. - Bom, eu acho que… não vamos nos ver mais. Quando eu chegar do trabalho, você já vai ter ido embora. - Ele disse, sem jeito.
- Eu acho que sim. - afirmou com um fraco sorriso.
- Então… - Mark foi até ele e estendeu uma de suas mãos na direção do irmão. olhou para a mão do irmão e voltou a sorrir antes de apertá-la.
- Obrigado por tudo. - agradeceu. - E desculpa qualquer coisa ou… tudo. - O sorriso dele aumentou.
- Tudo bem. É o meu trabalho, certo? Aturar o meu irmão mais novo. - Mark rolou os olhos, fazendo com que o risse.
- Você fez um bom trabalho. - precisava que ele soubesse.
- Você também não foi tão ruim. - Mark devolveu a gentileza. Eles trocaram sorrisos.
- Se um dia você for para Atlantic City, me liga. Meu sofá estará esperando por você. - disse e o irmão gargalhou.
- Eu vou me lembrar disso. - Mark disse ainda entre risos.
- Pode cobrar. - afirmou, apertando ainda mais a mão do irmão. Em meio a um gesto involuntário, ele puxou o Mark para mais perto e deu alguns tapinhas em suas costas. Foi quase um abraço. Se formos levarmos em consideração a relação deles, foi muita coisa!
- Boa viagem. - Mark também devolveu os tapinhas na costa do irmão mais novo. - Qualquer novidade, me avisa. - Ele completou.
- Você também. - estava um pouco sem graça por conta do quase abraço, mas o Mark também estava.
- Vejo você por ai. - Mark disse, enquanto se afastava.
- Te vejo por ai. - afirmou da mesma forma.

Mark saiu triste de casa naquele dia e, com certeza, voltaria para casa ainda pior. Apesar de todas as brigas e discussões, tem sido a única família que restou para ele. Eles se aproximaram tão rápido e também tiveram pouquíssimo tempo para que um começasse a ver o outro como irmão, mas eles conseguiram. Por pior que fosse, eles conseguiram! Mesmo sem admitir e sem demonstrar, eles se importavam um com o outro e queriam ter um ao outro por perto. Para o Mark, todo aquele sentimento era ainda mais intenso devido a todas as perdas que ele já sofreu. Mark nunca teve muitas pessoas em sua vida, mas as pessoas que ele teve realmente marcaram a sua vida. era uma dessas pessoas mesmo sem ter a intenção, mesmo sem nem saber.

estava bem triste com a ideia de ir embora, mas também estava feliz em voltar para casa. Ele estava morrendo de saudades de sua mãe e de . Tinha decidido ir até a casa do Steven um pouco depois do almoço e ao sair da casa de Mark para almoçar, viu que o carro dos meus pais estava estacionado em frente a minha casa. Na hora, ele lembrou de ter escutado o falar alguma coisa sobre isso na semana passada.

Depois de almoçar, voltou para a casa de Mark e arrumou as suas coisas e chegou a colocá-las no porta-malas do seu carro. Era um pouco mais de 2 horas da tarde, quando ele resolveu sair da casa do irmão. Ele ainda tinha a intenção de passar na casa de seu pai, por isso, não podia demorar muito. Trancou a porta e resolveu levar a chave da casa com ele. Mark era sozinho mesmo. O que ele faria com a chave reserva? chegou a entrar em seu carro e antes de dar a partida, olhou para a minha casa e viu novamente o carro dos meus pais. Depois de pensar um pouco, ele resolveu fazer algo que deveria ter feito há muito tempo. Desceu do carro, foi até a minha casa e bateu na porta com um pouco de receio. Demorou algum tempo até que meu pai atendesse a porta.

- Olá. - Meu pai ficou um pouco surpreso ao vê-lo. - Você quer falar com a , certo? Ela não está. - Ele deduziu.
- Não. Na verdade, eu vir falar com o senhor. - estava um pouco receoso em relação àquela conversa.
- Comigo? - Meu pai estranhou. - Algum problema? - Ele achou que pudesse ter acontecido alguma coisa.
- Não. Não é nada. - sorriu, demonstrando nervosismo. - Eu só queria mesmo pedir desculpas. O que eu fiz da última vez que nos vimos não foi certo. Eu… - Ele começou a falar tudo de uma vez e meu pai teve que interrompê-lo.
- Entre. - Meu pai queria que ele se acalmasse. aceitou o convite e entrou na casa. Meu pai o acompanhou até a sala.
- Me desculpa se eu estou um pouco nervoso, mas é que eu nem sei como te olhar depois do que aconteceu. - estava tentando se recuperar.
- Fica calmo, garoto. Eu não estou te julgando. - Meu pai tentou acalmá-lo.
- Eu sei. O senhor é uma boa pessoa. - continuava muito nervoso.
- Você também é uma boa pessoa, . - Meu pai percebeu o quanto aflito ele estava.
- Não. Eu não sou. - sorriu fraco. - Eu já fiz muita coisa errada e a pior de todas eu fui fazer logo com o senhor, que confiou tanto em mim mesmo quando não deveria. - Ele completou, visivelmente arrependido.
- Você precisa parar de se culpar tanto por isso. As suas razões para ter aquela atitude foram totalmente compreensíveis. Se eu não te culpo, você também deveria parar de se culpar. - Meu pai tentou aconselhá-lo.
- Mas a sua filha ainda me culpa. - deixou poucas lágrimas alcançarem os seus olhos.
- Eu sei. Eu já tentei conversar com ela, mas é um assunto muito delicado pra ela. - Meu pai explicou.
- Eu entendo. - afirmou com a cabeça. - Bem, eu só queria que o senhor soubesse que o que aconteceu naquele dia jamais vai se repetir. Me perdoe mesmo pelo que eu fiz. Foi estúpido e idiota da minha parte. - Ele voltou a se auto julgar.
- Eu soube quem você era desde o começo, garoto. Eu sabia de quem você era filho e mesmo assim confiei em você e deixei que os meus filhos se aproximassem de você. Saiba que eu não me arrependo de ter feito isso. - Meu pai achava que precisava dizer esse tipo de coisa pra ele.
- Isso significa muito. - Os olhos de voltaram a encher de lágrimas. Ouvir isso logo da pessoa pra quem ele apontou uma arma era algo inexplicável, era libertador.
- Eu vejo muito do Steven em você, . - Meu pai sorriu pra ele. - Eu fui amigo dele por muitos anos e ele era uma pessoa incrível. Ele era uma pessoa de quem eu me orgulhava de ser amigo. - Ele contou. - Mas não se preocupe. Eu sei que você só herdou a parte boa dele. - Meu pai o tranquilizou.
- Será mesmo? - No fundo, sempre teve esse medo. Ele sempre teve medo de acabar se tornando uma pessoa como o seu pai.
- A maldade não está no sangue, garoto. Ela está no coração. - Meu pai apontou em direção ao peito de . - E você tem um bom coração. - Ele afirmou, arrancando um sorriso emocionado do .
- O senhor não faz ideia do quanto significa ouvir isso do senhor. Eu não sei como agradecer. - passou as mãos pelos olhos, sem jeito por causa das lágrimas.
- Você já agradeceu. - Meu pai disse. - O sorriso que você costumava trazer todos os dias para o rosto da minha filha. Esse sorriso… eu vou ficar te devendo. - Ele riu, fazendo com que o risse também. Ele ficou muito feliz em ouvir aquilo.
- Bem, eu não vou mais tomar o seu tempo. - levantou-se do sofá. - Antes eu estava em dúvida se deveria vir até aqui. Que bom que eu vim. - Ele suspirou. Parecia até mais aliviado.
- Se cuida, garoto. - Meu pai também se levantou do sofá para acompanhá-lo até a porta.
- Obrigado, senhor. - agradeceu mais uma vez. - E se puder, não conte a que eu vim. - Ele pediu para a surpresa do meu pai.
- Claro. - Meu pai concordou mesmo sem entender. Ele imaginou que o iria querer que eu soubesse que ele tinha ido até lá para pedir desculpas ao meu pai.
- Obrigado. Boa tarde! - despediu-se mais uma vez e afastou-se da porta.

A conversa com o meu pai foi ótima e o deixou muito feliz, mas também o deixou muito emotivo. As coisas que o meu pai tinha dito para ele era tudo o que ele mais precisava ouvir. Depois do dia em que ele apontou a arma para o meu pai, ele não parou mais de jugar e condenar a si mesmo pelo que ele tinha feito. tinha muito medo de acabar se tornando uma pessoa vingativa e amarga como o seu pai. Ele tinha muito medo de acabar sozinho. As palavras do meu pai serviram como um conselho, mas serviram ainda mais para que o acreditasse em si mesmo e acreditasse em quem ele realmente era. Não importa quem é o Steven ou quem ele se tornou. A única coisa que importa é que o era completamente diferente dele e a maior prova disso era a volta dele para Atlantic City. Ele não me forçaria a conviver com nada que eu não quisesse.

Depois de sair da minha casa, levou mais algum tempo para conseguir coragem para ir até a casa do pai. Se realmente não fosse importante, desistiria de ir até lá. Era um pouco mais que 5 horas da tarde quando ele parou o carro em frente a casa de seu pai. Ele ainda relutou mais algum tempo em ir até lá. Era muito difícil para ele ter que olhar para o seu pai e ver aquela pessoa horrível que ele se tornou. Desceu do carro, o trancou e foi andando até a porta. Bateu duas vezes e na terceira, Steven abriu a porta.

- Filho? - Steven ficou surpreso. Não esperava a visita do filho.
- Oi. - ainda reagia mal ao vê-lo chamá-lo de filho. - Nós precisamos conversar. - Ele disse, sério.
- Precisamos? - Steven olhou para dentro da casa. Parecia que algo o incomodava. - Eu estou um pouco ocupado agora. Será que podemos marcar uma outra hora? - Ele estava estranho.
- Não. Tem que ser agora. - disse, irritado. Como assim marcar outra hora?
- Hum… - Steven olhou novamente para dentro da casa e decidiu sair para fora e fechar a porta da casa. - Ok. - Ele esperou o filho dizer.
- Qual o problema? - estava muito desconfiado.
- Não é nada. É que eu já estava de saída. Só isso! - Steven explicou.
- Pra onde? - continua bastante desconfiado. Até a atitude do pai estava estranha.
- Eu só ia ao mercado, está bem? Não precisa controlar todos os meus passos. - Steven disse, impaciente.
- Não preciso? - arqueou uma das sobrancelhas.
- Você queria falar comigo, não queria? Estou te ouvindo. - Steven novamente demonstrou estar com pressa.
- Eu só queria te fazer uma pergunta. - deixou a desconfiança de lado e focou somente no que tinha vindo fazer ali.
- Então, faça! - Steven esperou que ele perguntasse.
- Seja honesto comigo, ok? Você me deve isso. - pediu, deixando o pai mais curioso.
- Está bem. - Steven o olhava.
- Você não quer mais fazer nenhum mal a , certo? - aguardou por sua resposta.
- De novo isso, ? - O pai mostrou-se impaciente.
- Só responda a minha pergunta e eu te deixo em paz! - abriu os braços. - A sua vingança insana acabou, não é? Você não vai mais machucá-la. Eu posso acreditar nisso, não posso? - Ele colocou o pai contra a parede, que manteve-se em silêncio. - Posso, Steven? Responda! - foi mais enérgico.
- Pode. - Steven confirmou. - Eu não vou mais machucá-la. - Ele afirmou.
- Promete pra mim! - queria ter certeza.
- Eu prometo, . - Steven afirmou, fazendo cara feia.
- Ok. - pode respirar mais aliviado. Agora sim, ele poderia ir embora em paz. - Era só isso que eu precisava saber. - Ele completou.
- E… como você está? - O pai quis saber.
- Eu estou bem. - respondeu, mas não devolveu a pergunta. - Eu já terminei o que eu vim fazer aqui. Não vou mais ocupar o seu tempo. - Ele saiu, sem nem ao menos se despedir do pai.
- Até logo, filho. - Steven viu o filho afastar-se. Ele ficava muito decepcionado com a forma com que o o olhava e o jeito que ele falava com ele.
- Adeus, Steven. - Foi a única coisa que o respondeu. Entrou no carro sem nem sequer olhá-lo e deu a partida no carro.

estava muito mais aliviado e feliz. Ele estava indo embora com a certeza de que eu ficaria bem. Eu ficaria bem não só por que o Steven me deixaria em paz, mas também por que o estava indo embora. Ele achava que tinha arruinado a minha vida e agora que ele achava que tinha colocado tudo em ordem, ele podia ir embora. Suas malas já estavam em seu carro e ele estava prestes a sair da cidade, quando percebeu que estava sem a sua carteira. Lembrou-se de deixá-la sobre a mesa de jantar da casa do Mark.

- Merda. - esbravejou, quando percebeu que teria que voltar. Se fosse qualquer outra coisa, ele deixaria para trás, mas a carteira não dava.

O dia começava a anoitecer e foi obrigado a fazer o retorno para voltar para Nova York. A casa de Mark ficava quase do outro lado da cidade, por isso, demorou algum tempo para chegar lá. Estacionou o carro em frente a casa do imão e chegou até a deixar a chave do carro no contato. Ele pretendia ser bem rápido. Desceu do carro com a chave da porta da casa do Mark nas mãos e no trajeto até a porta, percebeu que o meu carro não estava na garagem. O carro de Mark também não estava lá, o que queria dizer que ele também não tinha chegado do trabalho. Ele adentrou a casa e foi direto para a mesa de jantar.

- Sabia. - negou com a cabeça ao ver a carteira sobre a mesa. Junto dela também tinha uma folha de papel dobrada em dois. O papel esteve com ele durante toda a semana, enquanto ele esforçava-se para escrever algumas palavras, que ele imaginava que ninguém jamais leria. - Ainda bem que eu voltei. - Ele comentou com um fraco sorriso. Ele não queria que o irmão visse aquele papel.

guardou a carteira em seu bolso e o papel no bolso de sua jaqueta. Foi andando em direção a porta e ao passar pelo corredor ouviu um barulho, que parecia vir de um dos quartos. Como ele já tinha escutado esse barulho antes, foi muito fácil identificá-lo. Ele foi direito no quarto secreto do Mark, onde ficava o radar. Aproximou-se da pequena TV, que apitava muito mais rápido e mais alto do que da última vez. Os olhos calmos passaram a ficar cheios de preocupação, enquanto ele encarava a tela com atenção. O coração parou quando ele viu que o ponto vermelho e o ponto verde estavam no mesmo lugar. deu alguns passos para trás, sem saber como lidar com aquilo. Ele sabia que tinha que agir muito rápido. Ele sabia que o seu pai estava prestes de causar uma tragédia.

Meu pai já tinha ido me buscar no trabalho e nós tínhamos chegado no mercado há uns 25 minutos. Meu pai era mesmo um desastre no mercado. Ele nunca sabia onde ficava nada e ficava rodando pelos corredores igual uma barata tonta. Ele também não sabia quais as melhores marcas dos produtos que a minha mãe tinha pedido pra ele comprar e sempre acabava comprando tudo errado. Enfim, eu só ia mesmo ao mercado com ele pra ficar rindo dele.

ainda estava em frente ao radar e os olhos continuavam esbugalhados e o coração não dava qualquer sinal de vida. Ele mal estava conseguindo respirar. No tempo em que ele ficou ali parado, muitas coisas vieram em sua cabeça: o comportamento estranho e o mistério do Steven naquela tarde; a conversa com o meu pai e o fato de ele estar na cidade; a pressa de Steven em ir ao mercado, que era justamento o local onde ambos os rastreadores naquele exato momento e a promessa que Steven tinha feito de que não faria mais nada comigo.

- Ele prometeu que não faria nada com ela, mas não falou nada sobre o pai dela. - concluiu em voz alta, sentindo o corpo estremecer.

não pensou em avisar o Mark ou em tentar me avisar. Alguma coisa dizia que ele precisava ser rápido. Ele não tinha tempo para pedir ajuda ou avisar ninguém. Se alguém iria impedir o Steven, esse alguém seria ele. saiu correndo desesperadamente de dentro da casa de Mark e nem chegou a trancar a porta. Entrou no carro em questão de segundos e foi imediatamente para o mercado, que ficava bem próximo da minha casa.

Mark chegou do trabalho menos de 3 minutos depois que tinha abandonado a casa as pressas. Ao chegar, ele não percebeu nada estranho. Ficou visivelmente chateado quando não viu o carro do na frente da casa. Desceu do carro e andou até a porta de sua casa. Ao destrancar a porta, estranhou ao perceber que ela tinha sido deixada aberta. Entrou na casa totalmente desconfiado e logo ouviu o alto barulho que vinha do radar. Ele já desconfiava do pior ao chegar no quarto, encarar o radar e ver que os dois rastreadores estavam juntos.

- Não. Não. Não. - Mark saiu correndo do quarto. Ele tinha certeza que também tinha visto o radar e tinha saído as pressas para tentar evitar o pior. Mark voltou para o seu carro e saiu dirigindo loucamente até o mercado que constava no radar. Ele precisava chegar a tempo.

chegou na rua do mercado e já começou a disparar olhares para todos os lugares, tentando encontrar o Steven. Ele não achava o pai em lugar nenhum, mas viu quando eu e o meu pai saímos do mercado com as compras nas mãos. Nós estávamos distraídos e riamos sobre alguma coisa. Meu pai abriu o porta-malas do carro e começamos a colocar as sacolas lá dentro. Ao nos ver, parou o carro no meio da rua e saiu de dentro dele. Mark estava apenas alguns carros atrás do carro de e quando viu que o transitou parou, também abandonou o seu carro e resolveu ir até lá correndo.

- Não, pai! - já se aproximava de onde eu e o meu pai estávamos quando, em questão de segundos, ele viu o seu pai atrás de uma das árvores. A arma de Steven já estava apontada na direção em que eu e o meu pai estávamos.

As coisas aconteceram muito rápido, mas para tudo parecia ter acontecido em câmera lenta. Depois de ver a arma na mão de seu pai apontada na direção do meu, ele lembrou-se da conversa que eles tiveram naquela tarde. se lembrou do perdão que o meu pai tinha dado a ele apesar de tudo e das palavras tão sinceras que chegaram a acalmar o seu coração e a limpar a sua alma. Ele sabia que o meu pai não merecia aquilo. já estava correndo na nossa direção, quando olhou para mim e depois para o meu pai pela última vez. não teve dúvidas do que ele tinha que fazer.

Mark chegou em frente ao mercado pouco antes do tiro ser disparado. Deu tempo de ele parar e olhar para o irmão que corria na mesma direção em que eu e o meu pai estávamos, mas percebeu que ele olhava para alguém que estava atrás das árvores. Mark acompanhou os olhares do irmão e viu Steven entre as árvores no momento em que ele apertou o gatilho. Os olhos desesperados voltaram a olhar para o seu irmão.

- NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAOOOOOO! - Mark gritou assim que viu o irmão mais novo saltar na frente do meu pai no momento exato em que a bala iria alcançá-lo. Mark viu exatamente quando a bala atingiu o lado direito do abdômen do . A gritaria e desespero de todos que estavam na rua começaram de uma hora pra outra, mas Mark não conseguia ouvir absolutamente nada. Ele estava em choque.

O barulho do tiro não me fez gritar ou correr, mas fez o meu coração congelar. A primeira coisa que eu fiz foi olhar para o meu pai para ter certeza de que ele estava bem. No primeiro momento, ele foi a minha única preocupação. Ao olhá-lo, vi seus olhos esbugalhados olharem para baixo. Meus olhos assustados acompanharam os olhos dele e só então eu percebi quem estava caído aos meus pés. Meus olhos se encheram de lágrimas em questão de segundos e minhas pernas desabaram, me fazendo cair de joelhos ao lado do corpo de . Eu o olhei de mais perto e vi uma quantidade enorme de sangue. Aos mãos de estavam em cima do local acertado pela bala e o sangue vazava compulsivamente pelos seus dedos.

- . - Foi a única coisa que eu consegui dizer. Me inclinei sobre ele e agarrei o seu rosto com minhas duas mãos. Eu precisava ter certeza de que ele estava vivo. Eu precisava que ele abrisse os olhos para me olhar mais uma vez.
- Não. Não. Não. - Mark ajoelhou-se do outro lado do corpo do irmão. Ele estava desesperado. Ele olhava para todo aquele sangue e não conseguia se mexer. - . - Ele também inclinou-se para olhar para o rosto do irmão. Eu olhei para o Mark com tristeza e com os olhos marejados.



Mark me olhou de volta por alguns segundos e depois voltou a dar toda a sua atenção para o irmão. - ! - Mark gritou o nome do irmão novamente. Suas mãos tremiam como nunca e o coração parecia que nunca mais voltaria a bater. Ele não podia perder outra pessoa. Ele não podia perder a sua única família logo agora.









CONTINUA...







Nota da Autora: 


Hey! Então, eu espero que estejam gostando da fanfic. Está dando muito trabalho, mas eu estou AMANDO escrevê-la. Eu me inspirei em uma outra fanfic que eu li e fiz as minhas MUITAS alterações (com a autorização da autora da mesma). Como vocês já perceberam, ela está em andamento. Eu vou postar de acordo com o que eu for escrevendo. 

Vocês devem ter percebido que nessa fanfic, os Jonas não são tão 'politicamente corretos' e nem tem uma banda. Eu achei legal fazer uma coisa diferente.

Enfim, deixe o seu comentário aqui embaixo. A sua opinião é importante, pois me incentiva a escrever ainda mais e mais.

Beijos e qualquer coisa e erro, mandem reply pra mim lá no @jonasnobrasil . 


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